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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Capitulo 14 - Rumo ao Paraíso










Capitulo 14


Fabian estava olhando para a chuva que caia de modo torrencial e encolhia com os raios que cortavam o céu.

— Você ainda tem medo de temporais? – perguntou Márcio chegando perto dele e colocando o braço em seu ombro.

— Tenho – o outro não teve vergonha de admitir – Algumas coisas são marcadas a fogo em nós, não é?

Márcio tencionou a mandíbula e apertou mais o ombro de Fabian lembrando do porque o irmão carregar medo de temporais.

Fabian devia ter apenas uns cinco anos e ele já encaminhava para a adolescência e chovia muito. Regatos escorriam das ruas inclinadas da favela e algumas pessoas olhavam para o morro com medo de desmoronamentos; um medo que cada um compartilhava ali.

Os irmãos estavam sentados no chão do barraco, sua mãe trabalhava até tarde e por isso Márcio cuidava de Fabian, mas ele não ligava. Gostava de ficar com o irmãozinho, da sua inocência.

Brincavam de montar um quebra-cabeça que Márcio achara no lixo e se divertiam procurando as peças.

Um raio cortou o céu e Márcio deu um pulo.

— Cê ta com medo? – Fabian perguntou segurando a mão dele com a sua pequena – Tem não. Não vai acontecer nada.

Márcio sorriu para o menino passando a mão pelos cabelos dele.

— Tem razão Fabian.

Nesse momento a porta abriu com um estrondo fazendo os meninos pularem. Era o pai deles caindo de bêbado, com os olhos injetados e todo molhado.

— Maldita chuva! – ele gritava e ao entrar chutou todo o trabalho que os meninos haviam tido em montar o brinquedo.

— Pai? – Fabian fez um bico contrariado e Márcio segurou o braço do menino puxando ele para longe do pé do pai.

— Ele é só uma criança pai! – ele havia gritado tentando colocar um choroso Fabian atrás dele, mas seu pai estava não só sob os efeitos de álcool, mas também de drogas.

Deu um soco no filho mais velho que caiu no chão desacordado e puxou o mais novo olhando para ele cheio de ódio.

— Sua maldita cria do diabo.

Fabian apanhou como nunca naquele dia e foi quando aprendeu a ter medo do pai e de temporais, sempre parecia que a porta ia ser aberta e seu pai ia entrar por ela cambaleando e cheio de raiva.

— Eu devia ter levado você comigo quando fui embora – Márcio pensou em voz alta olhando para a chuva.

— Não devia – Fabian saiu do abraço do irmão e sorriu para ele – Márcio pare de se culpar disso. Sabe o destino é engraçado e misterioso. Se você tivesse me levando embora eu não tinha o meu filho e ele vale cada ano que vivi com o pai. Obrigado por ter me deixado e assim me dado o meu filho.

Uma lágrima escorreu pelo canto do olho do outro e ele abraçou o irmão apertado. Mesmo com as palavras de Fabian o peso que ele carregava não havia se aliviado. Havia muita dor no passado de cada um deles, dor que mudara cada um de um modo muito profundo.

Márcio só desfez o abraço ao ouvir alguém bater na porta. Olhou com o cenho franzido para Fabian e foi abrir dando com um Laércio molhado e ofegante.

— Márcio o Jon está aqui?

— Ele foi embora já faz tempo – disse Fabian chegando perto da porta – Ele ia para a sua casa.

— Ele não apareceu lá – Laércio tirou o cabelo molhada da testa com desespero – Meus Deus onde esse menino foi parar!

~~***~~

Lá fora ficou totalmente escuro e o ar esfriou mais. Jon estava agradecido pelo fogão estar acesso e por aquecer o cômodo.

Luis Ricardo havia encontrado algumas latas com ervilhas e molho de tomate e estava preparando algo para comer.

— Bem não é um restaurante cinco estrelas – brincou Luis ao levar para ele um prato com o cozido fumegando – Mas dá para enganar o estômago.

— Com a fome que eu estou eu até comeria a gata da Regina e olha que deve ser dura de dar medo.

Luis riu mostrando os dentes muito brancos.

— Parece que o seu sendo de humor voltou.

— A merda já ta feita – Jon assoprou a comida na colher – Vou ficar de castigo pelas minhas próximas... ham... três encarnações? Então não adianta ficar achando que mundo vai acabar, ele já acabou.

Luis voltou a rir e sentou perto dele com o seu prato.

— Seu pai vai ficar uma fera, assim como o meu, mas isso passa, essa é a coisa boa dos pais. Eles brigam com a gente, mas nunca deixam de nos amar. A gente tem sorte pelas brigas dos nossos pais.

— Acho que você tem razão – olhou Luis com um sorriso torto nos lábios – Porque a gente só descobre as coisas depois de fazer besteira?

— Esse é um dos grandes mistérios do mundo.

Os dois caíram na risada.

Luis pigarreou tomando mais da sopa.

— Já pensou no que vai fazer? Qual faculdade vai cursar?

— Eu quero um coisa e depois quero outro – Jon balançou a cabeça frustrado – Acho que é muito cedo para pensar nisso – olhou em volta – Olhe a situação que eu meti a gente! Acha mesmo que tenho bom senso para escolher algo?

— Eu acho, mas você não precisa fazer nada apressado.

— É... eu queria ficar aqui – olhou Luis – Onde parece que o mundo não vai atingir a gente, onde ser você mesmo não é pecado.

— Mas seria...

— ...fugir do mundo – completou Jon – É verdade. Você não gostaria da mesma coisa?

— Claro. Aqui não temos medo ou preconceitos, mas a fazenda é apenas uma etapa das nossas vidas. O mundo pode parecer enorme e cheio de incertezas, mas é isso que torna as coisas maravilhosas! Os jovens lá fora vêem o mundo como um lugar vazio, sem surpresas, e o que você e eu vemos? O desconhecido! Seremos exploradores do mundo enquanto os outros são apenas sombras que sobrevivem.

— Não conhecia esse seu lado filosófico – riu Jon, mas maravilhado com o modo que o outro via o mundo.

— Baby você não sabe nem metade sobre mim.

— Isso foi uma cantada barata!

Os dois caíram na risada.

Jon tinha a impressão de que estava conhecendo Luis naquele momento. Conversaram sobre filmes, música, jardins, futebol, onde discutiram por serem de times rivais. Cada um contou sua infância, suas tristezas e alegrias, seus sonhos e suas esperanças.

— Cara a gente gosta de pouca coisa em comum – Luis sorriu.

— É, gosto não se discute.

— Mas Jon isso parece não ter importância pra gente, é como se nos completássemos.

— Luis – Jon ficou vermelho.

— É verdade Jon. Antes de sermos opostos somos parte de um todo.

— Não me venha com almas gêmeas.

— Eu acredito.

— E eu tenho bom senso – disse Jon colocando o prato em cima da mesa.

— Eu gosto de você Jon.

— Luis não! Por favor!

— O que? Eu não estou entendo você!

— Você não gosta de mim.

— Porque está dizendo isso?

— Eu não quero mais falar.

— Nem eu – Luis Ricardo tinha um expressão decidida quando segurou o braço de Jon e o colocou de pé.

— Lu...

Jon não pode completar a frase, Luis segurou seu pescoço por trás e empurrou sua cabeça em direção à dele e começou um beijo feroz. No inicio tinha gosto de raiva a punição, mas ao sentir os lábios quentes de Jon, Luis abrandou o beijo. Sua língua deslizou pelos lábios de Jon indo para o seu queixo e os lábios do outro foram em direção ao seu pescoço descoberto e ele começou a beijar e lamber ali deixando Jon de pernas moles. Sem nem mesmo perceber ele deixou o cobertor cair e abraçou Luis pelos ombros para não cair.

Luis desceu mais indo para os seus mamilos enquanto com as mãos apertava suas nádegas. Jon arranhava as costas dele preso dentro de uma necessidade voraz ao sentir a língua quente de Luis nele.

O que ele mais queria era que aquela tortura continuasse para sempre, mas Luis voltou a beijar seus lábios como um homem sedento enquanto suas mãos iam dos seus quadris para o seu membro ereto e pulsante.

Nesse segundo Luis afastou o rosto olhando para Jon que tinha o rosto afogueado e os cabelos despenteados.

— Luis – gemeu ele – Por favor.

— Jon você tem certeza?

— Como pouca coisa ma minha vida.

Luis resolveu jogar tudo para o alto nesse momento. Levou Jon para a cama e empurrou ele fazendo-o cair esparramado, de braços e pernas abertas, como que o convidando.

Luis Ricardo se desfez da calça úmida e Jon lambeu os lábios ao ver aquele membro ereto, grande e escuro pronto para ele.

O outro deitou lentamente em cima de Jon deixando que seu corpo esfregasse nele.

Jon deitou a cabeça para trás meio sufocada com as sensações. Ele nunca havia sentido nada assim na sua vida e nuca havia imaginado que era tão... incrível.

Os lábios de Luis voltaram ao seu pescoço agora mordiscando e Jon segurava os seus cabelos.

— Você tem gosto de morangos com chantili. Eu sempre quis provar você.

— Você é exatamente como eu imaginava. O sabor do mais rico chocolate com licor, doce e forte.

Eles voltaram a se beijar sentindo os membros se tocarem em uma explosão de prazer. Cada um explorava o corpo do outro conhecendo cada pedaço como se quisessem gravar na memória a imagem da cada um e desejando que aquele momento durasse para sempre.

— Não temos nem um lubrificante – gemeu Luis colocando a testa na de Jon.

— O óleo – Jon fez uma cara sacana – Afinal você não vai me comer?

— Sabia que você é um pervertido?

— Eu estou tendo um ótimo professor.

Luis pulou da cama indo para o armário e voltou com a pequena lata se azeite encontrando Jon de joelhos na cama se masturbando e olhando para ele.

— Assim você vai me fazer gozar aqui – disse Luis empurrando ele para acama e segurando o seu pênis.

— Você só vai fazer isso dentro de mim.

Jon virou de costas deixando que Luis o preparasse. O outro colocou um poço de azeite no dedo e massageou a entrada de Jon com cuidado, introduzindo lentamente um dedo e depois o outro.

— Porra Jon você é tão apertado e tão quente.

Jon gemeu sentindo um leve desconforto, mas o prazer de sentir os dedos de Luis dentro dele superava qualquer dor.

Luis o esticou bem e quando ele terminou retirando os dedos, Jon deu um grito tencionando todo o corpo e gozou espirrando sêmen no colchão.

— Deus – gemeu ele ofegante.

— O melhor vem agora baby – Jon segurou o longo membro e foi empurrando aos poucos na entrada de Jon que ofegou.

— Calma – Luis beijou sua coluna – Relaxe e logo o prazer vem.

Era difícil fazer isso já que Luis era grande de todas as formas, mas ele procurou relaxar os músculos e foi recebendo o outro lentamente dentro de si. Logo o membro estava inteiro dentro dele e Luis deu tempo para que ele se acostumasse, mas se controlar estava ficando cada vez mais complicado até que ele perdeu toda a sanidade e começou a estocar Jon com força.

Jon trincou os dentes, mas logo a dor foi diminuindo e quando o pênis do outros atingiu algo dentre dele o fez gritar de prazer.

Logo a velha cabana estava cheia de sons de prazer e ofegos.

Luis aumentou o ritmo e logo gozou dentro de Jon que ao sentir os quentes jatos de esperma dentro dele voltou a gozar caindo no colchão meio desmaiado.

Enquanto respirava fundo e se recuperava Luis percebeu o que havia feito.  

— Você está pensando demais – disse Jon virando o corpo para ele e sorrindo – Já está ficando arrependido.

— Não é isso Jon – ele segurou um punhado de cabelos loiros do rapaz – A gente foi inconsequente fazendo amor sem camisinha.

— Eu nunca transei Luis...

— Mas eu sim!

— Então? – Jon inclinou a cabeça olhando para ele – Você tem alguma doença?

— Não! Eu nunca transo sem camisinha e meus exames estão em dia, o que eu estou falando é sobre a minha responsabilidade sobre você Jon.

— Eu não sou uma criança mais Luis, sei o que quero e não lamento isso e acho que você também não deveria.

Luis suspirou continuando o seu carinho nos cabelos do outro.

— Eu não estou arrependido, mesmo. Como posso ficar se foi a melhor experiência da minha vida.

— Então vamos tirar essa cara de preocupado – ele acariciou o rosto do outro – e vamos dormir que o amanhã não vai ser nada fácil.

— Nisso você está certo.



  



  

sábado, 13 de julho de 2013

Capitulo 13 - Rumo ao Paraiso

DEPOIS DE TANTO TEMPO EU VOLTO PARA VOCÊS AMORES. ESPERO NUNCA MAIS IR EMBORA OU TER QUE PASSAR POR TUDO QUE PASSEI. MAS ISSO SÃO ÁGUAS PASSADAS E ESPERO QUE CURTAM AS HISTÓRIAS NOVAMENTE. BEIJOS.



Capitulo 13



O céu estava ficando coberto por uma grossa camada de nuvens escuras de poeira e o ar estava cinzento deixando tudo meio sufocante, era essa a impressão de Fabian enquanto organizava as coisas no quarto de Regina que estavam de pernas para o ar, já que a moça não era um modelo de organização. Gina e Samara estavam no quarto desta ultima aos cochichos.

Com os braços cheios de roupa para lavar desceu para a lavanderia e depois de colocar a roupa na maquina olhou o filho que dormia e foi até varanda olhando para fora onde Jon estava sentado no gramado com Anúbis e esfregava o pelo do cachorro deitado aos seus pés.

Mais nuvens de pó rodopiaram por toda parte e o céu escureceu ao norte.

— Lá vem chuva – disse um senhor alto entrando na varanda.

Seu cabelo era inteiramente branco e o rosto queimado de sol tinha uma rede de rugas, mas os olhos tinham um brilho que ia alem da idade.

— Boa tarde senhor Joaquim.

— Só Quim menino – o velho senhor riu enrugando ainda mais o rosto.

— O senhor acha que vai chover? Mas não há uma nuvem no céu!

— Vai chover sim. No final da tarde – olhou o horizonte – Chuva e muito vento de depois bastante frio. Acredito que não chova mais antes da estação quente – ele piscou para Fabian – Depois de ter vivido tanto tempo quanto eu em uma fazenda você acaba aprendendo há ler o tempo.

— Bem eu acho que esse dom eu não tenho, o máximo que vou conseguir é olhar o site Climatempo na internet.

Seu Quim olhou Jon.

— O menino está triste.

— Seu Laércio proibiu Anúbis de ficar dentro de casa e os dois acabaram por discutir.

— Bem esse bicho tem parte com o diabo mesmo, mas é um dos poucos amigos que Jon tem – olhou Fabian – O garoto nunca foi bom com as pessoas. Ele gosta é de fiar quieto e no seu jardim e eu não acho que isso é uma coisa boa para um adolescente.

— Eu sinto uma grande tristeza nele.

— A morte da mãe afetou a todos. O Laércio está?

— No escritório.

— Licença menino – disse Quim tirando o chapéu e entrando na casa.

Quim conhecia bem a mansão e foi para o escritório do patrão que estava frente ao computador resmungando sobre o preço do café.

— Licença – Quim bateu no batente da porta.

— Oi Seu Quim entre. Você viu o preço do café bebida fina? Teve uma queda de dez por cento! Umas fofocas sobre uma boa safra na Colômbia.

— Com coisa que cê vai ficar mais pobre por causa disso – Quim sorriu de lado para o fazendeiro.

— Acho que a gente se acostuma a resmungar – ele riu – O meu café está estocado esperando que o boato acabe, já que sei que as previsões são de fortes perdas por causa da seca passada e da baixa qualidade do produto.

— Cê não é rico à toa menino. Mas a verdade é que estou preocupado com algo que está acontecendo.

Laércio olhou para o velho rosto do empregado com aquela expressão que ele tinha quando algo muito grave acontecia.

— Por favor, sei Quim, me fale.

— Ouvi algumas fofocas por ai. Tem um grupo de fazendeiros querendo fazer mal aos gays.

— Isso não é novidade, não é mesmo? Desde que mostrei a uma sexualidade para todos esse povo me ameaça.

— Não é você, mas aqueles que não têm tanto dinheiro. Você é um intocável graças ao poder que tem, mas há pessoas que eles podem fazer muito mal como Lucas, Alberto e as crianças, fora os outros que vivem em Altinópolis.

— Será que vamos começar com uma maldita caça às bruxas aqui? – o fazendeiro levantou-se empurrando a cadeira para trás cheio de raiva.

— Não sei o nome de quem está fazendo isso menino, mas queria que falasse com os outros e pedisse para tomar cuidado. Conheço o cabeça dura do Alberto em não querer falar para o marido as coisas ruins, mas isso não é para ser ignorado; você tem mais autoridade nele do que eu.

— Eu vou falar com eles seu Quim, mas fique de ouvidos atentos, sim? Eu podia trazer um detetive, mas ia chamar muita atenção na cidade.

— Eu estarei de orelhas em pé, não se preocupe. Outra coisa, você mandou o Márcio falar com a nova dona da fazenda da fazenda ao lado e foi inútil. Ele brigou com ela e nada se resolveu.

— Brigou?! – Laércio franziu as sobrancelhas – Ela nunca fez isso?

— Ele nunca gostou de ninguém antes, não é?

— O Márcio está arrastando uma asa para dona Lara?

— Na verdade um Boeing inteiro – Quim riu debochado – O que eles fazem de melhor é rosnar um para o outro, mas isso passa com uma boa noite de sexo. Infelizmente não podemos esperar pela transa do casal. Acho que você deveria ir falar com a dona.

— Isso vai ser interessante – disse Laércio sorrindo para ele.

~~***~~

Jon deixou Anúbis correr solto e foi andar para esfriar a cabeça. Chegou para a estrebaria indo para a baia de um belo cavalo negro, um cavalo árabe que ganhara do pai há dois anos. Ele não era um cavaleiro tão bom quanto Regina, mas amava os animais e sempre ia conversar com Serebi, nome que ele deu ao cavalo quando o viu correr pelo pasto, já que serebi em árabe marroquino quer dizer depressa.

Assim que ele chegou perto da baia onde o cabalo estava com o focinho enfiado dentro do comedouro cheio de aveia, Serebi parou de comer e foi até o menino.

— Oi amigão – disse Jon alisando o focinho sujo de aveia do cavalo – Que tal uma caminhada?

O cavalo resfolegou balançando a larga crina como se entendesse ele.

Jon entrou em um quarto onde as celas estavam e pegou a sua e foi selar ele mesmo o cavalo dispensando a ajuda do rapaz que tomava conta das estrebarias.

Quando estava pronto saiu para um picadeiro redondo onde os cavalos eram treinados e abriu a porteira indo para os pastos mais alem da cede da fazenda.

O céu tinha uma estranha cor de chumbo e o ar estava pesado e opressivo. No horizonte ficava mais e mais escuro e ele percebeu que antes do dia acabar iam ter chuva.

— Não vamos longe Serebi – disse ele dando palmadas no pescoço do cavalo – Hoje vai chover.

Jon aproveitou o passeio para esquecer-se da briga que teve com o pai. Era tão injusto ele sempre ficar do lado dos outros, mesmo de Regina que era da idade dele, mas era sempre para ele que vinham as cobranças sobre as coisas. Às vezes o que ele queria era ir embora, deixar de lado toda essa porcaria, mas quando pensava em ficar longe de casa ele sentia o peito apertado.

Sua mãe já partira e o deixara como ele podia ir embora e deixar seu pai e irmãos? Ele já se sentia sozinho afastado de todos se perdesse eles tinha a impressão de que não ia lhe restar mais nada.

Ele respirou fundo gostando do vento que começara a soprar nos seus cabelos e deixou Serebi andar rumo à mata ali perto.

O cheiro úmido da mata logo o atingiu. Umidade, cheiro de mato e algo de mel, já que a pequena mata era conhecida por ter uma grande coleção de orquídeas que deixavam o ar perfumado.

Ele foi ruma ao centro onde ficava um lago. Era pequeno, não mais que três por cinco metros, alimentado por um córrego cristalino que nascia em meio a um monte amoreiras, pés de pitanga e alecrim de quando fora a área fora reflorestada. Em volta havia ipês e paineiras que quando floridas davam um espetáculo.

O pequeno lago era cercado por pedras e uma areia branca e fina e um grande pé de jacarandá mimoso estendia seus galhos por sobre as por sobre o lago e na primavera dava um espetáculo quando suas folhas caiam e eram substituídas por cachos de flores azuis.

Era um local isolado onde Jon costumava ir quando estava precisando ficar sozinho, mas ao ver como o céu escureceu e o vento soprou, ele sabia que não tinha muito tempo antes de voltar para casa ensopado e deu meia volta com Serebi quando um trovão estourou perto dele, tão perto que Jon sentiu a eletricidade correr por ele.

Assustado o cavalo empinou jogando Jon no chão coberto de uma espessa cobertura de folhas e galhos em decomposição e isso foi o que salvou ele de se machucar muito.

— Serebi! – ele gritou para o cavalo, mas este já tinha saído correndo assustado – Seu cavalo medroso!

Ele levantou e percebeu que seu tornozelo doía horrores, mas ele ainda podia andar mancando.

— Merda! – ele gritou e nessa hora o céu pareceu se abrir e derramou chuva sobre ele e a mata.

Mancando ele foi andando e se apoiando, mas a chuva aumentou da intensidade e ventos fortes dobravam as arvores que rangiam à sua volta. Ele tirou o excesso de água do rosto tentando olhar em volta, mas percebeu que tinha se perdido da trilha que costumava usar na mata.

— Maravilha! – resmungou ele olhando para o céu – Uma baita maravilha!

~~***~~

Fabian olhou para a chuva pasmo com toda a água que caia do céu. Trovões ribombavam à distância mostrando que a tempestade estava longe de acabar. Um raio riscou o céu não muito longe e ele se encolheu indo para longe da janela.

— Não fica preocupado – disse Márcio que estava sentando olhando para a mesma pagina da revista há vinte minutos – Essas chuvas podem durar a noite toda, mas logo ela fica mais calma.

— Eu estava pensando no Jon – disse o rapaz esfregando os braços – Quando eu sai da casa ele ainda não tinha chegado.

— Ele já deve ter voltado com esse tempo ou foi parar na casa do Lucas e do Alberto.

— E o que você tem?

— Eu?! Eu não tenho nada! Por quê?

Fabian retirou a revista dele e virou ela mostrando que ele estava lendo de cabeça para baixo.

— Bem, ler de cabeça para baixo é uma forma de exercitar a mente.

O irmão caçula cruzou os braços olhando feio para ele.

— Eu tinha me esquecido o quanto você pode ser chato quando quer algo – ele jogou a revista em cima da mesinha de centro – Eu acabei brigando com a dona da fazenda ao lado. Seu Laércio queria que eu falasse com ela sobre as cercas cortadas, mas foi um desastre com d maiúsculo. A mulher é uma louca insuportável!

— Você não é disso – disse Fabian sentando perto dele – Sempre foi um cara gentil, mesmo que fosse um pouco esquentado. Pelo que você me fala dessa moça ela me parece à bruxa da Branca de Neve.

— Olha ela não é feia nem nada, aliais, ela é bem ajeitada, com um corpão, uns peitos...

Fabian não aguentou e começou a rir.

— Qual é a graça!

— Você está louquinho por ela.

— Que?! – Márcio levantou-se em um pulo – Você nunca viu ela Fabian! A mulher é uma maluca que quase esmagou... ham... uma parte minha, e você me fala que eu estou querendo ela?

— Está.

Márcio levantou o dedo para Fabian contorcendo os lábios, mas mudou de ideia e subiu para o quarto resmungando o quanto o irmão era maluco e xingou ao ouvir a risada dele.


~~***~~

Tremendo de frio, Jon encostou-se a uma árvore tentando ver o caminho por entre as árvores, mas tudo parecia igual ele nunca tinha ido aquela parte da mata. Ele devia ter andado bastante na direção errada já que conhecia os caminhos perto de casa.

Ele devia ter ficado em casa e não feito aquela bobagem, ele devia aprender a encarar as coisas como um adulto e não ficar fugindo. O que seu pai ia falar quando soubesse que ele tinha ido a cavalo para a mata quando ameaçava um temporal? Ele até podia ouvir a voz dele chamando de idiota.

Jon arregalou os olhos vendo Luis perto dele, todo molhado e ofegante. Ele puxava as rédeas de Serebi.

— O que você tem na cabeça Jon? Vento? É o que parece! O que ti deu em ir para esse buraco no meio de um temporal?

— Luis... como?

— Venha – o rapaz estendeu a mão para ele – Vamos sair dessa chuva e eu falo com você.

Jon segurou a mão do outro e mancou atrás dele.

— Você está machucado? – perguntou Luis Ricardo parando e olhando para ele.

— Eu to bem, só dei um mau jeito no pé.

— Suba no cavalo Jon. Forçar só vai piorar.

— Não – ele se lembrou da queda e estremeceu – Acho que é mais seguro ir andando.

— Não vai ajudar nada ficar com medo do cavalo.

— Luis não! – gritou Jon cheio de raiva – Eu não quero subir no bendito cavalo e fim. Me entendeu?

— Alto e claro Jon.

O outro ofegou em meio à chuva que não parava. Estava cheio de raiva, mas não era certo descontar isso na única pessoa que o ajudou.

— Desculpa.

— Esquece e vamos indo.

Caminharam um bom trecho e perceberam que estavam em uma clareira com uma estrada meio escondida no meio do mato. Ao fundo da clareira havia uma casa, uma velha casa de madeira desbotada pelo tempo.

— Será que tem alguém vivendo ali? – perguntou Jon tremendo.

— Eu acho que não, mas pode ser um bom lugar para ficarmos até a chuva parar.

Andaram até a casa. Era pequena, com telhado de telhas de barro e devia ter sido pintada de azul em algum ponto de sua existência. Tinha uma varanda de um lado cheia de poeira e mato, mas era bem coberta e subiram nela junto com Serebi. Luis amarrou ele em uma das colunas da varanda.

Uma porta de madeira estava fechada por um cadeado.

— Isso deve ser um desses ranchos que o povo usa para pescar. Sei que havia alguns na fazenda perto de nós e isso que dizer que andamos bastante.

Jon não estava interessado nisso. O frio parecia que tinha penetrado até os seus ossos e ele batia o queixo. Seu tornozelo tinha um latejar surdo e ele achava que não se agüentaria em pé mais tempo.

Luis Ricardo começou a passar a mão pelas reentrâncias da varanda até que deu com uma chave.

— É isso ai! – ele sorriu para o outro – Eles sempre deixam uma chave reserva por ai.

Luis abriu o cadeado e entraram em um ambiente escuro cheirando a poeira. Com a luz que vinha da porta viram um velho lampião a óleo em cima da uma mesa de madeira que tinha duas cadeiras. Em um canto havia um fogão à lenha, panelas alinhadas na parede, um armário. Do outro lado uma cama com uma velha poltrona, um baú ao pés da cama e uma porta. O chão era de madeira e estalava quando eles andavam.

O rapaz mais velho procurou e encontrou um isqueiro que milagrosamente funcionou e ele ascendeu o lampião e fecharam a porta. Luis foi até a outra porta vendo que era um pequeno banheiro.

— Bem tem água encanada, mas sem energia.

Jon deixou-se cair em uma cadeira e não prestou atenção em mais nada até que percebeu que Luis estava perto dele com um cobertor.

— Jon está cheirando um pouco a poeira, mas é melhor que ficar molhado desse jeito e pegar uma hipotermia.

— Me deixa quieto.

— Quer que eu mesmo tire a sua roupa?

Apesar do frio Jon ficou roxo de vergonha. Lançando um olhar mortal para o outro foi para o banheiro e retirou a roupa molhada e com lama e embrulhou o corpo no cobertor. Voltou para a cozinha/sala e encontrou Luis só de calça tentando ascender o fogão.

Jon tentou, sem sucesso, desviar seu olhar do peitoral definido do outro. Luis tinha belos músculos, a pele cor de chocolate dava vontade de lamber para saber o gosto.

Quando o outro virou-se para ele Jon olhou em volta procurando esconder o embaraço.

— Se conseguir ascender o fogo podemos tentar secar as roupas e esquentar um pouco, confesso que não sou fã de frio.

Pouco depois o outro conseguiu que os gravetos pegassem fogo e ele colocou alguns galhos secos que estavam perto do fogão.

— Graças a Deus – gemeu Jon chegando perto do fogo para se aquecer.

Luis olhou para ele com os olhos castanhos indecifráveis e pegou uma cadeira colocando perto do fogo.

— Senta ai Jon. Eu vou olhar o seu pé.

— Eu to bem.

— Você fez curso de teimosia hoje?

— Será que da para me deixar em paz! – o outro explodiu cheio de raiva – Primeiro o meu pai, depois a porcaria do cavalo e agora você me atormentando! Eu to de saco cheio!

— Que tipo de droga você andou fumando? Você não é assim Jon!

— Esse é o problema Luis! Eu sou um bobo idiota que fica pelos cantos sentindo pena de mim, aceitando tudo o que os outros falam e tentando ser o melhor possível. Para que? Para meu pai brigar comigo por causa do meu cachorro? A única coisa que é minha de verdade? A única coisa pela qual briguei na minha vida? – Jon apontou o dedo para ele – Eu estou cansado de ser o Jonathan idiota, o bonzinho, o bobão!

— E quem disse que você é isso Jon? – Luis não acreditava que o menino tinha essa visão de si mesmo.

— Sabe o que é pior? A única pessoa que me acusa de ser assim sou eu mesmo e não tem como escapar de você mesmo Luis!

— Parece que você tem uma visão muito ruim de si mesmo Jon. Eu nunca ti vi assim e tenho certeza que as pessoas que ti conhecem também não. Brigar com os pais faz parte. Acha que eu nunca brigo com meus pais?

— Isso é para me fazer sentir melhor? – havia sarcasmo na voz do rapaz – Não ajudou muito.

— Eu não estou a fim de continuar a brigar com você Jon – Luis se virou para o fogão – Bater a cabeça na parede só vai doer em você.

Jon sabia que estava sendo um imbecil ao descontar em Luis sua raiva, mas estava cansado de se desculpar com todo mundo, até parecia que a sua existência era uma grande desculpa.

— Como me achou? – perguntou mudando de assunto.

— Eu vi você sair – ele o olhou de esguelha – Esperei e o tempo mudou e resolvi andar até a mata foi quando ouvi o trovão e logo depois vi o cavalo correndo. Consegui segurar suas rédeas e o acalmar e fiquei preocupado que você tivesse caído do cavalo e se machucado.

— Obrigado por se preocupar comigo.

— De nada. Agora vai deixar eu olhar o seu pé?

Jon deu um longo suspiro, mas sentou na cadeira puxando a coberta para longe do pé que estava ficando bem inchado.

— Pelo visto você só torceu, mas eu não sou médico nem nada. Assim que sairmos daqui é melhor ir ao hospital.

— Não está doendo tanto assim.

— Meus pais vão me matar – Luis passou a mão pelos cabelos negros e encaracolados – Eu nem mesmo avisei onde estava indo.

— Não sei se o meu vai notar que sumi.

— Ele é seu pai Jon – Luis o olhou com uma mirada séria – Ele vai notar.

O rapaz virou o rosto olhando para o fogo e pensando no problema que havia se metido.  

  

  






sábado, 22 de junho de 2013

Desculpas amores!


 QUERIDA, VOLTEI!!!!!!!!!!!!!!!



Pessoal eu nem sei como começar a me desculpar. Esses dias em que passei afastada foram os piores da minha vida. A faculdade, que em pleno ultimo ano, eu perigava em perder a bolsa e no meu trabalho onde tive que enfrentar novos desafios que acabaram por me sobrecarregar. Acima de tudo isso houve a minha saúde e isso, acredito, foi, e está sendo o mais grave de todos.
Com a faculdade, depois de me esforçar o máximo, eu passei na matéria que estava de DP (nota - e não tem nada a ver com a minha área que é a psicologia), no trabalho, mesmo exausta além da conta, eu estou tentando, mas é a minha saúde que agora me preocupa.
Eu tenho um grave problema nas articulações o que provoca os seu desgaste progressivo o doloroso, mas eu conseguia ir levando. Todavia desde o inicio do ano as dores vem piorando e cerca de um mês para cá eu tenho percebido que tudo está bem pior.
Minha perna direita é a mais afetada, ela tem o fêmur já bem comprometido o que é um entrave para que possa andar, mas agora ela tende a endurecer e ter espasmos tão dolorosos que eu grito de dor. Nada na minha vida me preparou para isso, para uma dor tão profunda que você não pensa em mais nada, nem mesmo em respirar.
Tudo isso fez com que eu apenas quisesse ficar quieta em um canto longe de tudo e todos.
Ontem eu tive tempo para pensar e descansar pela primeira vez em muito tempo e percebi que não adianta ficar entocaida na minha cama sentindo pena de mim mesma, esse nunca foi o meu estilo. Cada vez que um muro era colocado diante de mim eu sempre dava um jeito de subir por ele e não vai ser esse muro que vou parar!
Estou aqui hoje para dizer para vocês que estou voltando ao blog e faço isso por cada um de vocês que iluminam o meu dia ao ler e ao comentar. Saibam que me sento maravilhosa quando comentam algo que escrevi e espero que vocês continuem a ler depois de tanto tempo.
Obrigada por não me abandonarem.
Vou atualizar o mais rápido possível, só preciso tirar as teias de aranha da minha cabeça.
Beijos e todos e mais uma vez obrigada!