Minha lista de blogs

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Caminhos do Destino - Capitulo XXIX


 Capela



Capitulo XXIX



Sanet pousou com Arkan e Sara em cima do morro onde ficava a sua caverna. O elfo ajudou a menina e de dentro da caverna Flyn e Gabe vieram correndo, o menino tinha o dragão vermelho saltitando atrás e parou bruscamente ao ver Sara.

— Sara? – ele não podia acreditar que sua irmã estava ali – o que você está fazendo aqui? Veio sozinha? Sabe algo do pai?

— Ola Gabe – resmungou ela e foi até o menino devagar, sentindo o terreno e parou a poucos centímetros do irmã e lhe lascou um belo tapa – Isso é por você ter levado a mãe embora, ter vindo para esse fim de mundo sozinho e por ter me obrigado a vir atrás de você!

— Por algum acaso eu pedi para você vir atrás de mim? Veio porque não passa de uma enxerida!

— Esse é o pagamento por dias cavalgando atrás de um irmão ingrato?

— Eu deveria pagar você ou algo assim Sara? Você é uma menina e deveria estar em casa cuidando dos meninos.

— Por que eu sou mulher deveria ficar em casa?! Vê se ti enxerga Gabriel! Um moleque magricela que acha que é algum guerreiro! Não sabe nem mesmo empunhar uma espada ao contrario da sua linda e corajosa irmã!

— Cada essa irmã? – Gabe olhou em volta fingindo não ver ela.

Sara não viu o movimento, mas conhecia demais o irmão mais velho para saber o que ele estava fazendo. Ela chutou a sua canela fazendo ele cair no chão com um grito de dor.

— Sua criança com complexo de homem. EU cheguei até aqui onde nem mesmo um dos guardas do reino veio e por isso você não tem o direito de me menosprezar!

—Você é uma moleca que acha que é mulher e fica ai com ares de grande dama dando chutes nos outros!

— Tadinho do Gabe!

— Calem-se! – Sanet passou por eles em seu passo bamboleante – Ou eu mesmo juro que mastigo um de você e depois cuspo! Com tanta teimosia a carne deve ser mais do que dura!

Sara mostrou a língua para Gabe que chutou terra em suas botas.

— Crianças por favor – Arkan se aproximou – Sei que estão felizes por terem se encontrado, mas por favor dêem um tempo.

— Vamos lá grande dama! – Gabe fez um gesto para a caverna e segurou o ombro dela a empurrando para aquele lado – Seu castelo a espera.

— Vai se danar!

— Grande Deusa! – Sanet escondeu a cabeça por entre as patas e Tildo rolava de rir ali perto.


~~***~~


Paul estava meio verde cavalgando no deserto que ia ficando escuro. O céu ainda cor de rosa tinha uma única estrela brilhante no lado do poente. O planeta Venus brilhava antes das outras estrelas.

— Como você está? – perguntou Kallil para ele.

— Como você acha que eu estou?

— Ora Paul, até parece que você não gostou da noticia?

— Kallil filho é uma dádiva, mas eu jurei que nunca ia ter um filho fora do casamento novamente. Não sabe o quanto essas crianças enfrentam e eu fui um irresponsável!

— Agora a água já secou, como dizemos no deserto. O que está feito, está feito irmão. Não disse que ia casar com Mathew? Assim que voltarmos para o seu país eu tenho certeza que ele vai adorar a noticia e casar o mais rápido possível!

— Não é isso Kallil, só acho que estou com medo, como estive na minha primeira gravidez. Eu já tenho cinco filhos e agora terei o meu sexto e isso me preocupa. O que Mat vai pensar de mim? De minha irresponsabilidade?

— Pelo que você me conta dele Paul, ele vai é adorar. Você deveria confiar mais nas pessoas!

— Confiar é complicado para mim – ele levantou a cabeça olhando para o céu agora azul marinho – Durante toda a vida as pessoas em que confiei acabaram por me ferir ou ir embora e acho que isso acabou me tirando a fé nelas.

— Eu entendo. Veja o que descobrimos agora. Somos do clã das rosas e nem mesmo sabemos nossos nomes de verdade ou quem era a nossa família. Paul? – Kallil viu o irmão empalidecer ao olhar para o horizonte.

— Kallil o que é aquilo?

O rapaz olhou para frente vendo que estavam se aproximando do que pareciam montanhas ao longe ainda distinguíveis na pequena luz. Deveriam ter cerca de cem metros de altura e eram paredões de rocha negra e lisa como paredes.

— Mas não é possível! – Kallil se empertigou em cima do cavalo olhando par atrás como se esperasse ver algo – Isso deveria estar mais ao norte e não para esse lado!

— O que diabos é isso? Parece um muro, mas é impossível!

— É uma formação natural que foi aproveitada por um povo. É ai que o clã das rosas mora.

— Mas não estávamos indo para o leste?

— Eu devo ter errado um pouco os meus cálculos. Se contornarmos vamos conseguir chegar a fronteira de Gaulesh.

Ambos ficaram ilhando para as muralhas de rocha que se aproximavam cada vez mais e antes de ficar completamente escuro eles puderam ver um imenso portão ao longe feito de ferro e entalhado com rosas.

Eles chegaram aos pés do portão já noite fechada. Não haviam guardas ou guaritas por ali. Paul duvidava que um portão como aquele podia ser derrubado e afinal que faria isso no meio do nada. Haviam montes de areia acumulados nele como se não fossem abertos há muito tempo.

— Acha que eles estão ai? – perguntou Paul –Quero dizer os outros desse clã.

— Se ainda existirem – Kallil deu de ombros – Não se vê mais deles em anos.

Os cavalos iam contornando a muralha e virando para o sul quando viram uma reentrância nas paredes, como uma rachadura, uma ferida na pedra lisa da montanha.

Ao longe havia um estranho gemido que arrepiou Paul e fez os cavalos ficarem inquietos sapateando na areia.

— Ai droga! – Kallil parou o cavalo.

— O que há Kallil? Que barulho é esse?

— É uma tempestade de areia. Elas acontecem de dia, mas quando vem de noite são para arrasar. Nada fica em pé no seu caminho.

— Vamos entrar na entrada da rocha que vimos ali atrás.

— Espero que ela seja funda ou podemos ser sugados pelos ventos se eles virem de frente. No escuro não dá para ver nada!

Eles deram meia volta e na luz fraca das estrelas viram a estreita entrada que ia ficando escuro a medida que entreva nas raízes da montanha.

— Acho que podemos ascender uma tocha aqui – Kallil desmontou e pegou em seus alforjes um pedaço de madeira com um pano enrolado com cheiro de azeite. Com uma pederneira ascendeu um pequeno fogo que logo tomou o trapo iluminando em volta deles.

Entraram na caverna puxando os cavalos. Era um corredor longo, com paredes cheias de pequenas reentrâncias e também feita da fosca rocha negra da montanha.

— Parece que é profundo o suficiente – disse Kallil parando em uma parte mais larga do corredor.

— Parece que há uma saída por esse lado – Paul apontou para o vento que fazia a chama da tocha oscilar.

— Acha que o corredor corta a muralha?

— Talvez – Paul deu de ombros – Não vejo de onde pode estar vindo essa corrente de ar.

— Vamos dar uma olhada!

— Kallil não estamos aqui para explorar. A ultima coisa que quero é acabar sendo preso por invasão ou pior, que algum de nós saia ferido.

— Paul é só uma olhadinha. Você mesmo viu que não há guardas nem nada por ai. Vai! – o outro fez um grande bico e cara de cachorrinho perdido.

Paul suspirou fundo e olhou contrariado para o outro.

— Não sei que é mais louco. Você por querer isso ou eu por aceitar.

— Maravilha! – Kallil continuou andando com Paul do seu lado.

Não demorou muito para que saíssem do outro lado dando de cara com o que parecia uma grande planície que a luz das estrelas parecia formada por restos de rochas amontoadas. Não havia luz e nem o menos sinal de movimento. Ao longe se ouvia o gemido mais alto da tempestade.

— É só isso? – Kallil parecia desapontado.

— É noite Kallil, não dá para ver nada e mesmo assim esse lugar parece ser imenso.

— Acho que não ninguém aqui mesmo.

— Nisso você se engana forasteiro – ambos deram um pulo e se viram cercados por guerreiros de longos cabelos negros e corpos esguios empunhando arcos e flechas apontados diretamente para eles.

Nem um dos dois havia ouvido nada!

— Olha só estamos de passagem – Paul tentou apaziguá-los tremulo – Estamos apenas fugindo da tempestade.

— Já ouvimos muito dessa conversa – disse o mais alto deles dando um passo a frente e olhando-os à luz da tocha de Kallil – Vocês tem a marca das rosas em vocês! Quem são?

— Meu nome é Kallil e esse é Paul. Descobrimos há pouco tempo que somos filhos das rosas e irmãos. Fomos seqüestrados dos nossos pais há mais de vinte anos aqui perto do seu portão.

O homem chegou perto deles olhando de forma curiosa para Kallil e parou em Paul e ficou tão pálido que parecia que ia desmaiar.

— Kiamyen – murmurou ele – Como?

— Do que você me chamou? – Paul estremeceu com aquela palavra que de repente lhe parecia conhecida – Eu já ouvi ela antes...

— Kia filho prometido, Myen esperança – ele respondeu –É comum o nosso povo dar dois nomes aos filhos fusionando-os. Esse era o seu nome.

— Você sabe quem somos?! – Kallil estava tremulo.

— Você eu não estava tão certo, mas ele... – olhou para Paul – Ele é a cópia do meu irmão, Krinieh.

— Isso é impossível – Paul balançava a cabeça. Ele ainda não consegui acreditar que a sua vida era um mentira, que ele não era Paul, que tinha outro nome e outra família.

—Não, não é. São os caminhos do destino que o trouxe a nós – disse o outro – Meu nome é Atrenhre, seu tio.

— Eu não acredito! – Kallil estava tão feliz que a tocha tremia – Eu achava que você já não existiam mais!

— Estamos reclusos aqui desde que meu irmão foi morto. Nosso povo estava sendo massacrado pelos nômades atrás de dinheiro e escravos. Não somos um povo numeroso e nosso maior tesouro são as pessoas. Decidimos que era melhor ficarmos em nosso pequeno vale esperando que dias mais felizes chegassem – ele sorriu para Paul – E eles enfim podem estar chegando.

— Como eram os nomes dos nossos pais? – perguntou Kallil.

— Krinieh era meu irmão e seu pai gerador e Balnuem era seu outro pai. Procuramos vocês por semanas até que desistimos. Onde foram parar todo esse tempo?

— Isso é uma longa história – Kallil deu um grande sorriso para ele.

— Você não parece feliz – Atrenhere disse olhando para Paul que não conseguia esconder seu medo.

— Eu só não consigo entender isso. É demais para mim. Um dia eu sou um fazendeiro sem descendência, sem irmãos e com um pai que eu nem me queria mais lembrar e no outro descubro que não sou nada do que acreditava ser e do nada a minha nova família aparece! Desculpe se não levo muita fé no destino e tenho um pé atrás com essas coincidências.

— Entendo o seu medo, somos desconhecidos, mas eu gostaria que nos acompanhasse até a nossa vila. Lamento não lhes dar opção quanto a isso, perdi vocês um dia e não vou deixar isso acontecer novamente. Vamos uma tempestade está chegando.

Kallil estava feliz em acompanhá-lo, mas Paul queria mesmo era continuar a sua estrada e ir para casa, para seus filhos e para Mat. Olhou para o céu com lagrimas nos olhos se perguntando como estavam todos.


~~***~~

Ekbert havia cuidado de Waldrich e eles rumaram para um cânion de rochas não muito longe dali, de acordo com o mago o a estrada estreita que cortava as rochas dava perto de uma região entre Kotem, Gaulesh e os desertos de Altair, era ali que Paul, Gabe e Maleah iam encontrá-los. Como seu novo pai sabia disso, Mathew não tinha ideia, mas esperava que ele tivesse razão.

Durante o dia quente eles conversaram e o rapaz pode ver muito de Phil, Dylan a Katrina nele. O modo como ele franzia o cenho contrariado quando Ekbert o tratava como uma criança, seu trejeito de revirar os olhos quando tropeçava, seu tic de mexer as mãos o tempo todo como se não pudesse parar quieto, tudo isso lembrava um pouquinho cada irmão dele.

Waldrich contou sua vida, falando de sua solidão e de sua sede de vingança, de como tudo isso arruinou a sua vida e de como ele lamentava não ter ido atrás de casa um dos seus filhos há muito tempo.

Quando a noite chegou eles montaram acampamento e o mago criou um estranho fogo que queimava sem lenha e que Ekbert usou para fazer uma sopa com grãos secos e carne seca que ele trazia na mochila.

Mat foi até Capela que estava quieto em um canto e que não dissera uma palavra em todo o caminho.

— Tudo bem Capela?

— Só estou tentando entender tudo isso Mathew, parece loucura demais.

— Eu sei, imagina para mim.

— Alem disso eu estou me sentindo muito estranho. É como se algo faltasse dentro de mim, como se eu tivesse um buraco em minhas entranhas... – ele esfregou a testa em desespero – Deus eu não sei como explicar.

— Você é casado a um elfo – Ekbert falava enquanto cozinhava sem se preocupar com a cara feia de Waldrich por ele estar se metendo – Vocês são um agora. Enquanto não estiverem perto suas almas vão estar aos pedaços. Elos entre elfos são muito fortes, principalmente se você está lutando contra ele.

— Eu não estou lutando, só estou com medo de tudo isso – ele deu um suspiro raivoso – As nossas vidas viraram de cabeça para baixo em poucos dias não é?

— É – Mat riu – Mas acho que tudo fica mais fácil se aceitarmos o que está acontecendo. Maleah é uma boa pessoa e acho que você tem muito a ganhar com ele, mesmo que estejam sempre as brigas.

— Talvez seja hora de fazer isso. Eu só não sei como é que Maleah vai reagir, afinal ele ficou muito contrariado quando salvei a vida dele, o que é uma injustiça!

— Espero que não briguem todo o caminho para Haven.

— Eu não posso prometer, mas vou procurar não matar ele.

— Eu não vejo a hora de ver Paul, estou morrendo de saudades e afinal o nosso casamento está em andamento – olhou Waldrich que estava sentado perto de Ekbert – Você vai conosco não é pai? Tenho que ti apresentar a seus outros filhos.

— Mathew eu esperei tanto tempo para ser chamado de pai – ele deixou que duas lagrimas escorressem por seu rosto e ele as enxugou com a mão tremula – Mas receio que seus irmãos vão ter muita dificuldade de aceitar isso.

— Não se preocupe, vou conversar com eles.

— Mas há uma coisa que me preocupa – Ekbert correu os dedos entro os cabelos do mago fazendo Mat fechar a cara para ele – Onda anda aquela brucha da Alberta?

Waldrich estremeceu de raiva ao ouvir esse nome.

— Eu não consegui encontrá-la em lugar algum e isso está me preocupando – o mago segurou a mão do guerreiro com carinho – Mas acredito que mais cedo ou mais tarde ela vai fazer a sua aparição e quando isso acontecer estarei preparado.

Os olhos negros de Waldrich brilharam como a explosão de uma supernova.  

sábado, 14 de julho de 2012

O Escravo - Capi tulo 14 - Extra Yaci e Ian


Capitulo 14 – Extra Ian e Yaci


Alguns dias atrás...

O mestre dos jogos havia levado um Ian meio desmaiado para a sala de recuperação onde um enfermeiro mestiço limpou um pouco seu corpo do sêmen e aplicou pomadas em seu ânus para uma cicatrização.

O menino se enrolou na cama como uma bola lembrando do quanto estivera perto de uma morte terrível. Ainda sentia na pele a dor de ter sido possuído tão brutalmente depois de ter levado uma surra de seu antigo dono. 

Estava cansado de tudo aquilo. Durante cinco anos ele suportara ser torturado de todos os modos possíveis, durante cinco anos ele teve esperança e continuou a tentar sobreviver, mas agora não podia mais. O melhor que tinha a fazer era dar um fim em sua vida patética, ele não conseguiria começar novamente com outro mestre, principalmente se ele filho do imperador.

Ele estremecia ao se lembrar do que aquele homem fazia aos escravos com a anuidade do conde que até gostava das torturas e do sangue que lavava a sala dos jogos de Trak’n.

Agora Yaci era o seu dono e achava que ia acabar morrendo da forma mais horrível possível. Quem sabe se ele se adiantasse a dor podia ser menor, ele podia cortar o seu pescoço e a morte viria rápido e ele poderia descansar.

De repente ouviu a voz calma do príncipe pedindo para o enfermeiro ajoelhado sair. Ian começou a tremer e chorar se entregando totalmente ao desespero.

— Ei pequeno? – o príncipe sentou na cama colocando a mão em seu ombro nu – Como você está?

Acostumado a anos de obediência ele sentou olhando para a parede e respondeu:

— Eu estou pronto para servi-lo meu senhor.

— Não foi isso que eu perguntei Ian – Yaci segurou seu queixo e o fez olhá-lo nos olhos – Como você está?

— Eu estou bem senhor.

— Não pode estar depois daquilo menino – príncipe passou a mão pelos seus cabelos em uma caricia – Sinto muito por isso.

— M... meu senhor...

— Não ache que sou como Trak’n. Acredite quando digo que muitos aurifenses não aceitam essa tortura. Nós gostamos de sexo e isso é normal para nós, mas fazer o que o conde está fazendo ou o que Tiol aceita que façam aqui não é o que eu quero.

— Eu não entendo – Ian nunca se sentiu tão confuso.

— Você pode ficar no castelo até se recuperar e depois eu consigo um emprego para você, lamento não poder mandá-lo de volta para sua família, mas as leis do seu mundo impedem isso.

— O senhor não me quer como escravo? Porque?

— Não é porque você é feio Ian – ele riu novamente acariciando os cabelos dele – Ao contrario, você é tão bonito com esses olhos azuis e esse cabelo cor dos raios do nosso sol. Eu sempre adorei os seres do seu mundo com essa cor de olhos, é como olhar para um lindo dia de verão.

Ian ficou tão vermelho que suas orelhas estavam ficando roxas. Nunca ninguém falara nada assim para ele, nem mesmo quando ele era livre em seu mundo.

— Eu pretendo acabar com isso um dia Ian, os escravos de sexo. Chega das pessoas serem compradas e torturadas. Isso deveria ser um contrato entre elas. Antigamente em Aurifen as pessoas aceitavam serem escravos do sexo por contrato. Alguns por contrato de dinheiro outros por matrimônios aceitando e gostando da vida de escravos, mas quando os humanos interiores começaram com o tráfico de escravos o meu povo não se conteve e o meu avô acabou aceitando desde que também houvesse um contrato.

— Mas agora não há mais – o menino murmurou.

— Não. Meu pai retirou essa lei e colocou os escravos, humanos e mestiços na mesma classe, sem nada que os apoiasse.   

— Então vai me deixar ir? – ele ainda não acreditava nisso.

— Logo pequeno. Meu irmão comprou você porque seu escravo Andrew pediu. Talvez haja esperança para Tiol afinal – o príncipe levantou da cama – Vou ti levar até um quarto perto de Andrew e conseguir algumas roupas para você.

O menino tentou levantar da cama apressadamente, mas suas pernas não o sustentaram e ele teria ido ao chão se Yaci não o segurasse.

— Calma – o príncipe o segurou e levantou seu corpo machucado nos braços – Ainda não está bem para andar.

— Desculpe meu senhor... mestre – o lindo rosto do príncipe estava perto dele e Ian sentiu uma vontade enorme de beijar aqueles lábios que tinham um pequeno sorriso.

Os olhos vermelhos de Yaci estavam voltados para Ian olhando cada detalhe do seu. O humano engoliu em seco e nem mesmo percebeu quando seus lábios haviam encostado nos lábios de Yaci. Sabia que podia ser morto na chibata por tal ousadia, mas ele nunca sentira tanta atração por outro ser. Achara que depois de tanto tempo sendo usado para o sexo ele teria nojo disso, mas a sensação dos lábios quente de Yaci nos seus foi uma das coisas mais gloriosas que ele já sentira. Sabia que o beijo entre os aurifenses era uma coisa sagrada, era onde as pessoas expressavam o seu amor, não tinha esperanças que Yaci retornasse o seu beijo.

Qual não foi a sua surpresa quando o príncipe herdeiro não só aceitou seu beijo como o aprofundou invadindo a sua boca com a sua língua quente, começando a sensual briga com a língua de Ian dentro de sua boca.

Eles só se separaram quando o ar estava acabando. Yaci encostou sua testa na de Ian com os olhos tão tristes que o humano ofegou.

— Queria que não fosse o príncipe herdeiro Ian e então eu podia ti levar embora, dar-lhe uma casa, uma vida e o amor que merece, mas eu não posso.

— Eu nunca beijei ninguém.

— Nem eu. Seu beijo foi maravilhoso. Obrigado por essa doce lembrança.

Yaci o levou para um quarto simples, o ajudou a se banhar e deu-lhe algumas roupas de dormir deixando o quarto sem uma palavra.

Ian, deitado entre as cobertas, pensava no que havia acontecido e não podia acreditar naquele sentimento que ele tinha no coração. Não podia ser amor, durante toda a sua vida ele ouvira que o amor não existe, que era apenas invenção dos fracos, mas então o que era aquele sentimento dentro dele? Porque tinha vontade de correr atrás de Yaci e apagar aquela tristeza dos seus olhos? Por que o seu beijo era a coisa mais maravilhosa que ele já tinha experimentado em sua vida? Por que a possibilidade de conseguir a liberdade agora era tão dolorosa?

Ficou ali olhando para o teto sentindo o coração palpitar, lembrando de cada segundo dos lábios de Yaci nos seus e imaginado se o céu existia, ele tinha experimentado um pouco dele naquele momento.


~~***~~

Ian tropeçou ao sair do quarto de Andrew deixando ele sozinho com Tiol. O rapaz tinha medo do outro príncipe, Tiol tinha nos olhos o mesmo brilho sádico do conde. Lamentava que Andrew tivesse que enfrentar o seu mestre em um estado debilitado.

Sentou na cama olhando para fora do dia que já estava indo embora. Fora o seu primeiro dia calmo em cinco anos e ele se sentia estranho como aquilo. Estava agradecido de não enfrentar a sala de torturas do conde finalmente, mas seu pensamento ia sempre para Yaci deixando seu coração pesado.

Acreditava que nunca mais ia ver o belo príncipe e isso também era um modo de tortura.

— Ola Ian!

O rapaz deu um pulo quase caindo da cama ao ver um sorridente Yaci parado na porta carregando uma rosa negra. Ian adorava aquelas rosas.

— Gosta das nossas nigrum? – perguntou o príncipe lhe entregando a flor.

— É uma das coisas que eu mais ficava olhando das janelas – ele inalou o aroma – Ah! O cheiro era como eu imaginava!

— Você não ia aos jardins?! – os olhos dele brilharam de raiva – Ian o conde o mantinha preso?

— No porão mestre. Eu só saia para as sessões de torur...

Antes que ele terminasse a frase se viu nos braços de Yaci. O príncipe o apertava tanto que estava com dificuldade de respirar.

— Ian eu gostaria de poder ter impedido isso – seu olhar era atormentado novamente para Ian.

— Mestre – Ian sorriu segurando a sua mão – O senhor não tinha como saber, nem me conhecia! Nem sabia que eu existia. Mas sabe, se eu não tivesse passado por tudo que passei eu não tinha conhecido o senhor.

— Ian – ele voltou a brincar com seus cabelos – eu não sei o que deu em mim. Não consigo parar de pensar em seus olhos azuis. Eu não deveria.

— Mestre...

— Me chame de Yaci – murmurou ele com os lábios quase tocando os do humano – Me chame de Yaci, Ian!

— Y... Yaci – murmurou o outro se entregando a outro beijo quente.

Havia sentimento nesse beijo, mas os dois agora queriam mais, estavam famintos de desejo um pelo outro.

Yaci dentou o outro na cama sem parar de beijá-lo.

— Mestre... – gemeu Ian – Por favor – ele lambeu os lábios – Onde é sua sala de torturas.

— Eu não vou torturar você Ian!

— Dor e prazer, essa é a regra, mas eu nunca tive prazer mestre. Por favor, me de os dois.

Havia uma tempestade vermelha de luxuria nos olhos de Yaci. Com o maxilar cerrado ele levantou Ian e carregou o rapaz para a sala dos jogos vazia naquele dia.

O príncipe subiu no tablado ainda beijando Ian e finalmente o colocou no chão.

— Tire a sua roupa Ian.

Ian estava tão excitado, que quando retirou a calça e a roupa intima seu pênis balançou glorioso aos olhos famintos de Yaci que segurou toda a sua extensão apertando-o duro. O humano gemeu jogando a cabeça para trás.

Yaci o empurrou para o tronco prendendo ele nas restrições de couro e acariciou suas costas descendo suas mãos famintas para as nádegas redonda e duras e apertando a carne quente e tremula.

— Você tem uma bela bunda Ian – disse Yaci no ouvido dele – Não vejo a hora dela engolir o meu pau.

— Mestre! – Ian gemia.

Apenas a voz de Yaci em seu ouvido parecia capaz de fazê-lo gozar.

—Ian você esta proibido de gozar. Vai fazer isso apenas quando eu mandar, entendeu?

— Sim mestre.

— Bom.

Yaci pegou o chicote de varias tiras de couro e mirou as nádegas do escravo lambendo os lábios e quando o flagelo desceu sobre a carne branca marcando-a ele mesmo não pode conter um gemido.

Ian sentia as tiras de couro arderem contra a sua pele e ouvia o som do chicote. Antes ele só sentia medo e dor, mas a pequena dor que Yaci lhe causava só deixava ele mais e mais excitado a ponto de achar que seu pau podia quebrar de tão duro que estava, mas ele tinha ordens para não gozar.

A chibata parou e sua bunda estava vermelha e quente. Yaci deixou o chicote de lado e abaixou-se para lamber a pele vermelha do outro e abrir sua bunda expondo seu buraco enrugado e rosa aos lábios lascivos do príncipe que começou a fodê-lo com a língua fazendo com que gritasse de tentando prender o orgasmo.

Yaci se ergueu pegando um alargador negro no formato de pênis.

— Agora relaxe pequeno – murmurou ele empurrando o objeto no buraco do outro que se chacoalhou nas restrições ao sentir ser invadido por um objeto tão grande frio que a cada centímetro deixava lubrificante cair dentro dele – Isso, só mais um pouco.

Finalmente o alargador estava todo dentro dele deixando que cada vez mais liquido quente escorresse dentro dele.

Satisfeito Yaci foi para a frente dele esfregando seus mamilos sensíveis.

— Qual foi a ordem que eu lhe dei Ian?

— Não gozar senhor! – ele praticamente gritou porque Yaci estava esfregando seus dois mamilos duros com os dedos.

— Bom menino.

O príncipe começou a sugar os bicos dos mamilos dele com desespero e dar leves mordidas deixando Ian louco de prazer. Yaci com um sorriso safado, desceu beijando o seu tórax e chagando ao seu pênis que pingava pré gozo deixando com que caísse por suas bolas duras e contraídas prontas para expelir a sua semente.

Yaci abocanhou as suas bolas e Ian achou que não conseguiria controlar seu orgasmo. O príncipe estava levando ele à loucura.

— Por favor, mestre! – ele começou a implorar.

— O que Ian? O que você quer? – o príncipe dava beijinhos na ponta do seu pênis lambendo o liquido que escorria dali.

— Por favor, mestre eu já não suporto.

— Você me quer Ian? Me quer dentro de você? Me quer quente e duro? Fodendo tão forte a sua bunda que vou levantá-lo do chão?

— Sim mestre! Sim! – ele gritou.

Yaci também estava no seu limite. Foi para trás de Ian arrancando o alargador e abrindo as calças retirando o longo e grosso falo empurrando ele de encontro a entrada aberta de Ian até que o rapaz tinha engolido toda a sua extensão.

O interior do outro era quente e aveludado, apertando tanto o seu pênis que ele perdeu o controle de verdade e começou as investidas duras e rápidas batendo as suas bolas de encontra as nádegas de Ian. Ele estava  aponto de gozar quando segurou o pênis de Ian e ordenou.

—Vamos pequeno, quero que goze na minha mão agora!

Ian não precisava de uma segunda ordem, com um rugido ele encheu a mão de Yaci com seu gozo quente enquanto o príncipe enchia o canal estreito dele com seu sêmen.

O orgasmo foi tão forte que Ian ficou dependurado nas restrições enquanto Yaci se recuperava e tirava as algemas dele e o pegava no colo olhando para o rosto de Ian.

O beijo em seguida foi mais calmo.

— Gostou pequeno?

— Mestre foi maravilhoso! Tanto prazer!

— Que bom que gostou e que eu pude lhe dar o que foi negado a você.

— Mestre – Ian escondeu o rosto vermelho em seu peito, mas depois olhou-o com os olhos azuis brilhando – Podemos fazer novamente?

A gargalhada de Yaci reverberou pelo lúgubre castelo.