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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Escravo - Capitulo 20 A Caçada Parte I

Capitulo 20 – A Caçada
Parte I

Era noite no planeta quando caímos. Não podia ver nada que não fosse o brilho do fogo que nos cercava. Era bom que a cabine fosse à prova de fogo, mas eu não via como a gente não virar uma mancha no terreno abaixo de nós que se aproximava rápido.

— Almeora – resmungava Tiol – Tantos lugares e tinha que ser em um país subdesenvolvido.

— Eu não acredito que você está dando uma de preconceituoso com a gente prestes a morrer! – gritei com ele.

— Cale a boca Andrew! Eu não estou reclamando por preconceito merda! Almeora é um país com poucos recursos e que é muito ligado ao meu pai, vai ser difícil conseguir ajuda.

Certo, eu havia errado, mas eu não ia pedir desculpas para esse grosso, nisso estejam certos!

O painel da nave apitou mostrando que estávamos a cem metros do chão e segundos depois senti um solavanco que quase me arrancou do banco. Meu corpo foi jogado de um lado para o outro e minha cabeça bateu em algo que eu não identifiquei e fiquei fora do ar por alguns minutos. Ao acordar vi que estava de cabeça para baixo sustentado pelo cinto de segurança.

Gemi de dor de cabeça e tossi com a fumaça que entrava pela cabine.

— Tiol! – gritei, mas não houve resposta.

De repente a nave rolou ficando na posição certa e eu pensei que ia vomitar com as náuseas que subiram à minha garganta pela dor de cabeça.

Tentei sacudir o ombro do príncipe e vi que ele estava desacordado e eu esperava que fosse apenas desacordado.

Havia um painel na minha frente e eu felizmente sabia qual botão apertar para erguer a cobertura. Com um barulho hidráulico a capota de vidro blindado subiu e eu percebi que estávamos em um oceano de fumaça com fogo que parecia vir debaixo da cabine salva vidas.

Levantei superando a tontura e olhei Tiol que estava com o rosto coberto de sangue que vinha de um profundo corte que descia de sua testa indo até a têmpora. Mesmo comigo chamando e balançando o seu ombro ele não acordou e eu não tive outra opção. Retirei o cinto dele e pulei para o seu banco.

Até hoje eu não sei como eu coloquei o grande aurifense sobre um ombro e pulei para o chão, acredito que a adrenalina tenha ajudado muito.

Assim que meus pés tocaram o chão meus joelhos dobraram e eu tentei não machucar Tiol ainda mais. Arrastei ele para longe da fumaça e voltei para a cabine.

Sei o que vocês devem estar pensando: “O que esse louco vai fazer lá?” A verdade é que eu sabia algo sobre as naves, havia sido um dos poucos assuntos que prendeu o meu interesse na vida. Dentro das cabines de socorro normalmente havia uma mochila com suprimentos e materiais de sobrevivência. Eu precisava achá-la se queria ajudar Tiol e sobreviver ali.

Escalei com alguma dificuldade os destroços que estavam ficando quentes e com labaredas subindo por sua parte traseira. Quase sufocado pela fumaça eu procurei achando a mochila do lado do meu banco. Deveria ter outra, mas eu não tinha tempo.

Quando ia sair à nave adernou e eu caio para trás voltando à cabine e vi a cúpula se fechando e eu não sabia se eu ia conseguir abri-la. Tentei ficar em pé, mas meu pé escorregou e eu fui com tudo para trás e a nave continuou virando e a cúpula de vidro se fechando para me prender em um forno.

Empurrei meu corpo para frente, segurei no metal quente as borda queimando a minha mão, mas eu nem notei. Com um impulso desesperado eu pulei da nave no exato momento que ela rolou para uma ribanceira que eu não notara por ser noite fechada. Escutei o estrondo de quando ela parou lá no fundo e o brilho das chamas ajudaram a ver que estávamos em uma floresta fechada e por muito pouco não caímos no fundo de um cânion.

Suspirei de alivio e senti a queimadura na minha mão, mas não havia tempo para sentir pena de mim mesmo. Erant estava morto e eu não ia deixar Tiol morrer também, mesmo que a minha vontade fosse eu dar uns tapas por essa ideia idiota.

Mancando voltei para junto dele e tateei na mochila até achar uma lanterna e dar uma melhor olhada no príncipe.

— Droga odeio sangue.

Respirei fundo e comecei a colocar uns curativos no corte depois de tê-lo limpado. Os curativos feitos de gel colaram a pele e selaram o sangue fazendo o ferimento se fechar rapidamente e deixar pouca cicatriz. Tentei fazer um curativo em minha mão, mas eu não tinha ideia do que passar nela e apenas usei um gel para aliviar o ardor e a enfaixei. Coloquei a mochila no ombro e respirei fundo empurrando Tiol novamente para o meu ombro e a passos de bebê eu fui me embrenhando na floresta tentando me afastar o máximo possível do lugar do pouso.

Não sei quanto eu andei e para que lado eu fui. A lanterna iluminava apenas um pequeno circulo e eu ficava sempre a escuta de naves, mas o único som eram os meus arquejos e o barulho dos animais. Até aquele momento eu tentara não me preocupar com eles.

Algum tempo depois eu não conseguia dar mais nem um passo e parei perto de uma rocha chata que se projetava da vegetação. Olhando por baixo dela percebi que era uma caverna e que não era habitada por mais nada. Arrastei-me para lá puxando Tiol e me vi em uma laje de pedra com paredes de três lados e uma entrada apertada. O teto era alto o suficiente para que eu ficasse em pé e acreditei que estávamos seguros ali por enquanto; era hora de montar acampamento apesar de ser um leigo total em sobrevivência eu tentei usar o que sabia do que assisti em filmes de aventura.

Abri a mochila tirando o colchão de campanha que se enchia de ar e ficava confortável e o estendi na laje colocando o peso morto do Tiol lá. Revirei o restante da mochila. Não havia muita coisa: um cobertor térmico, a caixa de primeiros socorros e um saquinho com três barras de energia, nada mais, nem radio ou uma arma.

Desanimado eu deitei perto de Tiol puxando o cobertos para nós e usando a mochila de travesseiro me forcei a dormir. Eu não queria pensar em estar grávido, na frieza de Tiol, na guerra, em Erant morrendo nos meus braços, em estar perdidos e no porque eu me importei tanto com aquele maldito príncipe que devia ter um cubo de gele em vez de coração. O que eu precisava era manter minhas forças para sobreviver. Fechando os olhos eu mergulhei no mundo dos sonhos que tampouco foi gentil comigo.

Acordei sobressaltado com Tiol gemendo e sentando. Havia alguma luz do dia entrando pelas frestas das plantas que escondiam a entrada. Vi o quando ele estava pálido e como segurava a cabeça.

— Merda! Minha cabeça!

— Infelizmente você ainda esta com ela – ele me olhou como se visse um fantasma – O que? Achou que eu estava morto? Se fosse assim quem ia salvar essa sua bunda branquela?

— Do que você está falando?

— Da sua estratégia idiota! – gritei para ele – Nós caímos como um meteoro. A cabine se incendiou e você bateu a cabeça sei lá onde e eu tive que ti jogar em meu ombro e pular para o chão. O que restou da nave caiu em um precipício em chamas.

— Ótimo, assim vão pensar que caímos lá e talvez escapemos de sermos procurados.

— Que?! EU salvei a sua vida patética e você diz ótimo? Eu deveria tê-lo deixado queimar lá!

— Por que não o fez?

Até hoje ao lembrar-se disso eu tenho vontade de bater tanto no Tiol que ia deixá-lo na cama por uma semana.

— Quer saber? – eu me levantei para sair – É porque eu não sou como você, eu não sou como seu pai. Acredito que se fosse comigo teria me deixado morrer ali.

Lancei um olhar de desprezo para ele e sai para a floresta e olhando pasmo à minha volta. As árvores eram tão altas que eu inclinei bem a minha cabeça para olhar bem para elas. Haviam mais rochas por ali e em meio delas nasciam arbustos cobertos de flores azuis que floresciam em cachos e tinham um perfume doce de mel. As plantas rasteiras eram roxas e cobriam o chão em meio às folhas que caiam das arvores gigantes. Ali perto havia uma nascente que gorgolejava mansamente descendo por pedras e sumindo de vista.

— Andrew! – Tiol saiu lançando um olhar surpreso para onde estávamos – Uma floresta de pinas! São árvores de reflorestamento muito antigas. Devemos estar perto de alguma cidade.

Eu procurei ignorar que ele existia.

— Andrew me desculpe...

— Desculpas?? – virei para ele colocando o dedo em seu rosto – Eu to cheio de você! Você não merece ter um pai como Abrahan que aceitava as torturas do imperador só para ti proteger! Você não merece ter um filho e eu sinceramente não quero que ele ti conheça!

— E você é o que? Perfeito?

— Não, mas eu mudei, eu aceitei mudar e você não. Saiba que esta matando o que eu pude ter sentido algum dia.

— Mesmo? – ele tocou na testa e me olhou de um modo como nunca fizera – Acha que eu finalmente consegui isso? Por que era o que eu queria desde o inicio. Você não pode me amar, ninguém pode e é melhor assim.

— Que doidera você ta falando?

— Você mesmo disse Andrew, eu não sou boa pessoa.

— Por quê?

— Eu sou um monstro e isso é o que eu preciso para pagar os meus pecados.

— Tiol!...

— Eu... – ele deu uma risada sem alegria – Eu vi ele o matar e não fiz nada, nada. Mereço o ódio, mereço a raiva.

— Você quer me dizer o que está falando?

— Não. Precisamos achar um modo se nos comunicarmos com os revolucionários.

— De jeito nem! Eu não vou ficar aqui me remoendo sabendo que você tem as respostas para tudo isso. Me fale!

— Você quer saber a verdade? – enfurecido Tiol segurou os meus ombros os apertando que iam deixar marcas roxas – Eu tinha um namorado há anos atrás, um garoto mestiço que era ajudante de limpeza. Passei a minha adolescência junto dele, fugindo para os bosques, nos amando até que meu pai percebeu e o pegou. Eu sabia do porão e corri para lá e quando vi meu pai o matando, cortando seu corpo em tirar eu fiquei com medo e fugi como o covarde que sou o monstro que há de verdade dentro de mim, afinal não sou filho do meu pai? O sangue dele não corre em minhas veias?

— Você teria salvado ele?

— O que?

— Me responda! Teria salvado ele?

— Não. Haviam guardas demais ali, ajudando meu pai com sua perversões. Eu em nada poderia fazer.

— Então você tem a sua resposta.

Ele me soltou como se a minha pele queimasse a sua mão e me olhou com os olhos vermelhos transtornados.

— Precisamos ir.

Ele parecia aturdido e eu procurei não pressionar ainda mais. Juntamos as nossas poucas coisas e iniciamos a caminhada segundo o córrego em que a nascente se transformava ao longo do caminho.

Bem, aurifenses devem ter uma grande resistência, mas eu sou apenas humano e depois de algumas horas eu estava sentindo cada parte dolorida do meu corpo e minha mão latejava alem de estar com muita fome.

Eu parei cruzando os braços.

— Tiol! – gritei para ele e o príncipe virou-se sobressaltado – Eu sei lá de onde você tira sua energia, mas eu preciso comer e descansar.

— Não temos tempo para isso Andrew!

— Então vai sozinho – respondi perdendo a minha pouca paciência – Eu vou me sentar aqui e esperar o mundo acabar.

Sentei no chão e o aurifense veio até mim trotando.

— Por que você tem que ser tão teimoso?

— E porque você tem que ser tão insensível? – rebati.

O príncipe bufou e sentou ao meu lado revirando na mochila e tirando uma das barras de energia e dando para mim. Ele comeu a outra com ar ausente e eu quase cuspi aquele treco que tinha gosto de manteiga e trigo.

— Precisa ser tão ruim?

— Pare de reclamar!

— Depois de ter salvado a sua vida ontem acho que adquiri esse direito.

— Vai ficar jogando isso na minha cara?

— Com prazer.

Ele voltou a bufar e eu não consegui deixar de rir. Ele me olhou ainda mais contrariado, mas eu vi uma leve torção em seus lábios como se ele estivesse tentando não sorrir de mim.

Bem, era um começo.

Dez minutos depois voltamos a andar e eu xinguei ele de tirano e ele me mandou... bem isso é melhor pular.

A tarde já estava chegando quando avistamos uma auto-estrada, mas onde transitavam alguns carros tão velhos que nem os museus da Terra iam querer e na sua maioria haviam carroças com cavalos, eles pareciam cavalos, mas eram de tantas cores que eu fiquei na duvida se havia salão de beleza eqüino para tingir pelos.

Assumindo o risco Tiol aceitou a carona de um velho senhor mestiço que nos olhou curioso, mas nada disse.

Entramos em uma cidade e eu percebi que estávamos imersos na pobreza. As casas eram de tijolos de barro, as ruas não tinham calçamento e o transito levantava nuvens de poeira que espiralava por entre casas velhas e lojas decrépitas. Descemos em uma praça e vimos que o único telefone publico não funcionava.

— Maravilha! – resmunguei – O que a ente faz agora?

Não sei o que Tiol ia responder, mas fosse o que fosse se perdeu no estrondo dos helicópteros chegando, dezenas deles escurecendo o céu a chamando a atenção de todos. Eles desapareceram ao oeste por entre as casas, mas o que eles deveriam estar procurando era um lugar para pousar e deveria ser fora da cidade.

Tiol me arrastou para um amontoado de casas em meio a becos e lixo tentando nos esconder da caçada que ia ter inicio.     

domingo, 5 de agosto de 2012

O Escravo - Capitulo 19 E Com o Fogo Eu Ti Purificarei

Capitulo 19 – E Com o Fogo Eu Ti Purificarei


Yaci manobrou a nave em busca de uma saída. Naves militares viam de todos os lados e ele havia preferido voar baixo e não partir para a atmosfera como vira Tiol fazer, mas o irmão era um grande piloto e ele pilotava melhor na atmosfera. Ele não vira por onde Abrahan fora e seu coração doía em pensar que podia perder mais uma pessoa da sua família, aliais, que podia acabar perder todos eles por causa da sandice do imperador. Não conseguia ainda pensar em Erant como morto.

— Mestre – Ian murmurou no banco de trás e ele percebeu o medo na voz dele.

— Vai ficar tudo bem Ian. Vamos sair dessa.

Ian estava assustado, mas também cheio de raiva com o que acontecera a Erant, ao risonho irmão de Yaci. Como um pai podia pensar em fazer aquilo com seu filho? Ele tocou em sua barriga lisa pensando no que ele carregava e mesmo sendo um choque no inicio a possibilidade de ter um filho do seu mestre era tão maravilhosa que ele nem ligava ter sido parte de uma experiência por um doido.

A nave deu uma brusca guinada para a direita e aquela velocidade estavam saindo do continente indo para o mar com muitas naves atrás deles. Deveriam estar em cerca de cinco vezes a velocidade do som cortando o céu deixando um rastro de condensação atrás de si como uma calda branca.

As naves dispararam, mas Yaci manobrava de modo que a nave estava sempre em movimento para cima ou baixo, direito ou esquerdo e Ian não sabia como ele não perdia o controle com aquelas manobras.

Outro continente apareceu abaixo deles com o sol se pondo e tudo envolto em uma estranha luz cor de rosa deixando as matas à que subiam e desciam suaves morros em um tom verde esmeralda.

— Não tem outro jeito – suspirou Yaci que manobrou a nave para atacar os perseguidores.

O príncipe não queria mais morte, sabia que muitos daqueles militares o encaravam e sua família como traidores do império, traidores de sua crença e estavam arriscando as suas vidas por isso. Pensou em Erant que também havia arriscado a sua vida por um ideal, por sua família.

“Irmão!”

Uma lágrima rolou por seu rosto enquanto com sua habilidade ele abatia uma a uma das naves vendo aliviado, os pilotos ejetarem as cabines salva-vidas. Ele podia atirar neles, estavam desprotegidos; ele podia se vingar pelo irmão.

— Mestre – Ian colocou a mão no ombro dele do banco de trás como se lembrando ao príncipe que ele não era o imperador e não podia se tornar um ou tudo pelo que estava lutando era em vão.

— Tudo bem pequeno. Eu ainda estou com os pés no chão.

Deixando os destroços para trás Yaci olhou para o radar que mostrava que estavam sendo rastreados e em segundos haveria um enxame de naves em cima deles.

— Temos que ficar aqui ou não vamos escapar Ian, segure-se!

Ele ejetou a cabine deixando a nave voar no piloto automático rumo ao oeste enquanto eles desciam para uma região coberta de matas.

A cabine pousou suavemente em meio a um amontoado de arvores que lembravam pinheiros.

— Ian atrás do seu banco tem uma mochila de sobrevivência. Pegue ele e vamos descer e tentar colocar distancia da cabine.

Yaci levantou a cúpula de nave deixando o ar da tarde perfumado entrar na cabina da nave. Ele e Ian pegaram cada um suas mochilas e desceram da nave que agora não passava de um casulo sem serventia.

— Ian – Yaci olhou sério para ele – Precisamos tirar o chip de você ou seremos localizados.

— Eu tinha me esquecido dele – Ian ergueu a manga da blusa olhando para o ponto onde ele fora colocado há anos atrás.

— Me desculpe – Yaci estava com uma faca – Não tem como fazer isso de outro modo.

— Isso é apenas uma pequena – ele segurou o rosto atormentado de Yaci que beijou a sua mão.

Com os dedos apalpou o local onde ele imaginava ficar o chip do tamanho de um grão de arroz e logo sentiu um ponto duro. Usando a ponta da faca ele começou a cortar a epiderme e depois afundou mais em sua pele chegando à derme onde ficava o chip e usando a ponta da faca empurrou o dispositivo para fora não o quebrando. Colocou um lenço em cima do pequeno corte e olhou Ian que sorria para ele.

— Vamos Ian – segurou a mão do outro e se embrenharam na mata que estava escurecendo.

O ar frio cheirava a mato e pinho e o barulho de pássaros grasnando no alto das arvores estavam presentes. Suas botas esmagavam folhas e galhos mortos com plantas rasteiras nascendo em meio a toda a vegetação e aos grandes troncos caídos. O terreno subia lentamente e eles toparam com um pequeno rio que gorgolejava por entre pedras cheias de limo.

Yaci pegou um galho seco e colocou o chip e Ian nele deixando que ele seguisse o curso do rio ladeira abaixo.

Ian deu uma risada ao ver que eles iam ficar procurando por eles por muito tempo se seguissem o seu chip.

Yaci olhou para ele também sorrindo, mas logo ficou sério fazendo um carinho apressado na cabeça dele e voltaram a caminhar.

— Estamos no continente de Delanios, ao norte. É uma região selvagem com um povo que não é muito amigo do meu pai. As pessoas daqui são grandes guerreiros e honradas, foram os primeiros a se levantarem contra Adamas.

— Acha que eles nos ajudaram? – perguntou Ian.

— Eu espero que sim, mas devemos ter cuidado com quem pedimos ajuda, pois há traidores em todos os lados.

A noite caiu e eles seguiram viagem na luz da lanterna. Estavam cercados por uma aura verde que pertencia ao aparelho de anti localização que ia impedir que eles fossem encontrados pelas naves que sobrevoavam toda a área.

Eram cerca de três da manhã quando Ian tropeçou caindo e deixando a sua lanterna cair. Estava tão cansado que as suas pernas dobravam sozinhas. Seu corpo doía e ele sentia uma dorzinha incomoda no abdômen.

— Ian?! – Yaci segurou seu baço ajudando ele a se levantar, mas suas pernas pareciam serem feitas de gelatina.

 — Desculpe mestre – gemeu o rapaz – Eu não consigo mais – ele ofegava.

— Temos que parar, mas não dá para ser ao ar livre. Vamos tentar achar uma caverna, apóie-se em mim.

Eles iniciaram a busca por um local para ficar, mas parecia que não iam achar nada e Ian já estava a ponto de desmaiar quando acharam uma rocha chata e abaixo dela um canto seco coberto de areia com três lados cercados por pedras e uma pequena entrada que Yaci tapou com um punhado de galhos.

Ian sentou não tendo forças nem mesmo para tirar a mochila das costas.

O príncipe fez isso para ele e preparou uma cama com um colchão fino como um tecido, mas que enchia de ar ficando com dez centímetros de altura e confortável.

— Vamos pequeno – disse ele ajudando o rapaz a deitar no colchão de ar.

Ian dormiu imediatamente, mas Yaci ainda tinha que impedir que eles fossem localizados e colocou na rocha acima da cabeça deles um aparelho do tamanho de uma noz que ia bloquear os localizadores. Outro foi colocado na entrada cheia de galhos e ia avisar se algo entrasse. Finalmente pode retirar a jaqueta e deitar no colchão do lado de Ian e cobri-los com um cobertor térmico.

Enquanto abraçava o rapaz humano que se aconchegou a ele sua mente foi para Valdi, Tiol, Andrew, Abrahan e... Erant e pela primeira vez em sua vida chorou sem medo ou vergonha, chorou por sua família e por todas as famílias de Aurifen e jurou a si mesmo que faria o possível para que essa guerra acabasse logo e ele pudesse ajudar seu povo a se erguer.

Cansado e cheio de uma tristeza que parecia que ia sufocá-lo fechou os olhos tentando achar consolo no filho que crescia na barriga do Ian.


~~***~~~


O dia amanheceu cinzento e frio. O dia ameaçava chuva e Yaci rastejou para fora da pequena caverna olhando em volta ainda ouvindo o barulho das naves acima dele e ao longe o som de acanhoes atirando em algo. A guerra parecia estar se desenrolando ao longe e isso o preocupava. Se os conflitos estivessem muito acirrados seria difícil chegar perto de uma cidade.

Ao leste ficava a vila de Ralas onde ficava um dos comandos dos revolucionários e era lá que ele queria chegar. Precisava saber o que estava acontecendo e até que ponto a perda da base central havia interferido em seus planos.

Não sabia se vinha ajuda de Valdi, mas esperava que o irmão estivesse bem. Havia decidido ao acordar que a única forma de acabar com tudo aquilo seria chagar até seu pai e matá-lo, mas não podia fazer isso de forma velada, tinha que ser em frente ao povo em frente às câmeras para provar a todos os seus planos.

Matar seu pai não era o que ele queria desde o inicio. Queria que Adamas tivesse um julgamento e fosse punido por seus crimes, mas se insistisse nessa ideia o que ia acarretar eram mais mortes. Ele precisava fazer algo e era essa a sua chance. Teria que entrar no castelo, um dos lugares mais bem guardados de Aurifen, mas ele conhecia a construção como a palma da sua mão.

Voltou a entrar na caverna escura retirando de dentro da mochila uma barrinha de ração. Não tinha o melhor sabor, mas era rica em açúcar e carboidratos e eles precisavam de energia. Foi até Ian que ainda dormia e colocou a mão em seu ombro tentando acordá-lo de forma calma, mas o rapaz deu um pulo ao ser tocado.

— Calma pequeno, sou eu.

— Desculpe mestre. Eu ainda acho que estou na casa do conde sendo acordado por ele e... – Ian passou a mão na testa parecendo pálido e mais cansado que na noite anterior.

— Ian? – Yaci tocou em sua testa percebendo que ele estava com febre – Você está sentindo alguma coisa?

—Eu estou bem mestre.

— Ian! Precisamos ser sinceros uns com os outros aqui para que possamos sobreviver. Agora vou perguntar novamente e quero uma resposta sincera. Está sentindo alguma coisa?

— Perdoe-me mestre – ele inclinou a cabeça – Eu tenho dores no corpo e o pé da minha barriga dói. Acho que estou gripado.

— Sua barriga? – Yaci tocou no abdômen dele e deu um leve aperto no local fazendo o menino gemer.

— Precisamos chegar a uma vila ou algo assim com um médico, mas você não tem condições de andar.

— Não podemos ficar aqui. Estamos sendo procurados.

— Esperemos que você melhore Ian.

— Yaci – pela primeira vez ele disse espontaneamente o nome do príncipe – Eu consigo ti acompanhar. Não dá para ficarmos para trás enquanto meio mundo nos busca. Quando mais cedo chegarmos a um lugar seguro mais cedo vamos achar um médico.

— Você sabe que essa dor na barriga não é coisa boa Ian!

— Eu sei disso e é por isso que temos que partir. Ficar aqui vai acabar nos lavando para as mãos do seu pai. Imagina o que ele fará com o nosso filho Yaci?

— Eu sei – Yaci segurou o rosto dele com delicadeza – Rezo para que tudo isso termine e você tenha um filho saudável em um mundo de paz.

— Amén!

— Que palavra é essa?

— Pertence a uma língua da Terra que não é falada há milhares de anos e quer dizer que assim seja.

Eles se beijaram, mas foi um beijo doce e delicado como se cada um estivesse com medo de machucar o outro com isso.

Sabendo que não tinham mais tempo, desmontaram acampamento e voltaram a caminhar por entre as arvores da floresta que parecia não ter fim.

Durante todo o dia ouviram estrondos que ficavam mais próximos a cada minuto.

Com o correr do dia Ian estava ficando cada vez mais cansado e pálido. Pararam a cada hora por cinco minutos, mas quando a noite chegou Yaci praticamente carregava o menino que agora gemia com uma dor agonizante em sua barriga.

— Só mais um pouco – Yaci tentava animá-lo – Do outro lado do morro fica a vila e você vai poder descansar.

Ian tentou dar um sorriso, mas se transformou em um esgar de dor. Estavam chegando ao alto do morro e no horizonte havia uma grande luz como se estivessem chagando perto de alguma capital e não de uma vila de interior. Quando emergiram do outro lado puderam ver com horror o porquê da luz.

A vila queimava lá embaixo, toda ela em uma grande fogueira vermelha. Flutuando no ar os gritos chegaram até eles e o cheiro de queimado fez Ian vomitar o pouco que tinha nos estomago.

Yaci olhava estático aquilo. Aquela carnificina sem sentido e percebeu que se não chegasse logo ao seu pai esse era o destino de toda Aurifen.  




PS: PESSOAL ESTOU VOLTANDO PARA A FACULDADE NESTA SEMANA E AGORA POSTAR MAIS CAPITULOS SÓ NOS FINS DE SEMANA, MAS QUANDO EU TIVER UM TEMPINHO EU JURO QUE POSTO PARA VOCÊS. SAIBA QUE ESCRAVO PARA CADA UM DOS MEUS LEITORES COM O MAIOR GOSTO E QUE ADORO CADA UM DE VOCÊS. OBRIGADA POR LEREM E COMENTAREAM, VOCÊS SÃO INCRÍVEIS!
BEIJOS! 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O escravo - Capitulo 18 - Pirtas

Capitulo 18 - Piratas



Bem acho que vocês viram que nos separamos. Não é a minha observação mais brilhante, mas o que quero dizer com tantos rodeios é que não dá para continuar a história apenas do meu ponto de vista, por isso ela vai se voltar para os desaparecidos, perdidos e afins. Enquanto eu caio rumo ao planeta querendo matar o Tiol, Valdi também está enfrentando seus problemas...


~~***~~


Valdi acelerava o máximo tentando fugir das naves militares que avançaram sobre ele. Com o fator surpresa e com a velocidade que a sua nave era capaz de atingir em pouco tempo ele esperava ser capaz de escapar.

Inclinou a nave passando perto da lua Arilien e tentou ir para o espaço exterior, mas foi barrado por cinco naves de patrulha que abriram fogo contra ele.

Manobrando, passou por cima deles voltando a acelerar chegando perto da velocidade da luz perto demais do planeta o que era uma temeridade. Assim que acionasse os motores de ultraluz tanta energia ia ser desprendida que ele esperava que nada acontecesse ao sistema.

Apertou o botão que ia jogar ele para um universo onde as leis físicas deste não eram as mesmas, mas um segundo antes um raio de calor bateu a bombordo fazendo a nave estremecer e com isso sua rota foi mudada.

Xingando Valdi tentou corrigir a rota, mas era tarde demais. A nave estava sendo jogada para um ponto desconhecido da Galáxia.

Talvez o melhor seja explicar como todo esse aparato tecnológico funciona.

Uma nave não pode viajar acima da velocidade da luz no nosso universo que entre os humanos é conhecido como universo einsteiniano, sendo que, foi graças a Albert Einstein que as leis o regem as coisas à nossa volta foram descobertas. O que mudou foi que se descobriu que não há apenas um universo e sim vários, uns sobre os outros como camadas e que para entrar neles seria necessário uma grande energia que todos julgavam impossível de se atingir. A Terra estava no ano 3.985 quando pela primeira vez um físico conseguiu provar que podia acumular energia em capacitores de fluxo e com elas jogar a nave em um desses universos. A nave realmente entrou em um deles, mas descobriu-se que só se podia ficar nele enquanto a nave estivesse à velocidade próxima da luz. Quando a nave desacelerou perceberam que estavam muito longe da Terra, haviam descoberto o ultraverso onde a velocidade da luz era a velocidade mínima e a máxima... bem a máxima ninguém ainda sabia.

Quando se acelera dentro do ultraverso você também acelera no nosso em uma velocidade milhares de vezes da velocidade da luz e para se localizar as naves fazem cálculos muito precisos e qualquer coisa que interfira na rota programada podia fazer a tripulação se perder no universo para sempre.

Desculpem a aula de física e história, mas muita gente não vai entender o medo de Valdi ao se ver jogado nos meandros da galáxia em uma rota que ele não tinha fixado. Se perder em uma galáxia não é raro e deve ser a mais terrível das solidões.

Valdi tentou desacelerar, mas os computadores são bem mais inteligentes que certos humanos (no caso aurifenses). Se ele desacelerasse muito depressa podia quebrar a nave em um amontoado de átomos e, mesmo que a rota tenha sido mudada, era mais fácil tentar achar um caminho calculando o erra que cometera do que simplesmente parar no meio do caminho. São por essas coisas que a nave preferiu ignorar os comandos idiotas do príncipe e espero que ela não fosse muito sensível por que Valdi mostrou ter uma boca bem suja para xingamentos!

Vinte minutos depois o estranho branco em que as telas estavam tomadas desapareceram e ele pode ver o negrume do universo pontilhado de tantas estrelas que ele parecia se achar em uma explosão de fogos de artifício.

Bateu no painel de controle não acreditando na sua sorte. Fora para perto do centro da galáxia e a sua antiga rota era na região exterior onde a Terra ficava.

Com pressa tentou calcular a sua localização, mas a nave deu um alerta de localização. Outra nave estava usando um localizador de energia nele.

Uma das telas especiais mostrou para ele uma imensa nave esférica toda negra e com uma cruz celta pintada na lataria.

— Maravilha! – resmungou ele tentando ligar os computadores – Em toda a galáxia eu tinha que cair exatamente em frente a piratas humanos.

No segundo em que seu motor deu um arranque a nave estremeceu a quase foi arrancado da sua poltrona.

— Ora, ora – a imagem de um homem de barba apareceu na tela a sua frente – O que é que as estrelas trazem para mim?

— Olha eu não tenho nada de valor, me deixe ir embora!

— Quem disse que não tem nada de valor? – o homem caiu na risada – o que acha disso chefe?

Um homem alto, rosto forte e marcante, com olhos de um negro brilhante apareceu na tela. Seus cabelos longos e castanhos dourados caiam sobre um ombro e ele tinha um brilho frio no olhar, mas seus lábios bem desenhados tinham um sorriso que não chegava aos olhos.

— Um aurifense. Quanto acha que o mercado anda pagando por um desses?

— Uns dois milhões de créditos chefe. Eles não são fáceis de agarrar.

— Vê como você tem muito de valo?

Era o que faltava! Havia caído nas mãos de escravocratas!


~~***~~


Sua nave foi rebocada para dentro da boca cavernosa da imensa nave que podia muito bem guardar a frota do seu mundo ali dentro.

Valdi podia ficar ali e se esconder como um covarde ou ir conversar com o “chefe” e tentar um acordo. Eles queriam dinheiro e ele ajuda. Se eles aceitassem os créditos que tinha nos bancos da Terra podia ter a ajuda deles ou que mesmo lhe deixassem ir.

Com a cabeça erguida caminhou para a escotilha da nave e desceu para um amontoado de pessoas vestidas de vermelho de verde.

Agora ele sabia como os escravos que seu povo comprava se sentiam e era uma sensação horrível de impotência e medo.

— Ora não é que ele é corajoso? – observou um rapaz rindo dele, mas ninguém se aproximou até que o “chefe” chegou.

O homem era mais alto que ele, tinha um corpo bem constituído e musculoso. Parecia que ele conseguia fazer as pessoas se curvarem apenas com a sua presença, mas Valdi não baixou a cabeça, ele olhava diretamente para os olhos negros e brilhantes dele.

— Bem vindo à Oghman.

— Eu quero negociar.

Algumas pessoas riram, mas Valdi apenas levantou a sobrancelha. Ele não ia ter medo de um bando de piratas.

— Acho que precisamos ser um pouco mais educados aqui – o “chefe” riu – Eu sou o capitão Gwidion.

— Valdi – respondeu ele impaciente – Eu estou com pressa capitão.

— Mas eu tenho todo o tempo do mundo.

— E eu tenho dinheiro que sei que é a única coisa importante para seres como você.

— Baixa um pouco a sua crista filhote, porque às vezes dinheiro não é tudo.

— Acha que consegue dois milhões me vendendo? Eu consigo três vezes mais sem que você tenha que se ver com a federação por seqüestro.

— E porque eu não arranco esse dinheiro de você e ainda o vendo como meu premio? – perguntou Gwidion chegando perto de Valdi.

— Por que eu nunca daria os números das minhas contas para vocês!

— Posso ser bem persuasivo.

— Eu não tenho medo.

— Pois deveria ter filhote. Eu não sou capitão dessa nave à toa.

— É claro que não é à toa! Deve ser às custas do medo, do saque e da morte que vocês carregam.

— Você não nos conhece para dizer isso! – o cara parecia ofendido e Valdi riu.

— Um pirata com honra? Acho que entrei em uma realidade paralela. O que sei de vocês fala sobre o saque e a violência em naves de carga que não carregam armas. Vocês só não roubam, mas matam por prazer e eu desprezo assassinos!

— Tem a língua afiada Valdi, mesmo que eu esteja tentado a cortá-la!

— Vai mesmo privar os seus homens de todo o dinheiro que eu posso conseguir? – Valdi gritou chamando imediatamente a atenção – Por sua burrice vai arranjar briga com a Federação da Terra? Olhem a nave! Ela tem um localizador e pode ser encontrada em qualquer ponto da galáxia, mesmo eu sou rastreado. O que ofereço a todos vocês são seis milhões de créditos se me ajudarem.

— Porque a gente ajudaria você?

— Por dinheiro, pelo que mais? Eu posso conseguir uma boa quantia e a minha família também, mas eu quero que me ajudem a derrubar o imperador.

— Quer dar o golpe no imperador de Aurifen?! – Gwidion começou a rir – Filhote você é louco ou o que? Aquele homem tem fama de ser pior que qualquer um de nós e quer que nos metemos com ele?

— Com medo?

O capitão fechou a cara e rosnou para ele.

— Se quer manter todos os dentes dentro dessa boca nunca me chame de covarde.

— Estão com medo do imperador? – Valdi gritou em volta com prazer – Tem medo de Adamas? Que coisa!

— Você não tem o direito de falar conosco assim! – gritou um senhor em meio à multidão.

— Desculpe-me, mas eu também já tive medo dele e percebi que isso apenas me paralisava. Eu estava indo para a Terra à procura de ajuda quando vim parar aqui.

— Nós não vamos nos meter em política! – resmungou Gwidion.

— Então me deixe ir! Eu tenho uma família me esperando e pessoas precisando da minha ajuda. Darei o dinheiro do mesmo jeito.

— Acha que eu vou deixar você ir embora?

— Eu vou embora! A minha família precisa da minha ajuda e eu não vou decepcioná-los!

— Você é o meu premio garoto.

— Então não vai ter o dinheiro! – Valdi gritou – Ouviram bem? Não vou dar nada para vocês assim e nem adianta me torturar. Meu povo adora a dor.

As pessoas começaram a murmurar e Gwidion ficou vermelho de raiva segurando o braço do outro com mão de ferro.

— É bom manter essa sua boca fechada.

— O aurifense esta certo! – alguém falou – Dinheiro é dinheiro ora! Porque trocar o certo pelo duvidoso?

— É mesmo? – um rapaz saiu do meio da multidão encarando o “chefe” – Porque Gwidion?

— Frey! – o outro ficou vermelho.

Frey era da altura de Valdi, com longos cabelos loiros que estavam presos em uma trança que caia por suas costas. Os olhos dourados tinham um brilho desafiador e com os músculos definidos aparecendo através do uniforme.

— Olha Frey ele já nos viu e...

— Nós aceitamos os seis milhões de créditos – disse Frey olhando Valdi como se o analisasse e gostasse do que via.

Agora dava para ver quem era o “chefe” ali!

— Frey!

— Nada de Frey! – o outro se voltou irado para Gwidion – Sabe quem é ele? o príncipe da casa real de Aurifen, filho daquele imperador louco! Você quer vender um príncipe? Na verdade você está pensando em vender alguém? Caso eu saiba a gente não é traficante.

— Não? – Valdi olhou Gwidion vermelho de raiva.

— Não custava nada se divertir! – respondeu ele rindo assim como algumas pessoas, outras estavam voltando para seus afazeres.

— Minha família e meu povo está morrendo em uma guerra civil e você brinca comigo? Humano nojento! – cheio de raiva cuspiu aos pés dele.

— O que é isso garoto? – o outro riu – Está me repudiando?

— Ele está ti chamando de covarde Gwidion – disse Frey revirando os olhos – Francamente você é meio analfabeto sobre os povos da galáxia!

— Covarde? – ele ficou vermelho erguendo a mão para bater em Valdi que deu um sorriso de escárnio para ele, mas Frey segurou o seu braço.

— Pare com isso Gwidion! O menino está preocupado com a sua família e você tem essa atitude de escárnio com ele? O que você faria se os nossos filhos estivessem em perigo?

— Você sabe o que eu faria! Iria até o fim do universo por eles.

— Agora você sabe como ele se sente.

O capitão olhou com desagrado para Valdi bufou, mas disse:

— Certo, me desculpe.

— Mas vocês são piratas do mesmo jeito.

— Roubamos dos humanos interiores – disse Frey olhando Valdi com seus intensos olhos dourados – Eles são lerdos e suas patrulhas, na maioria robôs, inúteis. Roubar da Terra não é bom negócio, eles nos prenderiam logo.

— Não consigo entender esse tipo de vida – Valdi balançou a cabeça – Roubar é crime, mas imagino que cada povo encara as coisas de modo diferente. Eu estou disposto a pagar vocês por uma ajuda. Sua nave é grande o suficiente para passar pela frota de meu pai e dominar sua força aeroespacial e nos dar acesso a nossa lua Aurilien onde meu tio governa. Tenho certeza que ele vai apoiar a revolução. Darei a minha palavra que a sua tripulação e nave não vai ser molestada por meu seqüestro.

— Sua palavra não basta aurifense – disse Frey andando em volta de Valdi.

O rapaz entendeu que ele era muito mais perigoso que Gwidion.

— O que você quer?

— Vocês adoram o prazer e não se preocupam em dar sexo mesmo fora do casamento, mas protegem as suas famílias com unhas e dentes. São ligados a elas mais que um laço matrimonial, vocês unem suas almas, vocês se tornam um.

— Meu povo faz isso – resmungou Valdi não vendo onde ele queria chegar – Mas o seu não acredita nisso em momento algum. A maioria da sua raça não tem mais religião.

— Eu não acredito em Deus garoto, mas eu sei que a alma existe e que há algo depois da morte. Já vi muita coisa por ai, mas eu nunca vi Deus.

— O que você quer com tudo isso?

— Simples. Se você for parte da nossa família não vai nos fazer mal nunca. Desculpe se eu não acredito em sua apalavra.

— Você quer que eu case com um de vocês?! Estão loucos?

— Quer ajuda para o seu povo? Vai ser assim. Com isso eu garanto que você não vai fazer mal a “minha família”!

— Eu dei e minha palavra e você parece saber um pouco sobre o meu povo para saber que ele vale muito.

— Sei também que palavras são só isso, palavras.

— Se me ligar a vocês eu não posso voltar para o meu mundo, terei que ficar com aquele que me ligar ou meu corpo morre. Mas eu também não conseguiria ficar minha vida toda em uma nave – Valdi estremeceu com isso.

Viajar em uma espaço nave era uma coisa, mas viver a vida toda em um ambiente apertado e sem a luz do sol ai matá-lo aos poucos.

— Lamento aurifense, mas a minha família vem em primeiro lugar, e a sua?

Valdi engoliu em seco olhando para Frey e Gwidion. Ele não podia pensar só em si agora, mas devia pensar em seu povo.

— Aceito!

— Ótimo – Frey se voltou para o capitão que ria para ele – O que acha disso meu querido? Temos mais um em nossa família?

— Isso é ótimo Frey – os olhos dele brilhavam – Espero que ele possa agüentar dois maridos.

Ele ia se ligar aqueles DOIS?


~~***~~


Gwidion o arrastou pelos corredores da nave para a parte onde ficavam os apartamentos deles. Uma porta abriu automaticamente para um quarto amplo com armários embutidos, uma grande cama, uma mesa, uma grande TV presa à parede e uma porta que dava para um banheiro.

— É através do sexo que vocês fazem sua ligação – disse Frey – Sei que não são nada modestos, por isso tire da sua cara esse ar de medo.

— Eu e meu povo não estupramos ninguém!

— Mas e o que vocês fazem com os escravos? – Frey empurrou Valdi para a cama, mas o aurifense era mais forte que o humano e resistiu – Vai fazer isso difícil?

— Eu posso me unir a vocês sem precisar ser violado!

— Mas eu quero isso! – havia um estranho brilho nos olhos de Frey, algo próximo ao ódio – Quero mostrar para você o que os humanos passam nas suas mãos!

— Isso é o que? Um tipo de vingança?

— Frey – Gwidion olhou para o outro que observava frio Valdi.

— Isso não ti interessa. Quer salvar o seu povo? Vai deitar naquela cama e aceitar TUDO o que eu quero. Agora tire a sua roupa – olhou o outro – A vamos lá? Não esta gostando disso?

— Você sabe que eu não faço estupro Frey. Posso não ser boa coisa na vida, mas eu nunca fiz isso.

— Se ainda me quiser vai fazer.

Gwidion respirou fundo e aceitou. No fundo ele estava também excitado com a possibilidade de transar com os magos do sexo, como aquele povo era conhecido em toda a galáxia.

Valdi percebeu que não tinha saída e retirou a roupa. Ele estava acostumado a ficar nu na sala dos jogos, mas eram escravos e pessoas que ele conhecia, nunca fora obrigado a se mostrar em frente a pessoas desconhecidas.

— Vamos a um outro ingrediente – Frey fez um gesto com a mão e a TV ligou mostrando o quarto deles – A tripulação precisa saber que o coito foi real.

— Você quer fazer isso em frente a uma câmera? – Valdi não podia acreditar e estava ficando vermelho de vergonha e raiva.

— Assim como todos os escravos de vocês – disse Frey friamente – Deite na cama e fique quieto.

Gwidion não parecia estar gostando muito disso, mas Frey começou a beijá-lo e acariciar seu corpo com maestria e logo abria o fecho da calça do outro expondo um longo e grosso pênis que ficou ereto.

— Você é um safado – disse Frey acariciando o membro do outro – Adora saber que tem gente nos vendo, vendo esse seu pau levantar e me foder.

O capitão gemeu e deixou ser acariciado. Frey caiu de joelhos e começou a distribuir beijos em toda a extensão do pênis do outro que gemia e se contorcia. Quando Frey engoliu seu pau em todo o seu comprimento ele segurou os cabelos do outro empurrando sua cabeça para mais perto. Frey retirou o pênis inchado e brilhante de saliva.

— Temos um convidado Gwidion – disse ele se levantando – Guarde sua semente para ele.

Valdi olhava com raiva para os dois e seu membro flácido mostrava que não estava nem um pouco excitado com aquilo.

— Você pode aceitar as coisas mais fáceis ou mais difíceis – disse Frey sentando em cima das pernas de Valdi e segurando o seu membro e depois as bolas.

O aurifense não respondeu.

— Bem é decisão sua. De quatro. Fica de joelhos para mim.

Valdi queria que ele fosse ao diabo, mas ele não podia fazer isso, em primeiro lugar vinha sua família do que ele.

— Que bichinho obediente – Frey riu enfiando um dedo lentamente no seu ânus sem nem mesmo usar um lubrificante.

Valdi jurou a si mesmo que não ia gemer que não ia dar a satisfação para Frey, mas percebeu que o outro queria que ele sentisse dor e foi empurrando um, dois, três, quatro, cinco e por fim o punho inteiro dentro dele o rasgando por dentro.

— Pare! – gritou afogado na dor que o outro lhe causava – Pare!

— Por que eu pararia? Vocês não fazem isso se um escravo pede, não é?

Ele começou a retirar a mão de dentro dele enquanto Valdi engasgava não acreditando em como aquilo doía. A mão do humano saiu cheia de sangue de dentro dele e o aurifense caiu no colchão respirando aos arranques.

— Cansado já? Seus escravos não tem descanso e nem você.

Valdi sentiu algo duro entrando dentro dele, indo fundo agora, o rasgando por dentro.

— Você vai matá-lo assim Frey! – gritou Gwidion enquanto o outro socava o objeto dentro de Valdi.

— Um aurifense precisa de muito mais que isso para morrer, não é?

Com uma estocada funda Valdi não pode conter as lágrimas que desciam do seu rosto.

— Seus escravos não tem o direito de chorar e você faz isso? – Frey retirou o objeto de dentro dele e abriu a calça mostrando o membro ereto – Vamos à parte boa não é?

Valdi estava bem aberto e Frey estocava sem piedade o seu buraco todo machucado.

— Venha cá Gwidion, entre nele também e vamos ter a nossa união com o nosso novo puto de estimação.

Valdi não acreditava que ia se unir com aqueles malditos.

Mesmo resmungando Gwidion foi até ele e, com a ajuda de Frey, começou a penetrá-lo. Mesmo aberto pelo punho de Frey ele não estava preparado para dois paus grandes dentro dele o estocando o tempo todo com fúria que o fez gritar até que a garganta ardesse.

— Agora prostituta – disse Frey puxando os cabelos dele – Agora.

Valdi deixou que a energia de sua alma fluísse do seu corpo e entrasse em Gwidion e Frey no ponto que os unia. Eles mesmos puderam sentir a força em suas almas e no momento do orgasmo, eles puderam ver toda a vida de Valdi pelo vinculo que haviam criado.

Ofegante Gwidion caiu na cama olhando com raiva para Frey.

— O garoto não é nem um monstro Frey! Porque tivemos que fazer isso com ele?

— Eu não sabia – lagrimas desciam dos olhos do outro.

Por muitos anos Frey foi escravo de um aurifense que vivia em um mundo perto da fronteira da federação e fora estuprado e torturado todos os dias de sua vida. Quando a nave em que o aurifense viajava fora atacada por Gwidion ele vira a luz novamente em sua vida. Casara com o pirata, adotara três crianças e podia dizer que era feliz se não carregasse todo aquele rancor, aquela raiva que exigia dele vingança e quando vira Valdi não conseguira se conter. O que ele queria naquele momento era fazer o maldito aurifense sentir a mesma dor que ele sentira por anos, mas o que ele não contava era com o que vinha com o vinculo que unia todos os aurifenses: as lembranças também eram compartilhadas e Frey percebera que Valdi não era como seu antigo mestre e que era uma boa pessoa. Não merecia o que ele armara.

Agora Valdi estava ali, desacordado e sangrando coberto com o sêmen dos dois e seu companheiro lhe olhando com raiva por tudo que ele o forçara a fazer.