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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Escravo - Capitulo 23 Herói

Capitulo 23 - Herói


Estariam seus filhos bem? Em seu coração ele achava que sim e isso deixava com que sua alma ficasse em paz. Ele podia morrer ali em publico como um exemplo para todos verem em paz se seus meninos estão bem, mesmo que o pensamento de Erant ainda fosse uma adaga encravada em seu peito criando uma ferida que nunca ia sarar.

Sua mente foi desconectando da realidade e ele lembrou quando os vira pela primeira vez...

~~***~~


Sua família tinha influencia, mas o dinheiro estava se esgotando rápido. As minas de pedras que eram base da fortuna da família de Abrahan, os Letos, não produziam mais como no passado, mas a família ainda gastava como se ganhasse milhões.

Abrahan era considerado a ovelha negra da família. Um homem quieto que sempre fugira de relacionamentos e que vivia a sua vida recluso no castelo cercado de livros. Seus irmão e pais procuram simplesmente ignorar ele até que apareceu o pedido do imperador. Ele queria um Leto para casamento e com isso dar destaque ao seu nome.

Todos nos círculos internos da aristocracia aurifense sabia das sandices do imperador Adamas e não queriam sofrer nas do intransigente e sádico imperador, mas os Letos tinham alguém para usar como moeda de troca e pedir uma alta soma como dote: o filho caçula Abrahan e sem nem mesmo conversar com o mesmo haviam prometido o filho ao imperador.

Fora um choque saber que seria obrigado a casar com o senhor do seu mundo, mas como sua cabeça vivia nos livros e nada sabia do Imperador Adamas.

Em três dias foi mandado para o castelo Imperial para a cerimônia de casamento.

Abrahan era uma pessoa educada e calma por natureza e ficou um pouco ressabiado ao se deparar com um castelo tão grande em total ebulição para o casamento e ainda em saber que teria que cuidar de tudo aquilo de agora em diante.

Os empregados e escravos inclinaram-se para ele respeitando o agora príncipe consorte.

Abrahan havia cumprimentado cada um perguntando seus nomes deixando todos perplexos principalmente os escravos que eram vistos menos que seres vivos.

Depois foi levado ao seu quarto, um luxuoso ambiente cercado com modernidades que ele não ligava, estava mais interessado na biblioteca do castelo.

Saiu do quarto para o corredor admirando as pinturas antigas e os tapetes de séculos atrás mostrando senas de guerras e de caça. Foi nesse momento que ouviu um choro infantil, uma criança gritava a plenos pulmões e que pulmões!

Curioso andou pelo corredor até um quarto infantil onde um bebê chorava sozinho. Seus gritos cortaram o coração do futuro príncipe aurifense e ele entrou pegando o menino no colo que não devia ter mais que um ano. O menino tinha o rosto vermelho e quando se viu no colo de Abrahan seu choro diminuiu e ele olhou para o outro com os olhos vermelhos brilhantes do choro e rostinho cansado.

— Quem te deixou sozinho? – perguntou o outro embalando o menininho que deu um pequeno sorriso e logo estavas rindo puxando os cabelos que Abrahan usava compridos daquela época.

Ficou encantado com a criança que sorria tão fácil, mas também contrariado por não haver ninguém para cuidar dele.

— Quem é você? – um menino maior entrou carregando uma mamadeira, atrás dele haviam outros dois meninos menores agarrados as roupas do mais velho.

Doía ver como estavam assustados e magros.

— Meu nome é Abrahan...

— É o nosso novo papa Yaci – disse um dos meninos baixinho.

— É o senhor que vai casar com o nosso pai? – o mais velho parecia ressabiado ainda, mas entregou a mamadeira para Abrahan que sentou e começou a amamentar o bebê sentindo-se tão bem ao fazer isso.

— Vocês são filhos do Imperador?

— Meu nome é Yaci – disse o mais velho em tom sério – Sou o herdeiro de meu pai e esses são Valdi, Erant e o pequeno é o Tiol. Ele é um bom menino quando não está com fome.

— Sabe porque não havia ninguém para cuidar dele Yaci?

— Meu pai não se interessa por ele – ele deu de ombros – Na verdade acho que ele não liga para nem um de nós.

— Não acredito nisso. Acho que seu pai é um homem muito ocupado Yaci, deve ser complicado para ele cuidar de quatro crianças sozinho e de um mundo todo.

— Ele cuida bem do mundo – havia um amargor na voz do menino que fez Abrahan olhá-lo pasmo – O que ele não sabe é cuidar de crianças. Estamos perdidos desde que a mamãe morreu – levantou os olhos para ele e havia tanta esperança ali que Abrahan pensou que ia chorar – Vai cuidar de nós?

— Podemos ti chamar de papa? – perguntou o pequeno Erant mastigando o dedão vermelho de vergonha.

— Mas é claro e vou cuidar de vocês de agora em diante.

— Você promete? – Yaci ergueu a mão e deixou que Abrahan a segurasse em um juramento antigo usado pela nobreza – Vou acreditar em você papa.

Foi naquele momento que ele tinha se apaixonado por aquelas crianças e prometido a si mesmo que faria qualquer coisa para que eles fossem felizes.

Algumas horas depois ele descobriu porque ia odiar Adamas para o resto de sua vida.

Ele não havia visto o imperador em momento nem um, mas estava ficando cada vez mais ansioso, afinal era o seu casamento. Para ele não tinha importância que a sua família não tivesse vindo, ele não tinha ilusões do que era; não passava de um modo dos Letos conseguirem dinheiro que iam torrar tudo em poucos meses.

O grande salão de bailes do castelo estava todo decorado com flores negras, dentre elas as perfumadas nigrum, mas rosas negras tão famosas de Aurifen.

Pessoas ricamente vestidas iam de um lado para o outro fofocando a ultima noticia ou comendo do grande bufe. Em um estrado haviam dois tronos e perto deles um sacerdote vestido de vermelho da cabeça aos pés mexia os pés cansado de esperar o Imperador.

Abrahan estava em um canto perto dos tronos. Ele não conhecia ninguém e se sentia intimidado em se ver no meio de tantas pessoas.

De repente as grandes portas do salão foram abertas e Adamas entrou sorrindo para todos. Sem dúvida era um homem lindo, carismático, mas quem se atrevia a olhar bem em seus olhos percebia a escuridão que se escondia ali.

Abrahan pisco tremulo e decidiu que todos tinham um lado ruim, ele não devia julgar o imperador antes mesmo de conhecê-lo.

Adamas chegou perto dele e segurou a sua mão beijando a palma em uma atitude galante que levantou suspiros de todos no salão.

— Povo aurifense – ele, ainda segurando a mão de Abrahan, se voltou para as pessoas – Quero que conheçam o meu marido, meu companheiro de uma vida, Abrahan Athi Leto.

O salão se encheu de palmas saldando o novo membro da nobreza e Abrahan não podia esconder o sorriso bobo diante daquele homem que o olhava de forma tão intensa.

Sentaram em seus tronos e o sacerdote começou a recitar as palavras antigas falando de amor e família. Quando terminou inclinou-se diante dos soberanos e os declarou casados frente aos deuses.

Adamas sorriu de forma fria, mas aceitou com bom humor que cada uma das pessoas se ajoelhasse diante dele e de Abrahan jurando sua lealdade e depois a festa teve inicio em meio a musica e comida.

— Podemos conversar Abrahan? – Adamas virou-se para ele ao ver que ninguém mais lhes dava atenção – Acho que não tivemos muita chance, não?

— Acho que não meu senhor – respondeu ele vermelho.

Sorrindo o imperador segurou a sua mão e rumaram para fora do salão, andando por corredores e descendo escadas até estarem diante de uma porta de madeira antiga. Ao abrir Abrahan percebeu que estava em uma sala de jogos e ficou pálido. Ele nunca estivera em tal lugar e mais, nunca tivera relações com ninguém em sua vida. Sabia que aquele lugar não era para recém casados.

— Meu senhor... – o tapa desferido por Adamas o fez calar pasmo.

— Agora vamos ser sinceros uns com os outros – havia um brilho estranho nos olhos do imperador, algo que nem que vivesse mil anos Abrahan esqueceria – Eu comprei você, eu posso fazer tudo que quiser e você não tem o direito de falar nada. Vai ser a minha prostituta, o meu escravo.

— O que? – pela primeira vez na vida o sangue dele ferveu – Você não tem o direito de falar assim comigo!

— Não? – Adamas gargalhou – Meu caro eu sou o imperador e posso tudo.

— Eu sou livre até onde sei. Mesmo que tenha pago por mim, se me maltratar eu peço o divórcio!

— Sabidinho e de sangue quente – Adamas lambeu os lábios – Isso vai ser interessante – ele se aproximou quase encostando os lábios no ouvido dele – Conheceu os meus filhos? Umas gracinhas, não é mesmo? Mas acho que se não tenho o meu escravo vou ter que divertir com um deles. Que tal o doce Valdi?

Abrahan deu um pulo para trás desferindo um soco no rosto do Imperador. Um fio de sangue escorreu por seus lábios, mas ele sorria.

— Vai ser assim Abrahan. Você me serve e eu não dou uma boa fodida em umas daquelas pestinhas e pode ter certeza que vou adorar fazer isso. Temos um acordo?

— Monstro!

— Responda – ele gritou.

Abrahan pensou nos meninos, naquelas crianças tão pequenas e já tão maltratadas e olhou para o rosto demente do homem diante dele.

— Sim.

— Bom menino.

Abrahan foi empurrado até o tronco no meio da sala e preso nas algemas. Adamas cortou as suas roupas e hora ou outra passava a lamina da faca levemente sobre a pele dele e se dizia algo o imperador batia na sua lateral fazendo ele ofegar de uma dor muito pior que o esfolamento do corte.

Quando estava nu Adamas também retirou a sua roupa e ficou olhando Abrahan com prazer e sadismo. Na sua mão havia um pequeno chicote de couro com nós nas pontas para aumentar a dor.

— É hora do treinamento meu puto.

Durante o que pareceu horas o imperador o espancou sistematicamente cada parte do seu corpo dando grande interesse em suas nádegas e seu pênis que estava flácido e vermelho. Ele não via prazer nem um na dor que sentia.

— Acho que tenho que mudar isso, não é mesmo? –Adamas segurou seu pênis dando-o um aperto forte e doloroso.

O outro afastou-se e quando voltou Abrahan sentiu as suas nádegas doloridas serem afastadas e um objeto frio ser inserido de forma bruta ali. Gritou de pura dor e começou a se debater quando o objeto começou a crescer dentro dele.

— É um alargador benzinho – disse Adamas rindo – Meu pai é maior que a média e eu não vou destruir tão cedo o meu brinquedo de foda.

O alargador continuava, mas não havia lubrificante saindo dele, em contrapartida o imperador inseriu um cateter ali deixando que um liquido escorresse por seu ânus.

— Logo você vai se sentir tão bem meu querido – disse Adamas com a voz doce e prendendo os pés dele em restrições que haviam no chão e Abrahan não tinha visto.

Uma barra foi presa aos seus joelhos afastando as suas pernas, depois Adamas começou a trabalhar no pênis de Abrahan usando uma corda fina e muito resistente para fazer nós e prender seu pau e suas bolas de forma extremamente dolorosa.

— Assim – ele se afastou para olhar a sua obra – Logo vou ouvir seus gemidos e me deliciar.

Ele se afastou do campo de visão de Abrahan que começou a sentir muito calor, mesmo que antes estivesse frio na sala de jogos. O alargador zunia abrindo e fechando seu buraco e o cateter ainda estava ali deixando mais liquido ir dentro de si. Seu pau começou a inchar e a crescer ou tentava fazer isso já que as cordas presas nele impediam sua ereção.

Em questão de minutos ele sentia tanto calor que achava que ia se afogar no seu suor. Seu corpo balançava nas algemas em busca de alivio, mas não havia nem um, ele estava bem preso.

Nunca havia precisado tanto em sua vida ejacular e começou a gritar a gemer quando a dor começou contraindo os músculos de sua virilha e abdômen de um modo que ele nunca sentira em sua vida.

— Estamos mais submissos agora? – perguntou Adamas acariciando o pênis amarrado.

— Por favor – gemeu Abrahan em meio as lagrimas.

— Implore então minha puta. Implore para que eu ti foda duro a noite toda, implore que eu entre nesse cuzinho apertado e enfie falo até que você já não suporte mais.

— Por favor, eu imploro – ele gritou em meio a outra onda de dor.

— Que delicia ouvir isso meu caro, mas acho que você precisa de uma lição para se comportar. Ficara aqui enquanto eu e os outros nos divertimos.

De repente a sala estava cheia de homens nus e escravos de joelhos para o inicio dos flagelos. Abrahan não conhecia aquelas pessoas, mas eles vinham até ele para o acariciar e riam ante seus pedidos de alivio da sua dor. De hora em hora mais afrodisíaco era colocado em seu anus deixando seu corpo em fogo o tempo todo. À sua volta gritos e gemidos misturavam-se com os seus, os sons dos chicotes na carne dos escravos e a batida das pessoas transando fizeram Abrahan se esfregar no poste onde estava preso procurando alivio, mas só o que conseguiu foi esfolar a sua pele.

Horas, dias, ele não saberia dizer quando Adamas voltou para ele, membro ereto, sujo de sêmen.

— Esta pronto para mim escravo.

Ele não podia mais falar. Da sua boca escorria saliva e seu corpo estava em convulsão.

— Acho que isso é um sim – o imperador riu e arrancou a alargador dele enfiando seu grande pênis que nem mesmo o aparelho havia preparado.

Achou que ia morrer e desmaiou de dor. Acordou para perceber que Adamas não havia se importado que ele desfalecera, metia nele com tudo gritando obscenidades em meio aos gemidos. Seus gozo quente encheu o canal de Abrahan, mas logo Adamas voltava a ativa o fodendo mais e mais e quando ele se retirou abriu para que as pessoas na sala o usassem ao seu bel prazer com a condição que Abrahan não gozasse.

Trinta foram as pessoas que ejacularam nele, pelo menos era essa a sua conta, mas podia ser mais, já que ficou desacordado e quando deu por si estava caído ao chão sujo de semente e ainda aceso. Suas mãos estavam presas nas restrições no chão e seus joelhos ainda afastados pela barra. A sua volta escravos estavam caídos exaustos e machucados.

Abrahan queria morrer, queria que houvesse uma forma de pegar uma daquelas facas e enfiar em seu coração.

— Calma – alguém com uma mascara disse perto dele – Eu o ajudo.

O homem desamarrou seu pênis e bolas. O alivio que ele sentiu foi tanto que ejaculou no rosto mascarado do homem, mas sua ereção não baixou, havia afrodisíaco demais em seu organismo.

— Ele está no porão agora – disse o mascarado – Matando, só assim sente prazer. Tenho tempo para ajudá-lo.

— Porque? – sua voz estava rouca.

— Um dia eu respondo – e baixou a cabeça para seu ereto pau começando a chupá-lo com grande maestria.

O desconhecido ficou com ele até que o efeito da droga passasse e ele caísse desmaiado.

Durante um tempo se perguntou quem era o desconhecido, mas nunca soube o nome do mestre dos jogos daquela época, Erim ia aparecer no castelo meses depois.


~~****~~

Era estranho como aquele pensamento ia por sua cabeça agora que estava a ponto de morrer. Parecia verdade o ditado que dizia que as portas da morte sua vida passa diante de si.

Olhou os guardas com as armas sabendo que o carrasco ia chagar logo e cortar a sua cabeça. Ia ser rápido pelo menos.

Ele não se arrependia de ter colocado a tropa de naves atrás dele para que seus filhos tivessem uma chance e, pensando em sua vida, a única coisa que se arrependia era não ter matado Adamas quando tivera chance.

O carrasco vestido de branco andou solenemente pelos jardins e Abraham sorriu para ele vendo sua mascara de couro. Era apenas uma mascara cerimonial, usada por carrascos desde a antiguidade.

Respirou fundo pedindo aos deuses que fosse rápido e que a sua alma pudesse renascer bem.

Ficou imaginado porque Adamas não estava ali para ver a sua morte.

— Parece com uma cena há muito esquecida – disse o carrasco e Abrahan olhou pasmo para ele, para aqueles olhos...

— E...

— Xiii – Erim Gnare sorriu – Observe.

Ele ergueu a espada e os guardas ergueram as armas em saudação, mas nesse momento uma explosão sacudiu tudo e uma nuvem de fumaça encobriu todo o castelo.

Erim retirou Abrahan do tronco segurando ele nos braços.

— Como...? – ele tentou perguntar, mas Erim começou a correr em meio ao caos.

— Depois eu conto.

Havia uma pequena nave pousada ali perto e Erim entrou colocando Abrahan em um dos bancos. Pulou para a poltrona de comando fazendo a nave voar em meio a fumaça e agora a tiros, mas antes que os militares se refizessem da surpresa, Erim estava voando com um raio para a montanha Trus e em um movimento elegante mergulhou para dentro de um túnel que se fechou atrás deles.

Pousaram em uma grande caverna aonde as pessoas iam a vinham em maio a um monte de naves e armas. Ao ver a nave as pessoas gritavam e davam vivas. Tudo fora muito rápido e não durara mais que três minutos. Abrahan ainda estava em choque quando Erim se ajoelhou a seus pés.

— Abrahan como você esta?

— Você podia ter sido preso Erim!

— Podia, mas eu sou esperto demais para isso e você Abrahan, valioso demais para todos nós.

— Era você não era? No dia do meu casamento.

— Era. Eu havia me infiltrado na casa para saber como matar Adamas e percebi que não era tão fácil – seus olhos vermelhos brilharam – O que eu não contava era encontrar o homem mais lindo que eu já tinha visto em minha vida sendo maltratado por aquele monstro, o que eu não imaginava era me apaixonar por esse belo homem.

Abrahan gelou quando Erim tocou seu rosto de forma tão delicada que parecia que ele ia quebrar e seus lábios tremiam ao receber seu primeiro beijo de amor.


   

domingo, 2 de setembro de 2012

Caminhos do Destino - Capitulo XXX





Minhas desculpas pela demora em postar.
beijos




Capitulo XXX


Conforme andavam pela estrada de pedra Paul podia ver, mesmo na escuridão, que um bosque se formava ao longe. Desceram da encosta da montanha para lá e a estrada descia cada vez mais. As árvores não eram muito altas, mas tinham folhas finas e galhos retorcidos. Em algum lugar havia um rumorejar de água escorrendo.

Kallil conversava com Atrenhre sobre a sua família enquanto Paul ficava obstinadamente quieto. Tinha tanta coisa dentro de si que ele não sabia se o que sentia era bom ou ruim.

Estava grávido e agora descobria que era um desses seres enigmáticos, além de tudo sua vida não era o que ele imaginava, era apenas uma mentira feita por uma série de coincidências.

Se ele nunca conhecesse Mathew ele nunca saberia de tudo, sua vida continuaria sendo a mesma e ele seguiria em frente com a sua família. Mas ele estava feliz assim? Era feliz não sabendo da verdade?

Às vezes uma verdade pode ser mais terrível que uma mentira. Viver na mentira...

O que ele estava pensando? Ele nunca aceitara mentiras dos seus filhos, ensinando a eles que a verdade, mesmo as mais dolorosas, deveriam ser dita, e agora ele estava ali com medo e raiva da verdade sobre ele?

Finalmente ele sabia quem ele era e sabia que isso ia mudar toda a sua vida e que toda a mudança é assustador, mas quando as coisas não mudam, elas estagnam e morrem. Tudo à sua volta evolui, as plantas crescem, os animais têm seus filhotes, a própria terra muda ao longo dos anos. Mudar talvez não seja o mais complicado, mas como lidar com as mudanças era o que fazia sua cabeça dar voltas.  

Sabia que tinha dois caminhos a seguir: ou aceitava o que acontecia e procurava lidar do melhor modo possível ou simplesmente negava tudo e desaparecia esquecendo aquela loucura.

Ele não era covarde, nunca fora. Criara seus filhos, lutara por sua vida cada dia sem esmorecer e agora ameaçava desmoronar porque descobrira a sua família?

Ele estava diante da família que ele sonhara na adolescência. Sabia que tinha pais que o amaram e agora tinha um tio e um irmão e mais! Ele ia ter mais um filho! A pequena vida crescia dentro do seu ventre e ele parecia ser dar conta disso agora!

— Paul você está bem? – Kallil havia parado como todos os outros um pouco à frente porque o outro havia ficado para trás divagando.

— Acho que estou ótimo Kallil! – ele deu uma risada – Eu achei a minha família e vou ter um filho!

— Você parece estar vencendo o choque Kiamyen – disse seu tio.

Paul foi até ele e o abraçou de repente sentindo nesse ato que de algum modo ele conhecia aqueles braços e aquele cheiro de sol e flores que vinha do homem do clã.

— Eu tenho um tio – ele afastou-se com a mão no ombro de Atrenhre – Eu estava tão assustado com tudo que estava me fechando dentro de mim mesmo, mas felizmente eu tive tempo para pensar e vi a sorte que tive – olhou Kallil – Meu irmão...

Kallil sorriu tremulo para ele e abraçou feliz que Paul estivesse superando o choque.

— A vila vai ficar feliz por receber vocês dois – disse seu tio – Cada vida é preciosa para nós.

— Em outras circunstancias eu também ia querer muito conhecer a todos do clã tio – disse Paul – Mas estamos fugindo de uma tribo no deserto e eu preciso achar meu filho.

Enquanto andavam pelo bosque, Paul contou tudo para seu tio e os outros que os cercavam.

— Acredito que Kallil está certo – disse Atrenhre – Os dgim são espíritos ligados a Kotem e aos dragões. Mas não se preocupe Kia, os grandes animais jamais fariam mal a um elfo e semi elfo. Eles são muito ligados a essa raça.

— Eu sei tio, mas só vou ficar calmo quando ver meu menino.

Acima deles o vento uivava, mas a muralha mantinha toda a região protegida das areias do deserto.

Chegaram a uma casa grande de três andares feita de pedra e com um guarda na porta de madeira. Jardins cercavam a casa e podia-se sentir o perfume das flores. Das casas ao lado pessoas conversavam e riam e o cheiro de comida mostrou o quanto Paul estava faminto.

Os guardas os deixaram e apenas Paul, Kallil e Atrenhre entraram na mansão iluminada por lamparinas e velas. A sala era grande com sofás confortáveis por toda a parte, pequenas mesas de chá com vasos de flores, cristaleiras e uma grande escadaria de pedra subia para o andar superior.

— Aten? – um delicado rapaz apareceu de uma porta lateral vestindo um avental sujo de farinha com os longos cabelos trançados caindo pelas costas, seu corpo sem pelos mostrava que era um duo.

— Findrelin venha aqui – o rosto do outro se iluminou para o rapaz que devia ser um pouco mais velho que Paul.

Os olhos azuis de Findrelin observaram os recém chegados com curiosidade.

— Irmãozinho esses são Paul e Kallil, nossos sobrinhos.

— Sobr... – Findrelin pareceu ter entendido e sorriu chegando perto deles – Esse é meu irmão Findrelin, era um garoto quando vocês desapareceram.

— Sempre nos perguntamos o que tinha acontecido a vocês – disse ele com a sua voz doce – É incrível como de repente conseguimos nos encontrar. Que tal se formos para a cozinha e me contarem tudo?

A cozinha era um grande cômodo muito limpo com uma mesa de madeira no centro, armários nas paredes, um grande fogão a lenha onde panelas borbulhavam uma pia de pedra e panelas em um estrado que brilhavam de limpas.

Em cima da mesa haviam grandes pães ainda quentes que deixaram Paul e Kallil com água na boca.

— Devem estar com fome – disse Find – Que tal comer uma sopa de carne com esse pão que acabei de assar?

Logo estavam os quatro comendo e contando as suas vidas.

Aten contou que eles tinham grandes extensões de terras dentro das muralhas e três vilas. Haviam dois rios e um grande numero de córregos que sempre pareciam brotar das rochas e desaguavam em uma mina subterrânea que ninguém sabia onde ia dar, talvez para um rio maior fora das muralhas. Procuravam plantar tudo que precisavam e suas colheitas aconteciam o ano todo graças à irrigação. O clima ali era ameno e não haviam areais e chovia mais que em outras partes de Altair. O Clã tinha um chefe que morava na vila sul e era conhecido como o rei das Rosas.

— De onde vem esse nome? – perguntou Kallil colocando a mão na sua tatuagem – Porque temos isso conosco?

— Nosso povo veio das Terras Antigas, Kallil – respondeu Find – Eram cinqüenta pessoas fugindo do preconceito que é muito forte no império de Roma. Na sua maioria eram duos. Ele emigraram para mais ao norte ainda e encontraram uma tribo de elfos, cerca de cem que viviam em uma terra devastada por uma praga que havia matado muitos deles. Acontece que os viajantes tinham algumas ervas que vinham das Terras Antigas e que ajudaram na peste e os elfos ficaram muito agradecidos por isso dando aos seus novos amigos uma parte de sua magia. Eram seres ligadas a terra e por isso mesmo seus poderes não eram nada grandiosos. Podiam fazer nascer quase que qualquer coisa, tudo florescia em suas mãos. Os animais sempre os amavam.

— Eles resolveram ir junto com os outros porque queriam ficar longe da terra marcada pela morte dos seus – continuou Aten – E vieram para as terras de Altair. Semanas no deserto e eles finalmente encontraram esse lugar, uma vale imenso verde e com muita água. Aqui eles fixaram residência – olhou Kallil – A tatuagem é algo que nos legou os elfos dos quais somos descendentes, é parte da magia que nos segue.

— Uau! – Kallil estava encantado em fazer parte de tal história.

— Durante as eras nossa raça miscigenou – disse Find – Tanto que não há mulheres entre nós, apenas duos.

— Eu adorei esse lugar! – Kallil quase pulava na cadeira – Imagina Paul! Temos família e um povo que não nos olha como aberrações ou moeda de troca.

— Parece um bom lugar para se criar os filhos, mas apesar de tudo eu amo o reino de Haven e minha família mora ali.

— Eu tinha esperanças que vocês quisessem ficar com a família – disse Aten parecendo infeliz.

— Eu preciso voltar para a minha família tio, mas isso não quer dizer que eu não volte para visitá-lo um dia, mas agora eu preciso mesmo achar meu filho, preciso ir para Kotem.

— Eu entendi Kia... Paul, mas não posso deixar vocês andarem por esse deserto sós. Eu irei com vocês até Kotem.

— Obrigado – Paul agradeceu segurando a mão dele.


~~***~~


Era tarde da noite quando Mimir chegou com os cavalos e o pequeno dragão verde que só faltava babar nele. A amazona não sabia o porquê daqueles dragões gostarem tanto do seu povo, mas ela devia admitir que gostava daqueles seres inteligentes e corajosos.

Ela amarrou os cavalos em alguns arbustos e entrou na caverna de Sanet onde, em volta da fogueira, estavam reunidos Arkan, Fliyn, Maleah, Sara, Gabe e um dragãozinho vermelho sentado no colo de Gabe. O chefe dos dragões estava mais afastado roncando alto como uma chuva de granizo.

— Ola Mimir! – Sara sorriu para ela com o rosto sujo de raiz da batata roxa – Esse lugar é demais, espere até ver as histórias que os dragões sabem!

— Ola Sara – ele sorriu para a menina que tinha conquistado o seu respeito e afeição.

— Boa noite senhorita Greal – Arkan disse se levantando – Gostaria de apresentar o meu filho Flyn, meu sobrinho Maleah, Gabe irmão de Sara e o dragão Tildo.

Tildo saltitou até ela olhando-a com curiosidade.

— Porque você é dessa cor? Eu nunca vi humanos assim! Sabe que é muito bonita para um ser humano. Eu ouvia os dragões verdes falarem de vocês, mas eu nunca tinha visto. É verdade que as fêmeas do seu grupo são quem lutam? Legal! As nossas também, mas as elfas e as humanos não lutam...

— Tildo cala a boca – resmungou Sanet do outro lado da caverna com fumaça saindo pelo nariz.

O dragão vermelho nem pareceu ligar, mas se calou e voltou para o colo de Gabe.

— Boa noite a todos – disse ele rindo do comportamento do outro – Amazona Mimir Greal – olhou Gabe que tremeu ante o olhar frio dele – Então você é o causador de tudo isso?

— O que essa marmota andou falando com você? – Gabe olhou Sara que ficou vermelha.

— Quem você ta chamando de marmota seu projeto de homem!

— Acho que o único projeto aqui é você, se achando uma grande mulher por ter chegado aqui!

— Você fez o favor de trazer a mãe sabe Deus para onde e ainda se acha?!

— Se disserem mais uma única coisa eu torro vocês! – gritou Sanet fazendo chover terra do teto da caverna.

Os dois ficaram quietos enquanto Mimir sentava perto dos elfos e começava a conversar com eles. Arkan lhe serviu um pouco de carne e raiz que ele comeu com avidez.

— Se o dgim não o trouxe aqui o melhor mesmo é voltar para Haven e tentar um grupo de busca mais organizado – disse Mimir sobre Paul – Ficar andando por ai não vai resolver nada e acho que os outros devem saber que pelo menos Maleah e Gabe estão bem, sem contar que devem estar preocupados com Sara.

— Amanhã deixo você perto da fronteira, não posso ir mais longe – disse Sanet e olhou a amazona – O que quer fazer amazona? Infelizmente não vai dar para transportar os cavalos e pode seguir viagem daqui para o norte, os meus podem escoltá-la.

Mimir olhou para as pessoas que tinha conhecido e pela primeira vez na vida sentiu que não queria pegar a estrada, que gostaria muito de continuar a participar da vida deles. Olhou para Arkan que ficou vermelho e entendeu bem a sua relutância.

— Posso também cuidar do cavalo e deixá-lo com os seus compatriotas, há manadas ao sul e eu podia pedir o favor que aceitassem os dois em suas fileiras.

— Eu não queria que você fosse embora – Sara estava de cabeça baixa brincando com a barra da camisa que usava – Eu gosto de você.

— Eu também gosto de você Sara e vou aceitar a sua oferta Sanet, cuide dos meus cavalos e eu continuo com eles.

Sara deu um gritinho e pulou no colo dela, mas os olhos castanhos da amazona não deixavam o elfo mais velho.

Amazonas se união apenas uma vez em suas vidas. Podiam até ter muitos parceiros sexuais, mas amor só acontecia uma vez. Algo naquele elfo dizia a ela que ele era o seu companheiro e ela havia aprendido a respeitar os desejos da Deusa, ela era sabia.

Depois disso foram arrumar seus locais para dormir e Flyn ficou perto de Maleah para conversar.

— Como você está? – ele perguntou tocando na testa do primo que tinha o olhar perdido.

— Eu estou melhor desde que seu pai me obrigou a comer – ele deu um sorriso fraco para ele – Mas estou com saudades de Capela e nem sei como vai ser esse casamento. Acho que ele me odeia afinal meu próprio pai me odeia.

— Pare de falar bobagens! Seu pai tem uma visão distorcida das coisas e não pode ser usado como exemplo de nada Maleah. Eu e meu pai amamos você e tenho certeza que seu marido vai também quando o conhecer melhor.

— Depois do que aconteceu acho que a minha alto estima foi lá no chão.

— Olha – Flyn deitou do lado dele colocando a cabeça do seu primo no seu peito – Logo vamos estar em Haven e ai podemos pensar com calma sobre o futuro.

Maleah deixou-se levar pelo cheiro e o calor reconfortante do primo que fazia carinhos em seus cabelos. Seria tão mais fácil se seu marido fosse Flyn. Ele era doce e sempre o compreendia. Com esses pensamentos acabou caindo no sono.

Arkan havia colocado as crianças para dormir e arrumado Tildo para que não machucasse Gabe com suas asas. O dragão agora não dormia em nem um outro lugar que não fosse com o menino.

Voltou para junto da fogueira para terminar de arrumar tudo quando percebeu que a amazona havia colocado mais lenha na fogueira e levado o lixo para fora.

— Obrigado – ele sorriu para ela.

— Você é bom com crianças.

— Adoro elas. É uma pena que cresçam e enfrentem esse mundo – olhos o filho e o sobrinho que dormiam abraçados.

— Meu povo ama a vida, comemoramos ela a cada dia. Sei que está passando por momentos complicados, mas acredito que o tempo é um bom remédio.

— Eu espero – ele sorriu para ela ficando constrangido com a beleza daquela mulher.

Ela em nada lembrava uma elfa. Era forte, decidida, de uma beleza fresca que fazia seu coração palpitar. Gostava e pessoas assim, fossem homens ou mulheres.

— Você gosta de mim – disse ela e não era uma pergunta.

— Eu... – ele se atrapalhou todo com a pergunta.

Nossa! Ela era direta.

— Eu gosto de você Arkan. Posso, à primeira vista, não ter sido das mais educadas, mas eu sou uma pessoa desconfiada por natureza. Quando pude ti olhar com mais calma eu percebi que gosto da sua calma, da sua voz doce.

— Eu... Mimir acho que não é o melhor momento para isso. Eu não passo de um elfo em fuga e sem casa.

— Eu sou uma amazona Arkan! Eu ti darei a casa que merece, eu cuidarei de você.

— Meu povo não vive assim Mimir.

— O meu sim. E é assim que eu quero e é assim que as coisas vão ser – segurou o queixo do elfo – Eu gosto de dominar Arkan, assim fui criada, mas também gosto de cuidar e vejo em seus olhos que você esteve só por muito tempo. Deixe cuidar de você.

— Eu não sei. Eu sou um cuidador e você agora vem me dizer que quer cuidar de mim e isso me soa tão... impróprio.

— Não pense em impropriedade, mas naquilo que você quer!

— Será que posso pensar Mimir? Estamos ainda em uma jornada incerta e decidir algo assim não é uma boa ideia.

— Está bem belo elfo – ela abraçou ele – Mas quero ti dar algo.

O beijo com Mimir era algo que parecia refletir sua personalidade. Dominadora e doce. Era como o mais delicioso dos vinhos, inebriante. A língua quente da amazona invadiu sua boca com força e determinação deixando o gosto de mel e canela na sua. Só pararam o beijo quando Arkan achou que morreria sem ar.

— Só até o fim dessa jornada elfo, mas nunca esqueça uma coisa. Você é meu.

Havia tanta possessividade na voz dela que ele não conseguiu prender um gemido de pura luxuria.