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domingo, 14 de outubro de 2012

O Escravo - Capitulo 27 - Encontros

Capitulo 27 - Encontros


Eu estava amuado na sala dentro do barco enquanto este cortava o mar a cem quilômetros por hora.

Sabia que xingar Tiol não era certo, afinal eu havia gostado do beijo e seria um hipócrita se dissesse que não queria mais. Todavia o que me deixava puto era que algo dentro de mim queria perdoá-lo, queria ajustar as coisas de algum modo.

— Foi um beijo quente – disse Ana entrando na cabine.

Fiz uma careta para ela e escondi o meu rosto nas velhas almofadas do sofá encalombado.

— Acha que ficar brigado com ele vai tornar as coisas mais fáceis? – Ana sentou perto de mim passando a mão nos meus cabelos – É isso que quer?

— Eu já nem mais sei o que quero – disse para ela tirando o rosto da almofada – Ao mesmo tempo em que eu quero beijá-lo eu quero dar um soco nele.

— Um relacionamento nem sempre é fácil Andrew. Todos somos seres passíveis de falhas. Ninguém é completamente bom ou mau, mesmo o imperador já foi uma boa pessoa. O lado que sobressai em nossa personalidade é escolha nossa. Tiol cometeu erros e acho que ele, mesmo tentando, não sabe como resolver. Ele tenta com você, mas há raiva demais de sua parte para perceber. Ele me contou o que fez contigo nesses meses e não tiro a sua razão de ter raiva dele, mas não é só raiva que há em você, não é? De algum modo você se apaixonou por ele e o amor e a raiva estão brigando dentro de sua mente. O que você vai escolher Andrew? A raiva ou o amor? Saiba que isso é uma decisão que apenas você pode tomar.

— Ele contou para você o que fez comigo? – Tiol demonstrando fraqueza diante de uma simples humana? Se bem que Ana não era simples, ela era uma mulher complexa e incrível que conseguia nos fazer ver as coisas pelos dois lados – Eu não sei Ana, não sei o que fazer.

— Andrew protelar essa decisão só vai trazer mais dor a vocês dois e ao seu filho. Bebês aurifenses sentem como nem outro as emoções de ambos os pais.

Deixei meus ombros caírem. Parecia tão errado perdoar Tiol. Ele era um criminoso e devia ser punido, mas então me lembrei da nossa situação.

Perdidos em meio de uma revolução, caçados pelo pai dele e um dos seus irmãos estavam mortos e de outro nada sabíamos. Sua família estava desmantelada e nem mesmo tinha onde morar. Talvez Tiol já fosse castigado o suficiente e talvez fosse hora de eu aprender a perdoar.

— Estamos perto da ilha – disse Karl colocando a cabeça na porta da cabine.

— Vamos? – Ana levantou e me deu a mão.

Saímos para o convés e pudemos ver ao longe uma massa de terra ainda disforme e de cor verde esmeralda.

— A ilha não tem vigilância? – Tiesis perguntou para Tiol que dirigia o barco.

— Eu já mandei pelo radio meu código de segurança – o rosto do príncipe estava marcado por linhas de tensão – Espero que todos possamos nos reunir afinal e que o imperador não nos ache.

— Você disse que ele não sabia da ilha – observei chegando perto dele.

— Ele não sabe, mas nada o impede de estar rastreando cada canto de Aurifen, temos que ter muito cuidado – ele deu um pequeno suspiro – Tenho saudades de meu mais e meus irmãos. Antes de tudo isso eu não havia me dado conta de como eles eram importantes, de como a falta deles me deixava sozinho.

— Você não está só – respondi com convicção – Tem seu filho, o Itieu e... e eu.

Ele me olhou de forma intensa. Seus olhos brilhando como uma estrela vermelha. Havia dor e raiva ali, mas pela primeira vez havia amor e um pouco de alegria, de genuína alegria que Tiol, príncipe de Aurifen, nunca sentira.

— Eu adorei o mar! – Itieu veio saltitando até mim – O Pin ficou meio enjoado.

Olhei para o guan que estava mole nas mãos do menino e dei uma risada. Coitado do bichinho!

Itieu colocou Pin no ombro onde ele se esparramou meio verde e abraçou a perna de Tiol.

— Adorei navegar pai! Podemos fazer mais vezes?

Pai!!

Tiol pegou o menino no colo e sorriu para ele.

— Talvez quando tudo isso acabar possamos sair de férias, que acha? Navegaremos pelos mares.

— Eba!!!!!!!!!!! – ele deu um pequeno grito beijando o rosto de Tiol que o colocou no chão me puxou pela mão para que me abaixasse e me deu um beijo no rosto – Vou brincar com Mark.

— Cuidado em não cair no mar – disse para ela ao vê-lo pular como uma pipoca pelo convés.

Fora muito estranho escutar o menino chamar Tiol de pai. Eu o via apenas como um idiota irresponsável, mas a verdade era que essa visão estava defasada. Ele havia mudado, eu havia mudado. Éramos mais maduros e mais marcados pela vida.

— Andrew – Tiol colocou diante de mim um cartão TRI-D.

Era uma folha de plástico branca, mas na verdade era um documento muito usado na galáxia. Bastava apertar o meio do cartão e este projetava uma imagem em terceira dimensão a partir de um chip instalado nele.

Sem entender segurei o cartão e um texto apareceu diante de mim. Era a minha carta de alforria datada de pouco mais de um mês atrás.

— Eu a confeccionei quando me contou do bebê – disse ele olhando o horizonte – Pode ficar com raiva pelo fato de não ter ti entregado quando devia, mas eu acreditei que quando tivesse a carta você iria embora e eu não ia ter o direito nem um de pedir para você ficar.

— Porque está me entregando agora?

— Porque eu preciso fazer algo certo nessa vida Andrew. Você é livre agora, mas na verdade você sempre foi livre – ele deu uma risada amarga – Tudo o que eu queria no inicio era ti domar, mas com o passar do tempo foi mais que isso e eu não sabia como te dizer. Acho que no fim foi você quem conseguiu me domar.

— É bom que você se lembre disso – respondi com as mãos nos quadris – Porque quando você me atormentar eu vou lembrar quem manda na relação!

Ele me olhou sem entender e logo eu me pendurei em seu pescoço capturando seis lábios em um longo beijo. Tiol me apertou contra o corpo e logo eu pude sentir sua ereção contra o meu abdômen e gemi contra a boca dele sentindo que meu próprio pênis endurecia.

— Estão dando um show! – Tiesis ria perto de nós.

Larguei o príncipe vermelho e tentando esconder a minha ereção. Tiol não deixava de me olhar.

— Assim você vai bater o barco – resmunguei para ele.

O descarado deu um risinho e eu rosnei para ele.

— Você fica uma gracinha rosnando!

Mandei ele se danar e fui para perto de Ana que ria de nós.

Fiquei ali olhando para a ilha que ficava cada vez mais perto, mas agora eu me sentia bem, me senta liberto.

A ilha era grande. Contornamo-la em busca do porto e demos com muitas matas e montanhas.

O porto estava na parte sul da ilha e era uma baia natural protegida por um lado por uma grande montanha o que impedia que os ventos jogassem as embarcações contra as muretas de proteção do píer.

No alto de um pequeno morro havia uma casa meio escondida pela mata e uma estrada levava da praia até lá.

— Não há barcos aqui – Karl olhou em volta – Acha que alguém veio?

Tivemos as resposta quando o radio deu sinal de vida. Vários números apareceram na tela.

— O que é isso? – Tiesis perguntou para Tiol que sorria.

— Um velho jogo – disse ele digitando alguns números no computador – É a equação de Maalb sobre a teoria da incerteza.

— A equação sem solução?

— Sim, mas meu pai sabia a resposta. Abrahan é um físico muito bom e resolveu a equação comigo um dia. Era o nosso segredo, apenas eu e ele sabíamos disso.

Assim que mandou a resposta a tela ascendeu e o rosto cansado, mas aliviado de Abrahan apareceu.

— Pai!

— Tiol meu menino! Graças aos deuses – ele respirou fundo.

— Ola Abrahan – disse chagando perto da tela – Senti saudades.

— Andrew você está bem?

— Estou.

— Que bom que nos reunimos – Yaci apareceu atrás de Abrahan sorrindo para o irmão – Irmão você não sabe a surpresa que temos! Atraque essa lata velha e venha logo.

— Não fale mal do meu barco! – Tiol reclamou mais sorriu para ele.

Conseguimos parar sem fazer um grande estrago no píer e subimos a velha estrada para a casa. Ela era térrea, com uma grande varando em volta e janelas azuis. A casa era branca, mas a pintura estava descascada em algumas partes.

Assim que chegamos mais perto, a porta abriu e Abrahan desceu correndo e abraçou Tiol apertado.

— Meu filho eu fiquei tão preocupado com você!

— Pai você está bem? Eu vi o senhor na TV – Tiol o afastou olhando para o rosto machucado dele.

Haviam hematomas entre amarelos e roxos por todo o seu rosto, mas ele sorria.

— Eu estou com vocês, eu estou bem.

Ele me puxou para um abraço apertado e eu tremi ao sentir seu cheiro tão familiar, o cheiro de um pai.

— Calma – ele sussurrava no meu ouvido – Calma.

Sem que eu me desse conta estava chorando feito uma criança. Era como se eu pudesse me dar ao luxo de ser fraco ali, de chorar por Erant finalmente.

Tiol me segurou e me abraçou e eu percebi que Yaci também estava ali, nos abraçando.

Ana e os outros foram apresentados e pude me recompor um pouco ao lembrar de Itieu que estava perto de nós segurando a camisa de Tiol com o Guam seguro na outra mão.

— Tá tudo bem – passei a mão pelos cabelos dele e Tiol o pegou no colo.

— Pai, Yaci – este é Itieu e ele se tornou filho meu e de Andrew.

— Eu sou tio! – Yaci foi para perto de nós – Ola eu sou Yaci irmão da coisa do seu pai.

— Ei! – Tiol olhou contrariado para o irmão.

Itieu deu uma pequena risada.

— Ola pequeno – Abrahan também chagou perto – Eu sou seu avô.

— Oba! Um vovô! – ele estendeu os braços para que Abrahan o pegasse.

— Um tio não conta!

Todos rimos das palavras de Yaci e entramos na casa dando de cara com Erim Gnare que estava sentado em um sofá perto da janela.

Ele foi nos cumprimentar.

— Onde está Ian? – perguntei preocupado para Yaci.

— Descansando. A gravidez não esta sendo fácil.

Foi então que percebemos que haviam outras pessoas na sala e eu apenas registrei a presença daquele que eu achava que nunca mais ia ver.

— Valdi! – eu corri para ele e o abracei em um ímpeto.

— Como vai Andrew? – sua voz estava cansada e o olhei preocupado.

— Você está bem?

— Estou sim.

— Você voltou! – Tiol abraçou o irmão que ficou um pouco surpreso com isso.

— Ei irmãozinho, tinha dúvidas?

— Eu fiquei com medo seu idiota!

— Devia ser um pouco mais gentil com seu irmão – resmungou um homem atrás de Valdi.

Só agora eu os notei. Um deles era alto de cabelos castanhos caídos sobre um ombro e o outro mais baixo, loiro com os cabelos trançado e os olhos castanhos brilhando frios. Usavam uma roupa em estilo militar, mas com a cruz celta bordada neles. De repente algo deu um estalo dentro de mim.

— Piratas – disse de modo frio – Piratas da Terra, não é?

— Como é que você sabe filhote? – me perguntou o mais alto.

— Só os piratas exteriores são burros o suficiente para sair por ai mostrando o símbolo de sua ralé.

— Olha a língua! – resmungou o mais baixo – Humano interior!

— Nossa! Estou super ofendido, Frey.

— Você me conhece?

— Vocês piratas tem uma memória que vou ti falar! – cheguei perto dele e de Gwidion – Sabe que foi a sua nave nojenta que levou a mim e a cem escravos para a feira de escravos. Fomos deixados dentro de um contêiner por dois dias sem água ou comida, então me perdoe se eu gostaria de arrancar a cabeça de vocês e jogar no lixo.

Os dois piratas empalideceram e Valdi os olhou pasmo.

— Vocês fizeram isso?!

— Era um frete – disse Gwidion me olhando – Havíamos firmado o contrato. Sabíamos apenas que era um contêiner que íamos carregar, nunca pudemos imaginar que o governo interior traficasse escravos humanos de forma legal. Era o nosso primeiro trabalho para um governo.

— Não pudemos voltar atrás menino – disse Frey – O contrato era com o governador do seu mundo e envolvia muito dinheiro e nós precisávamos dele. Lamento.

— To me lixando para as desculpas de vocês. O que quero saber é o que diabos essas duas coisas estão fazendo aqui.

— Andrew esses são meus maridos.

QUE???????????????

Não é possível! Eu devia ter entrado em alguma realidade paralela ou coisa parecida. Valdi não podia ter se casado em tão pouco tempo e com dois piratas!


domingo, 7 de outubro de 2012

O Escravo - Capitulo 26 Rumo a Maltri



Capitulo 26 – Rumo a Maltri


Podíamos ouvir barulhos ao longe de aviões e de estrondos, mas eram muito longe e podiam vir de qualquer lado. Estávamos em uma região montanhosa onde florestas de pinheiro escureciam o céu e o ar cheirava uma mistura de mato e resina. As trilhas que pegamos cortavam os pés das montanhas, mas isso não impedia o frio de chegar até nós.

Já fazia dois dias que andávamos, mas de acordo com Karl assim que contornássemos a montanha estaríamos chegando à região de serras e por fim ao mar.

— Finalmente – resmunguei cansado de ficar me escondendo e correndo de um lado para o outro.

— Cansado? – era uma das poucas vezes que Tiol falava comigo em dois dias.

— Quero dormir um mês – disse – Por mim eu deitava aqui mesmo e dormia.

Andamos mais um pouco em silencio até que as árvores rarearam e deram para um terreno de mato ralo que subia uma suave elevação.

O ar tinha um cheiro úmido e salgada e me dei conta que nunca tinha visto o mar perto de mim, apenas das janelas das naves.

— Estamos perto – disse Karl sorrindo.

— O mar?! – Mark era sempre tão quieto, mas naquele momento tinha os olhos brilhando e saiu correndo junto com Itieu que tinha tornado a sua sombra.

Karl foi atrás deles parecendo também curioso.

— Ele nunca viram o mar – disse Ana sorrindo ao olhar os filhos.

Tiesis segurou na mão da esposa sorrindo. Eu adorava olhar o modo que aqueles dois eram, do amor que parecia transbordar em cada toque e em cada palavra e no final parecia que estava era com inveja.

A onde eu havia tirado aquela de estar com inveja? Me dei um tapa mental pelas bobagens que estava pensando.

— Você não está com boa cara – disse Tiol para mim.

— To pensando besteiras – olhei para ele de cenho franzido – Pra que ta dando uma de bonzinho heim?

— Credo, que humor?

— Do que você está falando? – retruquei mal humorado – Estou no meu humor de sempre!

— Não precisa gritar. Eu sempre soube que mulheres grávidas têm um humor terrível...

Não deixei terminar e chutei sua canela. Sei, foi uma atitude infantil, mas até onde sei eu sou um homem.

— Você ta vendo alguma mulher aqui seu projeto de príncipe?!

— Precisa partir para a ignorância? – Tiol esfregou o tornozelo – Mas eu vou relevar já que seus hormônios estão fora de controle.

— Relevar! Vai se danar!

— Olha a boca suja.

Ele estava brincando com fogo e eu ia adorar queimar aquele resto da realeza até virar cinzas.

Sabem o que aconteceu depois? Ele riu, na verdade gargalhou.

Xinguei ele e fui pisando duro para Ana e Tiesis que estavam em cima do pequeno morro olhando para frente e quando cheguei ali percebi o que era. À nossa frente ficava a maior concentração de água que eu já tinha visto na minha vida! Até o fim do horizonte e mais alem uma grande massa aquática azul clara se confundia com o céu onde nuvens cor de algodão passeavam.

Uma brisa levemente fria e úmida cheirando a sal e peixe nos envolvia ali.

Karl, Itieu e Mark correram para molhar os pés nas ondas que chegavam mansamente à praia de areias brancas. Grandes pedras pareciam nascer dessas areias por toda parte e agora eu pude perceber pequenos barcos pintados de amarelo e vermelho ao longe com suas velas brancas e pretas ao sabor da brisa.

— Barcos de pesca – disse Tiesis – A maioria são de pesca artesanal o que rende valor ao produto, muitas pessoas nos países desenvolvidos gostam de coisas feitas à moda antiga.

— Esse lugar é lindo – disse olhando para os lados vendo a praia ir para o sul onde matas verdes despontavam – Morar aqui deve ser muito tranqüilo.

— Eu também imagino – havia um ar sonhador em Ana.

Acabei por me pegar imaginando uma cada térrea ali feita de tijolos de argila, teto de telhas de barro, uma grande varanda dando para o mar e crianças correndo pela areia.

— Voldala – Karl havia voltada e apontava para um pedaço de praia à esquerda onde havia uma concentração de barcos – Uns três quilômetros.

— Certo, tempo que andar perto da mata e entrar na cidade de forma a não chamar a atenção – disse Tiol.

Concordando começamos a rumar para a cidade portuária ma tentativa de achar um barco.

~~***~~

Já faziam vinte horas que a Oghman estava parada na parte exterior do sistema solar de Aurifen. O posto de comunicações trabalhava a toda coletando informações do que acontecia no mundo de Valdi que estava sentado na sala de comando junto com Frey e Gwidion fazendo planos.

— Parece que seu sistema de defesa espacial é muito rudimentar – disse Frey analisando os dados que haviam conseguido invadindo os computadores centrais de Aurifen.

— Como parte da Federação da Terra nunca nos preocupamos com ataques – disse Valdi olhando por cima do ombro do Frey que estava sentado em um computador – O espaço à nossa volta sempre foi seguro.

— A segurança pode ser parte do acordo de vocês com a Terra – disse Gwidion chegando perto deles – mas o que acontece se alguém como nós, piratas, chegassem? Até a federação ser avisada seu povo já teria sido afetado.

— Eu nunca tinha pensado em piratas até ver vocês – disse o aurifense – Sempre acreditei que as fronteiras eram seguras.

— Vamos agradecer que vocês não tem um sistema de vigilância ou teríamos problemas.

— Precisamos encontrar os meus irmãos – disse Valdi – Acham que conseguem entrar em Aurifen sem que sejamos notados?

— Pode apostar – disse Gwidion estufando o peito.

— Podia baixar a bola pavão? – Frey rosnou para ele.

— Pavão? – Valdi não entendeu o que Frey queria dizer.

— Quer dizer que ele é um exibicionista bobo.

— Ei! – Gwidion olhou contrariado o amante – Eu não sou isso!

Frey revirou os olhos.

— Vamos rumar para o seu mundo com uma nave menor – disse ele olhando Valdi – Temos um sistema de camuflagem muito bom.

— Obrigado.

— Não precisa agradecer – disse ele – Somos sua família agora e faremos o que pudermos por você.

Valdi não queria gostar das palavras de Frey, mas havia tanta sinceridade nelas que ele não pode deixar de ficar vermelho e constrangido.

— É isso ai – Gwidion o abraço e deu um selinho rápido em seus lábios – Logo vamos livrar o seu mundo do seu pai e poderemos seguir com as nossas vidas, o que acham?

— Vou ficar feliz quando tudo isso acabar e tentarmos reconstruir o nosso mundo.

~~***~~

A nave era pequena, para apenas duas pessoas, e cortava o ar tão perto da água do mar que parecia que ia cair nele.

O caça leve era praticamente indetectável, mas não haviam muitos desses na frota dos revolucionários.

Yaci ligou o piloto automático e olhou para Ian que observava o mar maravilhado.

— É tão bonito Yaci – disse o rapaz.

— Lindo – disse o príncipe sem tirar os olhos de outro que ao ver isso ficou vermelho e baixou os olhos – Como está hoje meu amor?

— Bem os remédios ajudam muito, graças à Deusa. Eu estava tão preocupado com o nosso bebê.

— Eu também – disse Yaci – Venha cá – pediu ele para que Ian sentasse em seu colo e o ex escravo não se fez de rogado indo sentar nas pernas de Yaci.

Começaram a se beijar com volúpia e desejo. Yaci invadiu a boca de Ian com a sua língua molhada e exigente sugando e exigindo tudo de Ian a ponto dele quase desmaiar por falta de ar.

— Uau! – Ian ofegante acariciou o peito de Yaci – Isso foi maravilho.

— Você é maravilhoso meu amor – acariciou a barriga de Ian – Vocês dois.

— Mestre – Ian gemeu se esfregando no outro – Eu quero agradecer ao modo aurifense.

— Ian – Yaci estava ficando aceso, mas estavam em uma nave com uma cabine de quatro metros quadrados com apenas duas poltronas, não era o melhor lugar para o seu amado.

— Vamos mestre – Ian cochichou na orelha de Yaci por fim colocando a língua ali dentro.

— Você não está jogando limpo – gemeu o príncipe sentindo a ereção cutucar suas calças caqui.

— No amor e na guerra... – Ian riu quando Yaci colocou a mão por baixo de sua blusa apertando seus mamilos.

Ian deixou a cabeça cair para trás gemendo com o outro apertando e puxando os mamilos que ficaram duros. Por fim Yaci retirou a sua blusa e abocanhou um dos discos vermelhos com fome enquanto sua mão direita descia para o zíper de sua calça abrindo e puxado o membro duro de Ian da roupa intima.

O dedo de Yaci apertou a ranhura na ponta onde pré sêmen começava a vazar.

— Por favor, mestre – Ian gemia – Eu quero duro e rápido! Quero seu pau dentro de mim me fodendo com tudo!

— Menino mau – Yaci voltou a apertar o pênis do outro – Você precisa ser punido.

— Me puna mestre – Ian gritou quando o príncipe desceu a cabeça e colocou seu membro duro dentro da boca começando uma deliciosa massagem da ponta à glande. Com uma das mãos ele apertava suas bolas.

Quando Yaci deu uma pequena mordida na ponta de seu pau, dor e prazer se misturaram de tal forma que Ian não pode impedir de gozar na boca de Yaci que engoliu parte de seu sêmen, mas o restante escorreu por seu queixo. Ele beijou Ian com volúpia fazendo ele engolir um pouco de própria semente e sem que desse conta seu pau estava mais uma vez desperto.

— Mestre – Ian não podia impedir de gemer.

— Tire as roupas e fique de quatro! – disse Yaci da sua pose de dominador.

Lambendo os lábios Ian levantou do colo do outro e começou a retirar sua roupa peça por peça, com uma lentidão proposital que deixava Yaci louco a ponto dele ter que libertar o pênis duro como uma pedra pela calça aberta.

Ian sorrindo ficou de quatro com as costas voltadas para ele deixando o seu buraco à mostra.

Yaci gemeu e apertou as nádegas redondas do outro.

— Mestre duro! Por favor, enfie em mim sem lubrificante e sem preparo.

Yaci não pode mais suportar e enfiou tudo dentro de Ian que gritou em um misto de dor e prazer por ter o grande membro entrado nele de forma tão brusca.

O príncipe não lhe deu tempo para respirar e começou as estocadas bruscas e duras que esfregavam em sua próstata. Seu pau ereto balançava ao sabor das estocadas.

— Não vai se tocar – Yaci ordenou – Vai gozar pra mim apenas por ter o meu pau dentro de você, rasgando esse cuzinho lindo e vermelho.

Ian gemeu deitando a cabeça nos braços e erguendo mais a bunda para que Yaci pudesse ir mais fundo.

As estocadas foram mais bruscas quase o levantando. Os gemidos de Yaci o deixavam ainda mais excitado e quando o príncipe deu a ultima gozando dentro dele, Ian também gozou sujando o chão de sêmen.

Ambos cairão no chão ainda conectados e com Yaci ainda duro dentro dele.

Sua bunda ardia, mas ele não ligava. Sexo com seu mestre sempre seria assim e ele percebera que gostava da dor e do prazer.

Yaci recomeçou a fode-lo e depois de três rodadas finalmente o aurifense retirou o pênis mole de dentro de Ian que estava em uma poça se semente e meio inconsciente.

— Mestre – ele olhou para Yaci que pegava uma caixa de lenços e os limpava – Eu gostei.

— Eu também meu amor – Yaci o pegou nos braços e sentou com ele na poltrona enterrando o rosto nos cabelos loiros de Ian – Você me deixa louco de tesão.

Ian aninhou-se em torno se Yaci como um gato.

— Durma Ian – quando chegarmos à ilha eu lhe acordo.

— Sim mestre.

Yaci abraçou o outro aliviado por estar com o seu bem mais precioso entre os seus braços.


~~***~~


Voldala era uma cidade grande com carros misturados nas ruas com cavalos e carruagens. Navios a vela no porto junto com os movidos a motor e muita gente indo de um lado para o outro e pessoas gritando na feira de peixe ao longo do píer.

— Isso aqui fede – gemeu Itieu. Pin, o guan, se escondeu dentro da camisa dele também incomodado com o cheiro de peixe morto e algas azuis secando.

As algas eram secas e feita uma farinha usada nos assados de peixe por todo o mundo. Um condimento caro e exótico que fedia mais que os peixes secando ao sol.

— Concordo – disse Mark olhando para um varal onde peixes vermelhos eram secos – Acho que nunca mais como peixe.

— Não tente usar isso como desculpa – disse Tiesis olhando feio para ele.

O menino gemeu e revirou os olhos.

— Isso está me dando náuseas – geme com vontade de vomitar em um tonel cheio de enguias e lulas até a borda.

Ovas grandes e pretas de peixes transbordavam por todo o lado. Eram usadas para fazer patê e só de pensar nisso eu tinha vontade de nunca ver um peixe na minha vida. Eu era solidário com Mark.

Paramos em um canto do porto observando e percebemos que haviam poucos guardas mais interessados em ficar de papo para o ar perto dos bares que infestavam aquela região, alguns estavam inclusive bêbados.

— Essa é a nossa força policial – disse Tiol com desgosto.

— Agradeça por isso hoje – disse Karl.

— Precisamos de um barco – Tiesis olhos Tiol – Quanto você pode pagar?

— Meus créditos livres são de um milhão. Se usar a minha conta podemos ser rastreados.

— Um milhão é um bom dinheiro, mas devemos regatear ou vão desconfiar. Vamos procurar um vendedor – olhou o filho mais velho – Karl cuide de todo mundo enquanto estamos fora.

O rapaz balançou a cabeça e os dois se perderam no mar de gente do porto enquanto ficávamos sentados em caixotes de madeira atrás de um bar onde podia-se ouvir algumas piadas sujas.

 Os gritos dos vendedores não paravam e conforme o dia ia avançando mais pessoas vinham comprar o peixe nosso de cada dia, infelizmente o cheiro também piorava com o sol cada vez mais alto esquentando pilhas de carcaças e tripas de peixes que eram jogados no mar.

— A vigilância sanitária precisa ver isso – resmunguei tapando o nariz.

— Os fiscais fazem que não de conta que não vêem, afinal recebem bem para não ver as pessoas poluindo o mar e secando os peixes nessas condições.

— Tá tudo tão quieto que estou ficando arrepiado. Se pelo menos houvesse o exercito de um lado para o outro saberíamos com o que estamos lidando.

— Talvez eles estejam concentrados nas cidades do interior antes de avançar para o litoral – disse Karl que observava as pessoas com desconfiança.

Olhei para o lado vendo Mark e Itieu sentados no chão brincando com o guan azul que brincava com pedaço de madeira. Eu ficava maravilhado de como o bicho era ligado ao menino e mesmo durante a nossa jornada na mata ele nunca tinha se afastado do dono.

Uma hora depois Tiesis e Tiol voltaram com o semblante mais calmo.

— Conseguimos – disse Tiol sorrindo para mim.

— Compramos uma lancha motorizada. É meio velha, mas vai dar para chegarmos à ilha Maltri.

— Fica muito longe? – perguntei para Tiol.

— Duzentos quilômetros rumo ao leste. Se sairmos agora chegamos lá em uma hora.

Saímos andando pelo porto até o fim do píer onde uma lancha vermelha estava parada. Estava meio descascada e amassada, mas eu esperava que durasse até a ilha.

Não entendia nada de barcos, mas ela devia ter uns dez metros de comprimento e cinco de largura. A cobertura era pintada de branca e mesmo a motor haviam velas negras amarradas ao mastro central.

— Eu nunca andei em um barco – disse Karl perto de mim – Acha que isso é seguro?

— Se não afundar?! – dei de ombros deixando Karl pálido – Calma Karl! Era só brincadeira.

— O barco é seguro sim – resmungou Tiol para nós.

Agora era isso, cada vez que conversava com Karl, Tiol rosnava e eu estava começando a gostar disso.

— Vamos! – Tiesis olhou feio para nós e entramos no barco por uma prancha de madeira.

Todo o convés era feito de um plástico duro e preto totalmente antiderrapante. Tudo parecia limpo, mas o cheiro de sal impregnava tudo.

Descendo uma escada chegavam às dependências do barco: um quarto, uma sala, cozinha e um banheiro e eu fiquei feliz com a possibilidade de tomar um banho.

Tiol foi até o coberto onde ficavam os controles do barco.

— Você sabe manobrar isso? – perguntei perto dele.

— É muito parecido com uma nave – disse ele apontando para os controles.

Apertando um botão o motor começou a tremer abaixo de nós e puxando uma alavanca o barco começou a deslizar pelo mar.

Olhei para o porto que ia se afastando e franzi o cenho para uma movimentação estranha e me dei conta que o exercito estava chegando lá. Voltei para a cabine.

— O exercito chegou a Voldala!

Tiol apertou os lábios e imprimiu mais velocidade dando tudo para o motor.

Havia uma saída à frente, a pequena entrada da baia que dava para o porto e ficava entre duas falésias. Se ultrapassássemos ela podíamos ficar escondidos, desde que os caças não chegassem.

Todos foram para o convés olhando para o porto onde se ouvia tiros e berros. Algo explodiu e os barcos começavam a debandar indo de um lada para o outro.

Mais bombas e agora devia ser um morteiro sendo lançado, pois os barcos começaram a explodir.

— Meu Deus – gemeu Ana segurando a mão do marido.

Eu tremia. Se eles lançassem algo em nós seriemos comida de peixes em segundos. Sem nem mesmo perceber segurei a mão de Tiol enquanto esperava pelo por vir.

Felizmente parecia que estávamos longe para os morteiros. Chegamos ao alto mar vivos e inteiros.

— Essa foi perto – disse tentando me livrar da mão do príncipe, mas Tiol me segurou mais firme e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele me beijava com força.

O que diabos ele pensava que estava fazendo? E o que diabos eu estava fazendo gostando do beijo? Andrew você é um idiota!