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domingo, 13 de maio de 2012

Capitulo Tres - Castigos ao Anoitecer




Capitulo Três – Castigos ao Anoitecer


Assim que a nave pousou começamos a descer junto com boa parte dos oficiais. Estávamos perto dos prédios da alfândega e um fluxo constante de pessoas ia e vinha por ela. Reconheci alguns humanos exteriores com seu uniforme azul e alguns seres altos e magros que eu não tinha ideia de que povo era. Sabia que os aurifenses eram um povo um tanto xenofóbicos e isso parecia se mostrar nos poucos seres que transitavam na alfândega desse mundo.

Entramos por uma porta lateral sem precisar passar pela revista dos oficiais, a família real tinha seus privilégios. Atravessamos corredores cheios de militares e pessoas trabalhando que paravam para se inclinar para Tiol e Abrahn que sempre respondiam com educação.

Saímos para um estacionamento onde um carro nos esperava. Era realmente um carro como eu já vira nos museus. Com quatro rodas, preto e um pouco mais comprido que os outros, era uma limousine se não me enganava o nome.

  Fiquei atrás de Tiol com medo de fazer alguma coisa errada, mas Abrahn me empurrou para entrar no veículo e o filho resmungou.

— Pai ele deve ir com a carga!

— Ele vai com a gente Tiol! – Abrahn parecia ter ficado contrariado com aquilo – O menino é um ser vivo e não um brinquedo que você pode montar e remontar. Se o quebrar ele morre! Espero que você se lembre disso.

O príncipe fez um bico e me olhou como se eu fosse o culpado de ter levado um puxão de orelha do pai.

Bem feito! Meu olhar dizia para ele.

Você me paga! Dizia seu olhar para mim.

O carro dentro eram grande e espaçoso. Com bancos de couro, painéis revestindo as laterais imitando madeira, uma TV pequena e um bar. Abrahn abriu uma garrafa de um liquido âmbar e começou a beber.

— Pai – Tiol tentou tirar a garrafa, mas o outro o olhou quase com raiva.

— Fique quieto Tiol! Eu preciso de uma bebida para enfrentar o seu pai.

Então era como eu tinha imaginado o gentil Abrahn não gostava do imperador e a dor que eu via naqueles olhos dizia muito. Tiol sentou e ficou olhando o outro beber com sofreguidão garrafa atrás de garrafa. Eu gostava de Abrahn e doía ver aquilo. Virei o meu rosto para as ruas onde o carro passava, vendo a grande cidade movimenta.

As pessoas se vestiam de modo estranho. Os homens pareciam gostar muito de botas de cano alto, camisas e coletes, chapéus e muitos portavam espadas. As mulheres vestiam longos vestidos que iam até o tornozelo e usavam chapéus enfeitados com plumas. Suas roupas eram muito coloridas me deixando tonto. No meu mundo se via muito o preto, branco e cinza, fora isso o resto era considerado fútil e humanos interiores não eram fúteis.

Os prédios de vários andares tinham fachadas de vidro fumê refletindo o transito que passava.

As lojas tinham produtos à mostra nas vitrines decoradas com flores ou papel colorido. Aquelas pessoas pareciam adorar uma cor!

Saíram da cidade indo por uma estrada que cortava uma mata de alamos, ou pareciam os alamos que eu conhecia das fotos da Terra. Tudo tinha cheiro de mato e ervas e inspirei fundo sentindo o odor me deliciando, nunca fora ao campo.

Meus pais moravam na cidade e eu vivia lá arranjando as minhas confusões com brigas e drogas ilegais.

Talvez eu merecesse isso. Ser mau leva ao mau, dizia um provérbio antigo. Eu estava sendo castigado por Deus em mesmo não querendo acreditar Nele pensei que se, talvez se, Ele existisse ele podia me dar uma segunda chance.

Chance para que? Algo perguntou dentro de mim. O que você quer? Nunca quis nada a não ser se meter em problemas e tentar que seus pais o vissem!

Cansado deitei o rosto no vidro do carro. Eu não sabia o que pensar e aquilo era pior que as torturas sexuais de Tiol. Estava me dando conta que era uma casca vazia e agora era propriedade daquele príncipe mimado.

Chegamos a uma vila de casas em estilo vitoriano, de tijolos a vista e muitos jardins. As calçadas de pedra tinham vasos floridos e bandeiras de todas as cores tremulavam no alto das casas. Subimos uma colina e eu vi o castelo. Imponente em meio as suas torres, muros de pedra escura, mas o castelo era feito de uma pedra branca e rosa que brilhava a luz do sol.

Entramos em um pátio e viramos à esquerda parando perto da entrada principal. Dali podia-se ver o jardim cheio de flores exóticas e arbustos coloridos.

A porta principal eram dupla de madeira esculpida no formato de uma constelação de cinco estrelas como os braços de uma cruz. Serviçais estavam perfilados na escada para receber Tiol e Abrahn, que mesmo depois de beber tanto, estava olhando tudo de forma indiferente.

O carro parou e Tiol me empurrou para fora deste. Para a minha vergonha tropecei e quase cai, mas consegui me firmar.

Tiol e Abrahn cumprimentaram os outros educadamente e ouvi o príncipe falar a um senhor velho:

— Kritus aquele é meu escravo. Ache o que fazer com ele enquanto eu não o convoco, só não quero que o jogue nos estábulos. Não quero ninguém fedendo a estrume para foder.

Meu Deus! Eu nunca ficara com tanta vergonha na minha vida e a minha vontade era avançar no pescoço daquele idiota e o sufocar lentamente, mas em vez disso, fui empurrado por Kritus para o outro lado da casa.

— Ainda mais essa – resmungava ele – Cuidar da puta do príncipe.

— Eu não sou puta de ninguém! – me virei para ele, mas levei um forte tapa no rosto.

— Cale a boca! Escravos do sexo não falam a menos que seja ordenado! Você é o menos entre nós e se não se comportar sua vida vai ser muito ruim.

— Você é algum tipo de cachorrinho da família real? – perguntei com desdém.

— Eu sou mordomo seu lixo e sou livre. Você vai ficar aqui sendo fodido por Tiol e todos os amigos dele até que ele se canse de você e o jogue na sarjeta onde vai ter que mendigar para comer. Agora cale a boca ou eu vou pegar um bastão de choque e fazer você me obedecer!

Velho maldito! Jurei que ele ia me pagar por aquilo!

Demos a volta no castelo e entramos por uma pequena porta lateral que dava para uma cozinha movimentada. Mulheres e homens iam e vinham preparando refeições em fogões de lenha enormes. A cozinha tinha maquinas modernas, mas também um jeito estranho de idade média que me senti transportado no tempo.

— Iran! – gritou Kritus para uma mulher gorda com o rosto marcado por verrugas. Seus olhos negros eram mortiços e percebi que não ia gostar dela também – Ponha essa merda para trabalhar, é o novo brinquedo o mestre Tiol.

Iran me olhou com nojo e raiva.

— Comece a lavar os pratos garoto e quem sabe consegue algo para comer no final do dia – ela apontou para uma pia coberta de louças sujas e eu quis gritar de raiva, mas não ia adiantar nada.




A cozinha nunca parava e o serviço também. Durante dez horas fiquei em pé, em comer nada lavando tudo que era jogado na pia. O detergente havia causado algum tipo de alergia e minhas mãos deixando-as feridas e ardendo. Minhas pernas doíam tanto que eu tinha vontade de me deixar cair ali mesmo.

Por um momento Iran saiu de cena e uma velha de olhar cansado veio até mim com um prato de comida.

— Como logo antes que ela volte!

Engoli pedaço de pão com carne rapidamente. Minutos depois Iran voltou com o rosto vermelho.

— Chega moleque! – ela me gritou – O mestre Tiol quer vê-lo.

Ela me empurrou e eu já estava ficando cheio dessa atitude de todo mundo me empurrando. Com as pernas cansadas, me arrastei atrás da mulher por corredores de pedras e chão acarpetado, descendo sempre até uma porta de aço entre aberta de onde vinha a conversa animada.

— Meu senhor ele está aqui – murmurou Iran com o rosto vermelho olhando pela porta.

— Obrigado Iran! – gritou Tiol lá de dentro e ouvi um coro de risadas.

— Entre – resmungou ela co os olhos faiscando.

Sem ter escolha entrei em uma sala grande, toda de pedra e sem janelas. As paredes eram cobertas de correntes e algemas. Haviam cavaletes estranhos por todo o lado e outros objetos que eu não sabia o que era. No centro da sala, em um tablado elevado, havia um homem amarrado a um tronco recebendo chicotadas de outro. O homem amarrado estava nu e se contorcia, não sabia se de dor ou prazer, cada vez que o chicote encontrava a sua carne. O outro era um homem grande de mascara vestindo uma estranha roupa que não passava de tiras de couro em volta de seu corpo. O pênis estava ereto e balançava a cada jogo de corpo do outro.

Os resto da sala era composto por poltronas espalhadas aqui e ali, com mesinhas cheias de bebidas e muitos homens, alguns mesmo transando em meio aos outros que assistiam ao flagelo e batiam palmas.

— Esse é seu novo brinquedo? – perguntou um rapaz magro com os cabelos prateados cortados curtos.

— Exatamente Turon – Tiol estava relaxado olhando para mim – Gosta dele?

— Posso dar uma experimentada? – Turon lambeu os beiços e eu vi que a noite ia ser longa.

— Fique a vontade – Tiol fez pouco caso voltando a beber e olhar os outros prostitutos tendo relações sexuais pela sala.

Turon andou a minha volta e eu tinha vontade de socar a sua cara magra, mas com tanta gente em volta achei que isso ia ser uma idiotice.

— Mestre dos jogos! – Turon gritou e o homem que flagelava o outro o olhou – Um novo recruta! Quero ele pronto para mim.

O homem inclinou a cabeça e desceu do estrado indo em minha direção. Dei um passo para trás, mas o cara era forte e me segurou. Seus músculos sobressaiam em meio às tiras de couro e seus olhos tinham um brilho enlouquecido. Senti que um arrepio descia a minha espinha.

Ele me arrastou para o estrado e eu fui ficando vermelho de vergonha.

— Tire a roupa ou vou rasgá-la, decisão sua – disse o mestre dos jogos com uma voz rouca e estranha.

— Não – rosnei para ele e o maldito pareceu gostar disso.

Ele me pegou pelos cabelos e puxou para perto de uma das paredes me prendendo nas algemas e de costas para todos. Risadas encham o ambiente junto com gemidos de gozo. Senti algo gelado em minhas costas e de repente percebi que as minhas roupas estavam sendo cortadas por uma faca.

— Maldito idiota – gritei cheio de raiva apenas para ouvi-lo rir.

Com destreza ele retirou as minhas roupas e deu algumas palmadas bem dolorosas em minha bunda. Xinguei ele, mas nada abalava o cara.

— Meu senhor do a ele a flor de Liz? – perguntou o mestre dos jogos para Turon que riu.

— De a ele algo mais forte meu caro. Temos bastante gente aqui que vai adorar foder essa bunda.

— Claro meu senhor. Darei a ele o elixir.

Eu não sabia do que eles estavam falando até que senti a minha bunda ser aberta e algo começar a entrar lá. Tentei me afastar, mas as algemas eram curtas e eu não podia me mexer muito.

Fosse lá o que fosse estava entrando muito dentro de mim. Era fino, flexível e gelado e só percebi que era um tipo de cateter quando um liquido foi esguichado dentro de mim. Era gelado, mas começou a esquentar na hora.

Deus o que era aquilo? De repente parecia que havia fogo correndo dentro das minhas veias e meu pau levantou tão rápido que eu nem percebi. Em segundo ejaculava sujando a parede, mas isso não diminuiu a minha ereção nem mesmo o meu calor.

— Restrições mestre! – vozes gritaram e eu fui retirado das algemas e colocado em um dos cavaletes.

Minhas pernas foram presas e minhas mãos algemadas neste de modo que a minha bunda ficasse empinada para cima. Haviam correias para prender o pênis e os testículos de forma dolorosa. Um alargador foi colocado em mim abrindo a minha entra e esguichando lubrificante.

Eu sentia uma necessidade tão grande de me livrar do calor que comecei a gritar. Meu falo amarrado impedia que eu ejaculasse.

Uma venda foi colocada sobre os meus olhos e algo em meus ouvidos. Fiquei apavora ao ser privado dos sentidos, quase entrei em pânico, mas o que aconteceu em seguida varreu tudo da minha cabeça.

O alargador foi arrancado de mim com brutalidade e foi penetrado por um longo pau que m estocou sem piedade até ejacular dentro de mim. Depois dele vieram outros, tantos que eu perdi a conta. Podia sentir o sêmen escorrendo por minhas pernas até o chão. Minhas pernas e braços estavam dormentes e meu pênis doía de um modo insano.

De repente fui liberado e cai no chão. Um monte confuso de braços e pernas, ainda com uma ereção que eu achava que nunca ia passar.

Fui levado para o tronco e flagelado sem piedade. Ejaculei no troco, mas nem mesmo isso me satisfez. Que tipo de afrodisíaco era aquele?

A venda e os tampões foram tirados dos meus ouvidos e eu percebi que era Tiol ali, gloriosamente nu com seu pau levantado e duro.

— Você está coberto de sêmen belo. Cheirando a sexo por todo o lado e com uma linda ereção.

— Faça isso parar – resmunguei com a garganta machucada de tanto gritar.

— Ainda não.

Foi a sua vez de me penetrar. As pessoas na sala davam vivas e isso parecia deixar Tiol ainda com mais tesão. Suas estocadas eram tão fortes que ele me levantava do chão, apertava a minha área de prazer. Ejaculai três vezes antes que o sêmen quente de Tiol escorresse por minas pernas. Fiquei pendurado nas algemas sem forças até para pensar.

— Quem sabe assim você descobre quem é seu mestre – murmurou ele no meu ouvido.

Fui tirado das algemas e fiquei jogado ali no chão na sala onde as pessoas começavam a ir embora. O mestre dos jogos veio até mim e enfiou algo novamente em meu buraco, o mesmo cateter e eu pensei que se fosse mais afrodisíaco eu não ia suportar. Mas o liquido quente fez com que me desejo desaparecesse rapidamente deixando com que eu sentisse as dores que vinha do meu anus arrebentado por ter sido fodido por tantas vezes.

O mestre dos jogos me jogou em cima de um ombro e começou a me carregar. Antes de desmaiar pude ouvir suas voz satisfeita.

— Foi uma bela noite, da próxima vez será dentro da jaula.



quinta-feira, 10 de maio de 2012

AS Terras de Avalon

Parte Um



Olhou para os jardins da casa da sua avó com um misto de tristeza e saudade. Ela havia morrido há apenas três dias, mas pareciam anos.

— O que você acha? – perguntou um senhor gordo que vivia enxugando o rosto com um lenço engordurado.

— A casa esta um pouco deteriorada, mas acredito que podemos ter um bom preço pelas terras – responde o outro, um sujeito magro e todo ossos com rosto queimado pelo sol.

— Isso é ótimo – responde tio Alceu.

A vontade de pular no tio e esganá-lo era enorme, mas antes que se metesse em mais problemas desceu da varanda e foi em direção ao pomar que terminava em uma pequena mata.

Sempre gostara de andar por aquelas matas e não pensar em nada.

Sentou no chão coberto de folhas e ficou pensando no que acontecera naqueles dias.

Sua avó havia dito que um dia seu pai havia aparecido com um bebê no sitio pedindo para ela cuidar dele, pois ele não podia e se foi. Ele nuca mais saberá do pai e não fazia esforço nem um para pensar nele. Sua avó era sua família e estava feliz com ela, até um mês atrás quando a sua avó foi diagnosticada com câncer do sistema linfático. Fora muito rápido e sua morte fora durante a noite, dormindo serenamente.

Ele não estivera do lado dela como queria tanto, era menor de idade e não podia ser acompanhante. Tia Ana havia ficado de muita má vontade e quando eu vira meu tio Alceu estava dando a noticia da sua morte com uma cara de falsa tristeza que tive vontade de socar.

Era como se arrancasse uma parte dele naquele momento e agora outra parte se ia, pois iam vender o sitio e era obrigado a viver com aqueles dois, tia Ana e tio Alceu.

Levantou contrariado chutando as folhas e com vontade de gritar até que a sua garganta rachasse. Sentiu os olhos arderem, mas eu me recusava a chorar, recusava a ser um fraco.

Voltou a andar pela mata observando os raios do sol filtrado por entre as folhas, parecendo rios de luz que chegavam a terra. O ar tinha cheiro de umidade e folhas decompostas, mas não era de todo ruim. O som dos pássaros gritando nos altos galhos se misturava com o rumorejar do riacho que cortava a mata.

Colocou as mãos nos bolsos do jeans velho e inclinou o rosto sentindo um raio de sol acariciar a sua face, aquecendo-a. sem que ele pudesse se contar uma lágrima correu por seu rosto e ele a enxugou com um gesto irritado.

Olhou para dois velhos pés de pinheiro que haviam nascido ali, lado a lado, como umbrais de uma porta. Quando era criança sua avó costumava dizer que ali era a porta para outro mundo, um lugar espetacular cheio de fadas e elfos. Se ele não quisesse ir e sumir deveria bater no pinheiro de direita três vezes. Havia feito isso por dezessete anos e se tornara um costume do qual ele não conseguia parar.

Ali parado ele olhou raivoso para os dois pinheiros.

— Se isso fosse realmente verdade a coisa que eu mais queria era desaparecer desse mundo e nunca mais ouvir falar dele.

Chutando as pinhas espalhadas pelo chão passou pelos pinheiros sem bater no da direita e respirou fundo ao chegar do outro lado com uma mistura de raiva, decepção e alivio.

Resolveu voltar para o sitio antes que seu tio resolvesse ir atrás dele e não estava afim de ouvir mais nada da boca daquele idiota.

Tropeçou em algumas pedras e caiu no chão soltando uma praga e seg rando a canela que havia batido.

De repente o ar se encheu de pequenos sons que lembravam sinos de cristal tocando. Pasmo olhou para um galho logo acima dele e pensou que ia ter um enfaro.

Pousado no galho havia pelo menos uma dúzia de estranhos seres. Não deveriam ter mais que trinta centímetros de altura, o corpo magro e diáfano que parecia tremeluzir no ar. As asas que lembravam folhas de videiras transparente e de cor azul balançavam na brisa. Elas se vestiam com pedaços de tecido amarrados com cipós. Os cabelos loiros brilhavam e seu riso era a coisa mais linda que ele já tinha ouvido.

Os estranhos seres levantaram vôo ainda rindo e dizendo em uma voz fina:

— Humano desastrado!

Ele achou que estava sonhando ou ficando louco. Levantou do chão e saiu correndo mesmo com a perna doendo não querendo pensar no que havia acabado de ver.

Depois de quinze minutos ele percebeu que a mata estava raleando e que deveria estar chegando perto da casa do sitio, qual não foi sua surpresa ao sair do meio das arvores e dar de topo com uma paisagem insólita.

A mata terminava em uma campo coberto de flores que lembravam margaridas e tulipas de todas as cores possíveis, mesmo do azul cobalto ao preto. O campo se estendia até outra mata que ia até o pé de uma montanha alta e cinzenta com o pico coberto de algo branco que ele imaginou ser neve. A montanha não estava só, atrás dela havia uma imensa cordilheira que se perdia a distancia.

Ele começou a andar para trás e correu de volta a mata.

— Isso não é verdade – ele falava consigo mesmo – Isso não pode estar acontecendo!

Com o coração aos pulos voltou para os dois pinheiros e gritou:

— Quero voltar para casa!

Correu por eles e pediu para tivesse dado certo quando ouviu uma voz atrás dele.

— A porta é só de um sentido, humano.

Ele deu um pulo olhando para uma moça alta e de pele muito branca olhando com incríveis olhos prateados. Seus cabelos negros e longos iam até os joelhos e ela vestia um vestido branco com algumas manchas de barro. Nas mãos longas e de dedos finos carregava algumas plantas.

— Que... quem... – ele não conseguia para de gaguejar.

— Meu nome é Daila Isne, e eu moro nesta mata.

— O que é você? – ele finalmente gritou fazendo ela dar um suspiro raivoso e cruzou os braços fazendo mais terra cair no seu vestido.

— Sou uma guardiã da floresta.

— Tipo um espírito? – sua voz estava esganiçada.

— Tipo uma maga que é paga pelo reino para cuidar que aqui não vire lar de bandidos.

— Reino? Maga?

— Você tem algum problema, garoto? Normalmente os humanos que aqui chegam não ficam tão... bobos.

— E o que você espera? – ele gritou quase histérico – De repente eu estou na mata da minha casa e quando vejo estou em meio a Terra do Nunca!

— Eu não sei onde fica essa terra estranha, mas aqui é o reino de Avalon.

— Avalon! O mesmo do rei Arthur e da Morgana?

— Não sei quem são esses.

— Como eu vim parar aqui?

— Ora, você quis! Ninguém atravessa a estrada entre os mundos se assim não quiser. Tem que querer com uma força muito forte para conseguir com que a porta se abra.

— Você disse que a porta só tem um sentido?

— Esta porta só pode ser usada por quem queira chegar a Avalon, mas existe um caminho de volta. No reino da Bretanha, nas matas dos celtas.

— Como eu chego lá?

— Pra que? Você não teve tanto trabalho para chegar aqui e agora quer ir embora?

— Olha eu não sabia que isso ia acontecer, eu nunca acreditei que o portal pudesse ser real!

— A Bretanha fica há três dias de viagem pelo mar Itos – ela o olhou atentamente.

— O que? – perguntou ele assustado com aquele olhar.

— Eu já não ti vi por ai?

— Eu nunca estive aqui.

— Você... – ela coçou o queixo – Tenho a impressão...

Ela balbuciava e ele se perguntou se não tinha ido parar em uma terra de doidos.

— Ora, você é a cara do rei consorte! – respondeu ela estalando os dedos.

Ele respirou fundo contrariado.

— É certo. Agora será que pode me dizer como eu chego a Bretanha?

— Será que você não entende garoto? – ela balançou as mãos, as ervas murchas indo de um lado para o outro – O rei Kaylin teve o filho levado por seu esposo o rei Alon há muitos anos. Na época havia uma grande guerra e Kaylin conseguiu retardar os exércitos inimigos por tempo suficiente para que Alon pegar um navio e ir para a Bretanha e nunca mais foi visto.

— Você acha que eu sou o tal filho do rei! – ele riu – Você esta realmente doida.

— Na estou não – ela voltou a cruzar os braços – Você é a cara do Rei Kaylin, mas tem os olhos do rei Alon.

— Da um tempo! Dois reis? E quem é a minha mãe senhora da sabedoria?

— Kaylin.

— Kaylin é ele ou ela.

— Ele é o rei consorte menino, é um procriador.

— Ele é um homem!

— E daí?

— Homens não engravidam sua louca!

— Louca! – ela bufou contrariada – Menino você aqui é o louco e desinformado! Um procriador tem os dois sexos. Normalmente eles têm uma aparência andrógena mais perto do lado masculino, mas podem ter filhos como uma mulher assim que atingem os dezessete anos e se tornam férteis e suas partes femininas ativas.

— Eu não sei em qual mundo de loucos eu entrei, eu só quero ir embora!

— Então venha até o reino e conheça o rei Kaylin.

— De jeito nem um!

— Covarde? – ela ergueu as sobrancelhas o olhando com desdém.

— Eu não sou covarde! – gritou ele colérico – Ninguém me chama de covarde sua... esquisita!

— Então vem comigo e ai eu não vou fazer mau juízo de você.

— Tenho uma condição.

— Condições são perigosas para ambos os lados – seus olhos prateados brilhavam – Todavia é um pagamento justo. Qual a condição?

— Quero que me ajude a chegar a Bretanha.

— Pois bem – ela ergueu a mão colocando a palma em cima do coração – Nosso destino é traçado, pelo caminho complicado seguiremos. A Bretanha chegaremos.

Sua mão foi envolta em uma luz azul, como uma centelha, que durou poucos segundos e depois sumiu.

— O que foi isso? – ele tinha dado um passo para trás.

— Uma promessa, e promessa de magos jamais podem ser quebradas. Estamos ligados – ela parecia feliz com isso.

— Você não precisava ter feito uma promessa assim.

— Certo, mas eu estou cansada de ficar aqui no meio do mato e se faço uma promessa de magos o meu chefe não pode deixar de me liberar.

— Você esta me usando?

— Exatamente.

Ele bufou contrariado.

— Se não tem jeito – ele estendeu a mão – Meu nome é Gael Medeiros.

— Certo Gael – ela riu – Vamos até a minha casa pegar um cavalo e ir até o reino.

Gael não sabia em que embrulhada tinha se metido, mas de uma coisa ele sabia, não podia ficar ali parado e esperando que algo acontecesse.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Caminhos do Destino - Capitulo XXII

Capitulo XXII



Seu corpo doía de uma forma que o deixava com náuseas. Gabe se revirou se perguntando o que tinha acontecido para ele ficar assim. Sua mente estava confusa e sua cabeça doía quando ele tentava forçar a mente. Uma fungada perto dele o fez acordar e olhar de lado para um animal do tamanho de um cão labrador e de cor muito vermelha.

O menino olhava assombrado para o dragão que mexia a cabeça de um lado para o outro como se também estivesse com muito curioso com ele.

Quando Gabe se mexeu e sentou, o dragão se afastou rápido sem parar de olhá-lo.

O menino olhou em volta vendo que estava em uma caverna deitado em um amontoado de folhas secas e fofas. A caverna deveria ter mais de vinte metros de altura e havia outros amontoados de folhas por toda parte.

— Pensei que não ia acordar mais – Gabe deu um pulo ao perceber que o dragão estava falando e com ele.

— Você fala?!

— Falo sim. Eu nunca tinha visto um humano antes. Vocês são tão frágeis e sem asas. Não tem escamas e sua pele é branca.

— Onde eu estou?

— Nas terras de Kotem onde os dragões vivem.

— Eu não consigo entender como eu vim parar aqui!

— Um dgim o trouxe.

— Um o que?

— Um espírito dos ventes. Eles vivem por ai e são bastante problemáticos como Sanet fala. Fazem o que querem e quando querem. Ninguém controla um dgim.

— Por que ele me trouxe aqui?

— Isso eu não sei. Mas você é um mestre do ar, um dos poucos.

— Ola humano – um imenso dragão negro entrou na caverna andando nas quatro patas e com o corpo bamboleando.

— Sanet ele não sabe por que foi trazido pelo dgim nem mesmo o que era um dgim...

— Calma filhote – ele se aproximou do menino humano vendo tremer e se encolher no ninho onde o tinha colocado. O filhote humano estava com medo, mas também estava doente – Me diga o seu nome filhote.

— Gabe – ele murmurou com a voz sumida.

— Não precisa ter medo Gabe. Nós dragões respeitamos muitos os mestres do ar. Eles são abençoados pela deusa.

— Eu quero voltar para casa.

— Onde é a sua casa?

— Haven.

— Você está meio longe – disse o dragão vermelho – Estamos entre o as tribos e o reino de Gaulesh.

Gabe conhecia um pouco de mapas para saber o quão longe era aquilo. Seu corpo estava cansado e sua mente confusa demais para ele pensar em como voltar. Ele precisava deitar. Deixou sua cabeça cair no amontoado de folhas e dormiu imediatamente.

— Sanet o que está acontecendo com ele?

— Calma Tildo – o grande dragão empurrou um pouco das folhas com o focinho cobrindo o menino – Ele está doente por causa do dgim. Os espíritos dos ventos por muitas vezes drenam a energia dos seres para se alimentarem, deve ter sido isso que fizeram a ele.

— O que fazemos? – o pequeno dragão praticamente saltitava de preocupação.

— Bem pequeno eu não entendo nada de humanos e por isso preciso pedir ajuda. Conheço um elfo que pode vir até aqui. Vou até a Floresta Velha conversar com ele. Enquanto isso cuide dele Tildo e se precisar de algo fale com Krian, ela é a minha segunda em comando.

— Certo – o dragão vermelho deitou perto do humano e ficou olhando-o fixo.

Sanet riu da atitude dele e saiu da caverna e abriu as grandes asas voando rumo à fronteira onde ficavam os elfos da floresta.



Maleah acordou em meio a uma grande dor de cabeça. Gemendo revirou na cama e uma mão o impediu de se mexer.

— Tenha calma primo.

Isso pareceu ter acordado de vez o elfo que deu um pulo olhando para o rosto de Flyn que estava sentado do lado dele. Percebeu que estava em seu antigo quarto nas dependências do castelo elfo da Floresta Velha.

Era um quarto simples, com apenas uma cama, um baú e uma cadeira onde Flyn estava sentado. Seu pai nunca gosta muito de coisas rebuscadas e normalmente guardava para si a opulência.

— Flyn?!

— Como está se sentindo? – perguntou o primo com aquela gentileza que já lhe havia rendido criticas por parte dos outros elfos.

— Como?... – balançou a cabeça muito perdido – Estamos na Floresta Velha?

— Um dgim o trouxe. Eu vi enquanto patrulhava e o segui. Encontrei você caído na Velha Senhora e um pouco machucado. Dei uma curada nos seus ferimentos, mas os meus poderes não fazem muito efeito agora – olhou detidamente para o primo – Com quem você se casou Maleah?

O outro deu um longo suspiro. Sabia que isso ia acontecer, mas não imaginou que fosse tão difícil falar do que havia acontecido com ele para sua família. Agora que estava ligado a Capela os poderes de cura dos elfos não o atingiam como deveriam. O companheiro deveria estar por perto para que a cura se desse a contendo.

— Com um tenente humano.

— Maleah!

Ambos se viraram para a porta onde Raguel de Jaire observava sobrinho e filho com os olhos verdes cheios de raiva que ele tentava esconder com uma grande frieza. Atrás dele estava Arkan, seu irmão e pai de Flyn.

Arkan era desprezado por Raguel por ter se ligado a uma elfa dos bosques, diferentes dos elfos da Floresta Velha. Era um homem gentil, de riso fácil. Seus longos cabelos negros estavam presos em uma trança que caia sobre seu ombro e seus olhos verdes tinham um brilho muito raro de se ver nos elfos da Floresta.

— Saia Flyn – Raguel disse com a sua voz fria – Eu tenho que conversar com meu filho.

— Tio...

— Flyn! – seu pai o chamou sabendo que Raguel podia fazer qualquer coisa em seus estado atual.

O rapaz olhou para o primo, mas esse olhava o pai com a cabeça levantada. Ele foi até a porta e saiu com Arkan.

— Em suas viagens a sua educação se perdeu? – Raguel disse com sarcasmo olhando para o filho com desdém – Não presta o devido respeito ao seu pai?

Maleah rangeu os dentes, mas levantou da cama escondendo um gemido por causa das dores e se postou em um joelho na frente do pai.

— Quem é seu companheiro?

— Seu nome é Capela, tenente do principado de Haven.

— Um homem humano Maleah! – o rapaz continuava ajoelhado ouvindo o pai – Você é uma vergonha para a nossa raça.

— Pai...

— Cale a boca!! Você e Kamm são a desgraça da minha vida e a vergonha para o povo elfo! Maleah como castigo por isso está expulso das terras da Floresta Velha.

— Não! – o rapaz havia se levantado rapidamente e encarava o pai pela primeira vez na vida – Nem eu nem Capela fizemos nada de errado! Ele salvou a minha vida quando o laço terno foi criado!

O soco que Raguel deu no filho o jogou no chão com a boca sangrando.

— Você não é mais meu filho, você não é mais um elfo! – Raguel o olhou com os olhos com um estranho brilho – Seu castigo por macular a raça dos elfos é a expulsão, mas o seu castigo por gritar comigo é a maldição!

Seu pai estendeu a mão e antes que Maleah sequer pudesse pensar uma dor inacreditável correu por seu corpo e ele começou a gritar e se contorcer no chão.

Aparentemente satisfeito Raguel saiu do quarto para o corredor onde Arkan tentava segurar Flyn que queria entrar no quarto do primo ao ouvir os primeiros gritos deste.

— Arkan em doze horas a maldição da dor vai desaparecer e você pode levar esse traidor e jogá-lo nas areias do deserto de Altair.

— Como pode? – Flyn conseguiu se desvencilhar do pai – Ele é seu próprio filho e o senhor jogou nele a pior das maldições!

— Você pode ser meu sobrinho, mas se me falar assim mais uma vez será você a ser jogado nas areias do deserto – olhou Arkan – Fui claro?

— Sim meu rei – respondeu o outro com os dentes apertados de raiva e segurando o braço do filho quase a ponto de doer – Eu ouço e obedeço.

O rei deu um pequeno sorriso de escárnio e saiu pelo corredor onde ressoavam os gritos de Maleah.

— Pai! – Flyn olhava horrorizado para o outro.

De repente a máscara de subserviência de Arkan desapareceu e um olhar duro e determinado apareceu.

— Flyn – ele segurou os braços do filho – Vá até a nossa casa e pegue algumas coisas, o suficiente para sobrevivermos no deserto. Filho pegue algo que queira guardar, uma lembrança. Nós não voltaremos mais para cá.

O rapaz entendeu o que o outro falara e dando um abraço nele correu para fazer o que o outro tinha pedido.

Respirando fundo ele entrou no quarto onde Maleah já estava sem voz e sem forças. Seu corpo era vez por outra sacudido por tremores provocados pela maldição.

Raguel era um homem temido por seus poderes. Ele podia infringir dor em seus inimigos e seus poderes agiam por doze horas sobre as pessoas. Um elfo podia sobreviver, mas um ser humano não agüentaria mais que algumas horas, ele morria de choque.

Arkan com o coração doendo olhou para o menino que amava como a um filho e que seu irmão sempre tivera o prazer de torturar.

Maleah estava todo contorcido, da sua boca saia abundante saliva, o suor encharcava a sue corpo e ele havia urinado na roupa por causa da dor. Ele sabia que a mente do elfo estava se afastando do corpo dele para fosse preservada, mas isso era muito perigoso, ele podia nunca mais acordar.

Arkan colocou a mão na testa do sobrinho. Assim com Raguel podia dar dor às pessoas ele podia lhes alivio. Sabia que não ia conseguir acabar com toda a maldição, mas iria mitigar a dor para que pudesse fugir dali.

Maleah ofegou e olhou para o tio ajoelhado do lado dele passando a mão nos seus cabelos.

— T... tio... – sua voz estava tão rouca dos gritos que estava quase inaudível.

— Maleah eu vou tirar você daqui. Sei que ainda está sentindo dor, mas acredito que pode suportá-la por algum tempo.

O sobrinho assentiu agora chorando abertamente.

— Venha meu querido. Vamos ti limpar e sair daqui. Já mandei Flyn preparar tudo para partirmos para as terras humanas.

— Mas tio... ele vai descobrir! Vocês não podem...

— Maleah casa é onde está as pessoas que amamos. Se você e Flyn estiverem comigo nós podemos arranjar um lar onde quer que formos. Alem disso seu marido deve estar esperando você.

Maleah queria impedir seu tio de estragar a sua vida com ele, mas já não tinha forças. Ele ainda não podia acreditar que seu próprio pai havia feito aquilo com ele, jogado sobre ele a mais terrível das maldições e parecer feliz com isso. Será que Kamm estava certo? Seu pai não passava de um monstro?



Kalill ainda não acreditava como aquele estranho se parecia com ele. Ele parecia mais velho, mas tinham os mesmo cabelos castanho dourados com as pontas crespas, a pele muito branca, o formato fino e delicado do rosto, o corpo esguio e sem pelos o que provava que ele era um duo como ele.

Assim como ele, os soldados do oasis haviam visto o dgim e ido até onde ele correra para ajudar a vítima que estava desmaiada na areia.

Seu pai havia dado a ordem para colocá-lo em uma das tendas de prisioneiros e quando Kalill dissera indignado que ele não era um criminoso levara um soco do pai.

Depois disso ele se escondera na sua tenda e agora havia rastejado até a tenda do rapaz adormecido e amarrado.

Os guardas estavam comendo seu jantar e se empanturrando de vinho de tâmara, assim se tornavam descuidados e ele aproveitara essa distração para entrar na tenda para olhar novamente o duo.

De repente do lado da tenda ele ouviu seu pai e Aran, ancião da tribo falando baixo. Deu um pulo e pensou em ir embora quando escutou o que eles diziam.

— Ele é um duo – disse seu pai – Faisal vai adorar mais um para a venda. Não vejo a hora de me livrar desse problema.

— Até hoje eu não entendo o porquê de você ter criado Kalill como seu filho – resmungou o ancião – Deveria ter feito dele escravo.

— Ele não ia valer tanto, oras. Como filho de sheik o que posso pedir por ele é muito mais.

— Você notou o quanto são parecidos?

— Sim – seu pai parecia perturbado – Acha que aquele maldito dgim o trouxe aqui por isso?

— Acha que é o irmão mais velho dele? – perguntou o outro na dúvida.

Kalill tapou a boca para não ofegar com aquelas revelações.

— O menino deve ter morrido no deserto. Afinal ele deveria ter apenas uns quatro anos quando matamos os seus pais perto do clã das Rosas. A nossa sorte é que o menino ainda não apresentou a maldita magia ou seu símbolo ia aparecer e eu não ia conseguir vendê-lo para Faisal, sabe o quanto aquele idiota tem medo das Rosas.

— Acho que você está certo em querer se livrar de Kalill. A magia das Rosas é imprevisível. Ele pode apresentar ela logo.

— Mandei um recado para Faisal que ele deve levar Kalill amanhã e quem sabe esse outro. Levantaremos as tendas em três dias e vamos partir para o norte e deixar o idiota lidar com o problema quando aparecer.

Os dois riram.

— Vamos beber – disse seu pai se afastando – Amanhã teremos bastante dinheiro no bolso.

Kalill tremia. Não podia ser verdade o que ele ouvira. Ele não era filho do sheik? Ele era do clã das Rosas?

Conhecia pouco do povo que vivia nas montanhas a leste. Seu clã habitava um vale que ficava cercado por vastas montanhas por todos os lados e a única entrada era um portão de cinqüenta metros de altura e de ferro fundido. Mas já há vários anos ninguém mais tinha noticias do clã e corria o boato que seu povo já não existia mais e agora ele descobria que pertencia a eles.

Olhou para o desconhecido pensando nas palavras do seu pai sobre ele ter um irmão. Era loucura, mas a semelhança entre eles era tão grande que a desconfiança estava virando certeza.

Tocou no rosto do outro e quase gritou quando algo parecido com um ferro em brasa parecia tocar a sua testa do lado esquerdo. Gemendo apertou o local e olhou para o rapaz que havia acordado ofegante e gemendo.

Pasmo Kalill percebeu que do lado esquerdo da testa do outro havia formado uma tatuagem, uma pequena rosa entrelaçada em um ramo de espinhos. Tinha certeza que na própria testa dele havia surgido um símbolo igual.

— Onde? – rapaz ofegou e tentou levantar percebendo apavorado que estava amarrado.

— Shiii! – Kalill colocou o dedos nos lábios – Sei que está confuso, mas eu sou seu amigo e vou ti ajudar.

— Meu filho! Sabe do meu filho?

— Você chegou aqui sozinho. Meu nome é Kalill e você está no deserto de Altair. Um dgim, um espírito do vento o trouxe aqui.

— Eu preciso achar o meu filho – gemeu o outro.

— Olha eu não sei se posso ser ajuda em encontrar o seu filho, mas primeiro vamos escapar daqui e ai vamos procurá-lo eu prometo.

— Meu nome é Paul – murmurou o outro ainda aparentemente apavorado com a situação.

— Certo Paul. Está todo mundo bebendo e eu vou dar um jeito de colocar calmante na bebida dos soldados de vigia. Eu vou arranjar dois cavalos e partimos logo, eu venho ti buscar.

— Por que esta me ajudando?

— Por muitos motivos, mas vamos discutir eles quando estivermos longe daqui.

Kalill rastejou para fora d atenda com sua decisão tomada.



Mimir não podia deixar de admirar Sara. A menina podia ser cega, mas conseguia se localizar na estrada e no local onde estava.

Fora da vila, com os cheiros da natureza, ela podia seguir o caminho com facilidade.

Como adulta ela deveria ter levado a menina de volta, mas estava seguindo o seu instinto. Algo a empurrava para essa aventura rumo ao norte, rumo à terra dos dragões.

Ela conhecia os verdes que imigravam no inverno para a Amazônia atrás de frutas e passavam a habitar as florestas perto das cidades. Aceitavam bem as amazonas e eram até mesmo dóceis com elas. Mas ela não conhecia as outras espécies de dragões e alem do mais aquela região era o caminho para o reino dos elfos e o deserto de Altair.

— Mimir você acha que acharemos a minha mãe e o meu irmão? – a voz de Sara parecia chorosa.

— Acho que sim Sara. Pode ser uma jornada em noite de lua nova, mas depois de pensar um pouco eu acho que tem uma grande chance de ser verdade que o dgim iria para lá. As terras dos dragões são cheias de magia e o habitat de muitos espíritos elementares.

— Queria que Mat tivesse me escutado. Ele está indo para o litoral.

— Espero que ele saiba o que está fazendo. Os caminhos para o oceano é cheio de perigos, principalmente de traficantes de escravos para os portos e para serem exportados para o alem mar. O reino da Irlanda ainda é um dos poucos das terras antigas a ter escravos.

— Eu nunca ouvi falar desse reino.

— É uma ilha ao norte do continente antigo. Dizem que quem vive lá é um povo bárbaro e sanguinário. Eles costumam avançar para o oriente com medo de Roma. Muitos vêem até aqui a procura de escravos para contrabandear para o seu país. Sei que Roma tem uma força militar marítima a caça deles, mas é complicado proteger a imensa massa de terras do nosso continente e ainda o continente antigo. Gorlan não faz nada para ajudar e por muito tempo o Império cogitou em invadir aquele reino, mas ia ser uma matança inútil. Eles por fim deixaram os problemas para os reinos daqui.

— Nossa! Você é mesmo uma professora como disse!

— Eu dou aula de história nas universidades do meu país. Gosto de escrever livros sobre isso e ir de terra em terra aprendendo seus costumes e lendas.

— Deve ser uma vida incrível!

— Você gostaria de uma vida assim?

— Eu?! – Sara deu uma risada – Não Mimir. Eu não sonho com grandes aventuras, nunca quis isso. Ouvir histórias é legal, mas participar delas... – ela fez um bico – Nos livros os heróis caminham dias nos seus cavalos e depois pulam para a luta como se nada tivesse acontecido, mas eu to morrendo de dor na bunda, não gostei de dormir no chão e minhas pernas estão ficando assadas. Na vida real é dolorosa.

Mimir caiu na risada com aquilo.

— Então que tal se eu cantasse para você dar uma esquecida das suas dores? Sei algumas baladas que aprendi nas estradas.

— Eu ia adorar!

Mimir respirou fundo e olhou para a estrada que cortava as matas e começou:

— Amigo pela estrada eu vou
Sempre em frente, suave trotando, amigo eu vou.
Na estrada da floresta
Onde o sábia está
Eu vou chegando lá.
Amigo a estrada é longa
Estou cansada, mas em gente vou
Não sei o destino
Mas agora feliz estou
Meu amigo pela estrada eu vou
Suave trotando, sempre em frente estou
Vamos cantar
Os espíritos das árvores
Vou acalmar
E pela estrada em frente eu vou

Ela continuou a cantar e logo Sara havia aprendido a letra e começou a cantar com ela. A estrada agora parecia menos cansativa, mas não menos longa. Haviam muitos caminhos a serem percorridos antes de conseguirem chegar às terras dos dragões.



Arkan conhecia o castelo dos elfos como a palma de sua mão. Sabia de suas passagens secretas e usou uma delas para retirar Maleah que andava apoiado em seu ombro tentando não gritar de dor a cada movimento.

Elas saíram para a vila que ficava em uma imensa clareira da Floresta Velha. Antigamente eles moravam em casa no alto das árvores, lindas e elegantes, mas Raguel assinou um decreto que as casas deveriam ficar no chão e foram obrigados a construir suas casas de pedra e madeira. Eram casas pesadas sem a beleza de antigamente.

Os elfos estavam esfacelando diante do seu rei, mas boa parte da população não ligava para isso. Mostrar que estavam desgostosos era o mesmo que mostrar fraqueza e um elfo jamais poderia ser fraco. Aqueles que queriam um modo diferente de vida partiam para os prados onde os elfos verdes eram calorosos e amigos.

A casa de Arkan ficava perto do norte da vila, afastada das outras casas. Assim que chagou lá Maleah estava a ponto de desmaiar e Flyn o segurou antes que caísse.

— Está tudo pronto filho? – perguntou o outro ajudando o rapaz a sentar Maleah em uma poltrona.

— Está tudo pronto. Eu pedi ajuda aos unicórnio para nos movermos com mais rapidez.

— Você é amigo de todos os animais, não é? – seu pai deu um sorriso cálido para ele e olhou em volta.

Era estranho como não sentia nada em deixar a sua casa. Desde que sua esposa morrera ele já não sentia parte de mais nada. Talvez fosse hora mesmo de recomeçar.

— Vamos meninos – ele pegou o sobrinho no colo que estava semi desmaiado e rumou para a parte detrás da casa onde três grandes cavalos negros como a noite esperavam.

Na testa de cada um deles havia um grande chifre espiralado e pontiagudo. Feito de um material mais duro que osso, as pessoas procuravam evitar os selvagens cavalos. Eles não podiam serem domesticados e aceitavam a aproximação de muitos pouco seres, Flyn era um deles.

O maior de todos resfolegou e olhou detidamente para Arkan. Depois de alguns segundos ele baixou a cabeça e os outros o acompanharam.

— Obrigado amigo – disse Flyn fazendo uma reverencia educada – Nunca vamos esquecer esse favor.

O cavalo relinchou balançando a crina como se concordando.

Flyn havia prendido alguns sacos em suas ancas e, como não tinham selas, teriam que montar em pelo.

Arkan foi carregando Maleah a sua frente e Flyn foi com os outros cavalos em frente. Eles entraram pela mata evitando as estradas.

Por um momento Flyn olhou para trás com dor no coração, mas ao lembrar que estava junto de seu pai e seu primo seu coração se acalmou e ele não mais olhou para o que ficara atrás.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Escravo - Admiravel Mundo Novo

Capitulo Dois – Admirável Novo Mundo

Doía! Como meu corpo doía em todos os cantos, mas a minha bunda doía mais que tudo! Remexi na cama percebendo que estava livre e coberto. De repente a minha memória voltou e eu percebi que agora era um brinquedo sexual de um príncipe sádico de um mundo distante do qual eu só sabia que eles gostavam de dor na hora do sexo.

Abri os olhos e fiquei olhando para o teto metálico do quarto me perguntando o que diabos seria a minha vida agora. Será que havia algum sentido em continuar vivendo se eu não podia mais realizar os meus sonhos?

— Pensamentos profundos? – disse uma voz maliciosa perto de mim.

— Você não pode controlar os meus pensamentos! – disse entre dentes sem desviar os olhos do teto.

Deus eu não queria lembrar de como havia gemido e gozado para aquele ser maldito!

— Quem é que sabe? – ele segurou o meu queixo e me virou para ele – Gostou?

— Do que diabos eu gostaria? De ser comprado? De ser torturado? De ser humilhado?

— Do sexo – disse ele com um sorriso sarcástico.

Nesse momento percebi duas coisas, que ele estava nu e que estava ficando ereto. Seu pênis era realmente grande, de cor morena, como chocolate derretido; dava vontade de lamber! O que diabos eu estava pensando?

— Gostou? – perguntou ele tocando no próprio falo.

— Vai se danar! – gritei para ele vermelho de raiva, mas de mim mesmo por ter pensado tantas bobagens daquele cara que me torturara.

É isso ai Andrew! Não se esqueça disso. Aquele ser de outro mundo o comprara como escravo, ali ele não passava de um objeto, sem vida, sem sonhos.

— Todos os humanos são assim? Querem algo, mas escondem por trás de um falço orgulho?

— Será que você ta aqui para ficar me atormentando? Não tem uma nave para dirigir?

— A nave tem seus próprios pilotos e você dormiu tempo demais e eu estou ficando excitado. O que você pretende fazer com isso?

— Use a sua mão!

Tiol deixou a cabeça cair para trás e deu uma gostosa gargalhada.

— Você me diverte humano. Gosto disso, mas agora eu vou gostar de outra coisa.

Fiquei com medo do que vi naquele olhar.

— Vamos demorar seis horas para chegarmos em casa e eu quero me divertir com você antes de enfrentar horas enfadonhas na frente de uma papelada.

— Eu não quero nada com você!

— Eu sei disso meu lindo – disse ele se levantando e me levantando da cama com uma força extraordinária – Não se debata ou vai ser pior.

Olhei nos seus olhos vermelhos e pela primeira vez olhei para o quarto onde estava. Como quase todo quarto de nave espacial era pequeno, mas aquele tinha algo que me fez tremer. Havia um grande X no meio da sala feito de metal e do tamanho de um corpo humano. Haviam algemas tanto em cima quanto embaixo nas pontas do objeto.

Tentei sair do colo daquele doido sádico, mas ele era muito mais forte que eu e no final eu fui preso naquele maldito objeto de tortura xingando Tiol de alguns nomes bonitos.

— Hoje não teremos afrodisíaco. É chegada a hora de começar o adestramento – ele foi para perto de uma mesa onde haviam vários objetos, mas eu não os via claramente e quase engasguei quando senti algo bater nas minhas nádegas causando uma dor ardida.

— Seu maluco, idiota, desgraçado!  O que está fazendo?

— Meu belo, quanto mais relutar em aceitar a minha dominação pior vai ser.

— Vai se ferrar! Ninguém é meu dono!

Mais palmadas daquele objeto contra a minha bunda que em minutos estava ardendo e doendo feito uma cadela.

— E ai? – ele foi para a minha frente com um objeto largo parecendo uma raquete, mas feito de madeira.

Eu rosnei para ele e Tiol riu voltando até a sua mesa e ficou atrás de mim. Segurei o fôlego com medo de mais palmadas, mas dessa vez ele começou a colocar algo em meu ânus. Tentei me mexer, mas estava bem preso. Senti pequenas esferas entrando dentro de mim e elas eram muito geladas me fazendo gemer.

Tiol foi enfiando mais e mais dessas coisas dentro de mim até que gritei de dor e pedi para ele parar, já não cabia mais nada dentro de mim.

O maldito riu divertido enfiou um dentro no meu buraco. Agora eu estava chorando sem pudor da dor que sentia dele estar abrindo a minha entrada alem do possível.

Ele me deixou e eu fiquei pendurado nas algemas sentindo as bolinhas geladas se mexerem dentro de mim a cada movimento meu.

Por um momento achei que tinha acabado, mas eu deveria saber que não tinha muita sorte. Tiol havia apenas se afastado para pegar um pequeno chicote com ponta de couro trançado.

— Fique longe de mim – gritei, mas quando tentei me mexer as bolinhas também se moviam dentro de mim agora encostando na minha próstata.

— Você me aceita como seu mestre Andrew?

— Prefiro morrer!

— Ainda não – foi quando ele começou com as chicotadas em meu corpo.

Não era nada que deixava muitas marcas, mas doía como o diabo, principalmente por que ele começou a flagelar o meu pênis e bolas. Quando terminou eu estava vermelho e todo marcado, mas ainda me recusava a aceitar aquele idiota como meu mestre. Eu não era um animal de estimação e não ia ceder.

— Você é mais duro do que eu imaginava – disse ele tocando a ponta do meu pênis flácido com a ponta do chicote – Mas eu tenho todo o tempo do mundo para ti adestrar e mostrar quem manda aqui.

— Eu não aceito. Vai ter que me matar!

— Paguei caro demais em você para isso – ele votou a se afastar e agora trouxe dois prendedores pequenos e estranhos, parecidos com pequenas presilhas.

Momentos depois eu soube para que servia e preferia ter ficado na ignorância. Eram prendedores de mamilos e eles apertavam tanto que gritei, alem de tudo eles davam pequenos choques. Tiol colocou em mim uma coleira de couro de onde partiam duas pequenas correntes que ele ajustou aos prendedores. Se eu levantasse a cabeça os prendedores repuxavam os meus mamilos de uma forma dolorosa. As torturas ainda não tinham acabado, ele pegou algumas correias e prendeu apertado em torno dos meus testículos e uma série de anéis apertados no meu pênis e tudo isso ligado aos prendedores de mamilos me deixando encolhido.

— Lindo – disse ele andando em volta de mim – Eu ainda não tinha achado ninguém que ficasse tão bem todo preso.

— Canalha! Nojento!

— Essa sua boca suja tem que mudar meu benzinho – ele ergueu o meu rosto fazendo os prendedores repuxarem a ponto de achar que os meus mamilos estavam sendo arrancados.

Completando ele me amordaçou com uma estranha esfera de borracha em minha boca amarrada em meu rosto.

— Isso, agora eu tenho silencio.

Ele foi até a cama onde colocou a calça e me olhou sorrindo.

— Até mais tarde meu belo – disse ele saindo do quarto.

Eu não podia acreditar que ele tinha saído e me deixado daquele jeito! Amarrado, amordaçado, algemado! Piorando as coisas, como se isso fosse possível, eu estava com uma fome enorme. Eu não comia a quarenta e oito horas e agora isso.

Nunca havia me sentido tão miserável!



Eu não tinha como contar o tempo. A saliva escorria pelo lado da minha boca e meus mamilos doíam e para completar aquelas malditas bolinhas dentro de mim tinham feito o belo trabalho de me deixar excitado, mas meu pau estava preso dentro daquelas argolas não podia crescer e isso doía mais que os meus mamilos.

Eu sentia tanta fome que estava tendo alucinações com comida, pensando no pão que jogava fora por que não estava do meu gosto.

De repente a porta abriu e eu não podia e não consegui levantar a cabeça para ver quem era, mas a voz sarcástica dele.

— Que visão mais linda! – ele retirou a minha mordaça – Pronto para mechar de mestre?

— Nunca!

— Eu achei que não, seria tão fácil, mas acho que agora eu quero o meu prazer.

Ele foi atrás de mim e confesso estava tão cansado que pouco me importava o que ele ia fazer, mas quando ele puxou todas as esferas de dentro de mim de uma vez só eu gemi alto e, para o meu desgosto, de prazer.

Fui penetrado com uma estocada só por aquele pênis monstro daquele homem. Meu pau cresceu ou tentou crescer nas suas restrições e comecei a me contorcer repuxando mamilos e meus testículos.

A cada estocada Tiol dava um grito e seu falo batia dentro de mim com forma o suficiente para me empurrar nas algemas.

Comecei a chorar e quando estava quase desmaiando Tiol saiu de dentro de mim e foi para a minha frente com seu pênis ereto e pingando. Com um grito de alivio ele ejaculou em mim me cobrindo com seu sêmen branco e de odor picante. Seu jorro sujou todo o meu abdômen e meu pênis e testículos.

Momentos depois ele retirou as minhas restrições e eu pude gozar, mas eu nem percebi como fiz isso. Acabei desmaiando de prazer e de dor.



Comida! Senti o cheiro antes mesmo de acordar e quando abri os olhos vi uma bandeja em cima do criado mudo com comida. Eu fora banhado e meu corpo cheirava a um analgésico muito usado para pequenos ferimentos no meu mundo. Fora vestido com uma roupa que eu não estava acostumado, camisa branca, uma calça negra de um tecido suave e meias. As roupas não me incomodavam e assentavam bem em meu corpo. Apesar de estar dolorido, não sentia a dor que imaginava que ia sentir depois de tudo que passara.

— Vai comer ou ficar sonhando? – Tiol estava sentado em uma poltrona com um livro de papel nas mãos.

Eu não vinha um desses há muito tempo. Haviam apenas livros eletrônicos em meu mundo, relegando aos livros de papel o museu.

Levantei com cuidado e comecei a comer. Havia caldo de carne com legumes, salada de um grão que eu não sabia o que era e um copo de suco. Comi tudo com sofreguidão procurando não olhar para o homem perto de mim. Quando terminei me senti cansado, mas os auto falantes da nave deram sinal de vida.

— Atenção. Estaremos pousando em quinze minutos.

— Finalmente! – Tiol se espreguiçou – Estamos chegando em casa.

— Não é a minha casa!

Dessa vez havia seriedade no olhar do príncipe.

— É sua casa agora Andrew. Quando foi vendido perdeu todo o seu status de cidadão dos humanos interiores. De acordo com as leis, você é um aurifense e me pertense.

— Por que você me comprou? Para torturar? Foi do outro lado da galáxia para isso?

— Saiba que apenas os humanos interiores fazem isso com a sua própria espécie. Seus escravos são baratos e de boa qualidade. A maioria dos povos já não tem mais escravos e os poucos que conseguimos comprar vem de vocês. Respondi a sua pergunta?

— Por que me tortura?

— Quem disse que eu estava ti torturando? Eu estava era lhe dando prazer.

— Você é louco? Eu não conheço esse tipo de prazer!

O príncipe sorriu torto para mim, mas voltou a ficar sério.

— Agora que estamos chegando Andrew, você vai se dirigir a mim como mestre ou será castigado muito severamente e eu não podei intervir quanto a isso. Desrespeito é considerado um ato de traição contra o governo de Aurifen e é punido com a morte imediata, mas como você é minha propriedade a você será ministrado a punição do chicote. Cem chibatadas com chicotes com ponta de diamante. Você não ia sobreviver.

— Você está tentando me assustar?

— Eu estou querendo evitar a sua morte e a perda do meu dinheiro. Eu não vou colocar uma coleira em você, pode ir e vir por todo o lado, mas quando eu o querer vai ter que estar disponível. Há uma escola para escravos humanos em meu mundo e você vai ser inscrito lá para aprender sobre o meu povo, futuramente poderá ir para uma faculdade se quiser.

— Isso é alguma piada aurifense?

— Por que diz isso Andrew?

— Não vou ficar preso, vou a escola e a faculdade... Eu não sou um escravo?

— Sim eu não vou aturar conviver com um idiota. Você é meu escravo particular e onde eu for você vai até que eu o libere. A escola ti mostra como somos e evita que você cometa gafes desnecessárias e a faculdade é algo para o seu futuro.

Aquele homem estava me dando dor de cabeça. Ele estava agindo como se preocupasse comigo e eu havia aprendido da pior maneira que nada vem de graça.

— Você tem botas perto da cama. Temos que ir para a ponte. Ande sempre atrás de mim e não use o meu nome em público.

Ta certo meu amo e senhor! Eu ouço e obedeço até encontrar um modo de escapar. Deveria haver um jeito de me livrar do chip e fugir do mundo daquele gente doente.

Calçado eu o acompanhei para o corredor da nave cheio de pessoas indo e vindo que cumprimentavam o príncipe de forma educada e sorridente.

Era um povo de cabelos prateados, seus corpos, femininos e masculinos, eram sempre muito bonitos e eles andavam de uma forma que parecia flutuar.

A sala de comando era no mesmo corredor onde eu estava. Era um imenso salão cheio de sons, pessoas correndo com aparelhos nas mãos, telas onde uma estrela amarela brilhava e em outras via-se um mundo azul. Deveria ter o tamanho da Terra, mas tinha três luas e uma delas tinha atmosfera e era bem perto do planeta. Olhá-la da superfície do planeta deveria ser uma experiência única.

Eu nunca havia saído do meu mundo, nunca entrara em uma nave e agora estava indo rumo ao mundo estranho de um povo estranho. Meu estômago revirou e eu achei que ia desmaiar quando alguém segurou o meu braço e me colocou sentado em uma poltrona.

— Sente menino antes que você cai – resmungou uma voz.

Era de um homem mais velho, de semblante sério e olhar triste, mas ao me observar havia um misto de dó e tristeza em seu olhar.

— Tiol o que você andou fazendo com o menino?

Fiquei com medo. Como aquele homem falava assim com o príncipe?

— Ora pai, eu só estava brincando com ele, é para isso que gastei tanto dinheiro.

Pai? O imperador?

— Olá garoto, meu nome Abrahn.

— Pai! – Tiol parecia possesso pelo modo despojado como ele havia se apresentado.

— O que é? Até onde eu sei este é meu nome Tiol.

— O senhor é o príncipe consorte! Não pode ficar pedindo para escravos para chamá-lo pelo primeiro nome!

— Em primeiro lugar Tiol eu posso fazer o que eu bem entender e segundo eu acredito que a educação não é desrespeito. O menino terá o bom senso para me chamar pelo meu título em público.

Eu quase tive pena de reprimenda que ele seu no filho, mas Tiol riu e se pendurou no pescoço dele rindo.

— Você sabe que eu ti amo, não é?

— Acha que isso muda o meu humor? Dois dias viajando para aquele lugar por um capricho seu – Abrahn me olhou com seriedade e colocou a mãe em cima da minha cabeça e foi se misturar com os outros oficiais.

Ninguém parecia estranhar aquela gentileza com um escravo e eu me senti quase confortado por aquela mão em minha cabeça. Meu pai nunca havia me tocado.

Enquanto a nave descia pela atmosfera de Aurifen eu pensei no que ouvira de Tiol. O príncipe consorte era o companheiro do imperador. Eles haviam se casado depois que a mulher dele morrera no parto de Tiol. Fora um casamento político e imaginei se ele e o imperador se davam bem por causa da tristeza naqueles olhos.

Abaixo das nuvens pude ver uma cidade com altos prédios e com um imenso espaço porto, um quadrado de vinte por vinte quilômetros onde as naves dos mundos distantes pousavam.

Ao redor da grande cidade haviam matas verde esmeralda e algumas pequenas vilas que ele via nas telas.

A cidade era a capital militar e econômica e seu nome era Mailt. A capital política era uma cidade pequena ao norte onde ficava o castelo da família real há mais de cem gerações.

A nave pousou sem um solavanco mostrando que os compensadores de gravidade estavam bem calibrados.

É estranho que quando você está com medo todo o tipo de pensamento vem a sua mente menos aquilo que você não quer encarar. Eu preferia ficar pensando em compensadores de gravidade e pensar que aquele mundo inteiro era a minha prisão e o mais terrível de tudo isso... eu estava só.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caminhosdo Destino - Capitulo XXI Parte II

Capitulo XXI – Parte II

Percorrendo os Caminhos



Pequena História dos Reinos

Os reinos das terras do norte começaram a se formar cerca de mil anos depois da grande catástrofe que quase destruiu a humanidade. A história conta que os primeiros a se fixarem foram os elfos no extremo norte em uma região de florestas muito antigas e nos vales entre as montanhas. Depois os anões chegaram ficando com as terras do oeste montanhosas e muito rica em minérios. Eles se criavam suas cidades em grandes cavernas e, apesar de serem bons mercadores, não aceitavam outros povos em suas terras.

Os humanos começaram a chegar depois de dois mil anos em que esses povos mágicos habitavam aquelas terras, indo para o sul e o leste procurando não entrar em confronto com os outros povos.

Durante mais de duzentos anos os humanos brigaram por terras e dessas guerras nasceram os reinos humanos mais conhecidos do norte: o reino de Gaulesh que tinha uma grande fronteira com as terras dos elfos e dos anões e isso gerou grandes guerras até que um tratado pelo rei Tiziano pôs fim as hostilidades; o reino de Lakina era um pequeno reino que fora dado ao filho mais novo do rei Gaulesh, mas que se separou do reino principal depois de uma sangrenta batalha onde o filho matou o pai e assim as brigas entre Gaulesh e Lakina se iniciaram; o principado de Haven foi criado por uma antiga família que havia emigrado das terras do alem mar; Gorlan era um reino de homens guerreiros fundados por imigrantes do norte gelado das Terras Antigas tão ao sul que ninguém sabia muito deles e finalmente os reino das Tribos formado por nômades vindos de terras a oeste e que viviam no deserto de Altair e nas Terras de Nevan onde vales férteis se estendiam em uma longa faixa de terra.

A oeste, norte e sul ainda haviam muitas terras desconhecidas e que muitos julgavam despovoadas. Para leste, alem do mar de Bramen as Terras Antigas se estendiam em todo seu esplendor e poder, principalmente o Império de Roma, onde a poderosa Igreja Católica tinha sua sede de milhares de anos. A lenda dizia que o Vaticano havia sobrevivido a hecatombe por obra e misericórdia de Deus e assim a igreja passou a controlar a vida espiritual de toda a raça humana.

Foi em volta da Roma que os sobreviventes começaram a se unir e recomeçar. A igreja havia sido seu porto seguro e seu único caminho para sobreviver e não deixar a raça ser extinta, assim se formaram as primeiras cidades e reinos e aquelas terras antes chamadas de Europa agora eram as Terras Antigas de onde os homens começaram a imigrar para as terras despovoadas e criar seus próprios reinos.





Voltando ao Relato


Sara abraçou um chorão Jared enquanto Shon tentava consolar Jason. Todos estavam apavorados com o que havia acontecido, com os ventos levando Maleah, Paul e Gabe para um destino desconhecido, na verdade não tão desconhecido. Sara havia ouvido os sussurros e havia tentado tantas vezes dizer para os adultos que se cansara. Nem um deles lhe dava ouvidos. Diziam que ela estava fantasiando e que espíritos dos ventos não falavam.

Um ancião que morava na vila fora consultado e dito que o que acontecera fora provavelmente por causa de um dos espíritos dos ventos que sempre estavam perto de manipuladores do ar. Ele imaginava que eles os tinham levado para o leste, rumo ao mar onde os ventos costumavam se reunir.

Sara gritara que ele estava errado e fora colocada para fora da sala de reuniões. Ela sabia o que deveria fazer e não ia esmorecer por medo ou qualquer outra coisa.

Durante toda a sua vida ela sempre ficara escutando das pessoas que ela não podia fazer isso ou aquilo, mas ela ia provar para aqueles adultos idiotas do que ela era capaz de fazer e ia salvar seu irmão e sua mãe!

— Shon, Jared, Jason eu preciso da ajuda de vocês – disse ela se levantando e colocando Jared na cama – Eles estão indo para o lado errado e eu sei para onde eles foram.

— Conta pra eles Sara – disse Shon com a voz rouca.

— Eu já tentei Shon! Várias vezes e eles não me escutam. Eu vou para onde os ventos falaram que estavam indo.

— Cê vai sozinha? – Shon não sabia se a irmã era muito corajosa ou muito louca.

— Eu preciso. Você tem que ficar aqui e cuidar de Jared e Jason.

— Nós vamos com você! – gritaram os dois pequenos, mas a mais velha levantou a mão.

— Sozinha eu posso ir mais rápido.

— Sara como você vai achar os caminhos?

— Eu posso sentir a estrada e vocês sabem disso. Consigo sentir as direções e os perigos melhor que muitos por ai.

— A mãe vai nos matar se você for – Shon não queria que a irmã desaparecesse também, mas sabia como Sara era quando colocava algo na cabeça.

— Ele pode me matar quando quiser quando eu o encontrar. Agora eu preciso de um cavalo e de suprimentos.

— Sara o Mat não vai gostar disso!

— Ele deveria ter me ouvido primeiro! Agora vamos lá!




A Floresta Velha ficava perto da fronteira com Gaulesh, ou pelo menos parte dela, já que o centro da floresta era muito velho e cheio de magia antiga. Muitos diziam que as árvores dali andavam e falavam, mas nem um elfo havia tentado se aventurar ali. Eles respeitavam muito as magias antigas para brincar com elas.

A tarde estava chegando quando Flyn Given observou um estranho fenômeno no ar. Parecia um pequeno tornado girando e indo rumo à Velha Senhora, uma das árvores mais antigas da floresta e onde os festivais eram comemorados.

Sentiu algo dentro de si e de repente soube que deveria seguir aquele redemoinho.

Ele não tinha o dom da premonição como o seu primo, mas, como elfo, podia sentir os espíritos elementares, aqueles que a Deusa havia criado para proteger o planeta. Aquilo ali em cima era um espírito elementar e ele precisava chegar até ele.

O tornado sumiu por entre as árvores e ele começou a correr pela mata com graça e leveza.

Estava patrulhando a área e sabia que seu capitão ia ficar muito contrariado com a sua atitude em ir fazer aquilo sem um fundamento lógico. Ele deveria é ter deixado o espírito em paz e não seguir uma coisa tão primitiva quanto instintos.

Flyn nunca gostara da filosofia da lógica que boa parte de seu povo professava. Ele era filho de uma elfo dos vales e de um elfo da floresta velha e muitos o achavam contaminado pelos sentimentos inúteis deles.

Felizmente havia uma parcela da população que começava a se rebelar contra o modo de vida atual e isso estava gerando muitos conflitos. Sabia que mais sedo ou mais tarde ele ia ter que tomar uma decisão. Ou ia apoiar a seu tio, que era o atual governante, ou ficava com os revoltosos.

Olhou para a floresta a sua volta apreciando os raios do sol vermelho do poente por entre os ramos das árvores de sanóia. Eram arvores de mais de cem metros de altura, casco com a circunferência de quinze metros e folhas redondas de cores verdes escuras, mas tendiam a ficarem douradas no outono e caírem todas formando verdadeiras chuvas. No lugar folhas finas, tipo agulha, e brancas nasciam. Quando o inverno passava essas folhas também desapareciam e as árvores se cobriam de flores azuis e brancas. Todos diziam que não havia nada mais lindo que a floresta na primavera.

Como estavam no outono, Flyn se sentia como se estivesse dentro de uma mina de ouro. Tudo a sua volta era dourado das folhas caindo sem parar no chão.

Ele amava as matas, amava aquela terra e esperava que não acontecesse guerra nem uma entre seus povo. Isso ia destruir a bela harmonia que havia ali e levar muitos dos seus irmãos para a morte.

Logo ele avistou a Velha Senhora que ficava em uma elevação onde apenas aquela arvore se projetava com sua graça e beleza. A árvore de sanóia deveria ter mais de duzentos metros de altura e sua copa atingia cerca de quinhentos metros de um lado para o outro. Seu caule grosso tinha cinqüenta metros de diâmetro e suas raízes se projetavam da terra formando um intrincado padrão no chão. Ela estava toda dourada e o constante cair das folhas parecia chuva de ouro visto dali.

Ele olhou em volta cauteloso pensando que tudo fora fruto da sua imaginação. Quando viu um corpo a poucos metros dali em meio a um emaranhado de galhos com se tivesse caído da árvore. Ele correu para lá retirando o galho e arregalou os olhos ao ver quem estava ali.



Kalill suspirou contrariado ao ouvir de seu pai que ele deveria ter mais decoro, afinal como um duo ele era prometido ao Faisal, sheik do oasis vizinho. Na verdade um dos prometidos. Faisal tinha um harém cheio de mulheres, homens e agora ele estava colecionando duos.

Kalill tinha os pés no chão. Sabia que os duos são moeda de troca com os sheiks que adoravam comprá-los para mostrar nas feiras de escravos e nos shows sádicos onde os duos mostravam que eram mais tolerantes a dor que as mulheres e os homens. Assim eles eram usados para serem torturados e depois usados para sexo por quem pagasse mais para o dono.

O rapaz deu graças a Deus quando o pai parou com sua falação e saiu da tenda. Ele esperou uns minutos e saiu para o oasis onde sua tribo tinham fixado residência por dez anos. Em seis meses eles tinham que partir para outro ponto do deserto da Altair como as regras das tribos rezava e antes disso ele deveria casar com Faisal.

Olhou para as tamareiras com seus imensos cachos laranjas e marrons. Haviam também montes de cactos conhecidos como figueira da índia com seus frutos vermelhos e prontos para colher e um estranho arbusto de troco grosso e galhos pequenos e finos com flores vermelhas.

Perto da sua tenda haviam algumas rochas que ofereciam certa proteção para os fortes ventos que assolavam o deserto e carregavam as areias formando dunas por todo o lado. Ele levantou o véu para tapar o rosto o foi se esconder por entre as rochas e observar o deserto.

Adorava ficar ali enquanto o sol se punha e o deserto de Altair brilhava vermelho sangue e ele podia ver os ventos carregando as dunas, mudando-as uma vez mais.

O deserto vivia em movimento. A cada dia ele mudava as duas de lugar mudando a paisagem. No deserto um dia nunca era igual ao outro, eles sempre traziam coisas diferentes. Kalill sempre dizia que podia ouvir o deserto murmurando, contando coisas tão remotas no tempo que ninguém mais conhecia.

Os mais velhos tinham um ditado que sempre diziam quando alguém ia começar a sua jornada pela imensidão de areia: “O deserto é sábio, por isso mesmo cuidado com ele!” O deserto não admitia erros ou arrogância nos seus caminhos que muitas vezes podia significar a morte.

Apesar de tudo, ele amava o deserto. Já sonhara com regiões verdes, onde rios de água doce corriam e haviam tantas árvores que não se podia ver o céu, mas agora que era prometido a um sheik seu destino estava selado. Ia ficar para sempre servindo um idiota gordo e sádico.

Suspirando olhou para o céu se surpreendendo ao ver um pequeno redemoinho girando ali. Já havia visto os dgim fazerem isso no deserto e por vezes levantar as areias e jogar desavisados dentro. Eles não gostavam de rochas, que diminuíam seus ventos e por isso Kalill se escondeu em uma saliência, observando fascinado o redemoinho baixar e deixar um corpo cair.

O vento desapareceu e o rapaz não pode refrear a sua curiosidade correndo para a pessoas que fora despejada na areia a quase dez metros de altura.



Sanet bateu a garra na rocha ouvindo a ladainha de Matori.

Matori era um dragão verde mau humorado e pronto para implicar com tudo e todos e Sanet, como chefe eleito dos dragões do norte, tinha que ouvir os seus resmungos.

— Isso é inaceitável Sanet! Aqueles filhotes estavam pisoteando as minhas árvores! Caso não saiba eu sou um dragão vegetariano!

— Eu sei muito bem disso Matori – resmungou o dragão negro com o lado dos lábios e esmigalhando a rocha onde tamborilava os dedos cm garras de quinze centímetros.

— Então tome uma providencia! Eu não vou emigrar para o sul como o resto dos patetas do meu bando e ficar babando nos cangotes das amazonas! Vou estocar as minhas frutas e ficar aqui!

— Não me diga – resmungou o dragão mau humorado.

— Eu exijo que aquelas pestes sejam proibidas de entrarem em minhas terras! Se os pais delas não tomam providencias eu espero isso do chefe eleito!

— Está certo Matori. Eu vou falar com os pais e os filhotes e pedirem para tomarem mais cuidado com suas frutas.

— É bom mesmo! – dragão verde levantou vôo nem mesmo agradecendo ou mostrando o respeito que Sanet gostaria.

— Eu não sei por que ainda não o matamos! – Tildo chegou perto dele.

Tildo era um pequeno e jovem dragão vermelho que Sanet havia salvo quando era um filhote e agora vivia com ele.

— Será que é por que a lei não permite? – o grande dragão se levantou de onde estivera sentado olhando a sua volta.

As terras de Kotem onde a maioria dos dragões viviam ficava nas terras do norte, uma região montanhosa entre os reinos de Gaulesh e das Tribos. Ali viviam dragões de todos os tipos e raças e longe o suficiente dos humanos para que não houvesse complicações.

Sanet não estava disposto a ter outra guerra com os humanos. Ele se lembrava do que acontecera a quinhentos anos e não queria outro banho de sangue tanto do seu povo quanto dos humanos.

Aquela raça de seres bípedes achava que eles não passavam de animais sem alma ou inteligência e os dragões preferiam que fosse assim.

— Aquilo não é um dos dgim? – o dragão vermelho olhava o céu.

Sanet viu o tornado flutuando logo acima de onde eles estavam.

— O que será que essa porcaria que agora? Cada vez que os dgim aparecem só trazem problemas.

— Acho que eles vão começar a jogar os problemas agora Sanet!

O tornado tinha parado e alguma coisa caia. O dragão chefe ficou em pé nas patas traseiras e estendeu as mãos em concha recolhendo pasmo um humano.



Havia uma passagem secreta para fora do castelo perto dos seus muros e que os meninos haviam descoberto por coincidência. Era grande o suficiente para Sara passar com o cavalo que haviam roubado e selado sem que os cavalariços vissem algo, na verdade eles estavam tão preocupados em apagar o fogo que Jared havia ateado a um monte de feno, que não iam perceber nada mesmo.

Eles saíram para a parte de trás do castelo. Sara montou no cavalo segurando as rédeas e colocando as sacolas com suprimentos na cela.

— Isso não vai dar certo Sara – Shon não queria que ela partisse, mas ao mesmo tempo tinha a esperança de que a irmã pudesse fazer algo por eles.

— Não esquenta Shon. Eu vou trazer eles de volta pode acreditar nisso. Cuide bem dos seus irmãos.

— Pra onde você vai afinal?

— Norte! Tchau e se cuida – ela bateu na lateral do cavalo e desceu por uma estreita faixa de terra entre as casas da vila.

Ela podia perceber que haviam casas a sua direita e esquerda, mas acima de tudo, ela sabia que o cavalo conhecia o caminho da estrada. Deixando as rédeas soltas o cavalo rumou sozinho para o norte onde os portões se abriam para a estrada de Gaulesh. Estava coberta com um manto e esperava que os guardas do portão não a parassem.

— Isso não são horas para uma criança estar na rua – disse uma voz do lado dela puxando as suas rédeas.

Sara tremeu de medo com aquilo. Ela não sabia como a dona daquela voz havia se aproximado sem que ela percebesse. Achava que ninguém no mundo podia fazer isso.

— Quem é você? – disse ela altiva tentando mostrar frieza.

— Mimir Greal guria. E você?

— Isso não ti interessa! Agora saia da minha frente!

— Baixe o tom comigo criança! Não sei quem é você Enem o que está fazendo nas ruas a essas horas, mas gostaria de saber quem deixa uma criança cega cavalgar sozinha.

— Cega é você!

— Não precisa ficar ofendida menina. Eu não a desmereci. Só acho que é uma temeridade. Você acha que o cavalo pode se guiar sozinho e isso é verdade, mas ele não pode ver em que área da cidade estamos. Você estava indo direto para os bares cheios de bêbados e prostitutas. Agora será que pode me dizer o que está fazendo?

— Indo buscar a minha mãe e meu irmão. Nem você nem ninguém vai me impedir!

— Essa não é a minha ideia, mas eu quero entender o que está acontecendo aqui.

— Pra que eu confiaria em você?

— Touche! Todavia você não tem escolha. Confia em mim e talvez eu a deixe ir ou vou ti arrastar para o posto da guarda. A decisão é sua.

Sara não ia desistir, mas sabia que não ia ter chance contra aquela mulher que agora ela percebia que era alta e forte, com um cheiro diferente de tudo que ela já tinha experimentado.

— Tá certo – ela desceu do cavalo e se postou na frente da amazona que olhava pasma para a criança na frente dela.

Mesmo sem ver ela percebera que Sara sabia onde ela estava.

— Meu nome é Sara e minha mãe é um duo chamado Paul. Ele, um elfo chamado Maleah e meu irmão mais velho foram levados por um dgim, um espírito dos ventos. Eu ouvi o espírito sussurrando para onde ele ia. Eu tentei varias vezes contar para os adultos onde eles estavam, mas ninguém me escuta. Eu decidi que eu mesma ia atrás deles.

— Sozinha?

— Sozinha! – a menina ergueu o queixo em determinação.

— Garota você é maluca. Ou muito corajosa.

— Você vai me deter?

— Não, na verdade eu ia perguntar se quer companhia. Sou uma amazona e uma historiadora. Viajo pelos países atrás de sua história para escrever livros para o meu povo. Estou saindo da vila rumo ao norte. É esse seu caminho?

— Humm... é.

— Então? Temos um acordo? Fazemos companhia uma a outra na viagem. Assim não vou me sentir tão sozinha.

— Eu... ta. Aceito! – sabia que não deveria confiar em ninguém, mas ela sentia que Mimir, fosse lá quem fosse, podia ajudá-la.

— Então estamos acertadas. Meu cavalo ficou na outra rua. Prefiro viajar a noite. Gosto das estrelas.

E assim Mimir e Sara iniciaram a sua jornada rumo ao norte, assim também iniciava a jornada de cada um deles rumo ao seu destino.


terça-feira, 1 de maio de 2012

O Escravo - Capitulo Um - Os escravos de Aurifen


 Meus amores, estou postando uma história para quem tem um gosto, vamos dizer, um pouco sádico e gosta de emoções fortes. Espero que gostem e desfrutem!


Capitulo Um – Os escravos de Aurifen

Se eu pudesse eu taparia os meus ouvidos para os gritos dos escravos que eram arrancados de suas celas e levados para cima. Eles sabiam o que ia acontecer. Seriam vendidos como escravos sexuais se fossem suficientemente bonitos ou escravos da dor, usados para a tortura nos clubes de Leor, um planeta que fazia fronteira com o império dos Fhios.

Os gritos continuaram e eu pensei que logo seria a minha vez.

A minha família não tivera escrúpulos em me vender para saldar suas dívidas perante o governo. Nunca pensei que eles seriam capazes disso, mesmo que eu não fosse o exemplo de filho. Eu deveria saber que não existe esse negócio de amor quando se fala de dinheiro e poder.

Um guarda entrou na cela onde eu estava acorrentado. Claro que não havia necessidade das correntes, uma droga na veia era o suficiente para que nossos corpos se tornassem lentos e frágeis, mas a humilhação era o que motivava o meu povo a fazer isso.

Durante toda a minha vida eu tive orgulho de pertencer a raça dos humanos interiores, como éramos conhecidos na galáxia.

Meu povo viera da Terra há mais de cinco mil anos e se fixara nas estrelas antigas perto do bojo central da Via Láctea, enquanto os outros imigrantes colonizaram mundos perto da Terra e eram conhecidos por humanos exteriores.

Meu povo era orgulhoso e guerreiro, mas suas leis eram desumanas e eu só dera conta disso quando fui jogado em uma cela em meio a outros escravos vendidos caríssimos para povos que gostavam deles como brinquedos sexuais.

O guarda era um homem negro e de aparência fechada. Carregava um bastão prata que emitia choques atordoantes caso algum escravo aprontasse algo.

— Por favor – implorei de forma patética para ele.

O homem nem mesmo respondeu, ele já devia ter ouvido muitos pedidos de socorro dos outros escravos.

Retirou as minhas correntes e me arrastou pelo corredor da nave. Eu queria que houvesse algo para me cobrir, ser empurrado por um corredor cheio de comprados era a humilhação final.

Ele me empurrou até uma sala onde fui acorrentado à parede e deixado exposto aos olhos dos compradores que lotavam a sala cheia de sofás e mesas. Nas outras paredes ainda haviam escravos sendo apalpados por escravocratas de olhar faminto.

De repente havia alguém perto de mim. Um aurifense com longos cabelos prateados, olhos de um estranho vermelho sangue, pele dourada, corpo alto e bem formado. O povo do planeta Aurifen vivia da exportação de pedras preciosas para a Galáxia. Eram muito ricos e a nobreza gostava de ter escravos humanos. Eu já havia ouvido falar de muitos amos que haviam libertado seus escravos, mas eles não iam embora do planeta e estava havendo uma miscigenação entre as duas raças.

As piores fofocas falavam do sadismo deles na hora do sexo, que eles só tinham prazer com a dor do seu parceiro.

Ele me estudou e eu contorci o rosto para ele mostrando o nojo que eu sentia e ele teve o desplante de sorrir. Segurou o meu rosto e eu não perdi a oportunidade de cuspir nele.

O aurifense deu uma risada e limpou o rosto apertando o meu queixo que ia deixar marcas. Sua outra mão fez o caminho direto para o meu pênis e eu me contorci tentando escapar dela, mas ele segurou o meu falo com a mão firme. Ele inspecionou meus testículos e puxou a pele expondo a cabeça brilhante do meu pênis. Com um sorriso sádico ele enfiou a mão por entre as minhas nádegas indo até o meu anus.

Quase gritei, mas se o fizesse eu seria severamente punido. Eu já havia visto os carrascos chicotearem as pessoas até a morte e não era uma boa visão.

Seu longo dedo entrou dentro de mim sem nem um preparo, fazendo com que a penetração fosse dolorosa. Mais um dedo se juntou ao outro e comecei a chorar de dor quando ele enfiou quatro e por fim empurrou a mão. Era uma dor indescritível, eu estava sendo rasgado sem piedade. Mordi os lábios até cortá-los na esperança de ficar quieto, mas um grito estava se formando na minha garganta ele retirou a mão me deixando pendurado nas correntes.

— Foi delicioso ver a sua dor – murmurou ele no meu ouvido.

— Vai se ferrar! – resmunguei cheio de ódio.

— Vou adorar ti domar garoto – ele riu e chamou um dos vendedores.

— Pois não meu senhor? – perguntou o outro todo sorrisos.

— Eu quero – ele apontou para mim e tive vontade de morder a sua mão.

— Bela aquisição meu senhor, mas devo avisá-lo que o escravo não está treinado e é selvagem.

— Eu gosto de treinar os meus animais vendedor. Faça o seu preço.

— Ele vale vinte mil glehe.

— Eu darei trinta vendedor – outro aurifense havia se aproximado – Ola Tiol! – ele sorriu para o outro.

— Isso não é um leilão Matesh. Eu comprei ele primeiro e acredito que o vendedor tem ética profissional.

O vendedor parecia contrariado em perder mais dez mil glehe por minha venda, mas ele não estava disposto a entrar em conflito com Tiol Tha Gaol, príncipe de Aurifen, filho mais novo do rei.

— Lamento meu senhor Matesh, mas sua alteza tem razão.

— Bem quem sabe você me venda quando se cansar dele e eu o possa usar nos shows.

Tiol não respondeu. Fez um sinal para dois homens vestidos de uniforme.

— Pague o homem e levem o escravo para a nave. Vamos partir imediatamente.

Ele não deu mais nem uma olhada para o meu lado e se perdeu em meio a multidão.




Na nave aurifense fui jogado em uma cela fria e estreita por dez horas sem comida ou água e eu me perguntei se ele estava querendo me matar. Eu deveria estar delirando quando a porta foi aberta e uma luz intensa entrou na cela, mas eu estava fraco demais para prestar atenção em quem era.

Fui arrastado por alguns minutos e jogado em cima de uma cama e deixado lá. Eu não estava realmente vendo ao meu redor. O único pensamento coerente que tinha na cabeça era que eu queria água.

Ouvi a porta se abrir e os passos no quarto. De repente eu senti um copo ser colocado em minha boca e logo uma deliciosa água fresca descer por minha garganta. Tentei segurar a caneca e beber tudo de uma vez, mas estava muito fraco para isso.

Quando o copo foi afastado minha vista estava clareando e eu vi que quem estava me dando água era Tiol. Ele estava vestido com uma calça branca larga e uma blusa também branca e sem mangas.

— Eu não sabia – disse ele me olhando com aqueles olhos vermelhos – As minhas ordens não eram para que você fosse jogado na cela.

— Maldito!

— A língua afiada como sempre – ele riu – Saiba que quem fez isso com você foi devidamente punido. Eu quero um escravo com saúde e não um morrendo.

Eu queria tento pular no pescoço dele e esganá-lo que estava com medo de mim. Eu nunca fora violento e agora a única coisa que eu queria era matá-lo lentamente.

— Sei que está com raiva de mim, mas se fosse outro sua vida ia ser muito pior.

— Eu não sou escravo! – gritei com todas as energias que tinha tentando não chorar na frente daquele homem.

— Você é escravo meu caro, será que não percebe? Se não fosse eu seria outro pronto a ti torturar até que morresse sangrando em um clube de sadismo. Eu posso gostar de um pouco de dor, mas não vou surrá-lo até a morte.

— Isso não muda nada! Você é igual a todos eles!

— Não – ele tocou o meu peito com movimentos suaves – Eu posso ser muito pior se me desafiar.

Engoli em seco olhando em seus olhos e vendo o quanto era verdade aquilo.

— Qual é o seu nome?

— Andrew – eu não ia dizer o nome da minha família nunca, quando eles me venderem deixaram de ser meus pais.

— Bem Andrew, reflita sobre a sua situação. Eu o comprei e se quer ter uma vida razoável eu sugiro que aprenda a me obedecer.

Eu contorci meu rosto com ódio. Eu não era um animal! Eu era um ser humano!

— Gosto da sua rebeldia, mas poderei me cansar dela logo – ele pegou uma seringa em cima de uma mesinha do lado da cama – Eu vou colocar um chip em você e onde quer que esteja no universo civilizado eu vou ti achar, por isso fugir é perda de tempo.

Ele picou meu braço com a seringa enfiando a grossa agulha que ia introduzindo o chip do tamanho de um grão de arroz para dentro do meu braço. Eu estava sendo marcado como o gado do meu mundo, eu estava deixando de ser humano para ser a posse de um príncipe aurifense.

— Você precisa de um banho, mas antes tenho que colocar isso em você – ele me mostrou um longo comprimido branco – É um afrodisíaco potente do meu mundo. Esta noite não estou com vontade de lutas, eu quero apenas me deliciar com você.

— Não! – eu tentei me afastar dele, mas estava fraco e o povo de Aurifen era muito forte.

Ele me virou de bruços e enfiou o afrodisíaco em meu ânus procurando empurrar ele bem fundo.

— Vou adorar foder esse traseiro – disse o príncipe de forma lascívia em meu ouvido.

— Vai para o inferno!

— Não se preocupe meu lindo – ele me pegou no colo – Logo você vai querer também.

Ele me levou para um banheiro onde havia apenas uma privada e um chuveiro. As instalações das naves eurifense nunca haviam sido muito opulentas.

Tiol me sentou no tampo da privada e retirou sua roupa mostrando o corpo bem deito e os músculos definidos, mas o que mais me chamou a atenção foi seu enorme membro em meio a um ninho de pelos prateados.

Ele riu ao ver o meu olhar e eu tive vontade de matá-lo mais uma vez. O príncipe me segurou em pé enquanto limpava o meu corpo enfiando os dedos ensaboados no meu buraco e lavando o meu pênis que para o meu desespero começou a endurecer.

— Parece que eu não vou ser o único a desfrutar do nosso treinamento – disse ele lambendo a minha orelha.

Comecei a sentir um grande calor inundando o meu corpo e meu pau ficou reto e duro a ponto de doer. Sem que percebesse estava gemendo e querendo me esfregar em Tiol.

— Acho que você esta pronto – disse ele rindo e me tirando do banho.

Ele nem mesmo perdeu tempo em nos enxugar, ele me colocou de bruços na cama e gritei ao sentir meu membro ser apertado entre meu corpo e o colchão. Eu nunca havia ficado tão excitado assim na minha vida. Na minha mente, que até uns momentos atrás só pensava em água, agora só queria se aliviar.

— Geme pra mim – murmurou ele deslizando a mão nas minhas nádegas e eu não pude deixar de fazer o que ele queria.

Tiol abril as bochechas da minha bunda inserindo algo gelado em meu ânus. Na mesma hora o objeto começou a crescer e soltar lubrificante dentro de mim. Ele me virou de frente e prendeu meus pulsos em restrições acima da cama e depois os meus pés não dando a chance de eu me mover. Dentro de mim o aparelho continuou a crescer e eu não pude deixar de gritar agora de dor.

O príncipe tocou em minha dura ereção e sentou na cama me observando contorcer de dor e necessidade.

Eu precisava gozar! Deus como eu precisava, mas o príncipe tinha outros planos ainda mais sádicos. Ele retirou uma pequena correia de dentro da gaveta e apertou o meu pênis me impedindo de gozar.

Tiol foi até uma poltrona onde sentou me observando e eu gritei e o xinguei ao ver que ele ia me torturar dessa forma. Estremeci nas restrições, arqueei meu corpo sufocando no calor e na dor. O aparelho em meu buraco estava vibrando feito louco e havia encontrado a minha próstata massageando-a sem dó.

Não sei quanto tempo fiquei nessa tortura sendo observado por aquele maldito príncipe que sentado brincava com a própria ereção olhando a minha dor e meu prazer.

A ponta do meu pênis vazava mesmo estando apertado pela correia e eu estava tão exausto que nem mesmo conseguia gritar.

— Agora vai ser um bom menino – disse Tiol indo até mim como um gato com seu falo de trinta centímetros ereto e pulsante.

Ele retirou as minhas restrições, mas eu estava mole da qualquer forma para fazer qualquer coisa contra ele. Puxou o aparelho de dentro de mim deixando o liquido lubrificante escorrer, mas não removeu a correia do meu membro.

— Por favor – eu não acreditava que estava implorando para ele.

— O que Andrew? Vai ter que me dizer o que quer.

— Me deixe gozar seu maldito!

— Ora você ainda tem energia! Isso é muito bom, mas eu disse que só vai gozar quando eu quiser.

Ele me virou de bruços e antes que eu pudesse pensar ele enfiou o membro em mim. Mesmo estirado e lubrificado pelo aparelho eu não estava pronto para aquela monstruosidade dentro de mim. Voltei a gritar de forma rouca e chorosa.

— Humm! Você é tão apertado que dá vontade de ficar a noite toda dentro de você e olhar esse seu pênis todo amarrado pra mim.

Ele não se mexia como se desse tempo para que meu corpo se acostumasse com o dele. Eu não queria acreditar que ele era capaz de qualquer gentileza, para mim ele era um monstro.

Logo e ele começou com as investidas duras e tão fortes que me empurravam pela cama.

De repente ele saiu de mim deixando o meu corpo com um estranho oco. Virando-me de frente ele colocou uma perna minha em seu ombro e voltou a me penetrar, mas agora olhando todo o meu sofrimento.

— Meu povo acredita que a dor e prazer andam juntas Andrew. É bom você entender isso se quer sobreviver lá.

Nem se eu quisesse eu podia responder. Achei que ia acabar desmaiando quando senti um alivio incalculável. Tiol havia retirado a correia do meu pênis e eu gozei como nunca havia gozado em minha vida, lavando o meu peito de sêmen. Tiol ejaculou dentro de mim sua semente quente que pareceu impregnar o meu corpo.

Ele saiu de dentro de mim e eu ouvi quando estava perdendo a consciência:

— Foi razoável. Mas vai melhorar.

Meu deus o que aquele homem ainda tinha para me torturar?