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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Caminhos do Destino - Capitulo XXXI





Amores estou voltando a ativa com a história. Eu não fiz tudo sozinha, tive ajuda de uma grande amiga chamada Lara e saibam que ela é uma pessoa incrível!
Lara esse capitulo é para você!



Capitulo XXXI – A História de Matthew e Paul



A vila de Morish ao norte de Gaulesh era pequena e pobre. Suas ruas de terra eram um grande lamaçal nas chuvas e viravam nuvens de poeira na seca. Ao redor da vila o terreno era montanhoso e cheio de pedras o que tornava plantar um ato de coragem, já que a terra não era fértil.

Todavia as florestas eram outro assunto. Eram imensas, cheias de plantas medicinais e comestíveis com farta caça. Mas Morish não era conhecida por isso, a vila tinha a fama de ter a melhor Noite das Fogueiras de reino e muitos diziam que a melhor de muitos reinos daquela parte do mundo.

— Exagero – resmungou Dylan tomando sua caneca de cerveja preta com uma tacada só.

— Quem sabe? – Matthew tomava uma caneca de myadukha, uma bebida efervescente feita com mel e água, muito consumida em Gaulesh pelas mulheres o que fazia com que Dylan sempre gozasse o irmão por este gosto.  

Os dois irmãos estavam viajando pelo país a procura de aventuras e de fugir um pouco da família que os atormentavam. Eles ouviram falar de como era a festas das fogueiras na vila em uma cidade mais ao norte e não resistiram partindo para o que seria uma boa farra.

Agora estavam na taverna da vila bebendo e ouvindo os aldeões gabando em como a sua festa era boa.

Dylan era um homem alto e imponente. Seus olhos violetas eram frios e decididos, mas uma chama queimava dentro deles. Matthew era pouco mais baixo que Dylan e bem mais novo, quase um garoto com a bronzeada em um belo tom dourado e tinha os olhos da mesma cor dos do irmão, mas o brilho dentro dele era mais calmo, cheio de alegria de viver e sede de aventura.

Os dois eram príncipes de Gaulesh, na verdade Dylan era o príncipe herdeiro do reino, mas estava ficando cheio de aturar a mãe e verdade seja dita, do pai também. Ele tinha consciência que um dia ia ser rei, mas era jovem e o que queria no momento era diversão e por isso chamara o irmão caçula e, praticamente fugindo, foram reino a fora.

— E vocês forasteiros? – um homem baixo e atarracado perguntou virando para eles de uma mesa perto – Vieram para a noite as fogueiras?

— Ouvimos falar e viemos conferir – responde Matt sorrindo.

— Não vão se arrepender – disse o companheiro do homem que estava tão bêbado quanto o outro.

Nesse momento o som de uma trompa de caça se fez ouvir por toda e vila e todo mundo foi se levantando das mesas.

— É hora pessoal! – gritou o dono do bar com um grande sorriso – Para a mata!

— Vamos lá! – disse Matt todo alegre para o irmão que estava rindo da vitalidade do seu irmãozinho.

Eles saíram junto com os outros para a rua cheia, as pessoas iam rumo ao bosque que ficava a cerca de cem metros no fim da vila.

As casas que viam eram muito pobres e Dylan franzia as sobrancelhas ao ver isso. Eram pequenos cômodos de paredes de barro com telhado de palha que de modo algum era o ideal para o inverno rigoroso daquela parte do reino. A maioria tinha chiqueiros nos fundos cheios de porcos que era à base da alimentação local e o cheiro do local revirava o seu estomago.

— Vou falar com o administrador local – resmungou Dylan apenas para o irmão ouvir – Nunca vi uma vila mais pobre e sem estrutura.

— Eles não têm muito que plantar – disse Matt olhando a terra cheia de pedras.

— Não, mas tem outras coisas aqui Mat. Já viu as rochas direito? As formações vítreas de época da grande catástrofe?

— Sim eu percebi – Matt não entendia onde o irmão queria chegar.

— Os velhos livros dizem que essas formações que parecem grossos vidros que aparecem nas rochas são locais onde explodiram uma arma, uma bomba de energia, seja lá o que isso quer dizer, mas o que importa é que todos os locais dessas formações há muito diamante vermelho.

Matt olhou o outro arregalando os olhos.

— Isso mesmo, a bendita pedra preciosa que os anões tanto amam. Elas são boas para fazer jóias, dão trabalhos maravilhosos e o processo de mineração, na sua maioria, na superfície e em pequenas profundidades.

— Em outras palavras esta pode ser uma terra muito rica.

— Exato – Dylan torceu os lábios – E tenho a desagradável intuição que o administrador sabe disso.

— Bem irmão – Matt sorriu – Vamos esquecer um pouco disso? Vamos nos divertir um pouco?

O outro sorriu para o irmão. Matt ainda era um garoto cheio de vida mesmo depois de passar por tudo que seus pais haviam feito com ele. Espera que ele nunca mude.

— Então vamos lá irmãozinho!

— Da para parar de me chamar de irmãozinho? Eu estou ficando mais alto que você!

O outro fez um bico que fazendo o príncipe cair na gargalhada.

Rindo ambos foram junto com os outros homens por um caminho que serpenteava em meio às grandes arvores.

As mulheres tinham se refugiado em casa. Era uma noite louca, onde todos perdiam suas inibições.

Chegaram até uma grande clareira onde tochas estavam acessas iluminando um velho senhor em frente a uma grande tigela de pedra. Perto deles havia uma jaula com um belo cervo marrom. Sua grande galhada batia nas grades da jaula e seus olhos brilhavam a luz das tochas. Já na esquerda havia uma caverna, mas não dava para ver o interior.

O velho ergueu a mão enrugada e todos fizeram silencio.

— Que a Deusa esteja com todos nós. Um novo ciclo das nossas vidas se finda e outro tem inicio. É nosso dever sagrado homenagear aqueles que nos dão vida – ergueu o dedo para o céu – a Deusa – e apontou para o cervo – e o rei cervo que cuida dos animais e de nossos rebanhos para que nada nos falte nesse novo ciclo.

Nesse momento a trompa de caça soou com três lamentos longos e fogueiras começaram a serem acessas em toda a mata, milhares delas iluminando por entre as árvores da floresta. 



— Celebramos por milhares de anos nossas divindades para que nunca mais a grande catástrofe ou a fome volte a nos assolar. Que a Deusa abençoe cada um de nós.

Todos baixaram a cabeça em sinal de obediência.

— Para aqueles que nos visitam – o velho continuou – O cervo será solto no bosque e um de vocês deve pegá-lo e sacrificá-lo ao rei cervo. Assim que matar o animal um grito deve ser dado para que todos celebrem o jubilo com ele. Seu premio o espera na caverna, uma pessoa que está disposta a dar sua virgindade para aquele que for o rei cervo por uma noite.

Um murmúrio encheu a clareira, como todo murmurando sobre as delicias de um corpo virgem.

— Todos que forem participar devem se preparar bebendo da vida – apontou a bacia – O sangue que corre em nossas veias é a vida de tudo – o velho mergulhou uma taça no liquido espesso – Que dêem inicio à Noite das Fogueiras!

Dylan e Matt deram um pulo com o grito de jubilo que levantou da multidão que ia se aproximando em um por um para beber um gole da taça nas mãos do velho.

— Você quer mesmo beber sangue? – Dylan fez cara de nojo para Matt, mas o irmão nem lhe deu atenção e foi para a fila.

Com cara de desgosto o príncipe o seguiu e quando a taça encostou-se à sua boca e o liquido vermelho começou a descer por sua garganta, tomado de nojo ele procurou um local e cuspiu a beberagem. Alem do gosto metálico do sangue ele podia sentir algo mais sutil, um leve gosto de amêndoas e sálvia, um afrodisíaco forte feito com ervas das matas dos elfos.

Olhou para Matt que tinha o rosto afogueado e sacava a faca com um sorriso nos rosto.

— Esse premio já é meu.

— Vai achando irmãozinho – disse Dylan sacando a faca também – Eu sou o mais velho – Dylan não precisava de afrodisíaco para vencer aquele bando de aldeões e seu irmão caçula.

Nesse momento a multidão gritou e olhando para trás viu que o cervo estava sendo solto.

O belo animal assim que viu a jaula aberta pulou para fora e saltou para a mata, depois disso a floresta virou um grande caos

~~***~~

Durante muito tempo Paul se perguntaria o que havia dado na sua cabeça em participar daquilo, mas na época parecia a coisa certa a se fazer.

Carregando um grande fardo de cevada selvagem, que crescia aos montes entre as rochas perto do rio Azul ao sul da vila, Paul andava pela única rua da vila vendo as pessoas na porta da taverna olhando um papel.

— Não acharam ninguém para ser a oferenda para o rei cervo? – um senhor magro e calvo parecia escandalizado – Seremos amaldiçoados.

— O problema é dessa juventude – disse o outro escarrando no chão – Não é mais puros no mundo. Estamos diante da grande catástrofe novamente.

Paul revirou os olhos com a dramaticidade do outro, mas quando se pôs em movimento novamente quase tropeçou ao ouvir o premio pela participação.

Com aquilo e mais alguns meses fazendo bicos ele teria dinheiro para ir embora, para recomeçar a sua vida longe de um pai violente e das pessoas preconceituosas daquela vila.

Avançou vergado com o peso do fardo até a casa onde morava com o pai. Era a mais pobre da vila e mesmo que ele tentasse manter tudo limpo a casa vivia imunda, cheia de restos de comida e garrafas de bebida que seu pai trazia para casa. Os fundos da casa era tomada de um grande chiqueiro onde criavam porcos, sua fonte de renda.

Paul deixou o fardo cair e jogou algumas braçadas dentro do cercado onde os magros porcos atropelavam uns aos outros para comer e foi até a porta de casa olhando para dentro. Seu pai estava deitado na única cama que tinham no cômodo escuro. A mesa perto do fogão apagado estava cheio de garrafas e ele podia ouvir os roncos do homem dali.

Tomando coragem saiu correndo para a casa do ancião, um velho homem que cuidava da noite das fogueiras.

Ele estava sentado na porta da casa fumando seu cachimbo e olhando com olhos negros as pessoas passando na rua.

— Boa tarde senhor Shia.

O ancião olhou para ele de modo frio e não respondeu, mas isso não desanimou Paul que munido de coragem disse:

— Eu quero ser a oferenda na noite das fogueiras.

O velho levantou uma sobrancelha branca.

— Você é virgem menino?

— Juro pela Deusa que sou.

— Sabe que falsos juramentos são punidos com a morte, não é?

— Eu sei e não tenho medo. Nunca estive com ninguém, nem homem, nem mulher.

— Oferecer-se como oferenda não é apenas aceitar que um desconhecido vai tirar a sua virgindade, mas que ambos vão estar tão drogados que nem saberão o que esta acontecendo, ele não será gentil.

— Eu não espero gentileza de ninguém – a única coisa que Paul queria na vida era ir embora e se tinha que vender sua virgindade para isso, tudo bem.

Ser uma oferenda era uma grande honra para qualquer um. Eles eram vistos como heróis, como os salvadores da vila, já que, para eles, não fazer a noite das fogueiras era como uma ofensa inenarrável para a Deusa e a certeza de que a vila seria amaldiçoada com um ano de fome. Nunca houvera um ano em que a noite das fogueiras não acontecesse.

— Se esta é sua decisão, então vá até a casa de purificação com as mulheres – ele tirou o cachimbo da boca – Acredito que não queira avisar o seu pai.

— Não senhor – respondeu Paul com um estremecimento.

— Vá, eu devo avisar a todos que temos uma oferenda.

Paul assentiu e correu para a mata, para uma caverna em uma clareira onde teria inicio à caçada.

Olhou para o belo cervo pensando que seria um pecado matá-lo, mas sabia que esse era o destino do animal, assim como era o seu destino ser entregue ao seu caçador.

Entrou na gruta vendo que o chão era de uma areia fina, as paredes tinham vitrificações de rocha por todo o lado, parecia que alguém tinha derretido uma parte das rochas e depois as deixadoelas esfriarem. Eram lembranças da grande catástrofe que mudou a Terra há milhares de anos atrás.

Nos fundos havia uma piscina natural em meio a um grande salão iluminado por candeeiros de óleo. Cerca de dez mulheres vestidas de branco estavam ali sentadas em peles se animais espalhadas pelo chão esperando. Elas mantinham silencio e o olharam em silencio quando ele entrou.

— Eu sou a oferenda – disse Paul calmamente.

— É uma grande honra ser entregue ao rei servo – disse uma mulher se levantando.

Ela era a mais velha, com longos cabelos cinzentos e olhos castanhos.

Logo as outras mulheres levantaram.

— Você precisa ser preparado.

Paul levantou a cabeça aceitando o seu destino apenas pensando em como seria maravilhoso o dia em que pudesse ir embora e recomeçar a sua vida.

~~***~~

Matt sentia que tinha tomada energia pura quando ingeriu o sangue. Seu corpo parecia em fogo e ele suava em bicas enquanto corria pela floresta em meio a fogueiras e homens correndo e gritando.

Ele avançou para a parte mais escura da floresta, onde as fogueiras diminuíam e quase não se ouvia o som de alaridos.

Ele começou a andar mais lentamente ouvindo os sons da mata a sua volta.

Ele observara que o cervo viera por aquele lado, podia sentir que estava perto quando o avistou por trás de um arbusto.

O animal mexia as orelhas ouvindo os gritos distantes e tentando ficar em alerta.

Matt sabia ser silencioso, era um bom caçador e foi se aproximando lentamente sem fazer o menor ruído, quando estava perto o suficiente pulou da moita pegando o cervo desprevenido. O animal tentou se livrar dele com sua grande galhada, mas Matt foi mais rápido e cortou a garganta do animal com rapidez tentando não fazer sofrer.

O rapaz olhou para o animal morto e inclinou a cabeça em agradecimento a ele e a Deusa pela caça e por ainda estar vivo.

Olhou para a noite e gritou avisando a todos que a caçada estava terminada e logo ele estava e logo ele se viu cercado por homens que davam os parabéns para ele e por Dylan que o olhava entre orgulhoso e contrariado.

— Que tal seu irmãozinho agora? – perguntou ele para Dylan.

— Sorte – mas o príncipe sorria.

O cervo foi limpo e carregado para a clareira que havia mudado. Agora as mulheres haviam chegado e armado uma mesa enorme e um grande braseiro onde o cervo ia ser assado. Elas sabiam que os homens estavam sob os efeitos dos afrodisíacos e que não haveria inibições naquela noite, mas era a noite delas também não terem as suas inibições. De acordo com a tradição não havia traição na noite das fogueiras.

— Para celebrar a sua vitória – o ancião entregou-lhe uma pequena garrafa com um liquido amarelo que ele pensou ser myadukha, mas era uma bebida amarga e forte que o fez engasgar.

E velho deu uma risada fanha.

— Va receber seu premio menino – ele apontou para a caverna.

Matt sorriu sacana para Dylan e foi para a caverna. Na entrada caverna ele parou enxugando o suor do rosto e entrou.

Seu corpo queimava ainda mais e ele via tudo cercado por uma estranha nevoa, era como se ele tivesse bebido a noite toda.

A caverna estava iluminada por tochas lançando sombras dançantes até os fundos dela onde havia uma piscina e o seu premio.

Mesmo em seu estado entorpecido ele percebeu que era um duo, um hermafrodita lindo, com longos cabelos dourados caindo pelo corpo, o rosto pintado de vermelho com runas que desciam por seu peito. Ele magro e lindo.

Seus braços estavam presos com correntes à parede da caverna e seus pés ao chão, ele se contorcia em agonia gemendo e balançando o corpo ofegando. Mesmo de longe Matt podia ver que ele tinha uma furiosa ereção e logo ele também estava tão excitado que foi se livrando das roupas sentindo como seu corpo queimava ao ver o seu premio. Lambendo os lábios ele entrou na gruta.   

           

sábado, 7 de setembro de 2013

Rumo ao Paraiso - Capitulo 15


Capítulo 15


Laércio enxugava os cabelos com a toalha que Fabian trouxera, mas sua cabeça estava a mil, preocupado com o filho.

— Ele deve estar na casa de alguém – disse Márcio tentando aclamar o patrão.

— Eu já fui à casa de todo mundo e ele não está.

Alguém bateu na porta e Fabian abriu dando com seu Quim, de capa de chuva e chapéu de palha na mão.

— Boa noite menino. Preciso falar com seu Laércio me falaram que ele veio pra cá.

— Quim? – Laércio apareceu na porta olhando esperançoso para o senhor.

— Está faltando Serebi e conversei com os rapazes e eles me disseram que Jon saiu com ele.

— Eu não acredito que aquele menino desmiolado saiu a cavalo debaixo de um temporal!

— À hora não é para gritar – disse Fabian olhando sério para ele e depois olhou seu Quim – Será que viram para que lado ele foi?

— Pros lados da mata e tem mais. Parece que Luis Ricardo, quando viu que ele não voltava foi atrás dele. Ele estava preocupado por causa da chuva que estava para cair.

— Já falou para o Alberto e o Lucas? – perguntou Laércio preocupado.

— Eu estava indo lá.

— Vamos nós dois – olhou Fabian – Será que pode cuidar das crianças enquanto tento achar esses dois?

— Claro. Vou chamá-los para ficarem aqui enquanto isso.

— Obrigado – os olhos verdes brilhavam preocupados ao olharem Fabian.

— Esses meninos – resmungava Márcio – Eu vou lá na casa buscar eles.

— Certo. Espero que nada tenha acontecido ao Jon.

— Sabe o que eu espero Fabian? – Márcio pegou uma capa de chuva atrás da porta – Que tanto Jon quanto Luis estejam bem, mas bem longe um do outro ou isso não vai acabar bem.

~~***~~

Jon acordou com a casa aquecida e ele se sentindo languidamente bem nos braços fortes de Luis Ricardo.

— Como você está? – Luis esfregou o nariz em seus cabelos sentindo o cheiro do garoto.

— Bem? Ótimo? – Jon virou-se para ele – Se eu soubesse que era tão bom eu tinha experimentado antes.

— Nem se atreva! – os olhos negros de Luis brilhavam – Você é meu e de mais ninguém.

— Você ciumento fica tão fofo – riu Jon – Mas não precisa. Quando eu penso em fazer algo tão intimo a única coisa que vem na minha cabeça é você e mais ninguém.

— É bom mesmo – resmungou Luis beijando Jon com ardor e fazendo o outro suspirar.

— A gente ta com grandes problemas, não é? – Jon escondeu a cabeça no peito de Luis.

— Estamos – ele o abraçou – Ma acho que juntos vamos conseguir passar por isso.

~~***~~

— Meu filho está desaparecido e eu não vou ficar aqui de braços cruzados! – Lucas gritava para o marido com o rosto vermelho de raiva.

— Lucas! – Alberto segurou o braço do companheiro e o arrastou para a cozinha longe de Laércio e Seu Quim que estavam na sala – Luis é um garoto esperto que conhece bem a fazenda. Tenho certeza que ele achou um local para ele e para o Jon ficar, mas o que eu preciso é que você cuide das crianças enquanto eu vou buscar o nosso filho. Faça isso por mim Lucas.

Lucas tremeu e passou as mãos pelos braços. Ele não sabia onde iria parar a sua sanidade se alguma coisa acontecesse com um de seus filhos.

— Ache ele Alberto – Lucas jogou-se nos braços dele – Por favor, ache o meu filhinho.

— Claro que vou achar meu amor – disse o outro beijando os cabelos de Lucas e depois um leve selinho em seus lábios e foi para junto de Laércio e Quim que o esperavam já na varanda de capas e lanterna.

— Acho que eu sei onde esses moleques podem ter ido – Quim resmungou – Tem um rancho de pescadores perto do rio, é o único lugar que eu imagino que eles possam ter se imbiocado.

— Minha vontade é dar uma surra no Jon, mas a verdade é que o que quero é abraçar ele e esquecer isso.

— Amem – disse Alberto.  

~~***~~
A chuva havia virado um chuvisco, mas o frio estava aumentando cada vez mais fazendo Jon apertar o corpo quente de Luis, mas uma luz brilhando pelas frestas da janela fez ele sentar ereto.

— Luis – chamou ele baixinho – Tem alguém ai!

O rapaz abriu os olhos e mandou Jon ficar onde estava e ele levantou pegando a roupa ainda úmida e vestindo e foi até a porta tentado escutar algo quando ouviu seu nome e era seu pai chamando.

— Pai! – Luis abriu a porta para o vento gelado e olhou para fora para ver três pessoas subindo na velha varanda cobertos com capas de chuva amarelas.

— Luis! – Alberto abraçou o filho nem se dando conta que estava molhando o rapaz – Meu filho não me dá mais sustos assim.

— Desculpa pai – disse Luis beijando o rosto molhado dele.

— Luis onde esta Jon?

— Seu Laércio! Ele est...

— Pai? – Jon havia se vestido, para o alívio de Luis Ricardo, e fora até a porta olhando duro para o pai.

— Jonathan você tem ideia de como eu estava preocupado? – Laércio estava cheio de raiva e alivio por encontrar o filho.

— E o senhor tem ideia de como eu estava me sentindo pai? – Jon olhava para Laércio com um misto de raiva e ressentimento.

A primeira coisa que seu pai fazia era gritar com ele? Sabia que tinha feito a coisa errada praticamente fugindo, mas esperava que seu pai pelo menos demonstrasse que estava preocupado com ele. Não era isso que os pais faziam? Bastava olhar Luis e Alberto.

— Laércio – Alberto colocou a mão no ombro de Laércio.

— Desculpa Jon, eu não queria brigar com você – o fazendeiro jogou o capuz da capa para trás – Não imagina o quando eu estava preocupado meu filho.

— Sabe que o senhor tem um jeito muito estranho de demonstrar isso pai!

— Parem os dois! – seu Quim empurrou todo mundo para dentro da cabana muito contrariado – Eu estou morrendo de frio e vamos conversar ai dentro – olhou sério para Jon – Vi você nascer menino e se tenho uma coisa para dizer de você é que esse não é o seu jeito. Cê é um bom garoto, educado e amoroso que cuidou de seu pai e seus irmãos nos piores momentos da vida de vocês. Eu sei o quando pode ser difícil crescer, acredite ou não, mas eu já fui um adolescente e já tive vontade de gritar com meu pai e com o mundo, mas ai eu via as dificuldades que ele enfrentava para me criar junto com os meus irmãos e eu entendia que eu não era o único a ter problemas. Acho que cê não precisa desaparecer para saber que seu pai ti amo, basta olhar para ele.

Vermelho com a reprimenda de velho senhor ele olhou para o pai vendo seus olhos vermelhos, as olheiras e a barba por fazer e isso o encheu de remorso. Quando ele havia ilhado para o seu pai, mas olhado de verdade?

— Vem cá – Laércio puxou o filho para um abraço apertado sentindo quando o menino começou a chorar em seu ombro – Graças a Deus você está bem meu filho, você e seus irmãos são a coisa mais preciosa que tenho e não sei o que eu ia fazer se perdesse qualquer um de vocês – separou do filho enxugando seus lágrimas – Nunca dúvida que eu amo você filho. A gente pode se estranhar um pouco nessa vida, mas eu nunca vou deixar de amar você.

Jon encostou a cabeça no ombro do pai com a cabeça cheia, mas seu pai estava ali com ele e o resto podia esperar.

~~***~~

— Sabe o que eu vou fazer quando eu ver o Jon? – Regina estalava os dedos – Dar um soco nele.

— Quem ti escuta acha que você faz isso – Samara levantou uma sobrancelha olhando a irmã – Ele é seu irmão gêmeo.

— E daí! – Gina levantou do sofá fazendo bico – Ele tem que aprender a não fazer idiotices.

— Acho que fazer idiotices é parte de ser um adolescente – disse Márcio que lia uma revista sobre agricultura.

— Fala isso por experiência própria tio? – alfinetou Gina.

— Claro – Márcio folheava a revista com calma.

— Meninos já está tarde – Fabian apareceu na porta da sala carregando Gabriel que havia acordado – Não querem deitar?

— Eu queria o Jon – Kauan estava encolhido em um canto do sofá – Será que ele ta bem?

— É claro que sim – disse Fabian sentando perto dele – Acredito que seu pai vai achar ele logo Kauan.

— O Jon pode ser um tonto, mas o Luis não – disse Regina – Ele deve ter achado um lugar para ficar.

Nesse momento o celular de Márcio vibrou em cima da mesinha de centro e ele pegou ele rápido percebendo que era Laércio.

— Alo – ele ouviu por alguns segundos – Graças a Deus. Certo eu aviso. Até – ele olhou para os rostos ansiosos – Eles os acharam na cabana que seu Quim disse e estão todos bem.

Os meninos pularam de alegria.

— Eles vão esperar amanhecer? – perguntou Fabian colocando o filho no ombro a acariciando as suas costas.

— A chuva já está parando – disse Márcio olhando pela janela – Mas a estrada está muito ruim, eles vão esperar amanhecer.

— Então é hora de todo mundo dormir – disse Fabian olhando severo para todo mundo ao ouvir um “a!” geral.

Demorou cerca de uma hora para conseguir ter todo mundo na cama, inclusive Gabriel, mas Fabian não conseguia dormir. Ele foi para a cozinha e sentou bebericando um café que tinha feito.

Estava inquieto, sem concentração.

Sabia que estava estressado quando isso acontecia. Em São Paulo ele ficava assim quando o seu pai estava bêbado e pronto para dar-lhe uma surra. Os dois trabalhos que tinha não o deixavam tão ansioso como seu pai.

Olhou para o fundo do copo de café e pensou no que aconteceria se Laércio descobrisse o seu segundo trabalho... se o rico fazendeiro descobrisse que ele fora um garoto de programa.

Suas mãos tremiam quando ele colocou a xícara em cima da mesa. Ele queria tanto arrancar essa parte de sua vida de dentro dele, mas sabia que não tinha como.

Só o seu salário trabalhando em um restaurante na favela não dava muito dinheiro e Gabriel necessitava de muita coisa, fora que ele tivera que encontrar alguém para ficar com o bebê enquanto ele trabalhava.

Seu rosto ainda queimava de vergonha ao lembrar de como fora o seu primeiro cliente, do estranho homem que gostava de algemas e chicotes. Ele nunca na vida sequer pensara em cenas sadomazoquistas, mas durante aqueles meses conhecera muitos clientes que gostavam disso, de todo tipo de perversões.

A maioria era fixa, homens ricos que não podiam ter isso com as esposas procuravam alguém desesperado o suficiente para aceitar.

Sua única exigência era a camisinha, disso ele nunca abriu mão.

— Você anda muito sem sono – disse Márcio aparecendo na cozinha de cabelos desgrenhados e olhos inchados de sono – São três da manhã Fabian.

— Desculpe, eu ti acordei?

— Não – ele sentou na mesa – Eu vim beber água e acho você parecendo uma coruja aqui. O que está acontecendo irmão?

A respiração ficou presa na garganta. Ele não podia contar aquela parte vergonhosa da sua vida para Márcio, seu irmão ia morrer de vergonha dele e ia acabar expulsando ele da casa e com toda a razão.

— Às vezes fico pensando em São Paulo e em tudo que aconteceu.

— Não fica assim. Sei que a sua vida foi uma merda, mas você está bem agora, esta em casa.

— Você tem razão – ele forçou um sorriso e se levantou – É melhor eu ir dormir. Boa noite.

Márcio ficou na cozinha olhando para a porta onde Fabian tinha saído.

— O que você esta escondendo irmãozinho?