O blog Valfenda Brasil tem é apenas para postar histórias e contos que escrevo. Com isso espero divertir as pessoas levando elas aonde nem um homem jamais esteve!
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Caminhos do Destino - Capitulo XVI
Mimir Greal
Capitulo XVI
A vila de Theas ficava ao sul de Haven, fazendo fronteira com o reino de Gaulesh. Era uma vila pequena, com não mais de trinta casas pobres espelhadas em uma única rua.
Mimir parou olhando o que estava no meio da estrada.
Ela se considerava uma mulher forte, mas a visão que tinha diante dela era nauseante.
Alguém havia matado todos os habitantes do povoado e jogado os corpos em uma pilha bem no meio da estrada como se fosse um aviso.
Mimir olhou para o céu azul pedindo a Deusa que olhasse pela alma daquelas pessoas. Com maior cuidado ainda ela se afastou da vila. Quem havia feito aquilo ainda podia estar por perto.
Ela puxou o tecido sobre o rosto deixando apenas os olhos negros de fora. Sabia que a sua cor ia gerar uma curiosidade que ela não queria.
Seu reino era nas regiões tropicais, o reino Amazônico. Uma imensa região coberta de matas luxuriantes onde as amazonas reinavam absolutas. Sua sociedade baseada na mulher, também não contribuía para os outros reinos tê-las em bom termo.
Na maioria do tempo a Amazônia era um reino isolado, constituído de pessoas de pele negra. Eram guerreiros e suas cidades em meios as matas inexpugnáveis para todos os aventureiros que haviam tentado chegar até elas.
Belo e muito rico, era um reino que os habitantes do norte cobiçavam com ardor, mas a organização de um povo antigo e guerreiro mostrava que aquele não era um reino para se conquistar. Nem mesmo os elfos se metiam com as amazonas sabendo o quanto elas eram poderosas.
Mimir era uma historiadora, uma profissão muito usada entre os homens de seu povo, mas ela enfrentara o preconceito e se formara em muitas das universidades que seu povo havia construído em quase todo território.
Os amazonenses exigiam que todo o seu povo soubesse ler e escrever e que se formasse em algo. Mesmo o mais pobre, por lei, tinha que ir para uma academia nem que fosse militar. Na sua sociedade os cargos militares e políticos eram apenas destinados as mulheres, cabendo ao homem os trabalhos de administração interna.
Mimir pensou no desgosto da sua família quando decidiu deixar a academia militar de estratégia para se dedicar a história dos povos e dos reinos. Mas ela era uma mulher decidida e enfrentara tudo para conseguir o seu sonho.
Hoje era reconhecida até mesmo pela Princesa Guerreira das Doze Tribos, a líder suprema do seu povo, e fonte de orgulho para sua família, já que ela havia voltada a academia e terminado a sua formação militar.
Viajara por muitos pequenos reinos do sul, coletando dados para o livro que lançara agora ela decidira ir rumo ao norte sabendo que eles não eram muito fãs de seu povo.
Ela simplesmente dera de ombros. Sua Princesa gostara muito da sua ideia de ter informações de outros povos e culturas e ela estava decidida a dar isso a sua amada líder.
Ela continuou rumo ao norte não vendo sinais das pessoas que por ventura tivessem feito aquilo. Ela queria chegar à capital do pequeno principado onde poderia ter acesso a uma biblioteca pública, se houvesse uma, claro. Ela havia descoberto, com imenso desgosto, que os povos do norte não tinham bibliotecas públicas e nem mesmo escolas para os pobres.
Depois de alguns reinos ela estava feliz por vir de um povo culto como o dela. O norte era terrivelmente atrasado para ela.
Durante quase todo o dia ela não viu ninguém, mas quando chegou perto da estrada principal o transito aumentou e também os olhares estranhos para uma mulher montada em um cavalo branco com o rosto escondido por seu vestuário.
Ela não ligou e continuou até a vila movimentada. Ficou satisfeita ao ver as ruas calçadas e as lojas limpas exibindo os seus produtos nas vitrines.
Outra coisa que ela desgostava do povo do norte era sua falta de higiene, da relutância que eles tinham em se banhar todos os dias. Em algumas cidades o cheiro dos corpos suados e sujos podia ser sentido de longe. Todavia ali, as pessoas pareciam serem diferentes. Seus corpos, cabelos e roupas, que mesmo velhas, eram muito limpas, assim como a rua. No fim da vila ela podia ver o bonito castelo do principado com suas torres contra o céu. A bandeira de um leão e uma árvore no alto de uma grande torre mostrava o símbolo dos McGives, uma família muito antiga e poderosa.
Ela havia lido sobre eles em um livro antigo que comprara num reino mais ao sul.
Parecia que era uma família do alem mar, de um reino perto do Império de Roma chamado de Reino Belga-franco, quase tão grande e poderoso quanto Roma. Pelo que lera o primo do antigo rei de Gaulesh, Máder McGives, era rei naquele reino.
Os reinos do alem mar eram um mistério para ela. Existiam poucas informações e as que tinham estavam nas mãos dos padres e ela não tinha relações com eles. Seu povo não era católico, sua religião se baseava no culto à Deusa Mãe da Vida, mas ela não tinha preconceitos com as outras religiões, seu povo dizia que Deus ou a Deusa eram um só, mas cada um via-os de forma diferente e essa individualidade deveria ser respeitada.
Parou diante da casa da guarda pensativa, mas desceu do cavalo amarrando ele em um lugar apropriado onde havia água e ração em cochos o que a alegrou pelo cuidado com os animais.
Entrou na casa da guarda aonde soldados iam e vinham e um deles estava sentado em uma mesa lendo alguns papéis. Olhou para ela engasgando ao ver a mulher negra diante de si.
— Você é o responsável? – ela perguntou baixando o pano do rosto e olhando ele de modo sério.
— Hum...
— Rapaz quem é o responsável? – homens eram todos iguais, babando por qualquer mulher diante deles.
— Te... tenente Capela! – ele gritou com a voz estridente deixando Mimir chateada.
Alguém saiu de uma sala e ela viu que era um homem de pele dourada, mais baixo que ela, mas muito bonito.
— Bom dia senhora – ele respondeu de forma educada – Posso ajudá-la?
— Meu nome é Mimir Greal tenente. Sou do reino da Amazônia e estou em viagem recolhendo dados para um livro de história sobre os povos do norte. Venho até o posto para relatar um fato que vi em uma vila ao sul a algumas horas de cavalo daqui.
Todos haviam parado para ouvir a sua voz educada e decidida. Ela tinha um leve sotaque que deixava seu jeito de falar muito charmoso.
Capela não queria fazer papel de bobo, mas ele nunca vira mulher mais linda. Sua pele brilhava na cor do chocolate, seus olhos eram tão negros quanto uma noite sem estrelas e tão misteriosos quanto. Seu rosto era fino, com lábios cheios e bem formados. Os cabelos muito negros e lisos caiam por sobre a sua capa e estava com pequenas tranças enfeitadas com penas de pássaros. Era uma mulher de uma beleza exótica que o encantou.
— Se já me olhou será que podemos conversar tenente Capela? – perguntou ela contrariada com a lentidão do homem.
— Claro senhora Greal. Por favor, me acompanhe.
Eles entraram em uma sala que deveria ser um escritório com uma mesa coberta de papéis e alguns armários. Capela sentou em uma cadeira atrás da mesa convidando a moça para fazer o mesmo.
Ela sentou e relatou tudo que vira. Percebeu a perturbação do tenente com seu relato.
— Obrigado por ter nos avisado, senhora. Vou comunicar ao príncipe imediatamente. A senhora vai ficar na vila caso o príncipe queira falar com a senhora?
— Sim. Estou atrás de uma pousada e de uma biblioteca pública.
— Há uma pousada no fim da rua, mas devo admitir que não seu o que é uma biblioteca pública.
— Eu imaginava – resmungou ela com desgosto – Diga a seu príncipe que gostaria muito de conversar com ele, apesar de imaginar que ela terá muito o quefazer com o que trago a vocês.
— Passarei o seu pedido a ele, pode estar certa – ele sorriu, mas a amazona apenas inclinou de leve a cabeça e saiu da sala como uma rainha.
Capela saltou da cadeira e correu para o castelo. Phillip não ia gostar da notícia.
Maleah acordou com sussurros perto dele.
— Isso é um elfo? – era uma voz infantil de uma criança de não mais que cinco anos.
— Gabe disse que ele é – outra voz infantil.
— Mas os elfos não tem cabelo azul? Ele tem cabelo preto!
— Quem sabe ele é diferente.
— Pra mim ele é igual todo muno – havia decepção na voz.
O elfo abriu lentamente os olhos vendo diante de si dois garotos pequenos que o olhavam com grande curiosidade.
— Ola – disse um deles – Eu sou Jason e esse é Jared. Você é um elfo?
— Oi. Meu nome é Maleah e sou um elfo sim.
Jason fez uma cara de desgosto e Jared parecia apenas curioso.
— Você não tem graça.
— Jason! – Paul estava entrando na sala para ver o elfo e viu seus meninos menores atormentando ele – Deixem o senhor Maleah em paz que ele precisa de descanso e não de dois perguntões atazanando ele!
— Está tudo bem Paul. Eles são umas gracinhas.
— Então você deve ter batido a cabeça também – resmungou uma moça entrando.
Ela era loira, deveria ter seus treze anos e de olhos azuis opacos. Ela deveria ser cega.
— Sara!
— É verdade mãe! Para chamar essas duas pestes de gracinhas só estando ruim da cabeça!
— Sara você é uma chata! – disse Jason olhando ela de cenho franzido, muito parecido com Paul quando algo o desgostava.
— Meninos – a voz autoritária de Paul se fez ouvir – Chega!
Jason com seu temperamento explosivo fez um bico e puxou a mão de Jared para fora da casa.
— Sara onde está Shon?
— Chorando por ai. Eles não quis se despedir de Mat.
— Por favor, peça para Gabe encontrá-lo. Está ficando tarde e armando um temporal.
A moça balançou a cabeça e se virou, mas antes de sair disse para o elfo.
— Você cheira a algo verde, como um jardim todo. Mas também cheira algo mais que não sei o que é.
Ela saiu deixando Paul sorrir amarelo para o elfo que estava de olhos arregalados.
— Eu cheiro?
— Você o que? – Yeda estava a ponto de matar Mark que sorria para ela.
— Eu paguei para uma prostituta assediar o Mathew. Não é uma boa ideia? O tal duo pode ficar enciumado...
Yeda pegou o leque e bateu na cabeça do outro.
— Idiota!
Eles estavam em uma vila perto da fronteira de Gorlan com Haven, indo rumo à capital. Haviam parado em uma pousada para passar a noite e Mark havia se esgueirado para conversar com a moça no quarto dela.
— Uma prostituta! Acha mesmo que um príncipe vai dar bola para uma prostituta?
— Para de me bater! Parecia uma boa ideia oras!
— Mark eu vou ti jogar no primeiro abismo que eu achar, mas do jeito que está a minha sorte é capaz de você quicar lá de dentro!
Ela continuava a bater no outro com o leque que se protegia como podia.
— Seu idiota de merda! Sorte sua que eu sei que ele não vai ter muito tempo com o seu duo.
— Como assim? – Mark estava arrumando os cabelos bagunçados.
— Há algo acontecendo entre Gaulesh e Haven meu caro. Algo planejado para dar um jeito naquele príncipe tacanho e naquele principado.
— É coisa daquela mulher, não é? Yeda cuidado com ela. Ela está planejando algo que só podemos imaginar. O melhor que temos a fazer é deixar ela e os filhos se matar e quando acabar a gente cata os restos.
— Alberta é uma tonta. “Ele” pode estar fazendo as vontades dela, mas mais cedo ou mais tarde ele vai mostrar que o que ele quer é o reino de Gaulesh.
— Você ta falando do mago ou do elfo? Estou um pouco confuso.
— Você é sempre confuso Mark! Já ti expliquei cerca de dez vezes as coisas e você continua a me perguntar.
— Você espera que eu fique guardando na cabeça esses planos malucas dessa gente rica? Pra mim o que importa é um tanto de dinheiro. Esse negócio de poder só termina em merda.
— Eu não esperava mais nada de você. Mas respondendo a sua pergunta pela centésima vez, a rainha Alberta...
— Ex-rainha.
— Cala a boca Mark! A senhora Alberta está financiando a perfuração de minas em Gorlan para descobrir esferas do poder para Wladrich, mas na verdade ela esta ajudando o príncipe Kamm dos elfos da floresta velha e encontrar as esferas que ele precisa.
— E daí?
— Daí sua besta ela esta dando armas para Waldrich se matar! As esferas que Kamm esta mandando para ele pode lhe dar um poder momentâneo, mas elas vão exauri-lo até os ossos. Ela está apenas mandando as esferas negras. Elas tendem a absorver poder quando o que tem dentro delas se esgota e o portador nem nota isso.
— Aonde isso vai chegar Yeda.
— Em Lakina, seu saco de merda! Ela quer o reino para dar de presente ao seu amado filho Dylan. Lakina tem as maiores minas de ferro que conhecemos. É um bom investimento.
— É uma estratégia idiota! Ela não percebe que ele pode atacar o reino de Gaulesh e causar estragos lá?
— Ele não vai atacar Gaulesh agora. Ela disse que estava dando as esferas a ele em troca dele destruir o reino de Haven. Ele já deve estar pronto para destruir aquele principado insignificante.
— E quanto às tropas de Gaulesh? Todos sabem que Dylan protege Phillip.
— Eu não sei como, mas grande rei vai estar com raiva do irmão o suficiente para deixá-lo se estrepar sozinho.
— Essa mulher é doida Yeda. O que pode ser tão grave a ponto de deixar Dylan com raiva de Phillip?
A rainha Mirian andava pelos corredores do Castelo da Aliança com seu longo vestido branco todo bordado em pedrarias e pérolas arrastando pelo chão para o desgosto de sua dama de companhia que tinha que correr para acompanhá-la.
A moça entrou na sala de guerra do castelo onde seu marido estava conversando com seu generais sem bater.
A sala tinha uma incrível coleção de arte nas paredes com estátuas de mármore brancos nos nichos. O chão era coberto por tapetes e o ambiente era todo dominado por uma imensa mesa redonda de vinte e três lugares, para os vinte generais de guerra, o chefe da guarda, o conselheiro real e o rei. A mesa fora encomendada por Dylan que queria mostrar que todos eram iguais ao sentar nela. Não era preciso dizer que sua mãe quase colocara fogo na mesa.
— Dylan! – ela correu até o marido que estava sentado atrás da mesa onde haviam mapas do reino de Haven espalhados por todo lado e se jogou nos braços dele – Você está bem? Me disseram que houve um atentado! Eu quase tive um ataque!
— Esta tudo bem meu amor – ele lhe deu um sorriso triste – Mas agora eu tenho um conselho de guerra com meus generais a presidir.
A moça estreitou os olhos olhando para os homens em volta da mesa percebendo que todos estavam ali o que só acontecia em caso de guerra iminente.
— Você não está mesmo acreditando na bobagem que eu ouvi, não é? Será que passa pela sua cabeça que um dos seus irmãos tentou ti matar?
— Mirian, por favor, me de licença! – a voz fria do marido a fezela enrijecer o corpo.
— Eu estou saindo. Não vou ficar aqui vendo um conselho de idiotas!
Antes que Dylan pudesse falar com ela, a rainha saiu batendo a porta. Ela não podia deixar isso acontecer. Seu marido era um bom homem, mas algo estava acontecendo já há algum tempo e ela sabia que tinha o dedo daquela megera da sua sogra. Durante muito tempo ela vinha avisando Dylan que Alberta estava com um comportamento estranho e o que dizer do antigo rei Máder? Desde que ela o conhecera sempre achara que tinha algo de estranho nele, mas e seu jeito perdido e apático tinha piorado muito cerca de três meses para cá.
Andou novamente pelos corredores do castelo pensando no que podia fazer e finalmente tomou uma decisão. Ela não podia deixar seu marido fazer a besteira que estava a ponto de fazer.
Mat saiu da taverna cansado e com dor de cabeça por ter ficado tanto tempo em um lugar escuro e cheio de fumaça de cigarro. A cerveja era boa, mas ele não era de beber, a coisa que mais queria era um tempo para pensar.
Estava com saudades de Paul e das crianças. Queria jogar tudo para o ar e ir para a fazenda, mas se fizesse isso ia colocar o rapaz em problemas. Dentro do bar escutara as fofocas que corriam sobre ele e Paul e depois de distribuir alguns socos às pessoas silenciaram.
Decidira que ia pedir Paul em casamento. Ia fazer tudo direitinho e logo ele podia ir para a casa da floresta sem que isso levantasse fofocas.
Foi andando de forma distraído quando um barulho atrás dele chamou a sua atenção. A se virar viu que uma mulher alta e negra estava segurando uma das prostitutas que circulavam pelas ruas. A mulher se debatia nas mãos da outras, mas a moça era forte.
— Mulher você não tem orgulho? – Mimir estava indignada – Vende o corpo e ainda quer roubar?
— A vida é minha! Vai se danar!
A amazona soltou a outra que fugiu aos tropeços. Os olhos negros de Mimir encontraram os violetas de Mat.
— Cuidado com a sua bolsa de moedas ou fica sem ela.
— Você é uma amazona?
— Mimir Greal – ela estendeu a mão para o belo rapaz.
— Mathew. Obrigado Mimir, mas o que está fazendo tão longe de casa?
— Pesquisando história. Meu povo carece da história dos reinos do norte.
— Eu já tinha ouvido falar do seu povo, mas nunca tinha visto uma amazona. Vocês são bem reclusos.
— Seu povo é que não gosta do meu. Acho que ter uma mulher no comando da medo em vocês.
Mat riu ao lembrar que a forma de governo na Amazônia era uma fortemente matriarcal deixando a sociedade do norte e do alem mar escandalizada.
— Eu não tenho nada contra a sua sociedade Mimir. O que sei do seu povo me maravilha.
— Alguém culto por aqui? – apontou para a taverna – Que tal uma bebida? Podemos trocar impressões de cada povo.
— Por que não? Você deve ser uma companhia interessante – ele sempre tivera curiosidade sobre a Amazônia e na verdade não estava com vontade de voltar para o castelo e ficar pensando em Paul.
Acompanhou a moça para uma rodada de cerveja e conversa em um bar em choque ao vê-lo com uma linda mulher de pele negra e andar altivo.
O céu estava escurecendo por causa do sol que se punha, mas também da tempestade que se formava ao longe onde se podiam já ouvir os estrondos dos trovões.
Paul estava torcendo as mãos preocupado. Gabe tinha saído atrás de Shon mais ainda não voltara e isso o preocupava muito com a chuva chegando.
Saindo de perto tomou uma decisão. Não ia ficar ali parado. Foi até a sala onde Maleah conversava com Sara.
— Maleah eu preciso ver por que Gabe e Shon estão demorando tanto – disse ele – Será que pode cuidar dos meninos para mim um pouco?
— Quer que eu vá com você? – ele tentou se levantar, mas caiu de volta ao sofá com força – Ui!
— Fique quietinho ai que eu já volto.
— Tome cuidado mãe – Sara estava preocupada – A chuva logo vai estar ai.
— Vou até a borda da floresta ver se acho eles, já volto.
Ele saiu da casa correndo para a mata em uma parte onde ele sabia que os filhos brincavam. Foi andando por entre as arvores sempre chamando os nomes dos dois.
O cheiro de chuva atingiu o seu nariz e foi ficando cada vez mais escuro em meio as arvores.
— Gabe! Shon! – ele gritava cada vez mais desesperado.
De repente sem aviso o aguaceiro caiu encharcando ele em minutos. O vento uivava por entre as folhas e o chão ficou escorregadio. Sua voz se perdia em meio ao barulho da tempestade e ele percebeu que tinha que voltar para casa talvez seus filhos tivessem voltado. Com essa esperança ele deu maia volta quando percebeu que não conseguia achar o caminho de volta. Estava escuro e chovendo torrencialmente e ele, mesmo conhecendo as matas, não conseguia achar o caminho para fora da mata.
Exausto andou por entre algumas moitas de mato alto e isso o impediu de ver onde estava indo. Para alem do matagal havia uma ribanceira que descia para um regato. Perdeu o pé e começou a escorregar e rolar ladeira abaixo caindo em maio à lama no córrego que já enchia por causa da chuva.
Paul retirou o barro do rosto e apartou o lado da testa onde sangue corria. Ele havia batido a cabeça enquanto caia. Seu pulso direito doía horrivelmente e ele se segurou para não gemer. Arrastou-se para a margem saindo da água e tremendo de frio. Olhou para a ladeira percebendo que por ali não ia conseguir voltar para casa.
Cambaleando ele se levantou e continuou a andar na esperança de achar uma estrada. Começou a rezar pedindo que seus filhos estivessem em casa e bem. Sentia náuseas em pensar que Gabe e Shon podiam ter caído ali.
O vento aumento e os raios cortaram o céu. O fio e a exaustão entorpeciam Paul, mas ele continuava a andar pela mata tentando reconhecer o lugar mesmo que tudo estivesse na escuridão quase total.
De repente ouve um gemido de uma dar árvores e um galho foi arrancado pela força do vento e jogado em cima de Paul que não pode evitar. Ele caiu debaixo de um emaranhado de folhas e galhos desmaiado e quase invisível para quem passasse na estrada a menos de dez metros dele.
domingo, 15 de abril de 2012
Caminhos do Destino - Capitulo XV
Capitulo XV
Que maravilha! Ele estava de ressaca e excitado!
— Gwen eu sei que você esta...
— Phillip agora quem vai falar e mandar sou eu! Eu quero que você fique nu nessa cama e sem num pio.
Decididamente ele estava excitado. Retirou as roupas e deitou na cama olhando para o próximo movimento da esposa.
Ela levantou e foi até uma gaveta onde pegou um de seus lenços.
— Coloque as mãos na grade da cama.
Ele ergueu as mãos e deixou que ela amarrasse seus braços nas grades deixando ele a mercê dela.
A moça sentou em seu abdômen brincando com um dos seus mamilos.
— Vamos a tortura.
Tortura?!
— O q... – ele não pode acabar a frase, ela estava apertando seus mamilos de forma dolorosa.
— Eu ordenei que você não falasse – ela disse entre dentes – Agora outra regra, caro marido. Sem falar e sem gemer ou eu ti mantenho atado nessa cama o dia todo.
Sim, ele ia ficar quieto.
— Bom menino!
Gwen abaixou o rosto até perto dos lábios dele, mas não o beijou. Deu uma pequena lambida em seu lábio inferior e foi descendo com uma trilha úmida até o seu pescoço onde passou a beijar e mordiscar. Ela desceu sentando em seu quadril e em cada movimento seu ela esfregava o traseiro em seu membro ereto.
Phil mordeu os lábios para não gemer. Ela parou o que estava fazendo para olhá-lo com um sorriso safado.
— Gostando marido?
Ele apenas pode balançar a cabeça afirmando.
— Então acho que não estou fazendo isso direito.
Ela desceu mais indo para os seus mamilos sensíveis dos apertos que levou e começou a sugá-los com força. A língua molhada da moça fazia círculos nos mamilos enrugados e depois havia uma pequena mordida. Cada vez que ela fazia isso ele tinha a impressão que ia gozar.
— Sem gozar – ela disse esfregando o rosto nos pelos do seu peito como uma gata manhosa – Eu digo quando você ejacula!
Ela foi descendo na trilha de pelos deixando que as suas unhas arranhassem a lateral do corpo dele, mas sem machucar. Seu corpo estava se esfregando no seu membro que já estava vazando o pré-sêmen fazendo ele se contorcer.
— Quieto! – disse ela com a cabeça em sua virilha.
Ao aquietar as pernas e o corpo ele entendeu o que ela queria dizer que ela ia torturá-lo!
Para o seu desespero ela passou por seu membro que pedia atenção, indo para suas cochas fortes dando beijinhos na parte interna.
— Acho que o meu menino merece um prêmio – ronronou ela deixando as cochas e se inclinado para o pênis duro e dando um beijo na ponta.
Phil arregalou os olhos ao ver que a princesa saiu da cama ficando em pé do lado olhando-o com satisfação. Ela não podia deixá-lo daquela maneira, podia?
Ela se afastou dois passos e começou a retirar as roupas que vestia que deveriam ser de Paul. A camisa foi primeiro, botão a botão fazendo seu pênis ficar ainda mais duro como se fosse possível. Parecia que ele ia quebrar de tão rígido que estava.
Ela baixou as calças, mas ainda havia a roupa debaixo que cobria o corpo, coisa que ela se desfez em uma lentidão tão enervante que ele teria gritado se não soubesse que ela ia cumprir a sua promessa se o desobedecesse.
Finalmente ela estava nua diante dele. Mostrando o corpo curvilíneo, como os quadris redondos e seios fartos. Sua pele branca tinha algumas pintas e sardas que Phil adorava beijar. Ele conhecia bem aquele corpo, mas cada vez que fazia amor com ela parecia achar mais uma surpresa.
— Gosta? – ela brincou com os próprios seios deixando ele com água na boca de ser as suas mãos ali.
Ela caminhou de volta para a cama sentando novamente em seu abdômen deixando ele sentir o prazer de ter ela nua em cima dele. Gwen inclinou o corpo para frente deixando seus seios roçarem no peito dele fazendo-o quase perder o controle. Aquele corpo quente sempre o levava a loucura.
Gwendelyn beijou todo o seu rosto, menos a sua boca deixando ele enlouquecer com a forma como ela esfregava nele. Suas mão crisparam quando ela desceu o corpo e encaixou o seu membro na sua bunda.
— Estamos necessitados aqui – ela riu senhora de toda situação.
Quando ele estivesse livre ela ia pagar o que estava fazendo, ela podia apostar isso. Ela ia fode-la durante toda a noite até ela gritar.
Ela levantou o corpo esfregando a bunda no seu membro e os seus em seu abdômen. Ele voltou a morder os lábios tentando conter os gemidos de prazer.
Gwen voltou a torturá-lo nos mamilos. Sua mão desceu até o seu membro dando um leve aperto e com a ponta do dedo começou a esfregar a ranhura onde um rio de sêmen escorria para o seu escroto.
Ele não pode conter um gemido.
— Você está merecendo um castigo por me desobedecer – disse ela dando um puxão mais forte em seus testículos.
O corpo de Phil fez um arco involuntário e ela percebeu que seu marido não ia durar muito, mesmo com todo seu auto controle. Ela sorriu feliz ao perceber o tipo domínio que tinha sobre o marido, mas ela também estava tão excitada quanto ele e na via a hora de tê-lo dentro dela.
Ficou entre as pernas do marido olhando gulosa o membro ereto e orgulhosa do tamanho do marido. Lambendo os lábios abocanhou o pênis e relaxando os músculos da garganta deixou que ele entrasse inteiro. Depois de sugar um pouco e lamber seu escroto, voltou a ficar em cima dele, dessa vez com a sua entrada em cima do membro dele. Sem retirar os olhos do rosto de Phil ela foi baixando lentamente, apesar do fato de o que ela mais queria era sentar com força em cima daquele pênis e cavalgá-lo. Manteve sua impaciência sob controle vendo o quanto ele sofria por isso.
Finalmente ele estava inteiro dentro dela. Ele podia sentir as paredes aveludadas e molhadas em volta dele, mas quando ele quis fazer algum movimento ela apertou as unhas em seu peito.
— Quieto! Eu dito o ritmo aqui.
Ele sentiu quando ela começou a mexe o corpo rebolando e subindo e descendo lentamente, até que mesmo ela foi tomada pele excitação do momento e começou a se mover mais rápido.
Agora os dois estavam gemendo sem barreiras e a cama chacoalhava pelo vigor que Gwen empunha ao ato.
Finalmente o gozo veio ao mesmo tempo para os dois, forte, maravilhoso, libertador. O corpo da princesa relaxou e ela caiu sobre o marido, ambos ofegantes e satisfeitos demais para falar por algum tempo.
Gwen finalmente levantou o rosto e olhou para o marido retirando alguns fios de cabelos que o suor grudara no rosto dele.
— Posso falar? – perguntou ele com a voz rouca por ter gritado o nome dela ao gozar. Com certeza o castelo todo ouvira isso.
— Acho que você já fez isso gemendo igual a um prostituto para mim.
— Mulher! – ele podia sentir o seu pênis reagir mesmo depois de tudo aquilo – Isso é a sua idéia de punição?
— Toda a vez que você for um menino mal pode apostar que essa vai ser a minha punição.
— Quantas vezes eu posso ser um menino mau por dia?
— Seu bobo. É bom que não queira me ver nervosa de novo. Beber até cair não é o melhor caminho e espero que você não faça isso mais.
— Sera que você pode me desatar? Eu gostaria de ti abraçar.
— Talvez. Eu adorei você amarrado e me obedecendo.
— Gwendelyn!
Ela achou que era melhor fazer o que ele pedia. Já tinha brincada bastante de dominadora.
Assim que se viu livre ele abraçou ela invertendo as posições com ele por cima e ela por baixo.
— Eu amo você Gwen. Cada segundo da minha vida eu agradeço por ter ti encontrado.
— Eu também ti amo Phil.
— O Killian está bem?
— Ele se recuperou muito bem.
— Então eu acho que a gente pode namorar um pouco mais – agora era a vez do rosto de Phillip der tomado por um sorriso malicioso.
— Casei com um homem insaciável! Graças a Deus.
Paul puxou Gabe para perto dele olhando assustado o elfo.
— Como meio elfo?
— Pelo que vejo o pai dele era um elfo do povo mais antigo como eu com os cabelos negros. Os elfos das pradarias têm cabelos lilases.
— Eu pude ti sentir – Gabe não entendia o que estava acontecendo – Sentir algo dentro de mim me ligando a você.
— Todos os elfos são ligados. Somos parte de um mesmo povo que há muito não existe, mas a ligação ainda ficou entre nós. Onde quer que vamos podemos nos sentir, podemos tocar o poder mágico um do outro.
Paul não sabia o que dizer nem o que pensar. Gabe um elfo? Na verdade ela era um meio elfo, mas isso não mudava o fato que ele pertencia aquele povo milenar.
— Sei que estão com medo, mas seu filho é um ser muito especial. Meu povo não procria com outras raças, eu nunca tinha visto um meio elfo humano.
— Eu sempre quis conhecer os elfos – disse Gabe pensativo – Mas ser um deles nunca me passou pela cabeça – olhou Maleah – Eu tenho poderes como vocês?
— Seu poder é mais fraca, mas eu pude senti-lo – Maleah sorriu – Você é o que o meu povo chama de gaoithe tú, um senhor dos ventos. Você tem poder para manipular o ar e se treinar bem pode ser um criador de tornados.
— Eu não sei se quero isso – ele olhou para Paul – Pai?
— Meu filho está tudo bem. Se você não quiser...
— Lamento Paul – Maleah resolveu ser direto – Ele está entrando na puberdade e isso pode se tornar bastante perigoso nessa idade. Dentro de em breve seu poder vai se abrir para o mundo e se ele não puder controlar pode fazer mau para alguém, até para si mesmo.
— Você pode me mostrar como? – perguntou Gabe.
— Eu? – o elfo tomou um susto – Eu seria péssimo professor. Eu estava pensando em mandar você para a minha vila...
— Aqui é a minha casa! – Gabe quase gritou – Não vou sair daqui! Se você não me ensinar eu acho outro, mas não vou deixar a minha família por que minha mãe biológica resolveu ter um filho que é uma aberração!
— Gabriel! – Paul se ajoelhou e olhou o filho de frente – Nunca mais fale assim. Você não é uma aberração. Você é um milagre maravilhoso, um garoto do qual eu tenho muito orgulho de dizer que é o meu filho. Não se menospreze mais, meu querido.
Gabe abraçou Paul e o elfo ficou com o coração doendo ao pensar em separar a família.
— Então está bem – ele voltou a deitar no sofá – Eu ti ajudo a controlar o seu poder.
— Isso não é perigoso? – perguntou Paul preocupado e sentando em uma poltrona tendo gabe do lado dele em pé e ainda lançando olhares irritados para o elfo.
— Perigoso seria se ele não soubesse controlar seus poderes.
— É tão estranho falar em poderes – disse Gabe suspirando entre triste e perdido – Parece que não estão falando comigo, mas de outra pessoa que acabo de conhecer.
— A verdade é que nossos dons aparecem na nossa puberdade e isso gera um sem numero de problemas se o elfo não é disciplinado ou tem um mestre.
— Como você sabe sobre o meu poder?
— Assim como você sabe sobre o meu – respondeu Maleah piscando um olho – Na nossa ligação. Você percebeu o que eu faço?
Gabe assentiu com a cabeça.
— Mas você odeia o seu dom!
— Sim eu odeio – o elfo colocou o braço em cima dos olhos – Eu odeio prever o futuro e descobrir que quanto eu mais interfiro menos eu consigo mudá-lo.
— Você é um vidente? – perguntou Paul curioso.
— Acho que entre os humanos é como sou conhecido, mas entre o meu povo meu poder é chamado de máistir na todhchaí, o mestre do futuro. Entre o meu povo é muito raro aparecer videntes como você disse – ele bocejou cansado.
— Descanse um pouco Maleah – disse Paul – Mais tarde conversamos mais.
Nem ele tinha terminado de falar e o elfo já dormia.
— Pai – Gabe brincava com os dedos evitando encarar Paul – Você tem medo de mim? As pessoas tem medo dos elfos.
— Eu não tenho medo de você meu filho – Paul sorriu e segurou a mão dele – O fato de você ser meio elfo só mostra o quanto você é especial – ele afastou o cabelo do rosto do menino – Cada um de vocês são meus mais lindos tesouros.
Gabe parecia aliviado e se jogou nos braços do pai querendo seu conforto.
— Quero ver o que a Sara vai dizer quando souber disso! – ele deu uma risadinha – Ela vai odiar.
— Vocês dois não tomam jeito, não é? – ele se levantou – Vamos deixar o elfo dormir, temos trabalho a fazer.
Dylan não era alguém para se pegar desprevenido. Ele sabia que havia uma pessoa o seguindo por entre as arvores desde que ele saíra do castelo junto com os seus guardas pessoais indo rumo ao condado de Bryen, onde o conde já idoso o esperava para que ele fosse testemunha da passagem do título para o filho.
Para chegar lá eles tinham que passar por uma mata fechada deixando a estrada estranhamente obscura e tudo cheirava a umidade e plantas em decomposição.
O rei arrumou-se na sela, mas na verdade fez um movimento imperceptível para a espada e a adaga que ficava em sua cintura.
Ele havia visto o leve reflexo de uma flecha num raio de sol. O atirador estava em cima de uma arvora ali perto e só deveria estar esperando Dylan estar na mira para lançar a flecha e se perder na mata.
Mais alguns passos dos cavalos e ele ouviu um leve silvo. Com uma agilidade quase sobrenatural, o rei cortou a flecha no meio com sua espada e lançou o punhal. Ele ouviu quando um corpo caiu das arvores.
Os guardas ficaram meio perdidos com ação rápida do rei, mas logo se organizaram indo buscar o atirador que ficou estendido na estrada com o punhal do rei encravado no abdômen. Ele ainda estava vivo e Dylan estava disposto a arrancar dele a verdade.
— Me diga quem mandou me matar ou eu vou fazer os seus últimos momentos na Terra um inferno que a sua alma nunca esquecera.
O homem sujo engoliu em seco e lançou um olhar apavorado para o grande rei.
— Foi... foi o príncipe o Phillip.
Dylan
Que maravilha! Ele estava de ressaca e excitado!
— Gwen eu sei que você esta...
— Phillip agora quem vai falar e mandar sou eu! Eu quero que você fique nu nessa cama e sem num pio.
Decididamente ele estava excitado. Retirou as roupas e deitou na cama olhando para o próximo movimento da esposa.
Ela levantou e foi até uma gaveta onde pegou um de seus lenços.
— Coloque as mãos na grade da cama.
Ele ergueu as mãos e deixou que ela amarrasse seus braços nas grades deixando ele a mercê dela.
A moça sentou em seu abdômen brincando com um dos seus mamilos.
— Vamos a tortura.
Tortura?!
— O q... – ele não pode acabar a frase, ela estava apertando seus mamilos de forma dolorosa.
— Eu ordenei que você não falasse – ela disse entre dentes – Agora outra regra, caro marido. Sem falar e sem gemer ou eu ti mantenho atado nessa cama o dia todo.
Sim, ele ia ficar quieto.
— Bom menino!
Gwen abaixou o rosto até perto dos lábios dele, mas não o beijou. Deu uma pequena lambida em seu lábio inferior e foi descendo com uma trilha úmida até o seu pescoço onde passou a beijar e mordiscar. Ela desceu sentando em seu quadril e em cada movimento seu ela esfregava o traseiro em seu membro ereto.
Phil mordeu os lábios para não gemer. Ela parou o que estava fazendo para olhá-lo com um sorriso safado.
— Gostando marido?
Ele apenas pode balançar a cabeça afirmando.
— Então acho que não estou fazendo isso direito.
Ela desceu mais indo para os seus mamilos sensíveis dos apertos que levou e começou a sugá-los com força. A língua molhada da moça fazia círculos nos mamilos enrugados e depois havia uma pequena mordida. Cada vez que ela fazia isso ele tinha a impressão que ia gozar.
— Sem gozar – ela disse esfregando o rosto nos pelos do seu peito como uma gata manhosa – Eu digo quando você ejacula!
Ela foi descendo na trilha de pelos deixando que as suas unhas arranhassem a lateral do corpo dele, mas sem machucar. Seu corpo estava se esfregando no seu membro que já estava vazando o pré-sêmen fazendo ele se contorcer.
— Quieto! – disse ela com a cabeça em sua virilha.
Ao aquietar as pernas e o corpo ele entendeu o que ela queria dizer que ela ia torturá-lo!
Para o seu desespero ela passou por seu membro que pedia atenção, indo para suas cochas fortes dando beijinhos na parte interna.
— Acho que o meu menino merece um prêmio – ronronou ela deixando as cochas e se inclinado para o pênis duro e dando um beijo na ponta.
Phil arregalou os olhos ao ver que a princesa saiu da cama ficando em pé do lado olhando-o com satisfação. Ela não podia deixá-lo daquela maneira, podia?
Ela se afastou dois passos e começou a retirar as roupas que vestia que deveriam ser de Paul. A camisa foi primeiro, botão a botão fazendo seu pênis ficar ainda mais duro como se fosse possível. Parecia que ele ia quebrar de tão rígido que estava.
Ela baixou as calças, mas ainda havia a roupa debaixo que cobria o corpo, coisa que ela se desfez em uma lentidão tão enervante que ele teria gritado se não soubesse que ela ia cumprir a sua promessa se o desobedecesse.
Finalmente ela estava nua diante dele. Mostrando o corpo curvilíneo, como os quadris redondos e seios fartos. Sua pele branca tinha algumas pintas e sardas que Phil adorava beijar. Ele conhecia bem aquele corpo, mas cada vez que fazia amor com ela parecia achar mais uma surpresa.
— Gosta? – ela brincou com os próprios seios deixando ele com água na boca de ser as suas mãos ali.
Ela caminhou de volta para a cama sentando novamente em seu abdômen deixando ele sentir o prazer de ter ela nua em cima dele. Gwen inclinou o corpo para frente deixando seus seios roçarem no peito dele fazendo-o quase perder o controle. Aquele corpo quente sempre o levava a loucura.
Gwendelyn beijou todo o seu rosto, menos a sua boca deixando ele enlouquecer com a forma como ela esfregava nele. Suas mão crisparam quando ela desceu o corpo e encaixou o seu membro na sua bunda.
— Estamos necessitados aqui – ela riu senhora de toda situação.
Quando ele estivesse livre ela ia pagar o que estava fazendo, ela podia apostar isso. Ela ia fode-la durante toda a noite até ela gritar.
Ela levantou o corpo esfregando a bunda no seu membro e os seus em seu abdômen. Ele voltou a morder os lábios tentando conter os gemidos de prazer.
Gwen voltou a torturá-lo nos mamilos. Sua mão desceu até o seu membro dando um leve aperto e com a ponta do dedo começou a esfregar a ranhura onde um rio de sêmen escorria para o seu escroto.
Ele não pode conter um gemido.
— Você está merecendo um castigo por me desobedecer – disse ela dando um puxão mais forte em seus testículos.
O corpo de Phil fez um arco involuntário e ela percebeu que seu marido não ia durar muito, mesmo com todo seu auto controle. Ela sorriu feliz ao perceber o tipo domínio que tinha sobre o marido, mas ela também estava tão excitada quanto ele e na via a hora de tê-lo dentro dela.
Ficou entre as pernas do marido olhando gulosa o membro ereto e orgulhosa do tamanho do marido. Lambendo os lábios abocanhou o pênis e relaxando os músculos da garganta deixou que ele entrasse inteiro. Depois de sugar um pouco e lamber seu escroto, voltou a ficar em cima dele, dessa vez com a sua entrada em cima do membro dele. Sem retirar os olhos do rosto de Phil ela foi baixando lentamente, apesar do fato de o que ela mais queria era sentar com força em cima daquele pênis e cavalgá-lo. Manteve sua impaciência sob controle vendo o quanto ele sofria por isso.
Finalmente ele estava inteiro dentro dela. Ele podia sentir as paredes aveludadas e molhadas em volta dele, mas quando ele quis fazer algum movimento ela apertou as unhas em seu peito.
— Quieto! Eu dito o ritmo aqui.
Ele sentiu quando ela começou a mexe o corpo rebolando e subindo e descendo lentamente, até que mesmo ela foi tomada pele excitação do momento e começou a se mover mais rápido.
Agora os dois estavam gemendo sem barreiras e a cama chacoalhava pelo vigor que Gwen empunha ao ato.
Finalmente o gozo veio ao mesmo tempo para os dois, forte, maravilhoso, libertador. O corpo da princesa relaxou e ela caiu sobre o marido, ambos ofegantes e satisfeitos demais para falar por algum tempo.
Gwen finalmente levantou o rosto e olhou para o marido retirando alguns fios de cabelos que o suor grudara no rosto dele.
— Posso falar? – perguntou ele com a voz rouca por ter gritado o nome dela ao gozar. Com certeza o castelo todo ouvira isso.
— Acho que você já fez isso gemendo igual a um prostituto para mim.
— Mulher! – ele podia sentir o seu pênis reagir mesmo depois de tudo aquilo – Isso é a sua idéia de punição?
— Toda a vez que você for um menino mal pode apostar que essa vai ser a minha punição.
— Quantas vezes eu posso ser um menino mau por dia?
— Seu bobo. É bom que não queira me ver nervosa de novo. Beber até cair não é o melhor caminho e espero que você não faça isso mais.
— Sera que você pode me desatar? Eu gostaria de ti abraçar.
— Talvez. Eu adorei você amarrado e me obedecendo.
— Gwendelyn!
Ela achou que era melhor fazer o que ele pedia. Já tinha brincada bastante de dominadora.
Assim que se viu livre ele abraçou ela invertendo as posições com ele por cima e ela por baixo.
— Eu amo você Gwen. Cada segundo da minha vida eu agradeço por ter ti encontrado.
— Eu também ti amo Phil.
— O Killian está bem?
— Ele se recuperou muito bem.
— Então eu acho que a gente pode namorar um pouco mais – agora era a vez do rosto de Phillip der tomado por um sorriso malicioso.
— Casei com um homem insaciável! Graças a Deus.
Paul puxou Gabe para perto dele olhando assustado o elfo.
— Como meio elfo?
— Pelo que vejo o pai dele era um elfo do povo mais antigo como eu com os cabelos negros. Os elfos das pradarias têm cabelos lilases.
— Eu pude ti sentir – Gabe não entendia o que estava acontecendo – Sentir algo dentro de mim me ligando a você.
— Todos os elfos são ligados. Somos parte de um mesmo povo que há muito não existe, mas a ligação ainda ficou entre nós. Onde quer que vamos podemos nos sentir, podemos tocar o poder mágico um do outro.
Paul não sabia o que dizer nem o que pensar. Gabe um elfo? Na verdade ela era um meio elfo, mas isso não mudava o fato que ele pertencia aquele povo milenar.
— Sei que estão com medo, mas seu filho é um ser muito especial. Meu povo não procria com outras raças, eu nunca tinha visto um meio elfo humano.
— Eu sempre quis conhecer os elfos – disse Gabe pensativo – Mas ser um deles nunca me passou pela cabeça – olhou Maleah – Eu tenho poderes como vocês?
— Seu poder é mais fraca, mas eu pude senti-lo – Maleah sorriu – Você é o que o meu povo chama de gaoithe tú, um senhor dos ventos. Você tem poder para manipular o ar e se treinar bem pode ser um criador de tornados.
— Eu não sei se quero isso – ele olhou para Paul – Pai?
— Meu filho está tudo bem. Se você não quiser...
— Lamento Paul – Maleah resolveu ser direto – Ele está entrando na puberdade e isso pode se tornar bastante perigoso nessa idade. Dentro de em breve seu poder vai se abrir para o mundo e se ele não puder controlar pode fazer mau para alguém, até para si mesmo.
— Você pode me mostrar como? – perguntou Gabe.
— Eu? – o elfo tomou um susto – Eu seria péssimo professor. Eu estava pensando em mandar você para a minha vila...
— Aqui é a minha casa! – Gabe quase gritou – Não vou sair daqui! Se você não me ensinar eu acho outro, mas não vou deixar a minha família por que minha mãe biológica resolveu ter um filho que é uma aberração!
— Gabriel! – Paul se ajoelhou e olhou o filho de frente – Nunca mais fale assim. Você não é uma aberração. Você é um milagre maravilhoso, um garoto do qual eu tenho muito orgulho de dizer que é o meu filho. Não se menospreze mais, meu querido.
Gabe abraçou Paul e o elfo ficou com o coração doendo ao pensar em separar a família.
— Então está bem – ele voltou a deitar no sofá – Eu ti ajudo a controlar o seu poder.
— Isso não é perigoso? – perguntou Paul preocupado e sentando em uma poltrona tendo gabe do lado dele em pé e ainda lançando olhares irritados para o elfo.
— Perigoso seria se ele não soubesse controlar seus poderes.
— É tão estranho falar em poderes – disse Gabe suspirando entre triste e perdido – Parece que não estão falando comigo, mas de outra pessoa que acabo de conhecer.
— A verdade é que nossos dons aparecem na nossa puberdade e isso gera um sem numero de problemas se o elfo não é disciplinado ou tem um mestre.
— Como você sabe sobre o meu poder?
— Assim como você sabe sobre o meu – respondeu Maleah piscando um olho – Na nossa ligação. Você percebeu o que eu faço?
Gabe assentiu com a cabeça.
— Mas você odeia o seu dom!
— Sim eu odeio – o elfo colocou o braço em cima dos olhos – Eu odeio prever o futuro e descobrir que quanto eu mais interfiro menos eu consigo mudá-lo.
— Você é um vidente? – perguntou Paul curioso.
— Acho que entre os humanos é como sou conhecido, mas entre o meu povo meu poder é chamado de máistir na todhchaí, o mestre do futuro. Entre o meu povo é muito raro aparecer videntes como você disse – ele bocejou cansado.
— Descanse um pouco Maleah – disse Paul – Mais tarde conversamos mais.
Nem ele tinha terminado de falar e o elfo já dormia.
— Pai – Gabe brincava com os dedos evitando encarar Paul – Você tem medo de mim? As pessoas tem medo dos elfos.
— Eu não tenho medo de você meu filho – Paul sorriu e segurou a mão dele – O fato de você ser meio elfo só mostra o quanto você é especial – ele afastou o cabelo do rosto do menino – Cada um de vocês são meus mais lindos tesouros.
Gabe parecia aliviado e se jogou nos braços do pai querendo seu conforto.
— Quero ver o que a Sara vai dizer quando souber disso! – ele deu uma risadinha – Ela vai odiar.
— Vocês dois não tomam jeito, não é? – ele se levantou – Vamos deixar o elfo dormir, temos trabalho a fazer.
Dylan não era alguém para se pegar desprevenido. Ele sabia que havia uma pessoa o seguindo por entre as arvores desde que ele saíra do castelo junto com os seus guardas pessoais indo rumo ao condado de Bryen, onde o conde já idoso o esperava para que ele fosse testemunha da passagem do título para o filho.
Para chegar lá eles tinham que passar por uma mata fechada deixando a estrada estranhamente obscura e tudo cheirava a umidade e plantas em decomposição.
O rei arrumou-se na sela, mas na verdade fez um movimento imperceptível para a espada e a adaga que ficava em sua cintura.
Ele havia visto o leve reflexo de uma flecha num raio de sol. O atirador estava em cima de uma arvora ali perto e só deveria estar esperando Dylan estar na mira para lançar a flecha e se perder na mata.
Mais alguns passos dos cavalos e ele ouviu um leve silvo. Com uma agilidade quase sobrenatural, o rei cortou a flecha no meio com sua espada e lançou o punhal. Ele ouviu quando um corpo caiu das arvores.
Os guardas ficaram meio perdidos com ação rápida do rei, mas logo se organizaram indo buscar o atirador que ficou estendido na estrada com o punhal do rei encravado no abdômen. Ele ainda estava vivo e Dylan estava disposto a arrancar dele a verdade.
— Me diga quem mandou me matar ou eu vou fazer os seus últimos momentos na Terra um inferno que a sua alma nunca esquecera.
O homem sujo engoliu em seco e lançou um olhar apavorado para o grande rei.
— Foi... foi o príncipe o Phillip.
Dylan
sábado, 14 de abril de 2012
A Estrada de Aurora
Eu conheço uma fada
Minha mãe sempre me dizia que a vida é uma grande mágica, mas quando ela morreu eu comecei a achar que era na verdade um grande inferno. Sozinho com a família do meu padrasto que fazia questão de dizer para todo mundo que tinha um enteado “florzinha”, esse era seu modo de me chamar por ser gay.
Nunca escondi isso de ninguém e descobri quando tinha doze anos e passei a gostar de um colega de classe que no final me deu uma surra por ficar olhando para ele.
Hoje estou com quase quinze anos, na verdade faltam... deixa eu olhar o relógio... quinze minutos para meus quinze anos.
Essa era uma data para se comemorar, mas estou eu aqui, no meu pobre quarto olhando pela janela para o céu escuro e sem estrelas da cidade de Campinas. As luzes da cidade impediam as estrelas de aparecerem.
Minha mãe gostava de ler sobre as estrelas e falar delas. Estava sempre com um nome de uma estrela ou nebulosa na ponta da língua.
Sua morte havia sido bastante dolorosa. Ela sofreu muito com o câncer que se espalhou por seus ossos e no final haviam metástases por todo o seu corpo. Meu padrasto não quis ficar com ela no hospital e no final, contra todas as regras, fui autorizado a ficar cuidando dela. Ela morreu três meses após a doença ser diagnosticada.
Sinto a sua falta mãe, onde quer que esteja.
Vocês devem estar perguntando do meu pai biológico. Bem... minha mãe era muito parecida comigo, cabeça dura. Ela e meu pai brigaram um dia e ela fugiu para longe me levando, quando se arrependeu já era tarde. Meu pai havia se mudado e nunca mais soubemos dele.
Não sei o que sinto por ele. Ele não tem real culpa das coisas terem acontecido do modo que aconteceram, afinal a minha mãe só o procurou quatro anos depois.
Voltei a olhar o céu tentando ignorar os gritos ao longe de alguma briga de bar. Passei a mão no rosto me perguntando quando ia ter barba, não que eu gostasse dos caras barbados, mas quem sabe assim eu não fosse mais considerado criança e pudesse dar o fora desse lugar.
O meu relógio de pulso apitou e eu soube que estava fazendo quinze anos naquele momento e sorri feliz apesar de tudo.
Lembrei-me de algo que tinha esquecido, algo que eu escondi bem fundo na minha mente, uma coisa que a minha mãe me disse antes de morrer:
— Caio você vai ficar acordado para fazer quinze anos, não é? E quando der meia noite você vai fazer algo pra mim. Bata na madeira três vezes, ta? Não se esqueça disso.
Bater na madeira? Será que a minha mãe estava delirando no hospital? Mas o que custa fazer isso? Quem sabe com isso eu pelo menos espanto o azar.
Dei três batidinhas na cômoda velha e comecei a fechar a janela quando quase cai duro ao ouvir uma voz atrás de mim:
— Porcaria de compensado. Sempre deixa as coisas pela metade!
Dei um pulo e ao olhar vi que era uma mulher meio presa no... nada! Ela parecia ter surgido em meio a uma névoa e se vestia com um vestido de gaze esvoaçante e para o meu horror ela tinha orelhas pontudas como os elfos dos desenhos.
— E ai! – ela gritou me olhando indignada – Vai me ajudar ou vai ficar só olhando? Afinal a culpa é sua por ter batido em algo que nem é de madeira de verdade!
— O que... quem... – eu deveria estar parecendo bem idiota gaguejando, mas me diz se você não faria a mesma coisa se uma pessoa ou seja lá o que for aparecer no seu quarto.
— Merda! Ai garoto, eu sou uma fada e meu nome é Luani. Apresentados? Agora me ajuda!
Sem saber o que fazer eu puxei ela do meio da névoa e a moça, ou fada, me olhou com cara de poucos amigos.
Ela era realmente bonita, com longos cabelos loiros e olhos azuis. O corpo era magro e flexível e ela parecia toda delicada, mas havia uma estranha ferocidade no olhar.
— Vamos lá.
— Lá?
— O alem – respondeu ela com sarcasmo – Para que você acha que eu tive todo o trabalho de chegar aqui?
Meu rosto deveria estar parecendo um ponto de interrogação.
— Deus! – ela revirou os olhos – Caio Marcos de Abreu, na verdade Caio Marcos Blanc, filho de Marcos Blanc, você foi escolhido para ir para a minha terra estudar em uma ótima escola – ela torceu os lábios – Há controvércias é claro. Eu prefiro as escolas no norte, mas...
— Eu não estou entendendo nada!
— Vamos ser curtos e grossos então! Meu mundo, que fica a um piscar de olhos do seu, é onde pessoas como você vão para aprender a controlar a maior dádiva que um humano pode ter recebido, a magia.
— Magia? – comecei a rir quase de forma histérica das palavras dela – Magica não existe!
— A com certeza! Eu cheguei por aqui por um buraco de minhoca.
— Você ta tentando me dizer que eu sou algum tipo de mago?
— Não. Vocês são chamados de os escolhidos.
— Eu devo estar tendo um pesadelo – fechei os olhos e comecei a bater na minha testa.
— Eu ainda estou aqui – disse o meu pesadelo de braços cruzados – Facilita a minha vida e a sua garoto e deseje.
— Desejar?
— Você parece um papagaio! É desejar! Diga que deseja ir para alem do arco-iris, chegar ao fim do mundo, ir para alem de onde se pode ver.
— Desejo...
— Ótimo! Expresso para Aurora partindo a meia noite e quinze.
E foi assim que eu iniciei essa aventura com uma fada mau humorada indo rumo a um lugar chamado Aurora e onde se aprendia magia.
PS: fala sério!!
O que coloquei aqui é um pequeno pedaço de uma história que escrevi quando lia livros sobre magos e bruxos. Não sei se vão gostar, mas quando os meus dedos coçam eu sei que tenho que escrever!
Ps: Lulu eu não sei como é sua personalidade, mas quando escrevi a Luani pensei em você. Espero que você se divirta bastante com essa fada mau humorada, mas que tem um grande coração! Beijos para todos!!!
Caminhos do Destino - Capitulo XIV
Capítulo XIV
Maleah como todo elfo não costumava andar a cavalo. Ele preferia correr pelas estradas com suas próprias pernas sentindo a energia fluir por seu corpo. Seus pés quase não tocavam o chão. Ele parecia flutuar pela estrada que ia rumo ao reino de Haven.
Durante muito tempo a sua vida sempre fora a estrada. Ele não conseguia ficar muito tempo em seu reino onde o pai estava pronto para manipular toda a sua vida e viver apontando os seus erros. Sabia que todos queriam que ele fosse o próximo herdeiro, mas ele tinha uma ideia melhor. Seu primo era a pessoa ideal para o cargo.
Flyn era centrado e diplomático, sempre tinha uma boa resposta para tudo, mas sabia ser sério quando a ocasião pedia. Era o melhor espadachim que Maleah conhecia e amava o povo elfo com todas as suas forças.
O elfo sabia que se abdicasse seu pai nunca o perdoaria, principalmente pelo que Kamm havia feito.
Meleah parou sua corrida contrariado em pensar no irmão caçula. Sabia que não era culpado de nada que acontecera, mas seu pai tinha outro pensamento. Ele acreditava que Maleah fora incompetente ao cuidar do irmão e assim ele virara um déspota sedento de poder a ponto de tentar matar o pai.
Ele amara Kamm desde que o menino nascera e a sua mãe partira para os reinos do sul achando que já cumprira o seu papel. Ela dera dois herdeiros ao rei que a escolhera como apenas a procriadora dos seus filhos, jamais como sua rainha.
Sua mãe não tivera nem um escrúpulo em ir embora deixando ele o irmão recém nascido. Seu pai também não se importara, afinal ela havia deixado os herdeiros e era isso apenas que ele esperava dela.
Maleah sabia que a relação entre os elfos do norte eram frias, visando apenas algum objetivo. Ele gostava muito dos elfos das pradarias, muito parecidos com os humanos, viviam a sua vida simples e não negavam os seus sentimentos assim como os seres humanos. Os elfos mais antigos como o seu povo achava que se abstrair de ter relações era algum tipo de evolução. Eles sempre estavam estudando o mundo a sua volta a procura da perfeição. Alguns mais velhos e sábios diziam que a perfeição não existia e a sua procura era uma ilusão perigosa.
Reiniciou a sua corrida com a cabeça tão longe que na curva da estrada foi de encontro a um cavalo que corria. Graças a sua agilidade ele conseguiu pular para longe do cavalo rolando pelo chão, mas dando de encontro a uma pedra no acostamento da estrada. O golpe retirou o ar de seus pulmões ou ele teria gritado.
Droga! Ele era um elfo. Como pudera sofrer um acidenta na estrada?
— Ei você está bem? – o cavaleiro pulou para ajudá-lo.
— Claro eu to ótimo – respondeu ele sarcástico se virando em meio a sua dor e olhando para um rapaz de pele morena, praticamente dourada, os olhos castanhos e cabelos negros encaracolados.
Lindo, mas ele o atropelara. Deveria era dando uma surra no humano, mas estava com dor demais para isso.
— Acho que quebrei algo – gemeu Maleah apertando a lateral do corpo.
— Deixe-me dar uma olhada – o rapaz ia apertar a lateral do seu corpo quando o elfo deu um tapa em sua mão.
— Vai pra lá! Você já fez um belo trabalho me atropelando.
— Como é que eu ia saber que um elfo idiota estava correndo pela estrada? Caso não tenha notado ali é uma curva!
— Você não presta atenção a nada e depois diz que o problema é meu?! – ele tentou sentar – Argh! Humanos são todos iguais!
— É mesmo! Esqueci que você é um grande elfo. Senhor da magia e da natureza. Por que não faz a sua magia agora e se cura?
— Por que eu não sou um curandeiro idiota! Cada elfo tem um poder destinado! Eu não sou um bruxo humano que mexe com as leis naturais.
— Caso não tenha notado elfo, eu sou humano. Agradeceria se você parasse de ofender a minha espécie.
— Impossível não notar que você é humano – o olhou de cima a baixo, mas o outro apenas levantou uma sobrancelha enfadado.
A maioria dos humanos tinha medo dos elfos, mas aquele ali o olhava como se fosse apenas um problema chato do qual não conseguia se livrar.
— Eu deveria te deixar aqui e acabar sendo comida de lobo, mas eu sou um humano como disse e vou ti levar até um curandeiro aqui perto.
— Muito obrigado, mas eu não preciso de sua ajuda!
— Mesmo? – ele deu alguns passos para trás e o olhou – Então o que ainda esta fazendo deitado ai, no meio da terra?
Franzindo os lábios de raiva, Maleah fez um esforço grande para se por de pé e ao tentar ficar reto as suas costelas protestaram e ele pensou que ia cair.
— Quer ainda que eu ti deixe aqui? – perguntou o humano rindo.
— Vai se dana! – gritou o elfo totalmente vermelho.
Alem da família de Dylan, ele nunca havia deixado humano nem um tocá-lo. Seu povo era totalmente contra a união entre as espécies, até mesmo o toque era visto como um crime entre eles.
O humano de pele morena riu novamente e o pegou no colo. Ele deveria ser uns cinco centímetros mais baixo que Maleah, mas era muito forte. Eles subiram no cavalo e o outro avisou.
— Lamento elfo, mas cavalgar vai doer.
— Eu posso muito bem sobreviver a um pouco de dor!
Palavras fortes, mas quando o outro iniciou o trote a dor que sentiu em suas costelas fazia ele ofegar. Depois de alguns minutos ele estava quase chorando e quando finalmente pararam ele não via nada a sua volta. A dor quase o fizera desmaiar.
— Tenente Capela o que aconteceu? – perguntou uma voz masculina doce.
Tenente Capela? Deus não podia ser tão cruel assim!
— Ele praticamente se jogou na frente do meu cavalo e bateu a lateral do corpo em uma pedra. Será que você pode dar uma olhada Paul?
— Claro. Traga ele para dentro.
Ele sentiu seu corpo ser carregado. Ao longe ouviu vozes de crianças e de uma mulher. Assim que foi colocado em uma superfície macia gemeu e abriu os olhos para dar de cara com um rapaz jovem e muito bonito. Os cabelos longos estavam presos em uma trança e seus olhos dourados brilhavam de simpatia. Ele podia ver a aura em torno do rapaz, brilhando azul, a cor das pessoas perseverantes. Ele não era entendido de auras, mas poucos humanos tinham as suas visíveis. A energia vital em torno deles deveria ser muito grande para que ela aparecesse. Só de sentir a aura dele, Maleah se sentiu melhor.
— Ola. Meu nome é Paul e preciso tirar a sua blusa para dar uma olhada se você quebrou algo. Vou ti ajudar e tentar que doa o menos possível.
Sua voz era tão doce que o elfo não se opôs. Quando ele retirou a camisa percebeu que o seu lado direito estava ficando roxo em um imenso hematoma. Paul deu um leve aperto fazendo o elfo gemer de dor.
— Desculpe, mas parece que você conseguiu quebrar duas costelas. Vou precisar enfaixar e vai ser um processo doloroso – Paul o olhou detidamente – Você é um elfo? Nunca os vi, mas tem uma constituição física um pouco diferente.
— Sim eu sou um elfo, meu nome é Male...
— Maleah!! – Mat estava entrando na casa pronto para matar o tenente Capela quando viu o amigo de seu irmão mais velho deitado sem camisa no sofá da sala.
— Oi Mathew! Pensei que estava com Phillip?
— O que você estava fazendo por aqui? – Mat não conhecia muito o elfo, mas ele era amigo íntimo de Dylan.
— Apenas dando uma volta. Você sabe que eu gosto de viajar.
— Maleah – Paul chamou a sua atenção – Sera que seu corpo reage a ervas do mesmo modo que os humanos?
— Não Paul. Suas ervas são inúteis pra mim.
— Então infelizmente eu não vou ter nada para tirar a sua dor quando enfaixar.
— Sem problemas – ele tentou rir – Eu agüento!
— Do mesmo modo que agüento o cavalo? – perguntou Capela sarcástico – Quase desmaiou.
— Quem chamou você para a conversa? – o elfo o olhou com os olhos semi cerrados.
— Pelo visto os elfos não são nada daquilo que falam – Capela levantou um sobrancelha – Não passam de chatos resmungões.
— Tenente Capela – Paul o olhou contrariado – O senhor é um homem tão gentil. O que ti deu para falar assim com ele?
— Me desculpe Paul, mas o bendito elfo quase me joga do cavalo e está me dando mais trabalho do que vale.
— O que?! – o elfo havia se levantado rapidamente ignorando a dor pronto para avançar para o tenente.
— Chega os dois! – Paul usou a mesma voz que usava com seus filhos – Eu vou buscar bandagens e não quero ouvir mais nem uma palavra de nem um de vocês!
— Desculpe mais uma vez Paul – Capela sorriu para o rapaz mostrando seus dentes brancos – Mas eu preciso falar com a princesa e com o príncipe Mathew.
— Mat leve ele até a varanda dos fundos. A princesa está lá.
Enquanto Mat guiava o tenente para a varanda, Paul pegou uma grande tira de tecido branco e foi até o elfo. Tentando ser o mais delicado possível ele foi enfaixando o elfo que fazia de tudo para não gemer de dor.
— Sei que está doendo. Não tenha vergonha de demonstrar isso – Paul aconselhou para o elfo ao vê-lo morder os lábios a ponto de tirar sangue.
— Meu povo não é muito dado a demonstrações de sentimentos – ele retrucou.
— Mas eu não sou do seu povo e não vou pensar menos de você ao ver sua dor. Já vi homens grandes e fortes chorarem como crianças ao ter suas costelas quebradas enfaixadas.
Ele decidiu que o humano estava certo e começou a gemer no processo que felizmente foi rápido. Paul estendeu a camisa para ele pedindo que deitasse no sofá.
— Sei que as ervas não funcionam com você, mas um chá quente pode ajudá-lo. Você já comeu hoje?
— Não. Se tivesse algo no estômago teria vomitado quando bati na pedra.
— Então fique descansando enquanto trago algo para você comer.
O elfo sorriu e deitou fechando os olhos.
Paul foi para a cozinha ouvindo as vozes lá fora. Enquanto ele preparava o chá e alguns pães, Mat entrou com a cara preocupada.
— Esta tudo bem Mat? – perguntou Paul preocupado.
— Parece que maus pais foram embora, mas o Phillip esta trancado no quarto bebendo, de acordo com Capela. Ele ficou preocupado e veio até aqui me buscar e levar Gwen.
— Deve estar sendo muito duro para ele – Paul disse com doçura – A mãe tentou matar o seu próprio neto. É muito difícil de aceitar isso.
— Não sei o que pensar Paul – Mat o abraçou e cheirou seu pescoço – Adoro o seu cheiro, meu amor. Senti falta dele essa noite.
— Se comporte – riu Paul dando um leve beijo nos lábios do príncipe que não se deu por satisfeito, segurou o rapaz e apertou ele de encontro ao corpo rígido e aprofundou o beijo deixando com que as línguas duelassem. De imediato seus corpos começaram a reagir a proximidade e o beijo.
— Sexo na cozinha não – era Gwen entrando com o tenente Capela e rindo do rosto vermelho de Paul e a contorção contrariada dos lábios de Mat.
O tenente Capela olhava os dois com uma expressão indecifrável no rosto.
— Paul eu gostaria de agradecer tudo que fez pela minha família – disse a princesa embalando o filho nos braços – Saiba que pode contar conosco para o que precisar, mas agora eu acho que é hora de voltarmos para casa – olhou Mat – Você também Mathew.
— Gwen... – ele queria ficar, mas a cunhada balançou a cabeça.
— Sei que gostaria de ficar e ajudar Paul, mas realmente temos que voltar – ela foi dura dessa vez.
Dentro do castelo já haviam começado as fofocas sobre o que estava acontecendo ali. Sabia que Paul podia enfrentar muita dificuldade se os padres começassem a persegui-lo ainda mais do que faziam. A igreja tinha muito poder e nem ela nem Phil podiam enfrentar os padres sem ter dificuldades com o Império de Roma, reino sede da igreja e o maior império do alem mar.
Mat pareceu ver algo dentro dos olhos da cunhada e a contra gosto aceitou.
— Vou me despedir das crianças – disse ele cabisbaixo – Eles estão nas estrebarias.
O príncipe parecia tão arrasado que o coração de Paul doeu, mas ele sabia que algo estava acontecendo para Gwen querer que ele vá embora.
— Desculpe Paul – disse ela com um sorriso triste.
— Eu entendo Gwen.
Despedir-se das crianças foi mais doloroso que Mat imaginava. Gabe havia endurecido o maxilar, mas tentara se portar como homem. Jared e Jason lamentaram e fizeram um grande bico de desgosto, Sara lhe abraçou e sussurrou ao seu ouvido.
— Você vai voltar logo.
Já Shon fora o pior. Seu queixo tremeu e ele se recusou a se despedir fugindo para a mata depois de lançar um olhar acusatório para ele.
— Deixa ele – resmungou Sara – É ainda um bebezão.
Mat sabia que estava fazendo estrago naquela família. Tinha que tomar uma decisão, não podia simplesmente ir e vir e fazer a cabeça das crianças uma bagunça. Eles achavam que ele parte da família e ele não podia decepcioná-los.
Voltou para a casa com o seu cavalo já encilhado. Depois de pegar as suas coisas deu um longo beijo em Paul murmurando no seu ouvido.
— Eu ti amo.
— Tambem ti amo, meu príncipe.
Ele ajudou Gwen a subir e montou atrás dela. Todos acenaram e partiram deixando Paul olhando-os com o coração doendo. Algo dentro dele dizia que demoraria um longo tempo antes que ele tivesse Mat de volta a sua casa. Procurando espantar o estranho sentimento que não tinha por que, entrou na sala para encontrar Gabe e Maleah se encarando. Os dois se olhavam sem nem mesmo mover um músculo.
— Tá tudo bem? – perguntou ele colocando a mão no ombro de Gabe e dando um pulo para trás ao receber um choque – O que esta acontecendo Maleah? – ele gritou para o elfo que pareceu sair do seu transe e o olhou.
— Você não me disse que seu filho era um semi elfo!
Gwen respirou aliviada ao chegar no castelo, mas sabia que agora era hora de acalmar um pouco seu marido.
— Quer que eu vá com você? – perguntou Mat para a cunhada com medo de se meter entre o casal.
— Essa é uma conversa entre eu e Phil, Mat.
Ela subiu para o seu quarto deixando o pequeno Killian com a babá que lhe sorriu feliz ao ter o pequeno de volta. Tentou entrar no quarto que dividia com o marido, mas a porta estava trancada.
Contrariada com a atitude de Phillip chamou um guarda e mandou.
— Arrombe!
— Mas princesa... – o rapaz tinha medo do que podia acontecer com ele.
— Agora!
Sem ter como se recusar, o guarda deu um violento ponta pé na porta dupla que rangeu a abriu mostrando o quarto um caos só. No chão havia garrafas de vinho e whisky espelhadas por toso o lado e na poltrona perto da lareira apagada, estava seu marido esparramado ainda com uma garrafa segura na mão.
— Soldado chame o tenente Capela, por favor – disse a princesa arregaçando as mangas da camisa que vestia.
O guarda bateu continência e saiu. Gwen foi até o banheiro onde encheu a banheira de água gelada, gritou para uma empregada trazer um chá amargo e umas ervas calmantes.
Capela chegou parando na porta do quarto.
— Pois não minha princesa.
— Capela, por favor, pegue meu marido e o jogue dentro da banheira.
O tenente escondeu um sorriso. Levantou o príncipe sobre um ombro e o levou para o banheiro onde a banheira estava cheia. Sem nem uma delicadeza jogou o príncipe que afundou como uma pedra, mas logo subiu a superfície tossindo a cuspindo água.
— O que diabos... – ela afastou o cabelo molhado olhando para a esposa parada ali em frente a banheira de braços cruzados e cara de poucos amigos. Capela já havia deixado o quarto.
— Você ta tentando me matar Gwendelyn?
— Se eu estivesse tentado ti matar você já estaria morto, pode apostar. Bêbado como um gambá duvido que você pudesse segurar a espada.
— Precisava tentar me afogar e ainda por cima em água gelada! – ele começou a tremer, mas a esposa nem se mexeu.
— Eu vou ti curar dessa bebedeira e aí vamos conversar!
— Gwendelyn me deixa em paz – resmungou ele tentando se levantar da banheira.
Obviamente foi a coisa errada a dizer. O rosto da moça se contorceu de raiva e Phil conhecia aquela expressão.
— Pode apostar que eu vou te deixar em paz caro príncipe McGives. Depois que a sua cabeça estiver clara eu dou um jeito em você!
Phillip gemeu e voltou a afundar na banheira talvez achando que o afogamento era menos perigoso que a sua esposa com raiva. Mas ele não teve sorte, não se afogou e ainda teve que beber aquele maldito chá amargo que o fez vomitar durante quase meia hora. Depois ela lhe deu umas plantas para mastigar de sabor picante que teria feito ele vomitar novamente se tivesse algo no estomago. Quando tudo se acalmou e ele deitou na cama, encontrou o quarto limpo e as janelas abertas o que era uma tortura para sua ressaca, mas Gwen não se compadeceu.
Ela fechou a porta que mau se encaixou por estar torta por ter sido arrombada. Seu olhar era perigoso e apesar da situação, Phil sentiu que estava ficando excitado ao ver ela com aquela postura de mulher dominante.
— Agora meu marido, ninguém vai nos interromper por algum tempo.
— Gwen eu sei que você quer conversar, mas...
— Quem disse que eu quero conversar? – ela sentou em uma poltrona perto da cama e cruzou os braços – Pode ir tirando a roupa!
Maleah como todo elfo não costumava andar a cavalo. Ele preferia correr pelas estradas com suas próprias pernas sentindo a energia fluir por seu corpo. Seus pés quase não tocavam o chão. Ele parecia flutuar pela estrada que ia rumo ao reino de Haven.
Durante muito tempo a sua vida sempre fora a estrada. Ele não conseguia ficar muito tempo em seu reino onde o pai estava pronto para manipular toda a sua vida e viver apontando os seus erros. Sabia que todos queriam que ele fosse o próximo herdeiro, mas ele tinha uma ideia melhor. Seu primo era a pessoa ideal para o cargo.
Flyn era centrado e diplomático, sempre tinha uma boa resposta para tudo, mas sabia ser sério quando a ocasião pedia. Era o melhor espadachim que Maleah conhecia e amava o povo elfo com todas as suas forças.
O elfo sabia que se abdicasse seu pai nunca o perdoaria, principalmente pelo que Kamm havia feito.
Meleah parou sua corrida contrariado em pensar no irmão caçula. Sabia que não era culpado de nada que acontecera, mas seu pai tinha outro pensamento. Ele acreditava que Maleah fora incompetente ao cuidar do irmão e assim ele virara um déspota sedento de poder a ponto de tentar matar o pai.
Ele amara Kamm desde que o menino nascera e a sua mãe partira para os reinos do sul achando que já cumprira o seu papel. Ela dera dois herdeiros ao rei que a escolhera como apenas a procriadora dos seus filhos, jamais como sua rainha.
Sua mãe não tivera nem um escrúpulo em ir embora deixando ele o irmão recém nascido. Seu pai também não se importara, afinal ela havia deixado os herdeiros e era isso apenas que ele esperava dela.
Maleah sabia que a relação entre os elfos do norte eram frias, visando apenas algum objetivo. Ele gostava muito dos elfos das pradarias, muito parecidos com os humanos, viviam a sua vida simples e não negavam os seus sentimentos assim como os seres humanos. Os elfos mais antigos como o seu povo achava que se abstrair de ter relações era algum tipo de evolução. Eles sempre estavam estudando o mundo a sua volta a procura da perfeição. Alguns mais velhos e sábios diziam que a perfeição não existia e a sua procura era uma ilusão perigosa.
Reiniciou a sua corrida com a cabeça tão longe que na curva da estrada foi de encontro a um cavalo que corria. Graças a sua agilidade ele conseguiu pular para longe do cavalo rolando pelo chão, mas dando de encontro a uma pedra no acostamento da estrada. O golpe retirou o ar de seus pulmões ou ele teria gritado.
Droga! Ele era um elfo. Como pudera sofrer um acidenta na estrada?
— Ei você está bem? – o cavaleiro pulou para ajudá-lo.
— Claro eu to ótimo – respondeu ele sarcástico se virando em meio a sua dor e olhando para um rapaz de pele morena, praticamente dourada, os olhos castanhos e cabelos negros encaracolados.
Lindo, mas ele o atropelara. Deveria era dando uma surra no humano, mas estava com dor demais para isso.
— Acho que quebrei algo – gemeu Maleah apertando a lateral do corpo.
— Deixe-me dar uma olhada – o rapaz ia apertar a lateral do seu corpo quando o elfo deu um tapa em sua mão.
— Vai pra lá! Você já fez um belo trabalho me atropelando.
— Como é que eu ia saber que um elfo idiota estava correndo pela estrada? Caso não tenha notado ali é uma curva!
— Você não presta atenção a nada e depois diz que o problema é meu?! – ele tentou sentar – Argh! Humanos são todos iguais!
— É mesmo! Esqueci que você é um grande elfo. Senhor da magia e da natureza. Por que não faz a sua magia agora e se cura?
— Por que eu não sou um curandeiro idiota! Cada elfo tem um poder destinado! Eu não sou um bruxo humano que mexe com as leis naturais.
— Caso não tenha notado elfo, eu sou humano. Agradeceria se você parasse de ofender a minha espécie.
— Impossível não notar que você é humano – o olhou de cima a baixo, mas o outro apenas levantou uma sobrancelha enfadado.
A maioria dos humanos tinha medo dos elfos, mas aquele ali o olhava como se fosse apenas um problema chato do qual não conseguia se livrar.
— Eu deveria te deixar aqui e acabar sendo comida de lobo, mas eu sou um humano como disse e vou ti levar até um curandeiro aqui perto.
— Muito obrigado, mas eu não preciso de sua ajuda!
— Mesmo? – ele deu alguns passos para trás e o olhou – Então o que ainda esta fazendo deitado ai, no meio da terra?
Franzindo os lábios de raiva, Maleah fez um esforço grande para se por de pé e ao tentar ficar reto as suas costelas protestaram e ele pensou que ia cair.
— Quer ainda que eu ti deixe aqui? – perguntou o humano rindo.
— Vai se dana! – gritou o elfo totalmente vermelho.
Alem da família de Dylan, ele nunca havia deixado humano nem um tocá-lo. Seu povo era totalmente contra a união entre as espécies, até mesmo o toque era visto como um crime entre eles.
O humano de pele morena riu novamente e o pegou no colo. Ele deveria ser uns cinco centímetros mais baixo que Maleah, mas era muito forte. Eles subiram no cavalo e o outro avisou.
— Lamento elfo, mas cavalgar vai doer.
— Eu posso muito bem sobreviver a um pouco de dor!
Palavras fortes, mas quando o outro iniciou o trote a dor que sentiu em suas costelas fazia ele ofegar. Depois de alguns minutos ele estava quase chorando e quando finalmente pararam ele não via nada a sua volta. A dor quase o fizera desmaiar.
— Tenente Capela o que aconteceu? – perguntou uma voz masculina doce.
Tenente Capela? Deus não podia ser tão cruel assim!
— Ele praticamente se jogou na frente do meu cavalo e bateu a lateral do corpo em uma pedra. Será que você pode dar uma olhada Paul?
— Claro. Traga ele para dentro.
Ele sentiu seu corpo ser carregado. Ao longe ouviu vozes de crianças e de uma mulher. Assim que foi colocado em uma superfície macia gemeu e abriu os olhos para dar de cara com um rapaz jovem e muito bonito. Os cabelos longos estavam presos em uma trança e seus olhos dourados brilhavam de simpatia. Ele podia ver a aura em torno do rapaz, brilhando azul, a cor das pessoas perseverantes. Ele não era entendido de auras, mas poucos humanos tinham as suas visíveis. A energia vital em torno deles deveria ser muito grande para que ela aparecesse. Só de sentir a aura dele, Maleah se sentiu melhor.
— Ola. Meu nome é Paul e preciso tirar a sua blusa para dar uma olhada se você quebrou algo. Vou ti ajudar e tentar que doa o menos possível.
Sua voz era tão doce que o elfo não se opôs. Quando ele retirou a camisa percebeu que o seu lado direito estava ficando roxo em um imenso hematoma. Paul deu um leve aperto fazendo o elfo gemer de dor.
— Desculpe, mas parece que você conseguiu quebrar duas costelas. Vou precisar enfaixar e vai ser um processo doloroso – Paul o olhou detidamente – Você é um elfo? Nunca os vi, mas tem uma constituição física um pouco diferente.
— Sim eu sou um elfo, meu nome é Male...
— Maleah!! – Mat estava entrando na casa pronto para matar o tenente Capela quando viu o amigo de seu irmão mais velho deitado sem camisa no sofá da sala.
— Oi Mathew! Pensei que estava com Phillip?
— O que você estava fazendo por aqui? – Mat não conhecia muito o elfo, mas ele era amigo íntimo de Dylan.
— Apenas dando uma volta. Você sabe que eu gosto de viajar.
— Maleah – Paul chamou a sua atenção – Sera que seu corpo reage a ervas do mesmo modo que os humanos?
— Não Paul. Suas ervas são inúteis pra mim.
— Então infelizmente eu não vou ter nada para tirar a sua dor quando enfaixar.
— Sem problemas – ele tentou rir – Eu agüento!
— Do mesmo modo que agüento o cavalo? – perguntou Capela sarcástico – Quase desmaiou.
— Quem chamou você para a conversa? – o elfo o olhou com os olhos semi cerrados.
— Pelo visto os elfos não são nada daquilo que falam – Capela levantou um sobrancelha – Não passam de chatos resmungões.
— Tenente Capela – Paul o olhou contrariado – O senhor é um homem tão gentil. O que ti deu para falar assim com ele?
— Me desculpe Paul, mas o bendito elfo quase me joga do cavalo e está me dando mais trabalho do que vale.
— O que?! – o elfo havia se levantado rapidamente ignorando a dor pronto para avançar para o tenente.
— Chega os dois! – Paul usou a mesma voz que usava com seus filhos – Eu vou buscar bandagens e não quero ouvir mais nem uma palavra de nem um de vocês!
— Desculpe mais uma vez Paul – Capela sorriu para o rapaz mostrando seus dentes brancos – Mas eu preciso falar com a princesa e com o príncipe Mathew.
— Mat leve ele até a varanda dos fundos. A princesa está lá.
Enquanto Mat guiava o tenente para a varanda, Paul pegou uma grande tira de tecido branco e foi até o elfo. Tentando ser o mais delicado possível ele foi enfaixando o elfo que fazia de tudo para não gemer de dor.
— Sei que está doendo. Não tenha vergonha de demonstrar isso – Paul aconselhou para o elfo ao vê-lo morder os lábios a ponto de tirar sangue.
— Meu povo não é muito dado a demonstrações de sentimentos – ele retrucou.
— Mas eu não sou do seu povo e não vou pensar menos de você ao ver sua dor. Já vi homens grandes e fortes chorarem como crianças ao ter suas costelas quebradas enfaixadas.
Ele decidiu que o humano estava certo e começou a gemer no processo que felizmente foi rápido. Paul estendeu a camisa para ele pedindo que deitasse no sofá.
— Sei que as ervas não funcionam com você, mas um chá quente pode ajudá-lo. Você já comeu hoje?
— Não. Se tivesse algo no estômago teria vomitado quando bati na pedra.
— Então fique descansando enquanto trago algo para você comer.
O elfo sorriu e deitou fechando os olhos.
Paul foi para a cozinha ouvindo as vozes lá fora. Enquanto ele preparava o chá e alguns pães, Mat entrou com a cara preocupada.
— Esta tudo bem Mat? – perguntou Paul preocupado.
— Parece que maus pais foram embora, mas o Phillip esta trancado no quarto bebendo, de acordo com Capela. Ele ficou preocupado e veio até aqui me buscar e levar Gwen.
— Deve estar sendo muito duro para ele – Paul disse com doçura – A mãe tentou matar o seu próprio neto. É muito difícil de aceitar isso.
— Não sei o que pensar Paul – Mat o abraçou e cheirou seu pescoço – Adoro o seu cheiro, meu amor. Senti falta dele essa noite.
— Se comporte – riu Paul dando um leve beijo nos lábios do príncipe que não se deu por satisfeito, segurou o rapaz e apertou ele de encontro ao corpo rígido e aprofundou o beijo deixando com que as línguas duelassem. De imediato seus corpos começaram a reagir a proximidade e o beijo.
— Sexo na cozinha não – era Gwen entrando com o tenente Capela e rindo do rosto vermelho de Paul e a contorção contrariada dos lábios de Mat.
O tenente Capela olhava os dois com uma expressão indecifrável no rosto.
— Paul eu gostaria de agradecer tudo que fez pela minha família – disse a princesa embalando o filho nos braços – Saiba que pode contar conosco para o que precisar, mas agora eu acho que é hora de voltarmos para casa – olhou Mat – Você também Mathew.
— Gwen... – ele queria ficar, mas a cunhada balançou a cabeça.
— Sei que gostaria de ficar e ajudar Paul, mas realmente temos que voltar – ela foi dura dessa vez.
Dentro do castelo já haviam começado as fofocas sobre o que estava acontecendo ali. Sabia que Paul podia enfrentar muita dificuldade se os padres começassem a persegui-lo ainda mais do que faziam. A igreja tinha muito poder e nem ela nem Phil podiam enfrentar os padres sem ter dificuldades com o Império de Roma, reino sede da igreja e o maior império do alem mar.
Mat pareceu ver algo dentro dos olhos da cunhada e a contra gosto aceitou.
— Vou me despedir das crianças – disse ele cabisbaixo – Eles estão nas estrebarias.
O príncipe parecia tão arrasado que o coração de Paul doeu, mas ele sabia que algo estava acontecendo para Gwen querer que ele vá embora.
— Desculpe Paul – disse ela com um sorriso triste.
— Eu entendo Gwen.
Despedir-se das crianças foi mais doloroso que Mat imaginava. Gabe havia endurecido o maxilar, mas tentara se portar como homem. Jared e Jason lamentaram e fizeram um grande bico de desgosto, Sara lhe abraçou e sussurrou ao seu ouvido.
— Você vai voltar logo.
Já Shon fora o pior. Seu queixo tremeu e ele se recusou a se despedir fugindo para a mata depois de lançar um olhar acusatório para ele.
— Deixa ele – resmungou Sara – É ainda um bebezão.
Mat sabia que estava fazendo estrago naquela família. Tinha que tomar uma decisão, não podia simplesmente ir e vir e fazer a cabeça das crianças uma bagunça. Eles achavam que ele parte da família e ele não podia decepcioná-los.
Voltou para a casa com o seu cavalo já encilhado. Depois de pegar as suas coisas deu um longo beijo em Paul murmurando no seu ouvido.
— Eu ti amo.
— Tambem ti amo, meu príncipe.
Ele ajudou Gwen a subir e montou atrás dela. Todos acenaram e partiram deixando Paul olhando-os com o coração doendo. Algo dentro dele dizia que demoraria um longo tempo antes que ele tivesse Mat de volta a sua casa. Procurando espantar o estranho sentimento que não tinha por que, entrou na sala para encontrar Gabe e Maleah se encarando. Os dois se olhavam sem nem mesmo mover um músculo.
— Tá tudo bem? – perguntou ele colocando a mão no ombro de Gabe e dando um pulo para trás ao receber um choque – O que esta acontecendo Maleah? – ele gritou para o elfo que pareceu sair do seu transe e o olhou.
— Você não me disse que seu filho era um semi elfo!
Gwen respirou aliviada ao chegar no castelo, mas sabia que agora era hora de acalmar um pouco seu marido.
— Quer que eu vá com você? – perguntou Mat para a cunhada com medo de se meter entre o casal.
— Essa é uma conversa entre eu e Phil, Mat.
Ela subiu para o seu quarto deixando o pequeno Killian com a babá que lhe sorriu feliz ao ter o pequeno de volta. Tentou entrar no quarto que dividia com o marido, mas a porta estava trancada.
Contrariada com a atitude de Phillip chamou um guarda e mandou.
— Arrombe!
— Mas princesa... – o rapaz tinha medo do que podia acontecer com ele.
— Agora!
Sem ter como se recusar, o guarda deu um violento ponta pé na porta dupla que rangeu a abriu mostrando o quarto um caos só. No chão havia garrafas de vinho e whisky espelhadas por toso o lado e na poltrona perto da lareira apagada, estava seu marido esparramado ainda com uma garrafa segura na mão.
— Soldado chame o tenente Capela, por favor – disse a princesa arregaçando as mangas da camisa que vestia.
O guarda bateu continência e saiu. Gwen foi até o banheiro onde encheu a banheira de água gelada, gritou para uma empregada trazer um chá amargo e umas ervas calmantes.
Capela chegou parando na porta do quarto.
— Pois não minha princesa.
— Capela, por favor, pegue meu marido e o jogue dentro da banheira.
O tenente escondeu um sorriso. Levantou o príncipe sobre um ombro e o levou para o banheiro onde a banheira estava cheia. Sem nem uma delicadeza jogou o príncipe que afundou como uma pedra, mas logo subiu a superfície tossindo a cuspindo água.
— O que diabos... – ela afastou o cabelo molhado olhando para a esposa parada ali em frente a banheira de braços cruzados e cara de poucos amigos. Capela já havia deixado o quarto.
— Você ta tentando me matar Gwendelyn?
— Se eu estivesse tentado ti matar você já estaria morto, pode apostar. Bêbado como um gambá duvido que você pudesse segurar a espada.
— Precisava tentar me afogar e ainda por cima em água gelada! – ele começou a tremer, mas a esposa nem se mexeu.
— Eu vou ti curar dessa bebedeira e aí vamos conversar!
— Gwendelyn me deixa em paz – resmungou ele tentando se levantar da banheira.
Obviamente foi a coisa errada a dizer. O rosto da moça se contorceu de raiva e Phil conhecia aquela expressão.
— Pode apostar que eu vou te deixar em paz caro príncipe McGives. Depois que a sua cabeça estiver clara eu dou um jeito em você!
Phillip gemeu e voltou a afundar na banheira talvez achando que o afogamento era menos perigoso que a sua esposa com raiva. Mas ele não teve sorte, não se afogou e ainda teve que beber aquele maldito chá amargo que o fez vomitar durante quase meia hora. Depois ela lhe deu umas plantas para mastigar de sabor picante que teria feito ele vomitar novamente se tivesse algo no estomago. Quando tudo se acalmou e ele deitou na cama, encontrou o quarto limpo e as janelas abertas o que era uma tortura para sua ressaca, mas Gwen não se compadeceu.
Ela fechou a porta que mau se encaixou por estar torta por ter sido arrombada. Seu olhar era perigoso e apesar da situação, Phil sentiu que estava ficando excitado ao ver ela com aquela postura de mulher dominante.
— Agora meu marido, ninguém vai nos interromper por algum tempo.
— Gwen eu sei que você quer conversar, mas...
— Quem disse que eu quero conversar? – ela sentou em uma poltrona perto da cama e cruzou os braços – Pode ir tirando a roupa!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Caminhos do Destino - Capitulo XIII
Capitulo XIII
Phillip não entendia aquela súbita vontade de seu pai de conhecer a vila, mas para evitar mais desentendimentos ele o acompanhou para o que seria um pequeno passeio, mas seu pai estava estranhamente animado e o que deveria levar apenas uma hora se estendeu por três.
Eles chegaram ao castelo ao anoitecer. Ao parar perto das estrebarias o príncipe percebeu que havia uma estranha movimentação a sua volta.
Um dos guardas veio correndo até ele.
— Alteza! A princesa Gwendelyn desapareceu!
— Como assim desapareceu?
— Ela pegou um cavalo e saiu a galope sem falar nada. Parece que ela levou seu filho com ela. Alguns guardas a seguiram, mas perderam de vista logo.
— Por que eu não fui avisado? – Phil pulou do cavalo.
— Não encontramos o senhor, meu príncipe. Sua mãe disse que tinha ido para as terras ao sul por isso decidimos procurar lá.
— O que minha mãe tem a ver com isso? – a pergunta se destinava a Máder, mas seu pai havia desmontado e ido em direção ao castelo tranquilamente.
Fervendo de raiva ele entrou no salão onde sua mãe e Yeda conversavam.
— Phillip – a lady se levantou com o semblante parecendo ter uma genuína preocupação – Estava preocupada que não ti achassem. Gwen, ela...
— Mãe o que qui você tem a ver com isso? – ela atacou a mulher que lhe lançou um olhar frio.
— Eu prefiro não ter nada a ver com sua mulher e aquele órfão que você chama de filho.
— Os guardas me disseram que você falou que eu tinha ido para o sul?!
— Eu disse que seu pai ia com você para o sul, não que você estava lá. Eu não mando você ter empregados idiotas e surdos.
— Eu não sei o que está acontecendo aqui mãe, mas se você fez alguma coisa para minha mulher ou meu filho eu nunca vou perdoá-la!
— Como se isso fizesse uma diferença enorme para mim Phillip. Você mesmo esta destruindo sua vida junto a essa família.
Meu Deus! Aquele ser era mesmo a sua mãe?
Rangendo os dentes de raiva deu meia volta para tentar encontrar a sua esposa.
Ao ouvir aquilo de Gwen, Mat ficou estático. Sua mãe podia ser a pessoa mais desagradável que ele conhecia, mas daí a mandar matar um inocente bebê era demais.
— Gwen eu não acredito nisso. Minha mãe não seria capaz!
— Você não sabe como ela me tratou e ao meu filho? Não viu o olhar de ódio dela para a criança que é seu neto! Sua mãe é um monstro Mathew!!
O grito da princesa acordou Killian que começou um choro fraco e sentido.
— Tenha calma princesa – disse Paul com a voz calma e obrigando ela a sentar novamente – Essa é uma péssima hora para fazer acusações. Você está assustada e estressada. Vamos dar um banho morno no Killian para que ele relaxe e depois ver se ele quer mamar – olhou para um Mat vermelho e contrariado – Mat peça para o tenente Capela chamar o príncipe, tenho certeza que ele está muito preocupado.
Gwen não disse mais nada. Ela se deixou conduzir para o quarto de Paul por este enquanto ele ia até a varanda onde Capela espera pacientemente.
— Capela por favor vá avisar meu irmão que sua esposa e filho estão na casa da floresta e que estão bem.
O tenente inclinou levemente a cabeça, mas se absteve do cumprimento militar o que causou uma grande irritação em Mathew. Aquele tenentezinho achava que era quem? Mas antes que ele pudesse falar qualquer coisa o tenente já tinha montado e ia a galope pela estrada escura.
Mathew sentou em uma cadeira na varanda sem se preocupar com o frio que estava fazendo a noite. A lua aparecia e desaparecia por entre nuvens escuras e pesadas anunciando chuva para logo.
Ele não podia, ele não queria, acreditar no que sua cunhada havia falado. Sua mãe envenenado alguém, ainda mais uma criança! Se ele aceitasse que isso podia ser verdade era o golpe fatal contra sua já tão desestruturada família. Ela teria que ser condenada a morte por isso.
Respirou fundo escondendo o rosto nas mãos até que sentiu uma pequena mão calejada pousar em seu braço e levantou o rosto dando de cara com um preocupado Gabe.
— O bebê vai ficar bom Mat. Não fica assim.
— Eu sei meu amor – ele passou a mão pelos longos cabelos negros de Gabe – Estou preocupado com a minha família.
— Eu ouvi o que a princesa disse da sua mãe. Eu não conheço ela Mat, eu não sei o que te dizer. Queria muito ti ajudar – seus olhos verdes brilhavam cheios de pena.
Mathew deu um sorriso triste e puxou o garoto para um abraço amoroso. O menino o envolveu com seus braços magros como se assim pudesse transmitir ao príncipe todo o seu consolo e amor.
Mat afastou o menino dando um beijo na testa dele percebendo o quanto queria que ele fosse seu filho. Algo se aqueceu dentro ao perceber que, no seu coração, Gabe já era o seu filho.
Yeda tinha vontade de matar Alberta. Aquela velha e suas ideias geniais!
— Você acha mesmo que ela andou aprontando? – perguntou Mark perto dela.
Ambos estavam nos jardins mesmo com aquele frio. Com todo o alvoroço causado pelo desaparecimento da princesa e do bebê, ninguém ia reparar neles.
— Eu conheço ela o suficiente para saber que ela pode fazer bastante besteira.
— “Eu” acho que você está subestimando essa mulher. Sabe muito bem com que tipo de pessoa ela anda se ligando.
— Esse é o problema – resmungou a moça – Ela é burra o suficiente para imaginar que “ele” a está ajudando por que é bonzinho.
— De burra ela não tem nada! “Ele” é quem deveria ter medo dela. Entre os empregados ouço cada coisa de arrepiar os cabelos. Só quem não vê o que ela é são os filhos, do marido eu nem falo nada – ele deu uma risadinha – Pobre coitado.
— Não posso simplesmente ir até a casa desse duo e o ameaçar, muito menos você. Todo nosso plano ia por água a baixo!
— Acha que foi tão grave a ponto deles cancelarem a festa?
— Não, eu acho que foi grave o suficiente para nos expulsarem daqui. Eu não posso simplesmente ficar, tenho que ir até Gorlan de qualquer forma. Merda! Eu achava que tinha um plano perfeito!
— Ainda não desanime! Podemos pensar em algo! – ele levantou uma sobrancelha – Por que não deixa comigo. Eu tive uma ideia muito boa.
— Ideia sua? Devo me apavorar ou vai fazer algo certo dessa vez?
— Ora deixa comigo que dou um jeito.
Yeda lançou um olhar feio para ele, mas sabia que não tinha outra opção.
O coração de Phillip ao ouvir de Capela que tinha achado Gwen na estrada sozinha e em pânico. Montou em um cavalo e junto com parte de sua guarda pessoal foi rumo a casa de floresta.
Ao chegar viu que Mat o esperava na varanda com cara de poucos amigos.
— Mathew o que está acontecendo? – ele pulou do cavalo correndo para o irmão.
— Entre Phil – ele apontou para a porta – Temos que conversar.
O príncipe estava nervoso, mas começar uma discussão na frente de seus homens não era uma opção. Entrou na sala iluminada por velas e lamparinas.
— Onde você esteve? – disparou Mat – Sua esposa estava em pânico.
— Eu estava com o nosso pai, Mathew! Será que pode me dizer o que aconteceu?
Mat percebeu que brigar não ia ajudar em nada. Começou a contar tudo que acontecera. No final Phil caiu na poltrona com uma expressão cansada e muito triste.
— Você acha que ela é capaz – era uma afirmação de Mat.
— Acho que sim, Mat. Pense bem em tudo que aconteceu, pensa em toda a maldade que ela fez conosco? Não sabe a raiva dela ao saber que tinha adotado um filho.
— Ela é nossa mãe Phil!
— Mathew – o outro se levantou colocando a mão no ombro do irmão – Olhe para as crianças que Paul cria. A maioria foi deixada para morrer pelos próprios pais. Agora imagine a nossa mãe que só se preocupa com o poder e com o reino. Nós somos apenas o problema na vida dela.
— A verdade é que eu sempre acreditei que ela um dia podia mudar, mas se isso for verdade toda a minha esperança é só um sonho.
Os irmão se abraçaram com o coração apertado por uma dor difícil para traduzir em palavras.
Nesse momento Paul desceu as escadas observando os dois irmãos
— Paul – o príncipe fez uma leve mesura para ele.
— Alteza. A princesa está lá em cima no meu quarto. É a ultima porta a esquerda do corredor.
O príncipe lançou um olhar de agradecimento para ele e subiu as escadas correndo.
Paul foi até Mat que se mantinha da cabeça baixa. Ele ergueu o rosto do príncipe olhando-o de forma carinhosa e o abraçou sem dizer nada. Aquele não era o momento para as palavras.
Gwen estava sentada em uma poltrona perto da lareira que Paul havia ascendido e balançava delicadamente Killian. Ele havia mamado um pouco sem vomitar deixando ela aliviada. Agora mais calma ela pensava no quanto havia estado perto de perder o seu filho e quanto doía isso.
Ouviu a porta abrir, mas não se virou. Sabia que era Phil.
— Gwen... – ele se ajoelhou perto dela tocando na cabeça do filho – Me desculpe.
Aquela pequena frase era o suficiente. Era hora de deixar de ser egoísta, pois não só ela ia sofrer. Phillip amava aquela criança, a dor era dos dois.
— Você não teve culpa Phil, mas eu não vou voltar para o castelo enquanto sua mãe estiver lá. Sei que nada posso fazer contra ela sem provas, mas o castelo é minha casa e eu não a quero nunca mais lá! Se houvesse uma maneira de provar eu ia fazer ela pagar por tudo que fez a uma criança inocente. Antes que eu cometa uma loucura, mande-a embora – olhou o marido nos olhos – Se eu a ver uma próxima vez vou matá-la!
O príncipe percebeu que sua mulher nunca falara tão sério em sua vida.
— Como ele está? – perguntou olhando Killian.
— Paul disse que ele esta bem, felizmente ele rejeitou o leite aquela hora.
— Vou voltar ao castelo agora e mandar aquela mulher embora. De agora em diante Gwendelyn, eu me recuso a chamá-la de mãe.
Ele saiu do quarto descendo para a sala onde Mat e Paul estavam sentados.
— Paul, nada que eu diga vai poder expressar o meu agradecimento por ter salvo a vida do meu filho. Obrigado.
— Não precisa agradecer, príncipe.
Ele inclinou novamente a cabeça e olhou para Mat.
— Vou voltar para o castelo. Preciso falar com aquela mulher.
— Phillip você não vai fazer uma loucura, não é?
— Não. Mas de agora em diante Alberta e Máder McGives estão proibidos de entrar no principado de Haven. Assim que o dia amanhecer eles deverão deixar as minhas terras – ele levantou a mão quando o irmão ia retrucar – Lamento muito Mat, mas esta é a minha ultima palavra.
Dizendo isso ele saiu para a noite.
— Minha família esta desmoronando Paul – disse Mat fechando os olhos – Por mais que eu me diga que pode ser verdade eu não consigo acreditar que foi a minha mãe. Não consigo acreditar que ela é uma assassina.
— Ela é sua mãe meu amor – disse Paul acariciando eu rosto – Todos nós queremos que os nossos pais sejam bons, sejam os melhores.
Eles ficaram abraçados por um longo tempo.
Phillip entrou na sala de jantar onde sua mãe, pai e Yeda estavam comendo calmamente.
— Vocês tem até o amanhecer de amanhã para saírem das minhas terras.
— Ora, ora, ora – Alberta cruzou os talheres com elegância – Parece que o meu querido filho está virando homem.
— Você envenenou meu filho e só não esta morta por que é minha mãe. Mas a menos que queira que eu mude de ideia é bom que já não esteja aqui ao amanhecer.
— Phil o que há? – perguntou Yeda preocupada.
— Eu não tenho que falar mais nada a dizer a nem um de vocês – ele voltou-se a subiu as escadas.
— Minha senhora? – Yeda olhava para a mulher que sorria calmamente terminando seu jantar.
— É melhor terminar seu jantar antes que esfrie, minha querida. Amanhã acordaremos cedo para ir a Gorlan.
Yeda olhou Máder que continuava a comer como se nada tivesse acontecido e pensou que talvez Mark tenha razão. A ex-rainha Alberta era uma mulher a se temer. Ela teria que ter muito cuidado com os seus passos se não quisesse cair nas garras dela.
As minas de Alcerd ficavam ao sul do reino de Gorlan. Eram formadas por um sem numero de galerias onde em tempos imemoriais alguém escavou e viveu. Restos desse povo era visto ao se escavar e encontrar pedaços de vidro colorido e por algumas vezes livros presos em o que pareciam cofres. Livros que falavam de uma civilização a muito perdida.
As esferas do poder que eram escavadas ali haviam sido criadas pelos elfos há tanto tempo que ninguém mais podia quantificar.
Diziam que um meteoro havia caído na terra e ele era formado de uma liga metálica que quando misturada com a prata criava um metal duro e brilhante. Ele podia acumular magia para ser usada no futuro.
Assim os elfos passaram a acumular nelas todo tipo de energia. O que eles não sabiam é que as esferas podiam ser usadas pelos seres humanos aumentando em muito o seu poder. Os humanos descobriram isso e se iniciou uma guerra pelo poder das esferas.
Sem saber o que fazer os elfos começaram a prendê-las em prisões de cristal. Haviam descoberto que nada no mundo podia destruir uma esfera do poder, a única maneira de parar toda aquela loucura era prendendo as esferas dentro de imensos cristais mágicos, tão duros e invioláveis quanto as esferas.
Todavia nem todas foram presas. Muitas escaparam e se perderam. Quando a guerra acabou ninguém mais sabia onde elas estavam. O que restou foram boatos que no final se transformaram em lenda. Mas como se diz toda a lenda tem um fundi de verdade.
Kamm Taci havia acreditado nas lendas e agora tinha a prova disso nas suas mãos. Cinco esferas do poder que faziam sua pele comichar com o poder emanado delas.
— Planeja mesmo entregar tanto poder para Waldrich? – perguntou uma mulher sentada perto dele.
— Claro – ele voltou a colocar as esferas na sacola de couro e sorriu para ela.
Kamm, era um elfo, filho mais novo de Raguel de Jaire, o rei dos elfos da Floresta Velha. Sua beleza se comparava a maldade que brilhava em seus olhos. Sua companheira era uma elfo vermelha conhecida apenas por Naara. Era uma belíssima mulher de longos cabelos cor de fogo e olhos vermelhos.
— Sabe o que Waldrich mais quer nesta vida? Reino de Gaulesh. O reino que ele acha que é dele por direito. Enquanto os humanos estiverem brigando entre si e se destruindo eu marcharei para os reinos dos elfos e vou conquistá-los todos unificando aquilo que já foi uma única nação. Com o poder que as esferas certas podem me dar nem meu pai ou meu irmão Maleah vão poder fazer nada contra mim.
— Grandes planos meu querido – ela ronronou – Mas ainda temos um longo caminho. As esferas que procura ainda não foram achadas e as guerras estão longe de começar.
— Você esta certa com relação as esferas, mas quanto as guerras minha querida, não. Eu já dei o primeiro passo para que as nações humanas se destruam – ele deu um sorriso macabro e satisfeito.
Um muito obrigado a todos que estão lendo e se divertindo com as minhas postagens. Assim que as férias da faculdade chegarem no inicio de junho, prometo postar com mais rapides e trazer novas histórias. Obrigada e beijos!
terça-feira, 10 de abril de 2012
Caminhos do Destino - Capitulo XII
Capitulo XII
O homem vestido com roupas velhas fazia um contraste estranho com o belo vestido azul de Yeda. Eles estavam perto de um dos muros do castelo atrás de vários arbustos floridos.
— Obrigada meu querido – disse ela com a voz doce colocando na palma da mão do homem um saco de couro onde moedas tilintavam.
O homem a olhou com adoração e se afastou fazendo mesuras exageradas e tropeçando. Quando ele se afastou o suficiente a moça limpou as mãos no vestido com nojo e disse em uma voz fria e determinada.
— Mate ele, não quero que saia por ai falando demais.
Um homem saiu das sombras dos arbustos. Era alto e loiro vestindo o uniforme da guarda real de Gaulesh. Seus olhos azuis brilhavam frios e seu rosto bonito era uma máscara de escárnio.
— Agora eu sirvo?
— Você não vai me irritar, não é Mark? Eu já disse que não pedi para você fazer isso por que chamaria muita a atenção e eu não quero que o meu plano corra riscos. Afinal uma pessoa da região fazendo perguntas é diferente de um desconhecido. Eu precisava de informações para me livrar do duo.
— E você conseguiu o que? Que ele é um recluso que vive com um monte de filhos e faz ervas?
— Sua mente estreita me admira Mark – respondeu Yeda bufando – Eu descobri que os filhos são muito importantes para ele, tanto que para protegê-los faria qualquer coisa.
— Eu não vou matar crianças! Nem adianta!
— Será que eu disse que você deveria fazer isso? Para esse tipo de pessoa apenas a ameaça basta, seu idiota. Ouvi os empregados falando que Phillip vai convidá-los para a festa onde ira apresentar o seu novo filho. Preciso apenas de alguns minutos para acabar com esse relacionamento.
— Ainda gostaria de saber o que você acha que vai ganhar com um casamento com o filho rejeitado dos McGives.
— Estou interessada no título, Mark. Eu tenho fortuna, mas ter o nome McGives vai me abrir várias portas e se tenho que casar com um bobo da corte por isso eu o farei. Felizmente Mathew pelo menos é bonito. Agora vai fazer o que eu mandei!
Resmungando o soldado saiu resmungando. Yeda sorriu olhando em volta e se abanando com o leque. Ela tinha muitos planos para Mathew McGives.
Gwen não havia visto a sogra ou o sogro o dia todo e agradecia por isso. Lady Armaud havia descido para o café da manhã e sido muito educada e agradável, depois havia se divertido andando pelos jardins e conversando com todos a volta. Ela não podia entender o que uma moça tão educada e agradável estava fazendo com aquela bruxa.
Ela devia confessar que encontrara Alberta Maria German McGives apenas no dia do seu casamento em meio a um monte de políticos e ela apesar de fria não fora tão desagradável. Ao ouvir as histórias do marido não dera muito crédito, mas depois de saber o que ela tinha feito com Mat e agora de conhecê-la um pouco mais percebera que as histórias não haviam sido nem um pouco exageradas.
— Pedi para Capela levar o convite para Mat e Paul à tarde – disse Phil entrando no quarto onde a princesa lia com o pequeno Killian deitado em uma cunha pero dela – Só não posso dizer que ele vai aceitar tendo a nossa mãe aqui.
— Tenho certeza que ele pode suportar ela um pouquinho para comparecer a apresentação do nosso filho a sociedade.
— Ontem mesmo mandei um mensageiro a Gaulesh para falar com Dylan, mas entendo que é um tempo muito curto para ele conseguir vir.
— Ele já tinha prometido vir na festa da colheita, acredito que vai deixar para essa ocasião.
Phil foi até a cunha onde o bebê dormia calmamente e tocou com delicadeza no seu rostinho sentindo o quanto ela era cálida. Ele pensara poucas vezes em ser pai, estivera feliz demais em seu casamento para se preocupar com isso, mas agora ele não podia de sorrir todo bobo para o menino que dormia ali, pensando em como ele seria ao crescer, em como seria cavalgar com ele e ensinar a arte da esgrima para o seu filho.
— Eu não tinha pensado seriamente em ser pai, Gwen.
— Você se arrepende da decisão que tomou? – perguntou ela de repente insegura.
— Desde o momento que ele sorriu para mim eu percebi que esse pedacinho de gente tinha roubado o meu coração de forma definitiva e que eu estava adorando isso.
Como se percebesse que estavam falando dele, Killian acordo piscando os grandes olhos azuis e erguendo as mãos para o pai ao vê-lo.
— Você adora um colo, não é? – riu Phillip ao levantar o pequeno que, ao ver-se no colo do pai, começou a rir aquele seu riso tão doce e inocente que o príncipe passara a adorar.
Nesse momento houve uma batida na porta e Gwen pediu que entrasse. Era a babá trazendo a mamadeira de Killian. A velha senhora entregou o recipiente para a princesa e saiu com uma mesura sabendo o quanto a princesa gostava de amamentar o filho ela mesma.
Phil entregou o bebê para Gwen que deitou o menino delicadamente e começou a dar-lhe a mamadeira.
— Sabe que é a coisa mais linda do mundo observar vocês dois? – o príncipe todo bobo sentou na cama olhando mãe e filho.
Gwen riu dele beijando a testa do filho que de repente parou de mamar e virou o rosto.
— O que há? – ela perguntou – Você é o mocinho mais guloso que conheço? Não está frio nem nada – ela tentou novamente dar a mamadeira a ela, mas Killian deu um grito e virou o rosto.
Gwendelyn olhou assustada para o marido.
— Ele não deve estar com fome Gwen – ele tentou apaziguar o medo dela, mas ele mesmo se sentia preocupado já que aquela não era uma atitude típica de Killian.
A moça balançou a cabeça em concordância e colocou ele no ombro para rotar.
— Preciso falar com o prefeito sobre a festa de amanhã – disse Phillip levantando e beijando os lábios de Gwen e a testa de Killian que se mexia inquieto nos braços da mãe – qualquer coisa vou estar no meu escritório.
Ela balançou a cabeça, mas sua atenção estava voltada para o filho.
Quando o dia estava acabando Mathew se arrastou para dentro da casa para um banho e cair direto na cama. Quando ele tinha dito que ia ajudar Paul com a fazenda não tinha ideia que havia tanto trabalho a ser feito do nascer ao por do sol e que Paul fazia isso sozinho com as crianças, que não reclamavam dos seus afazeres.
Gabe ia de um lado para o outro trazendo gravetos, cuidando do galinheiro, limpando a estrebaria, colhendo ervas comestíveis na mata perto e trazendo frutas frescas para a casa.
Sara ficava com a casa e preparar as refeições e Shon mesmo sendo pequeno cuidava de Jared e Jason o que não era uma tarefa fácil.
Mais difícil ainda era convencer eles a tomarem banho. Paul tinha uma verdadeira neurose com a higiene e exigia que todos tomassem banho uma vez por dia e estivessem apresentáveis para o jantar.
Depois de conseguir empurrar os meninos para o banho ele podia ouvir os gritos de contentamento dos quatro dentro da banheira e depois a dificuldade de tirar eles de lá com a água já fria e o banheiro inundado.
Mat tomou banho no banheiro do quarto e Paul. Foi um prazer indescritível mergulhar na água morna que relaxava os seus músculos doloridos. Na verdade o que ele queria era que Paul estivesse ali com ele.
Durante todo o dia ele não tivera tempo em pensar na noite que haviam tido juntos, mas agora ele não se cansava de pensar em como Paul havia se entregado a ele de corpo e alma. Só de pensar que a noite podia se repetir seu membro ganhou vida e começou a ficar ereto.
Gemendo, ele segurou o pênis e começou a se masturbar pensando na boca quente e na língua molhada de Paul em seu membro, em como ela havia feito sexo oral com ele o olhando nos olhos com evidente prazer e como ele havia bebido toda a sua semente.
Mais alguns apertões e ele simplesmente pode gozar, como um adolescente que esta sempre com tesão.
Saiu da banheira e se enxugou vestindo roupa limpa e indo para a sala onde ouviu uma voz de homem, voz que ele achava que conhecia. Ao descer a escada percebeu que o tenente Capela estava confortavelmente sentado falando com Paul na sala.
— Mathew – chamou Paul sorrindo (para Mat ele estava sorrindo demais!) – O tenente Capela trouxe um convite do príncipe Phillip para a apresentação do Killian para a sociedade.
— Boa noite tenente – respondeu ele em tom frio – Não é um pouco tarde para trazer um recado?
— Mat! – Paul olhou contrariado para outro.
— Infelizmente não pude vir mais cedo – respondeu o tenente sorrindo com os seus dentes brancos iluminando a rosto de pele morena.
— Não tem importância, mas agora que esta aqui fica para jantar, não é?
— Claro Paul, eu vou adorar.
Mathew teve ganas de pegar o tenente pelo colarinho e jogá-lo fora, mas aquela era a casa de Paul e tinha certeza que se fizesse isso o outro ia lhe dar uma surra.
— O jantar esta pronto – Sara disse entrando na sala sorrindo para todos – Que bom que decidiu se juntar com a gente, tenente. Fiz empadão e legumes gratinados, espero que goste.
— Tenho certeza que vou adorar Sara.
— Sara chame os seus irmãos, por favor – pediu Paul olhando de soslaio para Mat que só faltava rosnar para Capela.
Foram para a mesa de jantar e logo as crianças desceram e começaram a conversar com o tenente, menos Gabe que olhava para o visitante com receio.
Mat pouco falou, mas respirou aliviado quando o tenente se despediu beijando a mão de Paul e quase causando um ataque no príncipe.
— Será que dá pra me explicar essa cara? – perguntou Paul colocando as mãos nos quadris.
— Eu podia ouvir ele ranger os dentes – disse Sara rindo e sentando perto da lareira.
— Você não acha que dá muita confiança para esse tenente? – Mat finalmente explodiu.
— Mathew... – Paul ia responder com toda a paciência quando Sara disse.
— Ele esta voltando junto com outro cavalo!
— O que será que ele esqueceu agora? – Mat estava contrariado ao abrir a porta e topar com Capela e mais uma pessoa chegando.
Ele se assustou ao perceber que era Gwen que pulou do cavalo segurando um embrulho. Ela estava chorando e correu para a varanda.
— Gwen o que há? – perguntou Mar assustado.
— Onde está Paul? – ela gritou e ele deixou-a entrar correndo.
Capela que estava segurando os cavalos olhou para Mat também perplexo.
— Achei ela na estrada vindo pra cá! Nem mesmo parou ou me respondeu.
Lá dentro Paul tinha se levantado e corrido para perto da princesa que parecia a ponto de desmaiar.
— Paul pelo amor de Deus ajude Killian – ela gritou.
Paul não perdeu tempo com perguntas e pegou o bebê no colo retirando as mantas olhando assustado para o rosto do menino que estava ficando azul. Ele tremia e parecia estar sufocando.
— Eu não consegui achar Phillip, eu não sabia o que fazer! – ela gemia enquanto Mat a obrigou a sentar.
— Desde quando ele esta assim princesa? – perguntou Paul colocando o menino em cima da cama e abrindo as roupas dele.
— A tarde eu tentei dar leite a ele e ele rejeitou e depois vomitou o pouco que tinha tomado. Duas horas depois, eu acho, ele começou a chorar e a ter febre. De repente ele pareceu sufocar e eu fiquei em pânico. Não achei Phillip em lugar nem um!
— Seu coração esta muito fraquinho – sussurrou Sara para Paul – Ele já quase não respira.
Paul havia percebido isso e ao ver as manchas negras por todo o corpo dele percebeu o que tinha acontecido. Ele correu para a cozinha abrindo a porta do porão e correndo para dentro onde um armário estava trancado a chave. Ali ele guardava suas ervas mais poderosas e que se usadas erradas viravam veneno. Pegou um vidro com um pó azul e voltou para a cozinha pegando água e uma colher.
Voltou para a sala onde Gwen estava ao lado de Killian chorando desconsolada com Sara do lado dela apertando seu braço. A moça nem tinha coragem de tocar o bebê que parecia quase morto.
Paul despejou uma pitada do pó dentro do copo e com uma colher tentou fazer com que Killian engolisse o liquido, mas boa parte escorria de sua boca deixando uma trilha azul na pele branca do seu rosto.
Paul tentou mais uma vez e agora ele pareceu engolir apenas um pouco. Ele repetiu isso até achar que ele tinha engolido o suficiente e pegou o bebê no colo colocando-o no ombro.
Gwen não tinha condições de segurá-lo, ela chorava no ombro de Mat que a abraçava com força rezando para que Paul soubesse o que estava fazendo.
Gabe havia levado as crianças para o seu quarto, já que eles haviam ficado assustados com toda a movimentação.
Jared sentou perto de Gabe na cama olhando-o com os olhos castanhos arregalados.
— Gabe você acha que o bebê vai morrer?
— Acho que o pai fazer de tudo para isso não acontecer, Jared – disse ele passando a mão nos cabelos curtos do menino.
— Tadinha da moça – ele murmurou deitando a cabeça nos joelhos do irmão – Ela tava chorando tanto.
Jason sentou perto do irmão que se parecia tanto com ele e o abraçou querendo consolá-lo. Shon estava sentado em sua cama abraçando os joelhos de modo triste.
Na sala Paul observava a princesa ainda nos braços de Mat. Seu choro era de cortar o coração, mas ele não podia fazer nada agora a não ser esperar.
— Me diga Paul – ele disse com a voz embargada e saindo dos braços do cunhado – O que aconteceu com o meu filho?
— Princesa...
— Por favor!
— Killian foi envenenado com um veneno chamado sangue negro. Ele tem ação imediata, mas Killian deve ter bebido muito pouco e vomitado o que ingeriu ou eu não teria como salvá-lo.
— Meu filho foi envenenando? – seus olhos brilharam com uma raiva cega – Quando eu encontrar quem fez isso eu mesma vou matá-lo!!
— Gwen eu vou pedir para Capela ir atrás de Phillip – disse Mat segurando os braços da moça.
— Que ele se preocupe! – gritou ela – Quando nós mais precisamos dele, o que ele faz? Desaparece!
— Gwen você esta cheia de raiva agora, mas quando se acalmar vai perceber que Phillip não teve culpa.
— Me acalmar!? Mat não é um filho seu que está ali morrendo! Então não me fale de me acalmar!
— Não é meu filho, mas é o meu sobrinho Gwendelyn! Como você acha que estou me sentindo? Como você acha que Phil vai se sentir ao saber que quando seu filho passou mal ele não estava por perto? Você não é a única a sofrer aqui!
— Me desculpe – ela voltou a cair em prantos – Eu só o tive por dois dias e a simples possibilidade de perdê-lo me faz ter vontade de morrer também.
— Princesa posso ouvir o coração dele bater mais forte – disse Sara sorrindo – Sua respiração esta melhorando. Acho que o remédio da minha mãe deu certo.
Ela olhou com olhos arregalados para Paul que olhava para Killian e sorria. Seu rosto não era mais azul e ele já não tremia. Agora ele podia sentir sua respiração fraca, mas constante.
— Seu menino é um lutador, princesa – disse Paul entregando Killian para ela com lágrimas nos olhos. Por alguns minutos ele mesmo havia ficado com medo dele morrer.
Gwen recebeu o filho nos braços como se ele fosse de um frágil cristal.
— Paul me fale desse veneno – disse Mat olhando para o curandeiro.
— O sangue negro é feito de duas ervas achadas apenas no deserto. Ele é muito caro e usado para matar animais de grande porte, já que ele não deixa vestígios na carne. Já tratei de dois caçadores que tinham se cortado com as pontas das flechas sem querer e se envenenado. Apenas um deles sobreviveu. O antídoto é uma planta que é também um veneno, mas se usado na dosagem certa pode cortar o efeito do sangue negro.
— Precisamos saber quem fez isso. Ninguém no castelo vai estar em segurança enquanto não pegarmos esse criminoso.
— Você me desculpa Mat – a voz de Gwen estava dura – Mas eu sei quem fez isso.
— Você sabe?!
— Foi a sua mãe!
O homem vestido com roupas velhas fazia um contraste estranho com o belo vestido azul de Yeda. Eles estavam perto de um dos muros do castelo atrás de vários arbustos floridos.
— Obrigada meu querido – disse ela com a voz doce colocando na palma da mão do homem um saco de couro onde moedas tilintavam.
O homem a olhou com adoração e se afastou fazendo mesuras exageradas e tropeçando. Quando ele se afastou o suficiente a moça limpou as mãos no vestido com nojo e disse em uma voz fria e determinada.
— Mate ele, não quero que saia por ai falando demais.
Um homem saiu das sombras dos arbustos. Era alto e loiro vestindo o uniforme da guarda real de Gaulesh. Seus olhos azuis brilhavam frios e seu rosto bonito era uma máscara de escárnio.
— Agora eu sirvo?
— Você não vai me irritar, não é Mark? Eu já disse que não pedi para você fazer isso por que chamaria muita a atenção e eu não quero que o meu plano corra riscos. Afinal uma pessoa da região fazendo perguntas é diferente de um desconhecido. Eu precisava de informações para me livrar do duo.
— E você conseguiu o que? Que ele é um recluso que vive com um monte de filhos e faz ervas?
— Sua mente estreita me admira Mark – respondeu Yeda bufando – Eu descobri que os filhos são muito importantes para ele, tanto que para protegê-los faria qualquer coisa.
— Eu não vou matar crianças! Nem adianta!
— Será que eu disse que você deveria fazer isso? Para esse tipo de pessoa apenas a ameaça basta, seu idiota. Ouvi os empregados falando que Phillip vai convidá-los para a festa onde ira apresentar o seu novo filho. Preciso apenas de alguns minutos para acabar com esse relacionamento.
— Ainda gostaria de saber o que você acha que vai ganhar com um casamento com o filho rejeitado dos McGives.
— Estou interessada no título, Mark. Eu tenho fortuna, mas ter o nome McGives vai me abrir várias portas e se tenho que casar com um bobo da corte por isso eu o farei. Felizmente Mathew pelo menos é bonito. Agora vai fazer o que eu mandei!
Resmungando o soldado saiu resmungando. Yeda sorriu olhando em volta e se abanando com o leque. Ela tinha muitos planos para Mathew McGives.
Gwen não havia visto a sogra ou o sogro o dia todo e agradecia por isso. Lady Armaud havia descido para o café da manhã e sido muito educada e agradável, depois havia se divertido andando pelos jardins e conversando com todos a volta. Ela não podia entender o que uma moça tão educada e agradável estava fazendo com aquela bruxa.
Ela devia confessar que encontrara Alberta Maria German McGives apenas no dia do seu casamento em meio a um monte de políticos e ela apesar de fria não fora tão desagradável. Ao ouvir as histórias do marido não dera muito crédito, mas depois de saber o que ela tinha feito com Mat e agora de conhecê-la um pouco mais percebera que as histórias não haviam sido nem um pouco exageradas.
— Pedi para Capela levar o convite para Mat e Paul à tarde – disse Phil entrando no quarto onde a princesa lia com o pequeno Killian deitado em uma cunha pero dela – Só não posso dizer que ele vai aceitar tendo a nossa mãe aqui.
— Tenho certeza que ele pode suportar ela um pouquinho para comparecer a apresentação do nosso filho a sociedade.
— Ontem mesmo mandei um mensageiro a Gaulesh para falar com Dylan, mas entendo que é um tempo muito curto para ele conseguir vir.
— Ele já tinha prometido vir na festa da colheita, acredito que vai deixar para essa ocasião.
Phil foi até a cunha onde o bebê dormia calmamente e tocou com delicadeza no seu rostinho sentindo o quanto ela era cálida. Ele pensara poucas vezes em ser pai, estivera feliz demais em seu casamento para se preocupar com isso, mas agora ele não podia de sorrir todo bobo para o menino que dormia ali, pensando em como ele seria ao crescer, em como seria cavalgar com ele e ensinar a arte da esgrima para o seu filho.
— Eu não tinha pensado seriamente em ser pai, Gwen.
— Você se arrepende da decisão que tomou? – perguntou ela de repente insegura.
— Desde o momento que ele sorriu para mim eu percebi que esse pedacinho de gente tinha roubado o meu coração de forma definitiva e que eu estava adorando isso.
Como se percebesse que estavam falando dele, Killian acordo piscando os grandes olhos azuis e erguendo as mãos para o pai ao vê-lo.
— Você adora um colo, não é? – riu Phillip ao levantar o pequeno que, ao ver-se no colo do pai, começou a rir aquele seu riso tão doce e inocente que o príncipe passara a adorar.
Nesse momento houve uma batida na porta e Gwen pediu que entrasse. Era a babá trazendo a mamadeira de Killian. A velha senhora entregou o recipiente para a princesa e saiu com uma mesura sabendo o quanto a princesa gostava de amamentar o filho ela mesma.
Phil entregou o bebê para Gwen que deitou o menino delicadamente e começou a dar-lhe a mamadeira.
— Sabe que é a coisa mais linda do mundo observar vocês dois? – o príncipe todo bobo sentou na cama olhando mãe e filho.
Gwen riu dele beijando a testa do filho que de repente parou de mamar e virou o rosto.
— O que há? – ela perguntou – Você é o mocinho mais guloso que conheço? Não está frio nem nada – ela tentou novamente dar a mamadeira a ela, mas Killian deu um grito e virou o rosto.
Gwendelyn olhou assustada para o marido.
— Ele não deve estar com fome Gwen – ele tentou apaziguar o medo dela, mas ele mesmo se sentia preocupado já que aquela não era uma atitude típica de Killian.
A moça balançou a cabeça em concordância e colocou ele no ombro para rotar.
— Preciso falar com o prefeito sobre a festa de amanhã – disse Phillip levantando e beijando os lábios de Gwen e a testa de Killian que se mexia inquieto nos braços da mãe – qualquer coisa vou estar no meu escritório.
Ela balançou a cabeça, mas sua atenção estava voltada para o filho.
Quando o dia estava acabando Mathew se arrastou para dentro da casa para um banho e cair direto na cama. Quando ele tinha dito que ia ajudar Paul com a fazenda não tinha ideia que havia tanto trabalho a ser feito do nascer ao por do sol e que Paul fazia isso sozinho com as crianças, que não reclamavam dos seus afazeres.
Gabe ia de um lado para o outro trazendo gravetos, cuidando do galinheiro, limpando a estrebaria, colhendo ervas comestíveis na mata perto e trazendo frutas frescas para a casa.
Sara ficava com a casa e preparar as refeições e Shon mesmo sendo pequeno cuidava de Jared e Jason o que não era uma tarefa fácil.
Mais difícil ainda era convencer eles a tomarem banho. Paul tinha uma verdadeira neurose com a higiene e exigia que todos tomassem banho uma vez por dia e estivessem apresentáveis para o jantar.
Depois de conseguir empurrar os meninos para o banho ele podia ouvir os gritos de contentamento dos quatro dentro da banheira e depois a dificuldade de tirar eles de lá com a água já fria e o banheiro inundado.
Mat tomou banho no banheiro do quarto e Paul. Foi um prazer indescritível mergulhar na água morna que relaxava os seus músculos doloridos. Na verdade o que ele queria era que Paul estivesse ali com ele.
Durante todo o dia ele não tivera tempo em pensar na noite que haviam tido juntos, mas agora ele não se cansava de pensar em como Paul havia se entregado a ele de corpo e alma. Só de pensar que a noite podia se repetir seu membro ganhou vida e começou a ficar ereto.
Gemendo, ele segurou o pênis e começou a se masturbar pensando na boca quente e na língua molhada de Paul em seu membro, em como ela havia feito sexo oral com ele o olhando nos olhos com evidente prazer e como ele havia bebido toda a sua semente.
Mais alguns apertões e ele simplesmente pode gozar, como um adolescente que esta sempre com tesão.
Saiu da banheira e se enxugou vestindo roupa limpa e indo para a sala onde ouviu uma voz de homem, voz que ele achava que conhecia. Ao descer a escada percebeu que o tenente Capela estava confortavelmente sentado falando com Paul na sala.
— Mathew – chamou Paul sorrindo (para Mat ele estava sorrindo demais!) – O tenente Capela trouxe um convite do príncipe Phillip para a apresentação do Killian para a sociedade.
— Boa noite tenente – respondeu ele em tom frio – Não é um pouco tarde para trazer um recado?
— Mat! – Paul olhou contrariado para outro.
— Infelizmente não pude vir mais cedo – respondeu o tenente sorrindo com os seus dentes brancos iluminando a rosto de pele morena.
— Não tem importância, mas agora que esta aqui fica para jantar, não é?
— Claro Paul, eu vou adorar.
Mathew teve ganas de pegar o tenente pelo colarinho e jogá-lo fora, mas aquela era a casa de Paul e tinha certeza que se fizesse isso o outro ia lhe dar uma surra.
— O jantar esta pronto – Sara disse entrando na sala sorrindo para todos – Que bom que decidiu se juntar com a gente, tenente. Fiz empadão e legumes gratinados, espero que goste.
— Tenho certeza que vou adorar Sara.
— Sara chame os seus irmãos, por favor – pediu Paul olhando de soslaio para Mat que só faltava rosnar para Capela.
Foram para a mesa de jantar e logo as crianças desceram e começaram a conversar com o tenente, menos Gabe que olhava para o visitante com receio.
Mat pouco falou, mas respirou aliviado quando o tenente se despediu beijando a mão de Paul e quase causando um ataque no príncipe.
— Será que dá pra me explicar essa cara? – perguntou Paul colocando as mãos nos quadris.
— Eu podia ouvir ele ranger os dentes – disse Sara rindo e sentando perto da lareira.
— Você não acha que dá muita confiança para esse tenente? – Mat finalmente explodiu.
— Mathew... – Paul ia responder com toda a paciência quando Sara disse.
— Ele esta voltando junto com outro cavalo!
— O que será que ele esqueceu agora? – Mat estava contrariado ao abrir a porta e topar com Capela e mais uma pessoa chegando.
Ele se assustou ao perceber que era Gwen que pulou do cavalo segurando um embrulho. Ela estava chorando e correu para a varanda.
— Gwen o que há? – perguntou Mar assustado.
— Onde está Paul? – ela gritou e ele deixou-a entrar correndo.
Capela que estava segurando os cavalos olhou para Mat também perplexo.
— Achei ela na estrada vindo pra cá! Nem mesmo parou ou me respondeu.
Lá dentro Paul tinha se levantado e corrido para perto da princesa que parecia a ponto de desmaiar.
— Paul pelo amor de Deus ajude Killian – ela gritou.
Paul não perdeu tempo com perguntas e pegou o bebê no colo retirando as mantas olhando assustado para o rosto do menino que estava ficando azul. Ele tremia e parecia estar sufocando.
— Eu não consegui achar Phillip, eu não sabia o que fazer! – ela gemia enquanto Mat a obrigou a sentar.
— Desde quando ele esta assim princesa? – perguntou Paul colocando o menino em cima da cama e abrindo as roupas dele.
— A tarde eu tentei dar leite a ele e ele rejeitou e depois vomitou o pouco que tinha tomado. Duas horas depois, eu acho, ele começou a chorar e a ter febre. De repente ele pareceu sufocar e eu fiquei em pânico. Não achei Phillip em lugar nem um!
— Seu coração esta muito fraquinho – sussurrou Sara para Paul – Ele já quase não respira.
Paul havia percebido isso e ao ver as manchas negras por todo o corpo dele percebeu o que tinha acontecido. Ele correu para a cozinha abrindo a porta do porão e correndo para dentro onde um armário estava trancado a chave. Ali ele guardava suas ervas mais poderosas e que se usadas erradas viravam veneno. Pegou um vidro com um pó azul e voltou para a cozinha pegando água e uma colher.
Voltou para a sala onde Gwen estava ao lado de Killian chorando desconsolada com Sara do lado dela apertando seu braço. A moça nem tinha coragem de tocar o bebê que parecia quase morto.
Paul despejou uma pitada do pó dentro do copo e com uma colher tentou fazer com que Killian engolisse o liquido, mas boa parte escorria de sua boca deixando uma trilha azul na pele branca do seu rosto.
Paul tentou mais uma vez e agora ele pareceu engolir apenas um pouco. Ele repetiu isso até achar que ele tinha engolido o suficiente e pegou o bebê no colo colocando-o no ombro.
Gwen não tinha condições de segurá-lo, ela chorava no ombro de Mat que a abraçava com força rezando para que Paul soubesse o que estava fazendo.
Gabe havia levado as crianças para o seu quarto, já que eles haviam ficado assustados com toda a movimentação.
Jared sentou perto de Gabe na cama olhando-o com os olhos castanhos arregalados.
— Gabe você acha que o bebê vai morrer?
— Acho que o pai fazer de tudo para isso não acontecer, Jared – disse ele passando a mão nos cabelos curtos do menino.
— Tadinha da moça – ele murmurou deitando a cabeça nos joelhos do irmão – Ela tava chorando tanto.
Jason sentou perto do irmão que se parecia tanto com ele e o abraçou querendo consolá-lo. Shon estava sentado em sua cama abraçando os joelhos de modo triste.
Na sala Paul observava a princesa ainda nos braços de Mat. Seu choro era de cortar o coração, mas ele não podia fazer nada agora a não ser esperar.
— Me diga Paul – ele disse com a voz embargada e saindo dos braços do cunhado – O que aconteceu com o meu filho?
— Princesa...
— Por favor!
— Killian foi envenenado com um veneno chamado sangue negro. Ele tem ação imediata, mas Killian deve ter bebido muito pouco e vomitado o que ingeriu ou eu não teria como salvá-lo.
— Meu filho foi envenenando? – seus olhos brilharam com uma raiva cega – Quando eu encontrar quem fez isso eu mesma vou matá-lo!!
— Gwen eu vou pedir para Capela ir atrás de Phillip – disse Mat segurando os braços da moça.
— Que ele se preocupe! – gritou ela – Quando nós mais precisamos dele, o que ele faz? Desaparece!
— Gwen você esta cheia de raiva agora, mas quando se acalmar vai perceber que Phillip não teve culpa.
— Me acalmar!? Mat não é um filho seu que está ali morrendo! Então não me fale de me acalmar!
— Não é meu filho, mas é o meu sobrinho Gwendelyn! Como você acha que estou me sentindo? Como você acha que Phil vai se sentir ao saber que quando seu filho passou mal ele não estava por perto? Você não é a única a sofrer aqui!
— Me desculpe – ela voltou a cair em prantos – Eu só o tive por dois dias e a simples possibilidade de perdê-lo me faz ter vontade de morrer também.
— Princesa posso ouvir o coração dele bater mais forte – disse Sara sorrindo – Sua respiração esta melhorando. Acho que o remédio da minha mãe deu certo.
Ela olhou com olhos arregalados para Paul que olhava para Killian e sorria. Seu rosto não era mais azul e ele já não tremia. Agora ele podia sentir sua respiração fraca, mas constante.
— Seu menino é um lutador, princesa – disse Paul entregando Killian para ela com lágrimas nos olhos. Por alguns minutos ele mesmo havia ficado com medo dele morrer.
Gwen recebeu o filho nos braços como se ele fosse de um frágil cristal.
— Paul me fale desse veneno – disse Mat olhando para o curandeiro.
— O sangue negro é feito de duas ervas achadas apenas no deserto. Ele é muito caro e usado para matar animais de grande porte, já que ele não deixa vestígios na carne. Já tratei de dois caçadores que tinham se cortado com as pontas das flechas sem querer e se envenenado. Apenas um deles sobreviveu. O antídoto é uma planta que é também um veneno, mas se usado na dosagem certa pode cortar o efeito do sangue negro.
— Precisamos saber quem fez isso. Ninguém no castelo vai estar em segurança enquanto não pegarmos esse criminoso.
— Você me desculpa Mat – a voz de Gwen estava dura – Mas eu sei quem fez isso.
— Você sabe?!
— Foi a sua mãe!
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